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Crónicas improváveis

por Naçao Valente, em 04.11.12

E se uma desconhecida o cumprimentar?

 

Todos os humanos são iguais. O ser humano é vaidoso. Logo, mesmo que alguns sejam mais iguais que outros, os humanos são vaidosos. E são-no muito particularmente no culto da imagem. É por isso, que quando começam a ficar carecas recorrem aos tratamentos capilares. Veja-se o caso Berlusconi. É por isso, que quando são roubados pelo criador na estatura física, recorrem a sapatos de sola alta. Veja-se o caso Sarkozy, mais plenamente justificado, para não ter de olhar a Bruna de baixo para cima. Quando lhes é sonegada pelo criador alguma inteligência (senão toda) recorrem a suplementos para concluir o curso. Veja-se o caso Relvas. Isto para não falar de damas que usam botox ou fazem plásticas. São exemplos que transitaram em julgado e estão a fazer escola.

 

Como sou humano, não tenho vergonha em assumir a minha quota de vaidade. E não tenho pejo em assumir o desafio que o criador me colocou, quando me fez à imagem, muito distorcida, do Adónis. Tem sido uma longa luta com recurso a todos os truques inventados. Todos é um exagero, pois nunca recorri aquelas promessas que por aí circulam, para fazer crescer todos os membros do corpo. Traço o meu limite e não dou para esse peditório. O certo é que consegui melhorar e muito. Hoje até posso dizer, que como o vinho, quanto mais velho melhor. E digo-o com saber de experiência feito, pois todos os dias sou posto à prova.

 

Ainda ontem ao deslocar-me à Biblioteca Nacional ,fui cumprimentado com um grande sorriso por uma dama ocasional que comigo se cruzou. Como não podia deixar de ser, retribuí, já que assim manda a boa educação. Pouco depois, ao sair da Faculdade de Letras, volto a ser cumprimentado por outra desconhecida dama. Duas num curto espaço de tempo é obra. Ainda pensei que fosse confundido por algum político famoso pela primeira, já um pouco gasta pelo tempo, mas utilizável ou por algum star da tv pela segunda, uma jovem morena, muito morena mesmo, para bom entendedor e para não ser chamado de racista. Mas pensando bem, nem uma coisa nem outra me parece provável. Por exclusão de partes só resta uma explicação: estou a ser recompensado pelo trabalho no aperfeiçoamento da imagem. Seja como for presunção e água benta cada um toma a que quer.

 

Há dias em que se toma tanta água benta que até parece que imbecilizamos. E até temos a sensação que fomos contagiados pela imbecilidade do governo, mas essa tem uma explicação lógica e que só pode ser genética. De facto, que sentido faz estar para aqui a arengar sobre os fait divers de um cidadão anonimamente comum. Mas se assim não for, então arengo sobre o quê? Política? Está tomada por especialistas estrategicamente colocados? Economia? São tantas as sentenças que se confundem com os gelados. Cada cor seu paladar. Paladar por paladar, prefiro lambuzar-me com um bom acepipe, se possível na companhia de uma desconhecida que  me cumprimentou. Porque isso é impulso e a vida são três dias. E com ou sem presunção devo à boa imagem. E, além disso hoje é domingo, dia de agradecer ao criador as justas recompensas. Sobre as agruras da puta da vida, amanhã penso nisso.

 

MG

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publicado às 19:03

Parêntesis II(porque hoje é domingo)

por Naçao Valente, em 15.01.12

Não tenho emenda. Mesmo depois de justamente "admoestado" fui, novamente enfiar-me num Shopping. Mas ao menos tenho a atenuante de que estava a chover. E como não podia deixar de ser enfiei-me numa livraria (do mal o menos) que não vou nomear ( para não fazer publicidade).Como ando a descobrir o grande escritor brasileiro Ruben Fonseca (mea culpa, mas há tantos para descobrir) agarrei no seu romance intitulado "O seminarista" (merece divulgação) e sentei-me a folheá-lo. Achei o título curioso, porque por cá nós também tivemos um seminarista que nos governou cerca de quarenta anos e ainda me torrou a paciência. Comecei a ler o livro do Ruben ( a escrita dá-nos  estas liberdades de tratamento) apercebi-me que o personagem principal, designado como o Especialista se assumia como matador profissional e nos ia contando como despachou alguns sujeitos a troco de bom pagamento. Mas dizia ele, o matador, que eram todos tipos ruins  e o certo é que este ex-seminarista nunca tratou mal nenhuma das avezinhas do céu. Achei então que tinha muitas semelhanças com o nosso seminarista que também deu carta branca aos seus algozes para tratar da saúde aos perturbadores da sua ordem. Tudo a bem da nação. Não sei se gostava das aves do céu, mas sei que protegia as da terra, pois consta que criava galinhas no quintal do palácio do governo.

Entretanto, sentaram-se ao meu lado, à direita e à esquerda, duas damas jovens e bem apresentadas. Ainda trocámos uns olhares ocasionais e fugazes (sem qualquer intenção acho) e voltámos a embrenhar-nos nas nossas leituras. A esta altura já o Especialista tinha acumulado um bom pé de meia e podia dedicar-se às suas paixões, a poesia e as mulheres, tendo até começado um relacionamento sério com uma jovem de nome "Kristner" que parecia transportar para a acção algum mistério. Voltei a trocar olhares menos fugazes (não tem mal),com as damas, mas antes de começar a pensar coisas lembrei-me que já não sou nada jovem (a não ser em espírito) e que a natureza ingrata não me dotou com um corpo de Adónis, olhos azuis e cabelo louro com reflexos vermelhos ou com a pinta de um actor dos anos 50 (Gregory Peck, por exemplo) ou até com o charme do homem da nespresso-1(publicidade assumida). Antes pelo contrário, pensei, sou mais tipo Sarkozy, Berlusconi (salvo seja) ou Dustin Hoffman ( num registo cinéfilo). Para não haver tentações estava na hora de zarpar e devolver o livro ao seu repouso. Mas hei-de voltar, pois estou mortinho por saber como vai o Ruben tratar o seminarista (o nosso já não incomoda). Com bom ou mau tempo hei-de ir a uma livraria de rua (quem sabe se a Lello). E porque hoje é domingo está na hora de ir ver futebol(Braga -Sporting para acabar em alta). Sim, porque amanhã volta a apagada e vil tristeza, com comentadores a chamarem-me preguiçoso e gastador e as agências de vigarice(chamadas de rating) a dizer que sou lixo.

MG

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publicado às 18:56

Mercados

por Naçao Valente, em 05.11.10

Os malditos juros da dívida continuam a subir. Mas porque razão, interroga-se estupefacto o  comum cidadão. O Orçamento foi aprovado, a crise política está em stand bye e os juros parecem cegos e surdos! Ouvi um economista insuspeito afirmar na Tv que esta subida é geral e decorre das intenção de agravar os castigos aos países incumpridores ppropostas no Conselho Europeu pela fraulein Merkel com o beneplácito do monsieur Sarkozy.

 Pouco preocupados com a situação real dos povos mais frágeis da União , estão a concretizar um velho plano que consiste em assumirem o controle do velho continente. Num texto que escrevi em Maio deste ano e que hoje vou recuperar, alertava para esta situação. À boleia da crise a  estratégia  passa por colocar de joelhos os paises pequenos e depois colocar-lhe a canga com toda a naturalidade.

 

 Hitler e Merkel estão separados por um abismo. Abismo temporal, abismo posicional, abismo conceptual, abismo ideológico. Mas numa coisa estão unidos, diria até quase plasmados: no desejo de construir uma Alemanha poderosa e dominadora em termos europeus. Uma Alemanha que extravase as suas fronteiras tradicionais e as prolongue por todo o velho continente. Hitler tentou concretizar esse projecto, utilizando uma ideologia rácica e musculada. Merkel , utiliza tácticas e métodos diferentes. A Alemanha aprendeu com as derrotas que em vez de utilizar a  razão da força pura e dura, tinha que, com mais subtileza e inteligência, usar a força da razão . E está paulatinamente a concretizar os seus objectivos, de certa maneira aliando-se à única e velha inimiga, que como sempre o fez lhe podia tolher os passos. Em resultado dessa estratégia, o verdadeiro governo da Europa encontra-se cada vez mais centrado no eixo franco-germânico. É verdade que muitos países se foram pondo a jeito, mas estou convicto que mais tarde ou mais cedo, duma maneira ou de outra ,isso acabaria por acontecer. A tendência será o centro económico e financeiro transformar-se no centro político à volta do qual girarão como satélites os países da periferia. E isto, vendo bem, ainda é melhor que ficarmos fora de órbita em autêntica roda livre.

 

Portugal foi, em tempos, quando havia ambição, coragem e gente   valorosa  o país que procurou encontrar alternativas ao eurocentrismo. E aproveitando a sua vocação marítima criou oportunidades de verdadeira independência que depois não teve engenho para manter. É certo que construiu pontes que hoje constituem uma mais valia, mas o certo é que no contexto actual, a sua sobrevivência passa por perder autonomia em detrimemto  do núcleo dominante no espaço europeu. E isto é que é a realidade. Se governa o "incompetente, mentiroso e mau-carácter" Sócrates ou o já proclamado salvador da pátria Coelho, é apenas politiquice barata.

 

MG

 

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publicado às 21:13




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