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Prédicas presidenciais

por Naçao Valente, em 26.04.13

A Presidência da República é a mais alta magistratura da nação. Por essa razão o acesso a essa função devia obedecer a critérios extremamente rigorosos apesar de ter um carácter elegível. Dito de  outro modo, a candidatura ao cargo de Presidente devia obedecer ao preenchimento de requisitos prévios. Deste modo, o putativo candidato, tinha de passar por um crivo no qual fosse analisada a sua craveira intelectual, a sua condição de cidadão acima de qualquer suspeita, ter demonstrado ser portador de um imaculado bom senso, ter na sua actuação revelado alta estatura moral, ser capaz de se colocar acima de todos os interesses existentes. Tendo sido aplicados estes critérios, não teríamos no palácio cor de rosa o seu actual inquilino.

 

O cidadão Aníbal não preenche um único dos requisitos referidos. Nunca demonstrou na sua vida pública, possuir craveira intelectual, antes pelo contrário. Veja-se o seu comportamento, por exemplo, no que diz respeito ao Nobel da literatura, josé Saramago, por acaso cidadão nacional. Analise-se a sua actividade no escandaloso caso BPN. Recrie-se a sua acção política, enquanto Presidente. Recordo alguns momentos: a colaboração estratégica do primeiro mandato, visando garantir o segundo; A atitude revanchista para com os adversários, após a segunda eleição; a deslealdade para com o governo em funções na tomada de posse do segundo mandato; o alinhamento com o PSD e com a coligação negativa reunida para derrubar Sócrates, fazendo coro com a demagogia que considerava este responsável por toda a situação de Portugal, quase desde a fundação; o apoio sem reservas a um governo que não respeita os direitos dos cidadãos e que está a destruir o país.

 

O cidadão Aníbal, Presidente eleito por alguns portugueses, tem mostrado ao longo deste  mandato, o seu verdadeiro carácter: mesquinho, vingativo, intelectualmente limitado, contraditório nas ideias e na acção, pondo acima do interesse geral os interesses partidários que representa. Nunca  foi e cada vez menos é o Presidente de todos os portugueses. Só quem tenha andado muito distraído ou seja cínico, é que se pode admirar com o último discurso presidencial. É uma prédica recorrente algumas vezes encoberta por um espesso nevoeiro de cínico calculismo.

 

Tirando o facto de os mandatos presidenciais serem limitados, apetece perguntar: o que ganhámos em poder eleger um Presidente? Que vantagens trouxe em relação à monarquia? Se não existem condições para eleger, para este importante cargo, o melhor cidadão, mas aquele que seja rebocado pelo melhor carro partidário, o que adianta ter ou não ter uma República? Corremos sempre o risco de ter como supremo magistrado um qualquer imbecil, um chico-esperto ou um ditadorzito a fazer de democrata.

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publicado às 19:01

O homem sem qualidades

por Naçao Valente, em 28.07.12

Nasci no Estado Novo. A República era então uma caricatura do regime fundado em 1910. Os seus valores com destaque para a liberdade foram submergidos pelo chamado interesse da nação, enquanto entidade mítica, acima de tudo e de todos(a maioria). Como se a nação não fosse a vontade e a expressão de todos os cidadãos. Como se a nação se confundisse com vontades de alguns iluminados e interesse de outros tantos. Embora ainda debaixo da capa formal da democracia, restaurada em 1974, é este o pensamento dominante na esfera do poder nos tempos actuais. 

 

Nasci no Estado Novo, mas aprendi a ser republicano. Ensinaram-me que o poder perpetuado ao longo do tempo na mesma família é um privilégio antidemocrático e nesse sentido, não faz sentido, a existência da monarquia. Mas depois percebi que a democracia também tem defeitos e que a expressão do voto popular não é imaculada. É um preço que temos de pagar pela democracia republicana, acreditando que é possível aperfeiçoá-la. Aperfeiçoá-lo ao ponto de não elegermos gente sem qualidades e sem competência como os que nos governam. Aperfeiçoá-la ao ponto de não elegermos um homem sem qualidades para a mais alta magistratura da nação. Um homem que pôs o interesse da sua família política acima do interesse do país. Um homem que debita banalidades e respira contradições, arrastando num interminável  ópera patética o seu mandato. Que acabe depressa, senão começamos a ter saudades da monarquia.

MG

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publicado às 23:04

Porque não se cala ?

por Naçao Valente, em 27.04.12

Fala, fala , fala. Mas nada tem para dizer. E o que diz é nada. Anda perdido num labirinto de palavras, ocas sem sentido, Prisioneiro da sua inutilidade. Deprimente.

Foi vítima de equívocos. Só queria fazer a rodagem do carro e fizeram-no primeiro-ministro. Tem origens rurais e destruiu a agricultura. Cresceu num país de pescadores e hipotecou a pesca. Pregou a honestidade mas favoreceu a corrupção. Recebeu milhões de fundos comunitários e endividou o país. Imperdoável!

Beneficiou do acaso. A desunião da esquerda levou-o à Presidência. Fez campanha silenciosa durante um mandato para conseguir outro. A cegueira da esquerda deu-lho de mão beijada. Podia ser grandioso mas preferiu ser mesquinho. Podia ser patriota mas foi partidário. Lamentável.

Diz e desdiz. Enreda-se em contradições com a maior cara de pau. Coerência zero. Arrasta-se penosamente. Fala e nada diz. Porque não se cala? Patético!

 

MG

 

 

 

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publicado às 21:02

República?

por Naçao Valente, em 05.10.11

 31daarmada.blogs.sapo.pt

 

No dia 5 de Outubro de 1910, acordámos monárquicos e adormecemos republicanos. Passados cem anos, os vencedores comemoram essa data com  música e foguetório como tendo posto fim ao pior dos regimes. Mas na realidade o que é que mudou com o advento do republicanismo? Praticamente nada. O regime democrático estava implantado desde 1820 e consolidado desde a década de trinta.  A nobreza e ao clero já tinham sido retirados o poder e os privilégios. A Constituição garantia a todos os cidadãos os mesmos direitos e deveres gerais.

 

As mudanças do regime republicano resumem-se a aspectos formais e correcções legislativas. Substituíram o Rei por um Presidente de nomeação parlamentar e sem qualquer poder real. Restringiram o direito de voto aos cidadãos que sabiam ler e escrever, num país de analfabetos. Proibiram, claramente, as mulheres de votar, situação que na Constituição anterior estava omissa. Fizeram uma reforma do ensino primário que ficou no papel. Não contribuíram para o desenvolvimento económico. Não deixaram obra digna de registo.

 

A marca da primeira República é a instabilidade permanente, a luta fratricida entre correligionários, o golpe e o contra-golpe, o descalabro das finanças públicas, a miséria do país.

 

A escolha política na sua essência não é entre monarquia e república, mas entre democracia e ditadura. Em  1910 apenas mudaram os dirigentes. Foram-se as elites monárquicas ficaram as republicanas. Mesmo do ponto de vista formal a República foi muitas vezes menos democrática que a Monarquia. Relembro as ditaduras de Pimenta de Castro e de Sidónio Pais por exemplo, ou a longa ditadura salazarista que muito deveu ao desvario republicano.  A grandeza de um país depende da qualidade das suas classes dirigentes. Os governantes republicanos do início do século XX não trouxeram nobreza e responsabilidade à política, antes pelo contrário. Por isso considero exagerada a relevância dada a esta data em detrimento de outras talvez mais determinantes, como S. Mamede, 1383, 1640, 1820, completamente esquecidas. 

Uma das virtualidades da história é permitir-nos tirar lições. A desbunda da primeira república deveria servir de exemplo aos políticos actuais, que continuam a fazer da política uma chicana permanente em defesa das suas clientelas. O país é mais importante.

 

MG

 

PS - Da análise aqui apresentada não se deve inferir qualquer simpatia por causas monárquicas.

 

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publicado às 17:48

Moscas republicanas

por Naçao Valente, em 05.10.10

No dia 5 de Outubro de 1910, acordámos monárquicos e adormecemos republicanos. Passados cem anos, os vencedores comemoram essa data com  música e foguetório como tendo posto fim ao pior dos regimes. Mas na realidade o que é que mudou com o advento do republicanismo? Praticamente nada. O regime democrático estava implantado desde 1820 e consolidado desde a década de trinta.  A nobreza e ao clero já tinham sido retirados o poder e os privilégios. A Constituição garantia a todos os cidadãos os mesmos direitos e deveres gerais.

 

As mudanças do regime republicano resumem-se a aspectos formais e correcções legislativas. Substituíram o Rei por um Presidente de nomeação parlamentar e sem qualquer poder real. Restringiram o direito de voto aos cidadãos que sabiam ler e escrever, num país de analfabetos. Proibiram, claramente, as mulheres de votar, situação que na Constituição anterior estava omissa. Fizeram uma reforma do ensino primário que ficou no papel. Não contribuíram para o desenvolvimento económico. Não deixaram obra digna de registo.

 

A marca da primeira República é a instabilidade permanente, a luta fratricida entre correligionários, o golpe e o contra-golpe, o descalabro das finanças públicas, a miséria do país.

 

A escolha política na sua essência não é entre monarquia e república, mas entre democracia e ditadura. Em  1910 apenas mudaram as moscas. Foram-se as elites monárquicas ficaram as republicanas. Mesmo do ponto de vista formal a República foi muitas vezes menos democrática que a Monarquia. Relembro as ditaduras de Pimenta de Castro e de Sidónio Pais por exemplo, ou a longa ditadura salazarista que muito deveu ao desvario republicano.  A grandeza de um país depende da qualidade das suas classes dirigentes. Os governantes republicanos do início do século XX não trouxeram nobreza e responsabilidade à política, antes pelo contrário. Por isso não percebo porque se comemora esta data. Mais importante seria comemorar a fundação da nação, essa sim feita por homens com H Grande.

 

Uma das virtualidades da história é permitir-nos tirar lições. Esta desbunda da primeira república deveria servir de exemplo aos políticos actuais, que continuam a fazer da política uma chicana permanente em defesa das suas clientelas. O país é mais importante.

 

MG 

 

  

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publicado às 17:38

Mamas ao léu

por Naçao Valente, em 04.10.10

 

 

Onde se inspirou Cicciolina? Será no busto da República?

 

 

 

 

Confira as semelhanças!

 

 

 

 

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publicado às 17:24

28 de Maio nunca mais

por Naçao Valente, em 28.05.10

 

No dia 28 de Maio de 1926 inicia-se em Braga um movimento militar, comandado pelo general Gomes da Costa que anuncia o princípio do fim da 1.ªa República. Na sequência deste movimento as forças mais conservadoras e antidemocráticas da nação  tomaram as rédeas do poder e instauraram uma ditadura de quase meio século.

 

A primeira República com a vida política centrada no Parlamentarismo radical nunca foi capaz de criar estabilidade , nem de respeitar os governos democraticamente eleitos. A República foi assim cavando a sua própria ruína. Só entre 1920 e 1926 existiram 20 governos. A média de duração de cada um foi de cerca de três meses. Crise económica, instabilidade, falta de autoridade do estado, movimento sindical extremamente agressivo foram alguns dos ingredientes deste conturbado período da jovem Republica.

 

No contexto, actual com o país atingido por uma crise internacional  que exige unidade e estabilidade há quem queira levar o país para o caos fomentando instabilidade a qualquer preço. Senão veja-se: temos um governo eleito democraticamente há poucos meses. Mas as oposições políticas e os seus acólitos acham que deve ser derrubado, alegando os mais desvairados argumentos. Que o governo é incompetente, que o primeiro-ministro não tem carácter, que foi  eleito com base numa mentira, que engana o povo, que explora a classe média, que oprime os descamisados, que quer privar-nos  da liberdade. São apenas alguns dos argumentos dirimidos da extrema direita à extrema esquerda. Para essa gente que não quer aprender com a história a troco de mais umas migalhas de poder pouco interessa o bem-estar do povo. O povo para eles é apenas o trampolim para se alcandorarem  até aos meandros do poder. Para eles o povo tem o mesmo valor que teve Gomes da Costa para os  reaccionários de 1926. Levou um pontapé no rabo e só parou, deportado, nas ilhas dos Açores.

 

Pede-se respeito pelas instituições da República, pede-se bom-senso aos políticos, pede-se seriedade aos comentadores e pontas de lança da desestabilização. Para bem do povo, para bem da nação. Para bem de Portugal.

.MG

 

 

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publicado às 22:31

Memória Histórica-Salvador da Pátria?

por Naçao Valente, em 28.04.10

Nasceu em 28 de Abril de 1889 numa modesta casa de Vimieiro. Filho de uma família pobre, estava-lhe destinada uma  carreira eclesiástica. Frequentou o Seminário para estudar Direito. Em 1918 é professor de ciência económica. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 catapulta-o para o governo como ministro das Finanças. Em 1932 é nomeado Presidente do Conselho de ministros, cargo que manterá até 1968.

Pôs ordem nas contas públicas e governou a nação com mão de ferro durante quatro décadas. Com a Propaganda adormeceu as massas, com a censura e a Pide controlou a oposição O seu acesso ao poder e o seu êxito político está, também, ligado ao falhanço do projecto republicano. A divisão do partido republicano em várias correntes políticas que se digladiaram em lutas constantes pelo poder, conduziu a República para um beco sem saída. Salazar colheu os frutos dessa incompetência.

Com o advento da democracia em 1974, tornou-se quase tabu invocar o seu nome. Mau grado o juízo que fizermos do regime que instituíu, não se pode, nem se deve apagar a história. Para o mal e para o bem foi um governante de Portugal. Na minha opinião para  além da repressão que exerceu sobre o povo, foi responsável pelo atraso económico e social de Portugal. Sem uma visão estratégica de modernidade, procurou manter  até ao limite o país pobre e rural saído do século XIX.

Lembro-o aqui como uma lição sobre a qual os nossos políticos deveriam reflectir. Embora o regime democrático seja hoje um dado adquirido, não estamos imunes a salvadores da pátria, desde que para isso se proporcionem as condições.

MG

 

 

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publicado às 23:46

 

José Adriano, além de ser meu avô, era um artesão de eleição. Aquilo que os seus olhos viam as suas mãos construíam. Nasceu quando o século XIX já andava de bengala e morreu, quando o século XX já viajava no espaço. Assistiu, ainda moço, à implantação da República, foi mobilizado, jovem inconsciente, para combater nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Desertou do exército, viveu clandestino até a guerra terminar. Voltou à vida militar, ao serviço da República, como GNR, para expiar a sua fuga das fileiras.

Casou, teve filhos e cumprida a missão ao serviço da lei e da grei republicana voltou a ser o paisano que sempre teve dentro de si. Regressou à pacatez da sua aldeia. Aí gozou a sua liberdade, pelos trilhos ásperos dos montes e pelos vales verdejantes das ribeiras.

 Republicano e laico, espírito independente e crítico, sempre obedeceu à sua consciência. Apesar das parcas habilitações literárias, era um leitor viciado em leitura. Lia todos os livros que lhe chegavam às mãos, ávido de saber sobre qualquer assunto. No dia mundial do livro e da morte de dois grandes mestres  da literatura e dos  dois espíritos livres que foram Cervantes e Shakespeare , aqui lembro o  homem rebelde e generoso que foi o cidadão anónimo José Adriano.

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publicado às 21:53




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