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Tributo a Adelaide João

por Naçao Valente, em 19.04.15

AdelaideJoão uma actriz que enriqueceu com o seu talento o teatro e o cinema em Portugal. Tive o prazer de a conhecer, pessoalmente, nos 70, e conheci-a como profissional na arte de representar que se empenhava na participação da cidadania. Sem vedetismos. Aqui lhe presto o meu tributo.

Fonte Plateia, via Os Dias que Voam

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publicado às 17:18

Final feliz

por Naçao Valente, em 12.11.13

Palco

 

Átrio da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

 

 

 

 

Cena I

 

Caminho com o meu ar blasé por entre uma multidão de figurantes. Mas que coisa é essa de ar blasé? É uma pertinente interrogação. Pode ser apenas uma figura de estilo para dar ao texto alguma consistência literária. Pode mas não é só. Explico. Vestido de ganga, mesmo de contrafacção, cabelo ligeiramente despenteado, barba de três dias, andar vagamente ausente e distraído como quem paira deslizando ou desliza pairando.

 

Cena II

Passo por grupos e grupinhos em alegre ou sisuda cavaqueira, cruzo-me com gente embrenhada (possivelmente) nos mais desvairados pensamentos, tal como eu. Eis senão quando sou barrado, literalmente, por duas graciosas e blasés jovens que se interpõem no meu caminho. Tanto quanto é possível reagir em tempo oportuno, estaquei algo assustado pois podia estar a ser alvo de um assalto. Respirei fundo e sosseguei o espírito pois assalto no meio daquela pequena multidão não tinha cabimento. Além disso, assaltado e cada vez mais mal pago sou eu todos os dias por caras bem menos simpáticas que ainda por cima me acusam de gastador de recursos que não produzo.

 

Cena III

-Este cavalheiro pode ajudar-nos, disse a mocinha que parecia mais ousada. Ousada até no vestuário que lhe desenhava as sinuosas linhas do corpo com aquelas saudosas curvas da antiga estrada da Beira. Ajudar? Mas porquê eu? foi a primeira ideia que ma veio à mente. Não estou identificado como ajudador, nem me lembro de ter feito recruta nos escuteiros. Olhei algo perplexo para a outra dama que aflorou um sorriso por cima da sua blusa decotada, de onde me espreitavam uns seios atrevidos. Desci o olhar fugidio até uns calções envergonhados por esconder um resto de pernas roliças. Senti a mente fugir ao controle dos limites dos impulsos que refreiam os desejos. Lamentei-me das incapacidades causadas pela PDI. Tudo em menos tempo que leva a contar.

 

Cena IV

-Sabe dizer-me onde está a decorrer o Festival de Teatro, disse a curvilínea moça. Ainda me apeteceu usar um lugar comum, "só sei que nada sei", com sentido de tirada intelectualóide, para impressionar, mas refreei-me. Seguramente não era essa a praia das gostosas mocinhas. Pela amostra a sua praia era mais a ondulação de escaldantes dunas que lhes moldavam a existência. Isto sou eu a imaginar. Mas o teatro também não era a minha praia, com muita pena, pois sempre fui atraído pelas luzes da ribalta. O meu único teatro é o do sombrio dia a dia, o meu palco é o da vida onde não passo de mero figurante.

 

Cena V

 - Não sei, foram as únicas palavras que consegui articular. Não sabia mesmo. Educadamente agradeceram. Seguramente desiludidas por entre tanta escolha apostarem no cavalo errado. Cavalo não, antes burro. Se assim não fosse teria logo ali inventado uma narrativa e revolvido seca e meca para levar as mocinhas a bom porto. Teria cometido uma boa acção, não as desiludiri e conseguiria um final feliz. Porque raio é que este acontece tantas vezes no teatro e nem sempre na vida?

 

MG

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publicado às 17:51

Mundos paralelos (Imaginarius)

por Naçao Valente, em 28.05.12

Maurangas  Argentina

 

Imagine que está sentado na relva de um jardim a assistir ao espectáculo de tipo sul-americano com muita piada. Imagine que o indivíduo lhe enfia um capacete militar e o arregimenta para com outros ex-assistentes formar um pelotão. Imagine que lhe coloca uma campainha na mão e que o faz agitá-la em sincronia com outras campainhas fazendo-o protagonista de um concerto.

 

Grotest Maru Alemanha

 

Imagine que está no meio de uma pequena multidão numa praça pública e vindos do nada entram pela praça cinco estranhas figuras, caras inexpressivas, qual esculturas de tosca madeira, vestidos de fatos cinzentos com malas de executivos bancários. Imagine que que se deslocam em estranhos movimentos, hirtos e silenciosos por entre a multidão. Imagine que olhos nos olhos nos interrogam sem dizer uma palavra sobre  o nosso tempo de vida e como o passamos. Imagine que entram no edifício da Câmara Municipal, surgem nas varandas e nas janelas em inesperadas coreografias e de onde por fim descem pendurados em cordas e estranhos bailados e acrobacias, sempre munidos das suas pastas de executivos. E veja-os  "Ansiosos, assustadores e, porém,  patéticos (...) figuras tragicómicas, palhaços do nosso tempo.  Irá o sistema colapsar? Estaremos nós no seio de um desastre ou será este já o  dia após a catástrofe? Se somos “recursos humanos”, para quê sermos a  matéria-prima? Como gastamos o nosso tempo de vida? " Eia as interrogações que permanecem.

Pan.optikum  Alemanha

Imagine-se numa noite escura envolvido numa dramatização sobre a existência e o seu sentido. Imagine-se protagonista de uma história do mundo pautada por guerras de interesses e de invenção de todos os muros. E veja-se confrontado com a dúvida: estamos sós ou será que alguém nos observa? E veja a acção desenrolar-se em palcos móveis por entre o grande palco ocupado por uma multidão. E espante-se perante os efeitos visuais finais, multimédia, de artes circenses e pirotecnia que deixarão em aberto esta questão: "poderá ser que façamos parte do todo da  existência e, consequentemente estejamos ligados a todos os humanos e aos  outros seres do universo? "

 

Imagine-se em mundos paralelos por onde se circula livremente  sem pagar qualquer imposto. Imagine-se em mundos sem austeridades e  sem a desbunda do capitalismo selvagem sem alternativa e onde há vida para além da troika e onde se comprova que nem só de pão vive o homem e onde a vida não se resume num cifrão. 

 

Isto e muito mais não foi apenas imaginação. Isto e muito mais(cirque hisurt, frança, teatro a quatro, teatro bandido, Portugal, prodicciones aledañas, Espanha etc, etc ) viu-se  no Imaginarius, Festival do Teatro de Rua em Santa Maria da Feira. Sonho, alegria, reflexão, esperança, espectáculo!

 

MG

 

PS Os meus agradecimentos ao município de terras de Santa Maria, por oferecerem, gratuitamente, há doze anos, a milhares de visitantes, este festival de cultura, único no país.

 

 

 

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publicado às 21:25

Técnicas de engate

por Naçao Valente, em 01.05.12

 

Nasci na galáxia de Gutemberg. Vivo na galáxia Berners-Lee (fundador da Internet)Na minha galáxia de origem a informação e a comunicação faziam-se maioritariamente no papel. Em Gutemberg o engate (técnica para conquistar uma gaja ou vice-versa) ou se fazia por aproximação directa ou através de emocionadas cartas de amor (havia até manuais exemplificativos) ou em contactos colocados em páginas da imprensa.

Nessa época, militava na adolescência e acalentava um daqueles sonhos absurdos que fazem jus à idade das ilusões. Queria ser artista de teatro, rádio e televisão. Nem mais, nem menos. Difícil era concretizá-lo. Felizmente, havia uma generosa porta de oportunidade para os jovens que corriam atrás da fama dourada: uma revista de espectáculos chamada Plateia, criou nas suas páginas o Ficheiro artístico nacional. Qualquer candidato a estrela podia colocar a sua esperança neste ficheiro, desde que pagasse o justo preço. (não existia o conceito de publicidade enganosa) Foi assim que a minha pose artística saiu nas páginas dessa revista. A imagem de galã , devidamente estudada, não impressionou nenhum produtor do mundo artístico, mas impressionou algumas gajas casadoiras que me enviaram cartas nas quais se disfarçavam de fãs. Escreveram-me de desvairados sítios com nomes estranhos, como Vagos, Carrazeda de Anciães ou Vigo (na da internacionalização) entre outros. O artista da galáxia de Gutemberg esfumou-se na volatilidade do tempo e as suas fãs ocasionais sumiram antes de o terem sido. Artista uma ova!Engate zero!

Não sou um filho da galáxia Internet, mas esta adoptou-me com todo o carinho. Já não estou na fase do engate. Mesmo assim, nesta galáxia, qualquer um se sujeita a encontros imediatos de grau elevado. Esta semana recebi um email de uma organização  (omito a sua designação) que me propunha fazer um teste de personalidade gratuito. Devia estar avisado, pois até recusei outras propostas idênticas, como descobrir, por exemplo, as vidas passadas. A carne é fraca, curiosidade cega o gato, e apesar da experiência de vida caí que nem um patinho. Fiz o tal teste e depois de responder a várias perguntas veio o veredicto: perfil científico. O melhor, porém estava para vir, quando se começou a a desenrolar no meu horizonte visual, um naipe de gajas para todos os gostos e paladares, que segundo a informação encaixavam que nem uma luva no meu perfil de ser avançado. Havia muitas cinquentonas o que não me agradou. Para essas faixas já eu cá estou. Felizmente, havia a possibilidade de ir descendo na escala. Assim fui-me aproximando das trintonas. A coisa estava a melhorar. Ainda pensei chegar às de vinte, mas não tive coragem. Lembrei-me do senhor Pinto da Costa e dos sarilhos que passou com a menina Carolina. Bem, agora acho que já está nas teenegers o que é normal, pois os extremos tocam-se. Quando lá chegar quem sabe. Ainda pensei que se com tanta e com tão diversificada oferta não seria de aproveitar e arranjar uma em cada distrito. 

Mas primeiro Resolvi e bem, ler a filosofia do site: Nós sabemos que encontrar a pessoa perfeita é difícil. Foi por isso que criamos o ,,,, para ajudar os solteiros, inteligentes e ambiciosos a encontrar a sua "cara metade". Ler mais para quê? Caramba, quem não gosta que lhe chamem inteligente? E ambicioso? E ter uma cara metade? Mas notei uma contradição: se neste pacote se associa inteligência, ambição e "solteirice" e  em coerência, se perde o último item não se ficará casado, acomodado e burrinho. Não arrisco nem petisco. Fica tudo como está. Engate zero! Ao menos continuo no ficheiro do engate na ponta dos dedos. Ao menos continuo inteligente, mesmo quando não tenho nada para dizer, como hoje. E assim arranjo desculpa por escrever umas calinadas.

 

MG

 

 

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publicado às 00:28

Música

por Naçao Valente, em 11.07.11
Notas iniciais de Rhapsody in Blue.

 

 Quem não conhece esta cena do filme Um americano em Paris? Ganhou com toda a justiça direito a figurar nos anais do cinema. E representa uma época áurea da chamada sétima arte, quando esta arte da evasão e do entretenimento era um espectáculo colectivo com capacidade de reunir pessoas num mesmo espaço para dar corpo ao sonho e à fantasia.

 

Foi protagonista desta fita Gene Kelly conhecido pelos seus dotes de representação. Mas nem todos devem conhecer o compositor desta música e de muitas outras composições quer na área do musical, quer o campo da música clássica. Trata-se de George Gershwin, nascido Jacob Gershowitz, (Brooklyn, Nova Iorque, 26 de setembro de 1898Hollywood, Califórnia, 11 de julho de 1937), simplesmente.

 

Gene Kelly- I'm singing in the rain

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publicado às 23:24

Teatro de fantoches-o verdadeiro lixo

por Naçao Valente, em 06.07.11

retrovamoslembrar.blogspot.com

 

Como escrevi aqui, ainda no tempo da outra senhora, as agências de rating não passam de buldolgues de obscuros interesses financeiros. E o mais curioso é que vi muita gente defendê-las como cândidas avaliadores da saúde de empresas e países. Ao fim e ao cabo, os maus da fita eram os preguiçosos do Sul que parasitavam, sem vergonha,  os burros de carga do Norte. Esses tais, agora representados no poder, começam a beber este veneno e o seu próprio, quando defendiam estes especuladores internacionais e acusavam o governo socialista de todos os males nacionais.

 

Uma das teses que explica a sanha destas agências, todas Norte Americanas, contra os países mais fracos da zona euro é que não passam de bonecos manipulados dos interesses capitalistas ligados ao dólar e com o objectivo de destruir a zona euro. A ser assim, o mais estranho é que a titubiante super estrutura política da UE não consiga entender este ataque e unir-se na defesa conjunta do projecto europeu. Neste sentido só há um caminho: organizar-se em torno dos seus valores e com os seus meios colocar este teatro de fantoches onde deve estar, isto é no caixote do lixo, porque esse é o lugar do verdadeiro LIXO.

 

MG

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publicado às 18:16

Imaginarius

por Naçao Valente, em 24.05.11

 

 

 

No último fim de semana realizou-se mais um IMAGINARIUS, festival de teatro de rua que, no mês de Maio, traz a Santa Maria da Feira três noites de imaginação e magia. O Imaginarius é uma mescla de teatro, artes circenses, música  acompanhada de encenações de grande espectacularidade. Com vários espectáculos em simultâneo e em espaço aberto, atrai multidões para ver a criatividade de artistas de vários países. Com calor ou com frio não dispenso, embora este ano, talvez fruto da crise, o festival tenha sido mais modesto. Aqui posto alguns vídeos para quem acredita que a arte é o sal da vida.

 

MG

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:50

Novela mexicana: geração rasca

por Naçao Valente, em 27.10.10

 

A política portuguesa é como uma novela mexicana. Na baixa qualidade, no enredo de faca e alguidar, no dramatismo bacoco, na inconsistência das personagens, no irrealismo do argumento. Os políticos portugueses são actores de segunda linha, recrutados num concurso de enganos.

 

Nesta história trágico-cómica que é a politica portuguesa são como os músicos do Titanic. A nação que já foi valente está quase a afundar-se, mas eles continuam a dar música para os náufragos meio assustados, meio incrédulos, mas que continuam a dançar inebriados pela grande ilusão.

 

Fomos uma pequena grande nau dirigida por timoneiros de grande gabarito, de grande estatura moral. Hoje estamos sob o domínio de uma geração rasca , irresponsável, sem valores. Da esquerda à direita, no poder e no contra-poder. Movem-se por interesses imediatos, por objectivos de poder pessoal, por clientelas, por mais um voto. O país que se dane, a independência nacional  que se lixe. São piores que Miguel Vasconcelos , mais cínicos, mais broncos. É desta gente que se alimentam os ditadores . Antes que seja tarde chamem a polícia ou em alternativa chamem a pulissia. Sempre é mais divertido!

 

MG

 

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publicado às 22:30




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