Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Comentários recentes





1.º de Dezembro de 2013

por Naçao Valente, em 01.12.13

A manhã do dia um de Dezembro de 1640 estava fria e um pouco enevoada . Parecia ser mais um dia como tantos outros na vida do país ocupado. Na palácio do governo, a representante de sua alteza real Filipe IV , a duquesa de Mântua, preparavam-se para iniciar mais um dia de governação. Mas iria ser um dia diferente, o primeiro do renascimento da independência nacional. 

  Às oito horas, começaram a colocar-se, discretamente, junto do Paço os conjurados, como tinha ficado acordado. Era um grupo pequeno de cerca de quarenta nobres. Quando o relógio da Sé marcou nove horas, saíram dos coches,  desmontaram dos cavalos, dirigiram-se com determinação para o Paço, dominaram os desprevenidos guardas, entraram no gabinete do espantado secretário da duquesa, Miguel de Vasconcelos. Um tiro certeiro demitiu-o de imediato, enquanto a duquesa,  atordoada pela surpresa entrava na sala para ser imediatamente detida. Ao mesmo tempo que atiravam  o corpo exangue do secretário para a rua, D. Miguel de Almeida de espada nua nas mãos gritava, com a voz algo embargada pela emoção, para o povo que se começara a juntar:

 

-Liberdade portugueses! Viva el-rei, D. João o Quarto.

 

Nesse longínquo dia 1 de Dezembro Portugal voltaria a ser um país soberano. No entanto, a consolidação da independência custaria ainda muito suor e sangue. Só passados vinte e oito anos de luta armada e diplomática foi celebrado o acordo de paz com Castela.

 

Em 1910 os republicanos que tinham derrubado a monarquia decretaram, ironicamente, o dia 1.º de Dezembro feriado nacional. Hoje, um século depois perdeu essa condição por patriotas de pin na lapela e apenas para cumprir determinações de potências estrangeiras, que com a total conivência dos governante actuais cativaram a nossa soberania. A restauração da independência foi apenas um episódio entre muitos outros da manutenção da independência. E quem pensa que é dado adquirido está enganado. Haverá sempre quem esteja disposto a aliená-la por dez reis de mel coado. Daí que a manutenção de uma nação soberana seja uma luta constante. Daí que os símboços que marcam essa luta como o 1.º de Dezembro ou outras sejam importantes para manter a unidade nacional. Por isso nessa ou noutra data voltará a ser feriado. Quando esta gente sem brio, sem dignidade, sem firmeza e sem competência se for embora. Já faltou mais.

 

MG

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:15

Ser Português

por Naçao Valente, em 27.09.13

Entrevistador :achas que a troika nos vai castigar

Camilo Lourenço: ...se eu fizesse parte da troika era o que fazia...

Entrevistador:  era o que fazias? E a nossa Soberania?

Camilo Lourenço: Quem não tem dinheiro não tem Soberania.

 

Entrevista a Camilo Lourenço no programa da manhã na RTP Informação, a propósito das normas chumbadas sobre o Código do Trabalho. 

Citado de memória

 

Senhor jornalista/economista Camilo Lourenço

 

Sou português. Defendi na condição de militar o meu país durante três anos, quando não me identificava com o regime. Vi com grande alegria nascer a democracia. Sempre servi esta nação secular enquanto cidadão. Sou patriota. Entristece-me ver a minha pátria condicionada por usurários. Revoltam-me as teorias que defendem o caminho da expiação para um povo trabalhador. Indigna-me a insensibilidade perante o sofrimento humano.

 

Tenho-o visto apresentar-se como um cruzado contra o despesismo dos portugueses. Tenho-o até visto como uma espécie de deus castigador do desvario pecaminoso dos trabalhadores deste país?. E que desvario foi esse? Apenas a ambição de terem uma vida digna. Uma casa para viver, alimentação para a sua família, educação para os filhos, saúde para todos. Tudo luxos excessivos. Crime a merecer castigo severo: empobrecimento, miséria, fome.

Parafraseando os evangelhos podia dizer-lhe: "perdoai-o Senhor, ele não sabe o que diz". Mas quanto mais ouço o seu discurso mais me convenço que faz parte de uma espécie de "gente" que inveja o bem estar do seu semelhante. Destila ódio contra as conquistas sociais da humanidade. Estou convencido que preferiria um mundo de escravos.

 

As declarações aqui reproduzidas não deixam dúvida que não sabe o que é ser português. Não sente a alma lusa. Não valoriza a nossa história. Não entende que esta nação se fez contra poderosos inimigos externos. Não sente que a Soberania se conquistou com sangue, suor e lágrimas. Não atinge que não foi o dinheiro que venceu em Aljubarrota. Não reconhece que não foram os mercados que fizeram a Restauração em 1640. Não sabe que não foram os usurários que partiram em frágeis embarcações e venceram adamastores. Eu digo-lhe quem foi: foram os camponeses, os artesãos, a arraia miúda deste país dirigidos por elites patrióticas e inteligentes. Mas não sabe nem nunca saberá porque  reduz a vida de um povo ao deve e haver. Porque ignora a cultura como o motor de desenvolvimento da humanidade. Porque questiona o Estado de Direito. Porque se coloca do lado errado. Porque sendo português será português? Ou será uma espécie de mercenário ao serviço dos interesses estrangeiros que nos oprimem?

 

Senhor jornalista Camilo Lourenço quem se coloca, quase arrogantemente, ao lado dos carrascos da nação mais antiga da Europa, quem se está borrifando para a Soberania nacional  merece ter a nacionalidade portuguesa? Há  coisas que não entendo: como é que tem uma coluna de comentador residente no canal de televisão público, sem qualquer contraditório onde continua a proferir dislates contra Portugal e contra os portugueses?

 

MG 

 

  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:26

A nossa troika

por Naçao Valente, em 06.06.13

Imagem retirada do blogue Câmara Corporativa, com a devida vénia.

.

Em entrevista à Antena 1, Freitas do Amaral disse que a actual situação no país só em comparável com a crise de 1383-85 e com o domínio dos Filipes de Espanha, já que “está em causa a independência nacional”, mas acrescenta que não devem ser convocadas eleições porque não se vislumbra no espectro político uma alternativa. Diz ainda que se o governo alemão mudar nas próximas eleições talvez se possa alterar a situação em Portugal. Por outras palavras concorda com Mira Amaral quando diz que "se a Alemanha gosta de Gaspar nós também temos que gostar".

 

Há neste raciocínio uma contradição insanável. Por um lado reconhece-se que está em causa a independência nacional, implicitamente capturada pela Alemanha, mas por outro que não se deve lutar contra essa situação de domínio por impossibilidade de a mudar. Com esta linha de raciocínio nunca teria acontecido a revolução de 1383-85, nem teria sido tomado o Paço, pelos conjurados de 1640. Seriámos, agora, para o bem e para o mal espanhóis.

 

Freitas do Amaral faz parte daquele grupo de pensadores que fazem o diagnóstico correto da situação, mas que se apressam a defender, que por falta de soluções, estamos sujeitos a continuar reféns de um fatalismo do destino imposto pelos deuses. Faz parte dos eternos velhos do Restelo. Mas há outro grupo com raízes nalgum senso comum e que é muito mais perigoso. São os que por despeito de qualquer ordem, querem fazer crer que os políticos são todos iguais quer se situem à direita ou à esquerda. Este é pensamento que ganhando dimensão se torna potencialmente perigoso. É  o estender da passadeira vermelha para os salvadores da pátria.

 

Numa democracia há sempre alternativa. Não embarco na narrativa que se tenta passar a mensagem de que um governo da oposição será a mesma coisa. Não entro no discurso que clama que António José Seguro, mesmo com todas as suas inseguranças, não representará uma governação diferente. Um governo socialista será sempre, apesar dos condicionalismos externos, um governo melhor para Portugal e para os portugueses. E para além das evidentes diferenças ideológicas e éticas será impossível reunir num mesmo governo o fanatismo ideológico de Gaspar, a ignorância atrevida de Passos e a cobardia política de Portas. Uma combinação explosiva que entregou de mão beijada a soberania portuguesa à bárbara Germânia.

 

MG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:43




Comentários recentes