Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Comentários recentes





Museu do Cinema

por Naçao Valente, em 01.04.16

 

museu.png

 

Nos tempos do preto e branco, quando a NET nem sequer era uma miragem, havia na RTP um programa chamado Museu do Cinema. O cineasta António Lopes Ribeiro falava do cinema do tempo do mudo, com inteligência e humor, e o pianista António Melo acompanhava ao piano com música improvisada, as fitas seleccionadas. Lopes Ribeiro com a sua erudição, dava uma lição de cinematografia e calava-se para dar a palavra a Melo, que preferia substituir as palavras ditas pela mensagem sonora, construída pela simbiose entre os dedos e as teclas, para dar sentido às imagens. Mas espicaçado por Ribeiro " Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores" para mostrar que também falava, despedia-se com um "boa noute".

 

No tempo de diversidade e democracia mediática, de redes sociais abertas à vox populi, não há cão nem gato que não bote sentença sobre o que sabe, mas sobretudo sobre o que alguma vez saberá. Neste mundo maravilhoso, fazem-se amizades planetárias, trocam-se beijos e abraços etéreos, com desconhecidos amigos, rompem-se barreiras físicas, trocam-se mensagens de gostos, preferências, ficções pessoais.

Há louváveis excepções num mundo onde impera a ausência de civismo. Mais que opiniões, insultos. Mais que debate, arrogância, mais que esclarecimento, ignorância. Mais que  razão, disparate. Um big brother nivelado pelo primarismo. Que saudades do Museu do Cinema onde falava quem tinha alguma coisa para dizer e musicava quem sabia musicar. Para todos os que com humildade não incham de soberba, e não sobem acima do seu chinelo, uma "boa noute".

MG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:16

A árvore e a floresta

por Naçao Valente, em 14.11.15

Os actos terroristas praticados em Paris, são inqualificáveis. São uma demonstração de brutalidade, de cobardia, de maldade sem limites, de barbárie. Merecem total repúdio, como todos os outros que aconteceram ao longo dos anos, em muitos outros locais. Ao contrário do que se podia supor, os terroristas têm replicado a sua actividade.

Depois da liquidação da liderança da al-Qaeda estamos agora debaixo do fogo de outro monstro similar. Um monstro que o Ocidente ajudou a criar. A invasão do Iraque, o apoio aos rebeldes na Líbia, na Síria e em todo o médio Oriente, acabaram por destabilizar, toda a região. A irresponsabilidade e leviandade das classes dirigentes, abriram uma caixa de pandora cujos malefícios nos estão a cair em cima.

O aparecimento do dito "Estado Islâmico" um grupo de bandidos à solta, criminosos sem lei, resultou da desestabilização fomentada pelos países ocidentais. A sua continuidade deve-se à divisão e apatia dos Estados Unidos da América e, da Europa. Criaram um problema complexo e de difícil resolução. Exige ponderação, bom senso, inteligência e unidade na acção.

Como ponto de partida é preciso separar o Islão de um grupo de extremistas. A maior parte dos povos daquela região, quer viver a sua vida e a sua religião em paz e com tranquilidade. Por isso, acho lamentável, que apareçam nas redes sociais textos que confundam  a árvore com a floresta. Textos que confundem a minoria terrorista com o Islão. Textos que destilam ódio e apelam à violência indiscriminada. Textos que são tão fundamentalistas e tão reprováveis como os actos bárbaros dos terroristas. Pedagogia democrática e esclarecimento sereno precisam-se.

MG

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:42

Palhaçadas

por Naçao Valente, em 07.11.14

 

imagem net

Há quem lhe chame ironia. Há quem lhe chame humor de fino recorte. Discordo. Prefiro chamar-lhe palhaçada, sem ofensa para os palhaços profissionais. Já tínhamos um primeiro ministro que queria ser cantor, e não foi. Azar. Melhora fora. Agora temos um ministro da economia que faz tirocínio para clown. À falta de uma pista de circo usa o palco da casa da democracia, para mostrar os seus dotes de entretainer. Baixou o debate para o nível do chinelo. Equivocou-se. Aquele púlpito está destinado a debater coisas sérias com seriedade. A chicana política, inflacionada pelo tom chocarreiro, não deve caber naquele local. Desprestigia-o. Desrespeita-o. Por outro lado, este político, de um governo desacreditado, acha que por este caminho consegue embaraçar António Costa. Pela insistência no tema acha que consegue tirar-lhe uns votos. Conclusão: não temos um ministro da economia mas um "achista" pretensamente engraçado; o certo é que ganhou visibilidade. Pelo ridículo, mas ganhou. Talvez o senhor Chen o contrate. Nos tempos que correm precisamos de palhaçadas. Só que no sítio certo.

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:35




Comentários recentes