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Bem vinda Lili

por Naçao Valente, em 08.10.14

Acreditam em coincidências? Acreditem ou não, garanto que elas acontecem. Pois, e como já escrevi, continuo  a tomar o meu café diário, no local onde antes me era servido pela Lili. E deixou de o ser, a partir do dia, em que a eficiente jovem, desapareceu de cena. Mas vou sempre, com a esperança que a Lili ainda apareça, como um D. Sebastião em dia de nevoeiro. E não é que ao contrário do desaparecido rei, a Lili apareceu mesmo, enquanto degustava a minha bica?

Esta minha fixação na Lili, até pode parecer um comportamento obsessivo. Que seja! Que p0sso fazer? O nosso coração tem razões que a razão desconhece. Ou de uma maneira mais científica, são misteriosas as razões dos caminhos da nossa mente.Ou talvez me compreendessem melhor se conhecessem a Lili. O que posso dizer é que a presença da Lili tem o condão de me rejuvenescer, e até de me fazer esquecer da situação de vil tristeza, para que nos arrastaram as actuais lideranças políticas.

 

A Lili apareceu, com todo o seu esplendor juvenil, com toda a sua sedução,mas também com aquela simplicidade ingénua que a caracteriza. Neste local já não serve mais café. Agora voltou como mais uma cliente. Mas voltou com o mesmo sorriso redentor. E como diz o ditado (adaptado) a felicidade volta sempre ao local onde foi feliz. Hoje, por breves instantes, acreditei que o sonho e a realidade podem andar de braço de dado. Aprendi, que manter o sonho vivo, é a forma de renascermos, a cada dia, das cinzas negras de um quotidiano medíocre. Bem vinda, Lili. 

MG

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publicado às 16:41

No escurinho do cinema

por Naçao Valente, em 03.09.14

Imagem NET

 

Lumiére pôs imagens em movimento. Depois, depois veio o cinema, dito sétima arte. Arte democrática por excelência, arte acessível a todas as bolsas e por conseguinte arte popular. A maior indústria de entretenimento, rompe barreiras linguísticas e culturais, despreza fronteiras e globaliza o espectáculo. Instala-se em salas que pululam como igrejas de culto da felicidade em todas as principais povoações. Mas não marginaliza as terras mais recônditas, onde o cinema aparece como vagabundo em movimento. 

 

Quando as luzes se apagam a vida de sombra e luz mostra o seu esplendor. O escuro esbate diferenças sociais, e em uníssono, os espectadores expectantes, viajam do presente ao passado e ao futuro. Ali sofrem as agruras de BEN-HUR nos tempos áureos do império romano, ali se sentem vingados com o castigo dos exploradores por ROBIN HOOD. Descarregam tensões com o humor de CHARLOT. Lavam o rosto com lágrimas com os grandes dramalhões, especialmente os made in India. Cavalgam pelas pradarias com os grandes mestres do WESTERN. Sonham com as espectaculares comédias musicais, como My FAIR LADY. Deliciam-se com ET,assustam-se com ALLIENS e interrogam-se com ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU.  E tantos, tantos outros, que durante a brevidade de um sonho, despoletam as mais variadas emoções. E quando as luzes se acedem TUDO O VENTO LEVOU. Cada qual volta à sua realidade, logo ali representada pelo lugar que ocupa: primeiro, segundo ou terceiro balcão. Mas as emoções despoletadas vão persistir. Parzinhos de mãos dadas entram revêem-se em HAPPY ENDS. Casais de meia idade renascem com as LOVE STORIES. Espectadores solitários apaixonam-se pelas grandes estrelas.

 

O cinema teve o seu apogeu. Hoje arrasta-se decadente e maquilhado por guetos da sociedade de consumo. As fitas rodam nos mesmos projectores e ganha dimensão nos mesmos écrans. É o que, penosamente, sobrevive. No escurinho destas salas, os últimos resistentes do verdadeiro cinema, alimentam tanto o corpo como o espírito. Devoram pacotes de pipocas ao ritmo da velocidade das imagens. Afogam as emoções em qualquer bebida ocasional. São espectadores sem alma de cinéfilos. O cinema, nestes moldes, tem os dias contados. É certo que agora entra em nossa casa agregado às novas tecnologias. Está à mão de um click. Pode ser. Mas já não é a máxima expressão da cultura de massas que foi no século XX. Há quanto tempo não entro no CINEMA PARAÍSO.

 

MG

 

 

 

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publicado às 22:53

Ode a Pepa

por Naçao Valente, em 14.01.13

Samsung: 'Desejos para 2013' com Pepa Xavier vira fenómeno viral

Imagem copiada aqui

Mil perdões pela ousadia de lhe dirigir esta missiva. Mas tenho que lhe dizer, mesmo que nunca o venha a saber, que o seu testemunho me impressionou pela franqueza, pela coragem e em certo sentido pela ingenuidade. Fosse a menina politicamente correcta e teria falado da crise, da exploração, da pobreza, entre outras generalizações. Mas não. Preferiu falar dos seus desejos pessoais, daquelas coisas comezinhas mas justas que fazem a nossa felicidade. E porque o fez com sinceridade, não merecia as críticas a que se sujeitou nessas plataformas de coscuvilhice e vulgaridade que são as redes sociais. Não lhes ligue, pois valem o que valem e a menina mostrou que está acima dessa vox populi.

 

Quero prestar-lhe a minha solidariedade, de que seguramente não precisa, mas faço-o pela admiração que me merece. E merece porque tem o sonho de adquirir um produto considerado de luxo, em tempos de grande dificuldade. Mas quer  fazê-lo com o dinheiro que está a ganhar, honestamente, com o suor do seu rosto. E isso faz toda a diferença num mundo e num país onde os bons valores são letra morta. Por isso lhe tiro o meu chapéu. Por isso lhe agradeço ter-me feito acreditar na qualidade da nossa juventude. Por isso terá para sempre um lugar permanente no meu coração. Por isso não esquecerei a sua lição de vida nos anos que me restam e que são muito menos do que aqueles que a menina tem para construir a felicidade que merece. E apesar de a menina ter namorado,(espero que a mereça) como se lê nas entrelinhas, não resisto a dedicar-lhe estes sentidos versos de inspiração camoniana:

 

Sem mala vai caminhando

A Bela Pepa Xavier

Bem segura do que quer

 

 Muito charme e simpatia,

Tem no  rosto encantador

E em palavras sem temor,

Diz  fazer economias

Para dar azo a fantasias:

 Sonhos  livres de mulher

Bem segura do que quer.

 

Na voz cheia de ternura,

Mais doce que o doce mel,

Pede uma mala chanel;

Fá-lo com tanta candura,

Que não é uma loucura:

Sonho justo de mulher

Bem segura do que quer

 

Sai sem mala, mas segura,

Com um sonho de mulher,

Que sabe bem o que quer.

E num acto de bravura,

Contra  invejas  e censura,

 Ergue a mão pura de mel

Com uma mala chanel.

 

MG

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publicado às 21:33

Parêntesis meio poético

por Naçao Valente, em 21.03.12

Este é um parêntesis atípico e particularmente estranho. Não brota da realidade. Nasce e vive estranhamente prisioneiro de si próprio. Nasce e vive  na mente que o cria e aprisiona. Não é um exercício sobre as coisas mas sobre o porquê das coisas, da razão de ser das palavras e da sua utilização, na sua vertente mais pura, a poesia.

Ás vezes construo umas frases a que atribuo formalmente o rótulo poesia. Mas sei que não sou poeta. Poesia não se aprende. Grosso modo e
salvaguardadando toda a subjectividade  e matéria opinativa considero que há poetas e escrevedores de poesia,(sem desprimor) categoria onde me
incluo. Nos meandros da minha mente procuro estabelecer a diferença, neste dia mundial da poesia:

 

O poeta sabe:

Levam justiça consigo
as palavras que dissermos.
Por quanto sentido antigo,
nelas ficou por castigo
o futuro que tivermos.
Jorge de Sena

 

para o escrevedor  são apenas: 

Palavras, palavras ,palavras

Expressão de sentimentos
ou de sisudas teorias,

De Babel por castigo
libertadas

No barro em cunhas
amassadas,

Com sangue escritas e
gravadas

Para poderem viver na
poesia.

 

E se  o poeta vê: 

Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Florbela Espanca

 

O escrevedor enxerga: 

 só te conheço-te pelos teus olhos

 Iluminados por auroras boreais

de tempestades, de sonhos
intemporais,

de onde brotam palavras
livres de metáforas

e da ditadura das regras
gramaticais,

como é livre o pensamento  das mentes excepcionais.

 

Enquanto o poeta sonha:

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

Gedeão

 

O escrevedor  filosofa: 

Os sonhos são feitos da
matéria que os sonhos faz,

Habitam etéreos no
inconsciente da inconsciência

Os desejos são sonhos que
os sentidos inventaram,

Cuja  forma e conteúdo sem sentido aparente

Nos mantem no limite da demência

Que nos persegue das profundezas da mente

 

Um :

Brindo com o copo vazio,

O conteúdo está em mim.

Não troco sorrisos, nem lágrimas,

Mas brinco de esculpir palavras.

Finjo que são aladas, que voam.

Que têm a liberdade que não tenho

Brandão Marcon

 

O outro

tenho as palavras presas
na teia da minha insegurança,

No receio de que me as roubem
da lembrança

De ser por bardos aviltado

Ou , mais aviltante,
cinicamente  tolerado;

Pobre verbo poético

Liberta-te e liberta-me desta  pressão obsessiva

E deixa ir as palavras à deriva.

 

E se a poesia vive no poeta, que o escrevedor viva na poesia!

 

MG

 

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publicado às 22:12

sonho maldito

por Naçao Valente, em 19.03.11

 

de ...

avogi.blogspot.com

 

 

 

Hoje tive um sonho estranho. Sonhei que estava a viver num mundo irreal de acordo ortográfico. E vi-me a escrever:

 

Ainda hei de ir a Viana, em vez de Ainda hei-de ir a Viana (Pedro Homem de Melo).

 

Portas fez um pato com coelho, em vez de Portas fez um pacto com Coelho (Visão).

 

O Egito dos egípcios, em vez do Egipto dos egípcios. (penso eu de que)

 

Desfez o nó com um ato digno, em vez de desfez o nó com um acto digno.

 

O setor turistico nacional espera  um bom ano, em vez de o sector turístico nacional espera um bom ano.

 

Benfica otimista empata com Portimonense,  em vez de  Benfica optimista... (Record).

 

Acordei angustiado, mas a tempo de perceber que não passava de um mundo virtual. De qualquer modo, te arrenego sonho maldito.

 

MG

 

 

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publicado às 15:49

Ser feliz

por Naçao Valente, em 22.02.11
Por sara maria, às 09:35

Ser feliz por exemplo...

Blog A rapariga que matou o coração.

 

Ser feliz por exemplo...mas o que é ser feliz? Ser feliz pode ser tudo e pode ser nada.Ser feliz é um estado de espírito; são momentos,uns duradouros outros fugazes.Correr. Há felicidade num olhar ocasional,numa relação imprevista, num sorriso, na beleza de uma flor, no voo de uma gaivota tentando roubar comida, numa noite de lua cheia, numa recordação,num sonho irrealizável, num cheiro, num sabor...

Há pessoas felizes com lágrimas, há gente que alia felicidade a bem estar material. Para mim felicidade é um conceito tão vago , tão pessoal, tão momentâneo que é impossível de definir. É mais fácil a felicidade encontrar-nos, do que sermos nós a descobri-la por mais que a procuremos.

A felicidade é uma coisa fantástica e como as coisas fantásticas umas vezes há, outras não há...e quem disser que é sempre feliz é porque mente!

 

MG

 

A opinião de um mestre:

 

 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

 

 

 

 

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publicado às 20:45

Sonho e lucidez

por Naçao Valente, em 07.11.10

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser. 

  

Fernando Pessoa

 via blogue Origens

 

Antes de fazer é preciso crer, antes de realizar é preciso sonhar,. O progresso da humanidade é uma constante realização do impossível. A viabilização da nação portuguesa é uma continuada concretização de utopias. Lucidez e sonho são faces da mesma moeda.

 

MG

 

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publicado às 21:56

O sentido dos sonhos

por Naçao Valente, em 30.10.10

 

Hoje tive um sonho: ( ou terá sido um pesadelo?)

 

Sonhei com dois jovens de cabelo branco ( nos sonhos interessa a cor dos cabelos?) que estavam a assinar um acordo de incidência orçamental, enquanto se divertiam a tirar fotos com o telemóvel.

 

Sonhei com um senhor seco como um cavaco e agreste como uma silva, a debitar palavras incoerentes para um microfone perplexo. ( nos sonhos há coerência?)

 

Sonhei com uma dama loura a gritar numa língua imperceptível, ( os sonhos são perceptíveis?) com dois fedelhos que não paravam de brincar aos orçamentos.

 

Sonhei com um senhor montado nuns sapatos de salto alto made in Portugal (num sonho para que servem os sapatos?) a borboletear à volta da dita dama, voilá, voilá, e não parando de dizer " tá quetinho ou levas no fucinho"

 

Sonhei com uma pessoa magricela e de óculos de aro redondo, sentada a uma mesa a olhar para um copo de absinto, ( para que serve num sonho um copo de absinto?) como quem observa uma bola de cristal repetindo, repetindo:

 

António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está tudo bem.
O que não faz sentido
É o sentido que isso tudo tem.

 

(Afinal o que vale um sonho?) "Habemos orçamento". Aleluia. Resssuscitou!

 

 

MG

 

 

 

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publicado às 19:54

Cair na real

por Naçao Valente, em 01.10.10

Nos meus tempos de juventude havia a cultura do trabalho. Foi-me desde cedo incutida a ideia que se queria tirar o pé da jaca (expressão brasileira) tinha que não me deixar dormir na forma. Nessa época difícil e dura era preciso trabalhar de dia para comer à noite. Nesse período de economia real, ninguém gastava mais do que aquilo que possuía. Nesse passado havia sempre uma poupança mesmo pequena para acudir a uma aflição.

 

Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades. Adormeci à sombra duma utópica prosperidade. Adormeci e sonhei que estávamos num paraíso terreno. Tudo funcionava na perfeição. O consumo precedia a produção. O fiado era instituição obrigatória e recomendada. O lema era gastar. O modo de vida era curtir. O mundo ocidental, um terço da humanidade gastava dois terços da riqueza mundial. É certo que neste paraíso estavam os eleitos. Os outros estavam no inferno. Azar!

 

Acordei e caí na real. Era apenas um sonho. De repente tudo o vento levou. Como a cigarra da fábula a despensa estava vazia. E vem aí um longo inverno. Um inverno de descontentamento, do nosso descontentamento. Podemos condenar o despenseiro pela descuidada distribuição, mas quem esvaziou a despensa fomos nós, uns mais que outros é certo, mas fomos todos. O curioso é que ainda existem umas cigarras que teimam em cantar alegremente. São essas que muitas vezes dão origem a que se mergulhe num pesadelo. Lembrem-se do exemplo Salazar.

 

MG

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publicado às 19:52

Selvas

por Naçao Valente, em 26.05.10

 

A vida é uma criança que é preciso embalar até adormecer  

                                                                  Voltaire

 

E se embalássemos a crise até a adormecer? E se quando acordássemos, o pesadelo que nos persegue , nestes dias, já tivesse passado? Quem sabe  se não mergulharíamos no sonho, essa dimensão perdida da humanidade que é capaz de mover montanhas. E se despertássemos a criança que há em nós e na vida? Talvez aí encontrássemos a solução simples para a complexidade que teimamos em inventar. Como dizia Rousseau ,será que existe um bom selvagem, dentro de cada um de nós? Ou será que o mundo adormeceu embalado pelas mãos de maus selvagens?

MG

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publicado às 23:00




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