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Obviamento demito-me

por Naçao Valente, em 03.05.19

O que se está a passar com a questão da recuperação do tempo de serviço dos professores é surreal. Que o BE e o PCP aprovem um diploma que dá, aparentemente, todo o tempo congelado faz sentido. São pequenos partidos de protesto ou de refúgio dos que se sentem prejudicados no que consideram ser os seus direitos específicos. Que o CDS o faça não me espanta. É um partido "rã" que quer ser "boi" e não olha a meios para atingir os fins. Que o PSD vá por esse caminho mostra total desnorte. É o partido que tirou subsídios, baixou reformas, manteve carreiras congeladas e até reduziu feriados. Mas é um partido que aspira ser poder e que devia demonstrar alguma responsabilidade.

Não está causa o direito à recuperação de tempo congelado aos professores. Como não está o dos médicos, o dos enfermeiros, o das forças militarizadas, o dos militares, o do sector da justiça, entre outros. Até eu, como outros reformados, gostaria que me devolvessem os rendimentos que me cortaram durante quatro anos. E do mesmo modo os desmpregados da troika, as empresas que faliram, não desdenhariam receber o que perderam. Gente que perdeu rendimentos e tem tempo congelado são mato.

Mas a questão é simples: não há condições financeiras para todas essas reinvindicações sem pôr em causa o equilibrio orçamental. Voltar à situação de bancarrota que trouxe os agiotas internacionais é uma possibilidade séria se formos por esse caminho. Significaria dar com uma mão para voltar a tirar com as duas a breve prazo. Além disso .qualquer governo responsável tem de governar para milhões de portugueses e não para este ou para aquele grupo.

O que está em causa é a caça ao voto. E se os que oportunisticamente se colaram às posições da extrema esquerda, serão os primeiros a não cumprir o que agora exigem, se acaso forem governo. 

PS: a guerra dos números é outra novela. Podem ser 800 milhões, ou 400. O que interessa é que implica um aumento de despesa que não é uma ninharia. Se for para pagar com notas do monopólio é fácil. Se for para pagar com notas reais pia mais fino. 

 

 

 

 

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publicado às 22:43

Greve de serviços máximos

por Naçao Valente, em 12.06.13

Tenho visto muito comentador encartado  diabolizar a greve dos professores num dia de exames. Veja-se a jornalista Clara Ferreira Alves, por exemplo. A discordância é livre, mas concordar por oposição com Crato e com a sua actuação neste caso, reflexo da política educativa do governo, é concordar com a destruição da escola pública, com a desqualificação da qualidade da educação, com o despedimento de professores que não estão a mais. (MLRodrigues)

 

Com todo o respeito, ilustres comentadores, penso que é pura demagogia considerar esta greve um acto terrorista. As infelizes criancinhas reféns de malvados professores. A greve é uma arma na mão dos cidadãos para lutar pelos seus direitos. Foi com ela que se lutou, por exemplo, pelas oito horas de trabalho. Com sangue. Se uma greve não prejudica nada, nem ninguém, não tem eficácia. E julgo que sabem ou deviam saber, que a greve prejudica, em primeiro lugar, quem a faz. "Prejudicar" alunos é a mesma coisa que prejudicar utentes de transportes, ou doentes que perdem a operação marcada. Numa greve não pode haver prejudicados de primeira e de segunda. Nem greves lícitas e ilícitas. Nem greves morais e imorais. Há greves com as suas consequências. Ponto.

 

 

PS: O tribunal arbitral não aceitou a aplicação de serviços mínimos. O governo acabou de decretar serviços máximos.

 

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publicado às 22:50

Manifesto: obrigado professores

por Naçao Valente, em 11.06.13

 

Personalidades da arte e da cultura solidárias com a greve dos professores

 

Manifesto: Obrigado professores

Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.

Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.

Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado.

Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos.

Subscritores:

António Pinho Vargas, Compositor Bruno Cabral, Realizador Camilo Azevedo, Realizador, RTP Carlos Mendes, Músico David Bonneville, Cineasta Eurico Carrapatoso, Compositor Hélia Correia, Escritora Leonel Moura, Artista plástico Luís Varatojo, Músico, A Naifa Luísa Ortigoso, Actriz Jacinto Lucas Pires, Escritor Joana Manuel, Actriz João Salaviza, Cineasta José Luís Peixoto, Escritor José Mário Branco, Músico José Vítor Malheiros, Jornalista Marta Lança, Editora e produtora Messias, Músico, Mercado Negro Nuno Artur Silva, Autor e produtor Pedro Pinho, Cineasta Rui Vieira Nery, Musicólogo Raquel Freire, Cineasta Sérgio Godinho, Músico Valter Vinagre, Fotógrafo. Zé Pedro, Músico, Xutos e Pontapés.

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publicado às 18:12

horários de trabalho

por Naçao Valente, em 05.06.13

De uma forma geral os horários são de 40 horas na indústria e no comércio e de 35 horas na função pública e no sector de serviços. Nem há portanto unicidade de horários. nem são os trabalhadores da função pública que trabalham menos. E dentro da função pública existem muitas variáveis. No que diz respeito, concretamente, aos horários dos professores, existe uma componente lectiva de 22 horas, destinada exclusivamente ao serviço de aulas e mais oito horas de serviço na escola para outros serviços: apoios, delegacia, direcção de turma, biblioteca, reuniões. O tempo restante, cerca de 5 horas, é de utilização livre: preparação de aulas, correcção de trabalhos e de testes, formação etc. Não é preciso ser um génio da matemática para perceber que nenhum professor competente (e são a maioria) trabalha apenas 35 horas. Se os professores levarem rigorosamente a sério o horário de 40 horas que agora querem impor, muito trabalho nas escolas ficará por fazer. Não perceber esta realidade é uma completa manifestação de ignorância.

 

 

MG

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publicado às 19:20

Recordações

por Naçao Valente, em 18.05.13

Foto: A certa altura realizávamos passeios históricos, pelo concelho de Alenquer, sob a orientação dos inesquecíveis Padre Zé, Prof Guapo, e de outro colega, que neste momento não recordo o nome (o de barbas brancas). Esta foto foi tirada junto à Igreja de Aldeia Gavinha. Anos 83, 84 (?). Quem se lembra? O Gabriel ainda estava entre nós (o tocador de viola).

 

Uma amiga (Fernanda Abreu) que não vejo há muito tempo mandou-me, via facebook, esta foto tirada no início dos anos oitenta, junto a uma bonita igreja de uma terrinha chamada Aldeia Gavinha, durante um visita de professores da Escola Secundária de Alenquer, ao Património do concelho, patrocinada pela autarquia alenquerense. Aqui estou na primeira linha no estilo bombazina, com um farfalhudo bigode e um ar pretensamente intelectual. Já me curei! Muita água correu entretanto debaixo das pontes. Alguns companheiros de então foram levados pelas correntes para outras paragens, outros navegaram para outras dimensões onde espero tenham o lugar que merecem. Os que por aqui ainda andam, com mais ou menos rugas e mais ou menos cabelos brancos, continuam a manter a jovialidade e a mesma juventude. Sim porque esta está no espírito e não no BI. Desses tempos míticos de confiança nos contratos sociais, de esperança no constante aperfeiçoamento da humanidade, pouco resta. Nesse dia alegre e soalheiro em que ficamos imortalizados numa película fotográfica, nenhum dos presentes pensaria na volte-face que que hoje estamos a viver. Uma regressão civilizacional impensável. Esse mundo que tínhamos orgulho de estar a construir  para nós e para os vindouros já quase não passa de uma ténue recordação. Bendita recordação. E é nela que de quando em vez nos refugiamos numa fuga consciente a esta realidade desumana que nos estão a impor.

MG

 

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publicado às 20:17




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