Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A vitória das conversas em família

por Naçao Valente, em 26.01.16

,,Marcelo Caetano tem como uma das imagens de marca as "conversas em família". Marcelo Rebelo de Sousa afilhado, herdou-lhe, o modelo e o jeito. As prédicas televisivas de Marcelo são as conversas em família do século XXI. Mais de um milhão de fiéis discípulos ouviam-no, religiosamente, todos os domingos. O Presidente eleito teceu paulatinamente a sua candidatura durante anos. Partiu para a campanha com metade dos votos garantidos. A  sua  popularidade mediática, a sua simpatia colocaram-no muito à frente e permitiram-lhe "vender-se" como um produto com credibilidade. As ideias políticas não passaram de um acessório na sua "não-campanha"

O PS, como principal força à esquerda, não conseguiu apresentar um candidato com um peso mediático equivalente ou sequer aproximado. Os trunfos mais poderosos da sua área não foram a jogo. Apostou assim em Sampaio da Nóvoa, um académico, com currículo na intervenção cívica, mas completamente desconhecido no eleitorado menos politizado. A sua abrangência à esquerda podia ter êxito numa segunda volta, mas precisava lá ter chegado. Bem se esforçou, mas a luta era muito desigual. Acresce que teve contra si o velho PS agarrado às fidelidades partidárias.

Mas a derrota da esquerda é consequência da não apresentação de um candidato forte e de uma estratégia comum. O egoismo partidário impôs-se a uma dinâmica de convergência, capaz de mobilizar todo o eleitorado da sua área. A esquerda adormeceu com as conversas em família. Não ganhou nem quis ganhar. Mereceu ser vencida.

MG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:29

O Alegre se fez Triste

por Naçao Valente, em 16.01.16

Manuel Alegre é um dos responsáveis pelo consulado Cavaco, ao ter à revelia do PS, e com algum apoio à esquerda, se ter candidatado à Presidência contra o candidato oficial, Mário Soares. Dividiu o PS e com a dispersão de votos à esquerda e permitiu que  Cavaco Silva ocupasse a Presidência por dez anos, com a parcialidade que se conhece.

Dez anos depois o mesmo Alegre  junta a sua influência à ala segurista que candidatou Maria de Belém contra Costa. Aparece agora na campanha como mais um profeta da proclamada (um homem fora política)  de Sampaio da Nóvoa. Ocorre-me uma única palavra: tristeza. Estranha ironia. O alegre se fez triste.

A divisão das esquerdas associada à manhosice do candidato Marcelo, poderá hipotecar à partida, mais uma vez, a vitória de um candidato desta área. E se tivermos mais dez anos de um Presidente da direita, este deverá a sua vitória, também a Manuel Alegre ou melhor a Manuel cada vez mais triste. Mas pior do que tristeza é uma traição à esquerda.

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:42

A solidão de Marcelo

por Naçao Valente, em 10.12.15

Vai começar o calvário das sondagens. Vamos ficar a saber "antes do jogo quem vai ganhar". Mas pelo sim pelo não, há um grupo de resistentes que teima em ir votar, para alimentar as ditas sondagens.

De uma forma geral, na corrida a Belém, o professor Marcelo vai à frente. Numa delas até leva tal avanço, que é o anunciado vencedor. Pelos vistos, já pode encomendar a faixa e reservar o Marquês de Pombal.

Não sei porquê, mas não consigo acreditar neste resultado e não é apenas porque não o desejo. Por muitas virtudes que tenha o Professor e não nego que as tem, por muito tirocínio que tenha feito, nas prédicas televisivas, continuo a achá-lo um perdedor. Mais,acho que a derrota política é um Karma que o persegue. Talvez esteja a limpar alguma "besteira" de outra vida.

Seja o que for, é como aquele homem que esteve quase quase, ou aquele iogurte que só lhe falta um bocadinho. Quase foi Presidente de Câmara. Sampaio não deixou. Faltou-lhe um bocadinho para ser primeiro-ministro. Durão Barroso não deixou. Será desta que perde a mala-pata. Duvido. Pode acontecer ou não, mas como escreveu Gabriel Garcia Marques, as gerações amaldiçoadas, estão sujeitas a cem anos de solidão.

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:52

Danos colaterais. Tiro no porta-aviões

por Naçao Valente, em 23.10.15

Ainda a procissão não saiu do adro, ou melhor, ainda a campanha presidencial não saiu da doca, e já o porta-aviões da direita levou um tiro da sua própria frota. Danos colaterais.

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:35

A hora de Marcelo?

por Naçao Valente, em 10.10.15

O professor Marcelo não tem, do ponto de vista político, um percurso muito linear. Para além da sua actividade académica, foi jornalista e projectou-se como comentador televisivo. De verbo fácil foi arregimentando adeptos. Há anos, que nesta qualidade, faz tirocínio para chegar à presidência da República. Aproveitando a indefinição à direita, deu o passo em frente como candidato a Belém.

Na comunicação social os chamados politólogos consideram que chegou a sua hora. Admitem que poderá ganhar à primeira volta. A esquerda está, como sempre dividida, e apresenta vários candidatos. Os árbitros da política que dominam os "media" já os levam num andor. Dizem que Sampaio da Nóvoa já está derrotado e que Maria de Belém vem para resgatar os seguristas.

Sampaio da Nóvoa, que em função do contexto político não recebeu apoio explícito do PS, afirmou que a sua candidatura vai continuar. O candidato que pode unir a esquerda numa eventual segunda volta, sabe que só é derrotado quem desiste de lutar. E por isso vai  à luta.  

Mas será mesmo a hora de Marcelo? Eis a dúvida metódica. Convém lembrar que não é a primeira vez que a hora de Marcelo foi prevista. Candidato à Câmara de Lisboa, com hora marcada, perdeu para Sampaio. Secretário-Geral do PSD com rampa para primeiro-ministro, nem sequer foi a votos. E agora? Se o destino, se cumprir, e não marcar a hora, poderá não chegar a atravessar o Rubicão mais uma vez. É uma fé. E esta move montanhas. Mas a função de comentador, que exerce com proficiência, estará à sua espera.

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:50

A farsa Presidencial

por Naçao Valente, em 24.01.11

A tradição ainda é o que era. Pela quarta vez o Presidente foi reeleito. Não entendo como se gasta tempo e dinheiro para eleger quem já está aprioristicamente eleito. Era mais simples criar um mecanismo de reeleição automática, baseado nalguns pressupostos, a saber:  não atrapalhou a acção dos deputados, não interferiu na governação, assinou as leis apresentadas, com uma ou outra excepção para cumprir as regra, mostrou-se ao povo e comungou das suas dificuldades. Em suma, não  fez ondas, nem se armou em carapau de corrida. Cumpriu plenamente a quase decorativa função presidencial.

REELEITO A BEM DA NAÇÃO . Alguma coisa aproveitaríamos do malfadado Estado Novo, onde pelos vistos, nem tudo era mau!

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:28

Difícil escolha

por Naçao Valente, em 17.01.11

a-minha-cidadania.blogspot.com

 

 

Os direitos implicam deveres. nesse sentido votar é um direito , mas ao mesmo tempo um dever. Eu sei que não se nota muito , mas vamos ter de eleger um Presidente da República. E temos muito por onde escolher. Posso não me rever nos candidatos, mas são o que temos, no país que somos. Por isso vou começar a reflectir sobre a melhor escolha. Em silêncio, longe do ruído inútil da campanha, analisando perfis:

 

Há um candidato que  tem no seu currículo, dezanove anos dezanove de cargos institucionais ao mais alto  nível. Curiosamente ou talvez não  tem nada a ver com nada. Nem com a dívida, nem com a corrupção, nem com o desperdício de fundos, nem a baixa produtividade... É uma alma cândida. Paira acima de tudo e de todos. É omnisciente, nem precisa de ler. Haja paciência

 

Há um candidato que é poeta político ou vice-versa. A poesia é sinónimo de cultura e sensibilidade, mas  este poeta está a fazer uma campanha triste e desenxabida, sem chama, sem clarividência, sem poesia. Navega num mar de equívocos, é um "General perdido no seu labirinto". É uma pena!

 

 

Há o nobre candidato, cada vez mais "Só". Não entendo ao que veio, nem o que pretende, nem sei  quem o atirou para esta fogueira de lume brando onde está a ser queimado. Uma perda de tempo.

 

 

Há o candidato cassete. não interessa quem é, nem qual o seu nome. Até pode ter "Todos os nomes", que vai dar ao mesmo. Basta rodar a cassete que vai resistindo a tanto uso. Mas é de grande utilidade pois representa o importante papel de aglutinador da tribo. Alimenta o culto.

 

Há o candidato lebre. Faz trabalho de sapa, puxa pela esquerda generosamente.Médico e político à boa maneira de João Semana. Quem o encomendou?

 

 

Há o candidato marginal, o único verdadeiramente independente. Actua fora do sistema e pode dar-se ao luxo de dizer o que lhe dá na gana. Com ironia vai pondo o dedo na ferida mostrando imaginação e assertividade. Assume o seu papel sem complexos e vai tirar algum partido disso. Uma surpresa.

 

Com estes espécimes a escolha não é fácil. Até apetece dizer venha o diabo e escolha. Mas nesta como noutras coisas não vou entregar ouro a bandidos. Quero ir votar no mal menor. É um dever cívico.

 

MG

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:14

Notas soltas

por Naçao Valente, em 11.01.11

O governo , diz, cumpriu o défice. Os mercados, dizem, continuam nervosos.( porque não tomam Prozac?) A oposição de direita quer O FMI ou seja quer ir para o governo.(sabe no que se vai meter?) Os comentadores inventam cenários,  comentam. (será que comentam?). A campanha eleitoral começou de acordo com o calendário previsto (será que existe?). O confesso assassino do cronista Carlos Castro era um bom rapaz, afirmam (não será toda a gente boa até prova em contrário?)

 

Politiquice, economês, fantasias, jet-set...e a vida real porra? A exploração, a fome, o sofrimento, a miséria, a ostentação...

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:43

Interrogações

por Naçao Valente, em 17.12.10

 

maonarodablog.com.br

 

Continua o arrastar de pés manietados por pesadas correntes. A campanha presidencial segue triste e enfadonha. Alegre e Defensor oriundos da mesma área política  o que foram debater? Mais coisa menos coisa, umas banalidades sem interesse. Elevação, ideias, projectos "niente". Afinal para que servem estes debates? Será para degradar ainda mais a já degradada política?

 

Eu que nasci republicano e republicano me confesso, vejo-me a cair na tentação de pensar que se calhar era melhor haver um Rei. Ao menos poupava-nos a este espectáculo de vaidades pessoais, mascarado de debate de ideias. Ou serei eu que estou errado?

 

JC

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:20

Belem, uma miragem?

 ww1.rtp.pt

 

Começou o show das presidenciais via TV. O primeiro debate foi pobre e desinteressante. De um lado o candidato Francisco Lopes. Percebe-se o que está a fazer ali: aproveitar tempo de antena gratuito, para manter viva a chama que mantêm acesa a militância e a sobrevivência partidária. Mas o outro? Não dá para entender patavina, porque se meteu nestes assados. De facto, o Doutor Fernando Nobre , não tem projecto, não tem estratégia, não tem ideias, não tem carisma e não sei se tem competência para a função em causa.

 

Fernando Nobre, ganhou notoriedade como o médico que pôs a sua vida ao serviço de causas de justa solidariedade. E neste campo desenvolveu, na sua AMI, um trabalho meritório e digno de todos os elogios. Penso que está , com esta candidatura a desbaratar esse capital precioso de generosidade e também o outro, o do vil metal,  que possivelmente não tem.

 

Escuda-se atrás de uma retórica frouxa e pouco convincente, como candidato apartidário, quase apolítico, como se esta fosse uma condição para se impor eleitoralmente e exercer a função de alto magistrado da nação. E até poderia ser, se acompanhada de outras valências que não tem demonstrado. A presidência da República é um cargo político, quer queiramos quer não.Exige firmeza, competência, sabedoria, bom senso, rigor.  Não pode ser exercida apenas com boas intenções. Destas está o inferno cheio. 

 

O candidato Fernando Nobre é, para mim, um erro de casting. Não sei se é o o autor do seu próprio casting ou se foi deslumbrado por mãos ocultas que o empurraram para a ribalta, sabe-se lá com que desígnios. Inclino-me mais para esta segunda hipótese. Vejo por detrás desta candidatura, alguns gatos com rabo de fora, que se estão a aproveitar da ingenuidade politica de Nobre, não para ganhar a presidência (missão impossível) mas para fazer vendetas pessoais. Se assim for é lamentável. A política não é uma arte nobre, mas devia ter mais um pouco de nobreza. 

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:32




Comentários recentes