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Ser Português

por Naçao Valente, em 27.09.13

Entrevistador :achas que a troika nos vai castigar

Camilo Lourenço: ...se eu fizesse parte da troika era o que fazia...

Entrevistador:  era o que fazias? E a nossa Soberania?

Camilo Lourenço: Quem não tem dinheiro não tem Soberania.

 

Entrevista a Camilo Lourenço no programa da manhã na RTP Informação, a propósito das normas chumbadas sobre o Código do Trabalho. 

Citado de memória

 

Senhor jornalista/economista Camilo Lourenço

 

Sou português. Defendi na condição de militar o meu país durante três anos, quando não me identificava com o regime. Vi com grande alegria nascer a democracia. Sempre servi esta nação secular enquanto cidadão. Sou patriota. Entristece-me ver a minha pátria condicionada por usurários. Revoltam-me as teorias que defendem o caminho da expiação para um povo trabalhador. Indigna-me a insensibilidade perante o sofrimento humano.

 

Tenho-o visto apresentar-se como um cruzado contra o despesismo dos portugueses. Tenho-o até visto como uma espécie de deus castigador do desvario pecaminoso dos trabalhadores deste país?. E que desvario foi esse? Apenas a ambição de terem uma vida digna. Uma casa para viver, alimentação para a sua família, educação para os filhos, saúde para todos. Tudo luxos excessivos. Crime a merecer castigo severo: empobrecimento, miséria, fome.

Parafraseando os evangelhos podia dizer-lhe: "perdoai-o Senhor, ele não sabe o que diz". Mas quanto mais ouço o seu discurso mais me convenço que faz parte de uma espécie de "gente" que inveja o bem estar do seu semelhante. Destila ódio contra as conquistas sociais da humanidade. Estou convencido que preferiria um mundo de escravos.

 

As declarações aqui reproduzidas não deixam dúvida que não sabe o que é ser português. Não sente a alma lusa. Não valoriza a nossa história. Não entende que esta nação se fez contra poderosos inimigos externos. Não sente que a Soberania se conquistou com sangue, suor e lágrimas. Não atinge que não foi o dinheiro que venceu em Aljubarrota. Não reconhece que não foram os mercados que fizeram a Restauração em 1640. Não sabe que não foram os usurários que partiram em frágeis embarcações e venceram adamastores. Eu digo-lhe quem foi: foram os camponeses, os artesãos, a arraia miúda deste país dirigidos por elites patrióticas e inteligentes. Mas não sabe nem nunca saberá porque  reduz a vida de um povo ao deve e haver. Porque ignora a cultura como o motor de desenvolvimento da humanidade. Porque questiona o Estado de Direito. Porque se coloca do lado errado. Porque sendo português será português? Ou será uma espécie de mercenário ao serviço dos interesses estrangeiros que nos oprimem?

 

Senhor jornalista Camilo Lourenço quem se coloca, quase arrogantemente, ao lado dos carrascos da nação mais antiga da Europa, quem se está borrifando para a Soberania nacional  merece ter a nacionalidade portuguesa? Há  coisas que não entendo: como é que tem uma coluna de comentador residente no canal de televisão público, sem qualquer contraditório onde continua a proferir dislates contra Portugal e contra os portugueses?

 

MG 

 

  

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publicado às 21:26

Quem tem medo de José Sócrates?

por Naçao Valente, em 21.03.13

José Sócrates foi Primeiro-ministro de Portugal como o foram outros durante o advento da democracia. Na sua governação cometeu erros, como também tomou medidas certas. A sua responsabilidade na situação económica e financeira do país, não é maior nem menor que a dos seus antecessores. Quando muito será diferente. Convém lembrar que Cavaco Silva, governou dez anos, criou o monstro e foi premiado com a presidência da República. Durão Barroso deixou o país de tanga e foi ocupar um lugar dourado na UE. Sócrates não foi proscrito. Podia ter continuado como Secretário-geral do PS ou simplesmente como deputado eleito. Voluntariamente, resolveu abandonar a vida política. Vai regressar como comentador televisivo. É um direito que tem como português e como cidadão livre. Querer limitar esse direito é uma forma de censura inadmissível. Não percebo, por isso, a histeria que por aí grassa sobre o seu regresso, aplicando-lhe uma pena de ostracismo. Apetece perguntar: quem tem medo de José Sócrates?

 

MG

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publicado às 21:59

Ipsis verbis

por Naçao Valente, em 15.11.12
14-11-2012 RTP informação

"Estamos a caminhar para um abismo, este governo tem de ser travado. E se não for travado tem de ser demitido"

 

      Manuel Alegre

 

Esta greve geral foi precisamente um alerta, um alerta vermelho para que o senhor Presidente da República mas também o Governo percebam que persistir neste caminho é persistir na direção do precipício. Quem quiser lançar-se para o precipício está no seu, enfim, legítimo direito. Agora não tem o direito é de arrastar consigo para o precipício dez milhões de portugueses e isso não vamos permitir enquanto estivermos cá”, afirmou o dirigente da Intersindical.

 

    Arménio Carlos

 

"Ao cabo de ano e meio, Portugal está a conseguir atingir as metas a  que se tinha proposto no programa de ajustamento. Isso significa uma grande  esperança todos aqueles que, vivendo em Portugal, precisam de ganhar confiança  em relação ao futuro, mas significa também uma expectativa muito positiva  para todos aqueles que olham para Portugal como um destino profissional  ou de investimento", afirmou Pedro Passos Coelho.

 

 

Quem está a mentir?

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publicado às 19:01

Advisers

por Naçao Valente, em 10.07.12

Na mira dos advisers?

 

Para justificar a minha inaptidão para línguas costumo invocar uma afirmação de Eça de Queiroz, que cito de memória: "deve-se falar bem a língua portuguesa; as outras devem-se falar mal, orgulhosamente mal". De facto o meu inglês não é orgulhosamente mau, é orgulhosamente péssimo e digo-o com o orgulho escudado na opinião do grande mestre da literatura portuguesa.

 

Na comissão de ética da Assembleia da República Portuguesa, acentuo portuguesa, vi e ouvi um ministro do governo português, acentuo, português, usar e abusar do termo adviser, numa sessão sobre a privatização da RTP. Fazendo jus à minha orgulhosa ignorância linguística não percebi patavina. Vindo de quem vinha cheirava-me a coisa ruim, dessas que nasceram para nos to fuck. Estava enredado nestas lucubrações quando um deputado, verdadeiramente nacional, resolveu começar a traduzir o Relvas oralmente, uma vez que não havia sistema de legendagem. Que alivio cidadãos! Fiquei, enfim, a saber que advisers são aquilo que na orgulhosa língua pátria chamamos conselheiros. Ao fim e ao cabo pessoas que aconselham. O que me continua a tirar o sono é que se já temos consultores para que é preciso arranjar advisers.  

 

Explico. Um pequeno exercício de memória instantânea foi suficiente para descobrir essa raça de gente. Lembrei-me do adviser(significado lato) que teve a ideia de me sacar dois salários mensais. Também não pude deixar de me lembrar dos juízes advisers que descobriram a quadratura do círculo, ao dizerem não e sim ao mesmo tempo, sobre a inconstitucionalidade do corte dos salários. Ainda tive de me recordar dum adviser que vive em Belém e que conseguiu a proeza de desclassificar a Constituição por doping, para dar a vitória ao orçamento. E raio de memória de elefante: não me sai do pensamento um adviser que acha que a salvação do ensino está nos sacrossantos exames ou a dos advisers de uma Universidade que dão equivalências a tudo o que mexe para produzirem licenciaturas. Qualquer dia vou lá apresentar o meu currículo de consultor sentimental para me darem uma licenciatura em adviser. Feliz da nação que tais advisers tem.

 

Agora se para  conseguir a licenciatura não interessa que fale ponta de corno em português e basta que arranhe o inglês, nem que seja das docas, estou lixado. É que o meu inglês of shit nem me dá para ser um motherfuck de um adviser. Desses que vão ser contratados para to fuck a RTP. Advisers? Fuck. Não sabe o significado? Aqui vai a tradução do goole: que se fodam!

 

Cronista fucked

 

  

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:36

Museu do cinema

por Naçao Valente, em 22.04.11

Nos tempos do preto e branco, quando a NET nem sequer era uma miragem, havia na RTP um programa chamado Museu do Cinema. O cineasta António Lopes Ribeiro falava do cinema do tempo do mudo, com inteligência e humor, e o pianista António Melo acompanhava ao piano com música improvisada, as fitas seleccionadas. Lopes Ribeiro com a sua erudição, dava uma lição de cinematografia e calava-se para dar a palavra a Melo, que preferia substituir as palavras ditas pela mensagem sonora, construída pela simbiose entre os dedos e as teclas, para dar sentido às imagens. Mas espicaçado por Ribeiro " Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores" para mostrar que também falava, despedia-se com um boa noute. 

 

No tempo de diversidade e democracia mediática, de redes sociais abertas à vox populi, não há cão nem gato que não bote sentença sobre o que sabe, mas sobretudo sobre o que alguma vez saberá. Neste mundo maravilhoso, fazem-se amizades planetárias, trocam-se beijos e abraços etéreos, com desconhecidos amigos, rompem-se barreiras físicas, trocam-se  mensagens de gostos, preferências, ficções pessoais . 

 

Passos Coelho mostra ser um produto destas tecnologias socráticas, de abertura a horizontes alargados, de dar à luz espíritos prisioneiros de horizontes fechados. Magistral o seu discurso de cordeiro pascal, em tempo de amêndoas amargas. Magistral a singela mensagem de "boa Páscoa" da sua cara-metade, possivelmente no cumprimento do plano traçado "Ó companheira diz lá boa Páscoa aos senhores votantes".  É o regresso do cinema de museu virtual a criar imagens para memória futura. Há alturas em que as palavras pesam como chumbo e o silêncio é de ouro. Boa noute e boa Páscoa.

 

 

MG

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publicado às 16:49

Robin Hood (s)

por Naçao Valente, em 02.04.11

kantoximpi.blogspot.com

 

O ex-presidente da República considerando o fenómeno dos mercados "absolutamente escandaloso", conduzido “por poucas pessoas”, e criticou o capitalismo " especulativo e selvagem" em que vivemos. "São os principais agentes desses mercados que fazem tremer os políticos e que põem os políticos de joelhos. Ainda por cima têm agências de rating que diariamente nos avaliam mas que são funcionários desses mesmos mercados. Onde é que fica a política nisto?", questionou Soares.

 

                                                                  Notícias RTP

 

Começa a fazer-se luz no meu espírito e é tempo de começarem a iluminar-se as mentes de comentadores, economistas e outros analistas, que incensam a pureza dos mercados e condenam os perigosos gastadores que somos todos nós. Estas considerações de Mário Soares sugerem-me duas reflexões:

 

Primeira: Entendo os mercados como Robin Hood (S) geneticamente modificados, para tirar aos pobres e dar aos ricos!

 

Segunda: O povo da floresta negra devia unir-se para tirar aos mercados, apenas, 50% do que "roubaram". Acredito que as dividas soberanas ficariam saldadas. Digo eu!

 

MG 

 


 

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publicado às 21:05

Príncipes do quase tudo, reizinhos da ignorância

por Naçao Valente, em 27.01.11

 mazungue.com

 

Era uma infância sem tecnologia. Rádio só na casa do povo, televisão uma miragem, computadores uma utopia. Um fogareiro a petróleo era o utensílio mais avançado que tenho na lembrança. Jogávamos ao riol (berlinde) , lançávamos o pião ou a sua versão feminina, a piorra, pontapeávamos bolas de trapo, corríamos pelas ruas lamacentas no Inverno ou por vielas poeirentas no Verão.

 

Coloquiávamos junto ao fogo, nas longas noites de Inverno, com família e vizinhos. No largo principal reuníamos nas quentes noites do estio e formávamos coros improvisados para cantalorar cantigas em voga. Nas festas, feiras, feriados, arrastávamos os pés de chumbo nos bailes dos crescidos, ao som desafinado do fole, (acordeon) procurando imitá-los. Assim fazíamos o nosso tirocínio para a idade adulta.

 

Na escola, aprendíamos a  juntar letras, lidar com números, decorar rios, distritos, linhas de caminho de ferro. Na escola, conhecíamos os Reis e as suas glórias e formávamos a nossa identidade. À noite, dormíamos o sono dos justos, realizados na singeleza das nossas vidas simples, despreocupadas e felizes à nossa maneira. Comparados com os Príncipes do Nada da reportagem da RTP, fomos reizinhos de alguma coisa. 

 

 

 

Os filhos da tecnologia, acordam ao som de MP3, embebedam-se de imagens, integram-se nos mundos virtuais dos jogos. O filhos do consumismo, procuram o seu bem estar no ter. Fazem da escola apenas um local de convívio. Convivem nos espaços exteriores, convivem nas sala de aula, ignoram uma figura estranha (professor?). Consideram a aprendizagem um desperdício, o trabalho escolar uma seca, o docente um chato. Entram e saem analfabetos, muitas vezes, com o beneplácito dos próprios progenitores. O país consome enormes recursos que não aproveitam. Ninguém exige responsabilidade. São príncipes do quase tudo, futuros reizinhos da ignorância.

 

MG

 

 

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publicado às 19:00

O vento mudou: oiçam

por Naçao Valente, em 25.11.10

1967 festival Eurovisão da canção. Eduardo Nascimento, um angolano genuíno, representa as cores lusas com " o vento mudou e ela não voltou, sei que mentiu pr`a sempre partiu".

 

 

 

O festival da canção mobilizava o patriotismo dos portugueses. O ditador caíra da cadeira mas a ditadura continuava. Repirava-se cinzentismo: a pobreza era endémica, a emigração um desígnio, a repressão um costume,  a guerra um destino, a educação um luxo, a reforma um privilégio, a velhice um pesadelo, a liberdade uma utopia.

 

O pesadelo acabou, a esperança renasceu. A liberdade vulgarizou-se, o ensino democratizou-se, a saúde gratuitificou-se, o consumo generalizou-se, a segurança social popularizou-se ,a contestação tornou-se um direito, a alternância política uma prática. O que querem mais? A Lua?

Ainda existem injustiças? Ainda existe pobreza? Ainda existe exploração? Concerteza. Mas entre um mundo e outro há um abismo de dignidade. Podemos melhorá-lo? Sim, com trabalho, com rigor, com realismo, com a convicção de que somos capazes de positivamente dar as mãos num projecto solidário.

 

Posso não ser politicamente correcto, mas a verdade é que não vos posso dar a Lua. Por isso e porque nos anos sessenta nem tudo era mau , aqui  vos deixo esta bonita canção, recuperada, numa outra voz. Oiçam:

 

 

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publicado às 19:09




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