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O livro proibido de Saraiva

por Naçao Valente, em 16.09.16

José António Saraiva é um arquitecto que nunca arquitectou nada. Nem uma casota para cão. Ainda bem para o cão. Não sei como, nem me interessa, armou-se em jornalista e assim ganha vida. Depois de sair do Expresso, fundou o Sol. Um fiasco. Falido vai sobrevivendo com dinheiro angolano, e fazendo o seu papel de tablóide semanal. Enfim,a vida custa a todos e cada qual ganha-a como pode.

Não se conhece ao arquitecto enquanto escritor qualquer obra relevante. No entanto, vai agora lançar um livro "Eu e os políticos" que segundo consta aborda a vida de alguns políticos na intimidade. O autor assume o papel de voyeur espreita pela fechadura e conta o que se passa no remanso da alcova. São várias as vitimas da devassa, umas vivas outras mortas. Diz quem teve acesso a esse big brother em versão letra de imprensa, que estamos perante uma abordagem degradante da vida alheia. Protagonismo e dinheiro, para si e para a sua editora, (Gradiva) são a razão ser da "porno chachada". Mas revela sobretudo a incapacidade do autor em firmar-se como um escritor sério.

António José Saraiva, pai deste "escrevedor" foi um grande estudioso da literatura. Deixou obra de relevo publicada,e hoje referência para o estudo da nossa literatura. Tem um percurso pautado pela competência, pelo rigor, pela inovação, pelo bom senso. Tem lugar garantido na história. Merece a minha gratidão e o meu respeito. Quem sai aos seus não degenera. Pelos vistos este filho da mãe (e do pai) degenerou.

   

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publicado às 22:19

Crónica de uma detenção anunciada

por Naçao Valente, em 22.11.14

As razões que levaram à detenção de José Sócrates são, neste momento, uma total nebulosa. Não existe informação rigorosa sobre acusações em concreto. A situação é propícia a todas as especulações. Para os órgãos de comunicação social que se alimentam destes casos mediáticos, a notícia caíu como sopa no mel. Não é por acaso que o CMTV está em emissão exclusiva desde o início do dia e que o semanário o Sol vai fazer uma edição especial. O revanchismo que sempre manifestaram em relação ao ex-primeiro- ministro está, finalmente, a ser recompensado.

Independentemente do que a investigação vier a provar, e ao contrário da surpresa que a sua detenção parece ter causado, era um acontecimento previsível. Basta recorrer à história recente. De facto, as acusações, com ou sem fundamento, estão presentes no seu percurso político desde que assumiu a direcção do PS. Não houve caso mediático em que não se procurasse envolvê-lo. Não se perdeu nenhuma oportunidade para o levar à barra dos tribunais.

A detenção de Sócrates era, portanto, uma detenção adiada. Os seus inimigos sabiam que seria uma questão de tempo e de oportunidade. E ela surgiu finalmente no estilo rocambolesco em que a nossa justiça actua. Uma actuação tipo big brother. Um espectáculo mediático que diverte as massas sem pão. Não ponho as mãos no fogo por ninguém sem excluir o sistema de justiça, exageradamente endeusado, mas que é composto por homens com convicções e interesses como todos nós. Coloco a dúvida: neste processo haverá alguém com as mãos totalmente limpas?

MG

 

 

 

 

 

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publicado às 19:36

Cultura e desenvolvimento

por Naçao Valente, em 13.11.13

Incultos, portanto pobres

Os resultados do Eurobarómetro sobre participação em actividades culturais são eloquentes: só 6% dos lusitanos revelam um «alto» ou «muito alto» interesse pela cultura. O entusiasmo grego é ainda menor: 5%. Até a Roménia e a Hungria ultrapassam Portugal neste capítulo: 7%. Os líderes dos consumos culturais são a Suécia (onde 43 % da população manifesta um envolvimento elevado), a Dinamarca (36%) e a Holanda (34%).

(...)

Não é por ser rico que o Norte da Europa se tornou culto; antes foi por apostar na educação para todos e na democratização da cultura que se tornou rico.

A cultura não é a flor na lapela – mas sim aquilo que funda a nossa visão do mundo e a nossa capacidade para o transformar.

Quando é que Portugal aprenderá isso?

 

Inês Pedrosa (sol sapo.pt)

 

 

Faz todo o sentido. Sábias palavras. Já aqui o escrevi muitas vezes. O progresso e o desenvolvimento da humanidade está indissociavelmente ligado à evolução cultural. O aumento dos níveis de bem estar são anteriores ao aparecimento dos especialistas em economia e das suas falíveis teorias. Porque estes, grosso modo, vêem a árvore e ignoram a floresta. Os economistas reduzem a actividade humana a um deve e haver. Ignoram ou desconhecem a contribuição da cultura para as grandes mudanças civilizacionais. Infelizmente estamos numa fase de predomínio do pensamento meramente económico. O resultado está à vista.

 

A classe política activa que por cá temos é o espelho da incultura institucionalizada. A oposição, especialmente a mais radical, cristalizou no discurso ultrapassado do fim do século dezanove. Reduzem a luta política à velha luta entre proletariado e burguesia, entre os exploradores capitalistas e os eternos explorados. Apresentam soluções desfasadas do contexto em que vivemos. Não compreendem ou não querem compreender por tacticismo a complexidade das sociedades actuais. A sua ideologia e a sua acção carecem de dimensão cultural.

 

Está comprovado que riqueza e cultura caminham juntas. Separá-las é como abrir a porta a uma pobreza recorrente. O problema começa aí. Não há saída para esta nem para nenhuma crise económica fora do contexto global da dimensão humana. Uma sociedade dirigida por "analfabetos" culturais não se pode cultivar. Sem a democratização real da educação e da cultura é difícil sair da pobreza. "Quando é que Portugal aprenderá isso?" Quando é que as elites esclarecidas, democráticas e progressistas chegam ao poder?

 

MG

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publicado às 21:50

"Parêntesisinho"

por Naçao Valente, em 19.02.12

Mais um dia sem chuva. Nem um parentêsisinho pluvioso. Contudo, um dia lindo, cheio de sol de inverno neste país abençoado pela natureza. É para aproveitar. Assim, vou por aí fora, ao Deus dará e à pata calcorrear ruas. Hoje não me fazem pôr o pé num quatro rodas a aspirar fumaça diesel. Fico aqui mesmo, na parvónia e vou aproveitar o que é bom enquanto dura.

Depois de sair de casa faço uma paragem no café (único sítio debaixo de telha onde pouso) para tomar a habitual bica. Assim que me sento na mesa, logo uma empregada solícita mas um pouco pró descarado me aborda “ então jovem é um cafezinho?” “ Jovem é a tua tia" –apeteceu-me dizer- parafraseando um político/comentador (chamam-lhe Santana Lopes) para um “partenaire” de debate televisivo (Fernando Rosas) que lhe disse parecer o Salazar. Contive-me, pois vendo a coisa por outro prisma, quem sabe se a dama consegue ler o meu estado de espírito no mais fundo do meu ser. Mas o que às vezes começa mal acaba bem e acabei (passe o pleonasmo) por ser servido por outra mocinha (agora nos cafés é quase tudo feminino) mais recatada e algo tímida, que me olha com alguma ternura, com uns belos e profundos olhos castanhos, esboça um ténue sorriso, agitando com suavidade percings na boca e no nariz. E aí, seguindo uma sugestão recente da Golimix (é uma bloguer simpática e muito inspirada que costumo visitar (no blog), apeteceu-me dizer-lhe “gosto de ti”,( no melhor dos sentidos) dando assim livre expressão à nossa parte emocional. Apeteceu-me dizer mas não disse, porque isto de deixar que as emoções não sejam inibidas pelo  flirtro racional, não é tarefa fácil. Retribuí o sorriso e fiquei aliviado.

Enfim, enquanto saboreio o agradável sabor(...) do café e passo os olhos pelos títulos dos jornais vou ouvindo conversas cruzadas ( sem alcovitice, pois se Deus nos deu ouvidos é porque quer  que ouçamos) e prendo a minha atenção na vozeirão de um sujeito a defender a Lei de Talião (não percebi a que propósito) perante o olhar espantado de um casal de etnia cigana, muito bem arranjado e acompanhado por uma jovem filha com uma mini saia até à cintura ( como os tempos estão mudados). Vox populi não é para levar a sério, pensei, vou mas é concentra-me na leitura. Pior a emenda que o soneto: assassínios, acidentes, assaltos, roubos, desemprego a aumentar não se sabe até quando, mais empobrecimento, esperança zero, deputado da maioria a dizer “ quem não está bem muda-se” e o povo sempre sereno (uma virtude)  e cada vez mais conformado (querem maior pieguice?). Está mas é na hora de ir caminhar para arejar os pulmões e as ideias, mas isso já não vem ao caso.

MG

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publicado às 22:38

Sol e dó

por Naçao Valente, em 02.07.11

 

O jornal Sol, de António José Saraiva, passou as últimas legislaturas a diabolizar Sócrates. Mas apesar do homem  ter saído de cena continua a persegui-lo. Já não estamos perante um caso de oposição política, mas perante um caso de obsessão persecutória que só a psicanálise saberá explicar.

 

O governo dá o dito por não dito e aumenta impostos; o governo anuncia o estabelecimento de um tecto de 2500 euros para as reformas e como gato escondido com o rabo de fora, pretende desviar dinheiro dos descontos para as Seguradoras e descapitalizar a Segurança Social; o governo propõe transformar o Estado Social em assistencialismo, espécie de caridade pública; e o que destaca o Sol?  Nem mais, nem menos, que uma eventual discussão entre Sócrates e Luís Amado no último Conselho de Ministros. Afinal este Sol parece que nos quer manter numa zona de penumbra.

 

MG

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publicado às 21:41

Sol na eira

por Naçao Valente, em 19.05.11

 

 

O capitalismo não é um sistema económico justo, mas ainda não apareceu outro para o substituir. Depois de um período em que foi controlado e regulado pelo sistema político, com reflexos na melhoria da justiça social, está neste momento a navegar em roda livre, sem qualquer respeito pelos representantes políticos dos povos eleitos democraticamente.

 

O sistema de economia centralizada que no pós-guerra se instalou, em oposição ao sistema capitalista, nos países ditos comunistas, implodiu por culpa própria, uma vez que não conseguiu responder às expectativas das populações onde se implantou, essencialmente por duas grandes ordens de razões:

Em primeiro lugar, não gerou uma sociedade de bem estar e progresso, com níveis de vida comparáveis com as sociedades capitalistas ocidentais.

Em segundo lugar, criou uma clivagem social entre os detentores do poder e todo o aparelho que o sustentava(boys) e a restante população. Os recursos não foram distribuídos pelos cidadãos, mas desviados para alimentar o Estado e a sua política de expansionismo territorial.

 

O que acho estranho é que os que no Ocidente ainda acreditam neste projecto não sejam capazes de fazer uma reflexão séria sobre a queda do regimes comunistas. O que me espanta é que gostem de beneficiar de todas as mordomias do sistema capitalista onde nasceram e medraram e não queiram arcar com as misérias do mesmo. É como querer sol na eira e água no nabal ou a quadratura do círculo.Com esta prática sectária, contribuem  para o reforço do capitalismo selvagem que nos domina.

 

O regresso da política  à sua função nobre de domínio da sociedade, só é possível com uma vasta união de todas as esquerdas na acção e na constituição de um poder forte que consiga pôr fim à especulação sem regras. Mas enquanto as esquerdas comunistas se mantiveram acantonadas nos seus guetos ideológicos, vivendo das lembranças de um passado falido, são aliados objectivos do ultra liberalismo e dos nacionalismos que podem conduzir a Europa para novos holocaustos.

 

MG

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publicado às 23:30

Liberdade V

por Naçao Valente, em 04.03.10

Encontrei esta imagem idílica e resolvi apropria-la. Pensei nela como um local para onde podíamos mandar os deputados da nossa Nação Valente. Aqui há boa água, ar puro e algumas ilhotas. É um local de puro lazer . Aqui podem entreter-se  a brincar aos seus passatempos preferidos: o jogo da liberdade, o jogo da conquista dos meios de comunicação e quejandos. E como há sempre Sol podem usufruí-lo sem reservas. 

Entretanto,  libertam dos seus jogos florais aqueles que querem  trabalhar para resolver os problemas concretos que afectam o país real. Por mim até podem ficar para sempre. A nação agradece.

MG

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publicado às 19:29

solidó

por Naçao Valente, em 19.02.10

 

 

MAIS UM DIA DE

                                           

 

          

           e

 

MG

 

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publicado às 22:09

Luz e escuridão

por Naçao Valente, em 11.02.10

O Sol , o verdadeiro, o astro-rei, é porque é, tem vida própria e dá muita vida, incluindo à autora deste post.

O sol, o outro, não tem luz e não alumia. Vive em esconsos subterrâneos, alimenta-se de intrigas, de suposições, de fugas de informação seleccionada, de ressentimentos, de baixa política.

Quando esta espuma, esta cortina de fumo, se dissipar, e a verdade vier a luz do dia, o verdadeiro continuará a brilhar, o outro acabará por ter o destino que merece: o caixote de lixo da história.
MG

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publicado às 22:28




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