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Prédica de Pedro aos mexilhões

por Naçao Valente, em 03.02.15

Ouvi-me com atenção mexilhões. Eu sei que estais habituados a bater na rocha, especialmente se o mar estiver agitado. Até ganhaste uma carapaça protectora e ainda bem senão já estáveis em via de extinção. Mas isso foi chão que já deu uvas. Se calhar, não entendeis a minha linguagem conotativa. É normal. Fostes criado para apanhar na tola e não a usar com racionalidade. Essa função foi destinada aos eleitos de que faço parte, com muito poucos como a D. Merkel, o Schaulble, e poucos mais. O que vos quero dizer, na vosso linguajar é que comigo já não sois os mais fodidos. Quem são perguntam vocês? Olhem e vejam. São essa camada de ricos e poderosos. Quais? Olhem os banqueiros, os políticos, que como podem ver andam todos numa fona. Não percebem? É fácil. Leiam o Correio da Manhã e o Sol. O quê? Os funcionários públicos? Os reformados? É verdade que se tiraram alguns direitos a esses. Mas deixai-me ensinar-vos na vossa ignorância: não são mexilhões, são moluscos, são uma cambada de gastadores inúteis a sugar-vos o sangue e o dos vossos descendentes. Ou seja lixam-vos e ainda se babam. Queriam comer-vos mas eu não deixei. Mas afinal quem são os mexilhões? Sois vós quando votais, porque tendes esse direito e deveis usá-lo a meu favor. E confiai na minha palavra. Eu sou Pedro e o que vos digo está dito. Ámen. 

MG

MG

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publicado às 19:45

Isto estava a ficar uma pasmaceira neste inicio de verão. Digo pasmaceira mesmo pasmaceira, porque pasmaceira só pasmaceira já é desde há mais de três anos. Para bom entendedor. Mas do nada, de onde parecia imprevisível, saiu uma bomba que está a despertar este país de sonâmbulos. Já percebeu caro leitor? Claro, clarinho, é isso mesmo. O BES ou o GES, pois. Aí está uma dose cavalar de adrenalina para animar a malta. E vem mesmo a calhar para despertar as consciências. E vem mostrar que esta narrativa da recuperação é uma história da carochinha para entreter papalvos. O que isto mostra depois do BPN é que a desbunda continua. E continua com total impunidade. Se continua a acreditar, ao fim de três anos, nesta ficção de que vive acima das suas possibilidades e tem que empobrecer, quando já é pobre, então se calhar merece o que lhe está a acontecer. Como perguntou a original deputada Odete Santos "quantos mais pobres serão precisos para fazer um rico" ? Ora aí está! Muitos . Porquê? Porque os ricos ganham e gastam cada vez mais. Esses sim acima das suas possibilidades. 

 

MG

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publicado às 23:07

Não somos todos iguais

por Naçao Valente, em 05.08.13

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Não somos todos iguais

Os ricos têm mais

 

Despaís, Pedro Sena-Lino

 

 

(novo romance)

 

A afirmação de que somos todos iguais é uma balela. Não somos iguais porra nenhuma. Não somos, nunca fomos e não sei se alguma vez seremos, pois não existe informação credível sobre o futuro. Todos somos diferentes e essa constitui a riqueza da humanidade. É na diversidade que vida faz sentido. Ninguém é igual a ninguém e umas vezes somos mais outras vezes somos menos. Há os que têm mais centímetros, os que têm mais peso, os que são mais belos, os que têm mais anos, os que têm mais gajas (ou gajos) os que usam mais neurónio, os que têm mais pilim, os que têm mais cor. (E antes que me acusem de defender ideias racistas quero esclarecer que não me incomoda ouvir um caramelo dizer "raio do preto" da mesma forma que não me escandaliza se um tipo mais escurinho me chamar "cara pálida" para usar uma expressão cinéfila made in states). A desigualdade é injusta? Pois é! A verdade, se é que existe ,é que anda meio mundo a tentar enganar meio mundo desde que há mundo. (E antes que me acusem de passar para o lado dos exploradores quero garantir que em teoria sou pela igualdade e não apenas enquanto princípio).

 

Da mesma forma, a ideia de que todos temos os mesmos direitos é uma história da carochinha para enganar papalvos. Não temos nem aqui nem na China. (não pode aver melhor exemplo) Não há iguais direitos entre nações, nem iguais direitos entre pessoas. Uns têm mais direitos outros têm mais deveres. Uns têm de gramar mais austeridade, outros nem por isso. Uns estão sempre a apertar o cinto, outros a alargá-lo. Uns gozam merecidas férias de verão, outros gostariam de lhe tomar o gosto. Uns têm direito a muito sexo, outros têm o mesmo direito a imaginá-lo. (E antes que me acusem de estar obcecado com a coisa, confesso que foi peditório para que já dei porque já escasseiam os meios)

 

Mas viver na ilusão da igualdade tem as suas virtudes. Uma delas é suportar melhor a desigualdade, é acreditar que será possível atenuá-la, é construir horizontes de esperança. É nessa lufa lufa que se aguenta mais e mais. Que às vezes se espera e às vezes se desespera. Que se planeiam durante meses mais umas férias. Que se anseia pela sua chegada. Mar, sol, corpos ao léu, regresso ao "rame rame". Até que, na desigualdade, a morte nos separe. Não somos, nunca fomos iguais, mas ninguém pode dizer que não tentámos sê-lo e que continuaremos a tentar. Eis a utopia humana.

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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publicado às 17:30

Uma casa portuguesa concerteza

por Naçao Valente, em 02.08.13


Numa casa portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa. E se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa com a gente. Fica bem esta franqueza, fica bem, que o povo nunca desmente. A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente...

... Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar Uma existência singela... É só amor, pão e vinho e um caldo verde, verdinho a fumegar na tigela.  

 

Uma Casa Portuguesa Poema de Reinaldo Ferreira e V. Matos. Música de Artur Fonseca

 

Este poema sintetiza a ideia da pobreza no Estado Novo. É uma pobreza assumida como uma bênção do destino. Não é importante o que está sobre a mesa. Importante é a associação da felicidade com a singeleza, expressa no ter pouco, poucochinho. A pobreza é apresentada como um objectivo de vida. Ser pobre, possivelmente, o contrário de ser rico, é estar alegre, é viver contente. A teoria do pobrete mas alegrete voltou à agenda do dia na ideologia do governo PSD, com o "temos que empobrecer". É como um regresso às origens, uma assunção da verdadeira alma portuguesa, vendida à ilusão do bem estar.

 

Esta visão idilica da pobreza divulgada pela propaganda do regime não correspondia na prática à realidade dos pobres. A justificação está nos milhares de emigrantes que abandonaram as quatro paredes caiadas e rumaram a paragens menos alegres na esperança de juntarem ao pão e ao vinho sobre a mesa, aquilo a que chamavam algum conduto.

 

Como escreveu Filipe Luís na Visão, no artigo Brincar aos Ricos, Cristina Espírito Santo cultiva a imagem romântica e pitoresca de quem nunca viu um pobre. Se a dita senhora quer brincar aos pobrezinhos tem de viver nem que seja apenas um mês com o ordenado mínimo, numa casa sem luz, água e instalações sanitárias. E/ou trabalhar oito ou mais horas por dia numa fábrica têxtil, e/ou juntar-se aos grupos de vietnamitas que laboram nas herdades alentejanas. Até lá Cristina Espírito Santo continua a brincar às brincadeiras a que sempre brincou e que por ignorância, confunde, com a pobreza que nunca conheceu.

 

MG

 

 

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publicado às 18:19

ou seja

por Naçao Valente, em 08.01.13

ou seja, esta crise que nos rouba os dias, tem muitas explicações, ou seja uns dizem que foi por causa dos especuladores do Leman Brothers ou seja uns tipos que fizeram falcatruas com o dinheiro que outros ganharam enquanto alguns asseguram que teve a ver com o despertar da China ou seja porque os empresários levaram para lá  as suas empresas para explorar mão de obra barata ou seja para aumentar mais o seu pecúlio desinstrualizando  a Europa ou seja puseram-na a consumir made in China com o dinheiro que não tem ou seja levaram-na individar-se ao mesmo tempo que sacudiam a água do capote dizendo que esta desregulação se deve às dívidas dos países do Sul eternos calões gastadores compulsivos ou seja que viveram e vivem acima das suas possibilidades ou seja agora têm que pagar o pato vomitar o que andaram a comer a mais ou seja têm que colar a barriga às costas.

 

ou seja esta história não começou ontem ou seja é eternamente recorrente ou seja já era assim nos alvores da humanidade quando uns tipos mais espertos se apropriaram da riqueza que a maioria produzia inventando a primeira máquina de fazer pobres ou seja escravos que se têm reproduzido pelos séculos dos séculos com diferentes nomes ou seja na Idade Mádia eram servos, no advento da sociedade industrial eram proletários, nos tempos que correm povo unido ou seja só mudam as moscas a merda é a mesma.

 

ou seja, seja qual for a época produzimos riqueza para benefício de uma minoria que com ela vive à grande ou seja em qualquer sistema em qualquer regime somos f*** e mal pagos  e para onde nos viremos não há volta a dar ou seja: vêm ditadores, vêm salvadores, vêm democratas vêm esquerdistas de cravo ao peito ou seja pontas visíveis do iceberg explorador e especulativo criado para nos fazer pobres com uma refinada eficiência ou seja fundando por exemplo paraísos fiscais para assegurar o suor e o sangue que nos chupam inventando agências que nos avaliam e nos chamam lixo para nos sacar ainda mais  exemplar forma de nos colocar na nossa eterna condição de escravos eufemisticamente designados de cidadãos livres.

 

ou seja mesmo sendo um optimista e depois de ler teorias e mais teorias concluo que não vejo maneira de sair disto ou seja vire-me para onde me virar, ou seja para comunistas, socialistas, liberais etc ou seja sempre me vejo a apanhar as migalhas que caem das fartas mesas da vilanagem ou seja sempre me vejo condenado a ser uma peça da máquina de fazer ricos ou seja...e como não tenho mais latim para gastar mesmo poupando na pontuação vou regressar ordeiramente ao meu lugar na máquina ou seja palavras palavras palavras tretas tretas tretas ...  

 

MG      

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publicado às 20:11

Robin Hood (s)

por Naçao Valente, em 02.04.11

kantoximpi.blogspot.com

 

O ex-presidente da República considerando o fenómeno dos mercados "absolutamente escandaloso", conduzido “por poucas pessoas”, e criticou o capitalismo " especulativo e selvagem" em que vivemos. "São os principais agentes desses mercados que fazem tremer os políticos e que põem os políticos de joelhos. Ainda por cima têm agências de rating que diariamente nos avaliam mas que são funcionários desses mesmos mercados. Onde é que fica a política nisto?", questionou Soares.

 

                                                                  Notícias RTP

 

Começa a fazer-se luz no meu espírito e é tempo de começarem a iluminar-se as mentes de comentadores, economistas e outros analistas, que incensam a pureza dos mercados e condenam os perigosos gastadores que somos todos nós. Estas considerações de Mário Soares sugerem-me duas reflexões:

 

Primeira: Entendo os mercados como Robin Hood (S) geneticamente modificados, para tirar aos pobres e dar aos ricos!

 

Segunda: O povo da floresta negra devia unir-se para tirar aos mercados, apenas, 50% do que "roubaram". Acredito que as dividas soberanas ficariam saldadas. Digo eu!

 

MG 

 


 

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publicado às 21:05




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