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Cordeiros pascais

por Naçao Valente, em 30.03.13

 Escrevi este texto em 10 de Abril de 2012. Reli-o. Passou um ano. Não lhe consigo mudar uma vírgula.

 

A Páscoa  é sinónimo de libertação. Os judeus celebram a fuga do Egipto e da escravidão. Simbolicamente sacrificam o cordeiro. Os cristãos comemoram a morte e a ressurreição de Jesus que assumiu as culpas de toda a humanidade e sacrificou-se, metaforicamente, como um cordeiro pascal.

 

Ao contrário de Jesus que se sacrificou para salvar o mundo os nossos governantes sacrificam-nos para salvar os mercados. Merecemos. Cometemos o pecado da gula, embarcamos na barca da luxúria, ousamos querer viver bem, acreditamos no fim da pobreza e na morte da exploração.Pretendemos ter boa educação, ter direito à saúde universal e gratuita. Pecamos contra os omnipotentes mercados. Temos de ser castigados. Temos de cumprir mil penitências. Os sacerdotes dos deuses da usura (governantes) e os seus acólitos (comentadores castrados) fariseus dos novos tempos, vergastam-nos a cada dia que passa com maior violência. Espremem-nos a seiva da vida. E nós pecadores confessos batemos com a mão no peito, mea culpa mea culpa. Somos os cordeiros pascais deste mundo de exploração sem regras.

 

Nesta Páscoa, aqui e agora, os sumo sacerdotes da política carregaram-nos ainda mais de angústia, expurgaram-nos da esperança, substituem libertação por escravidão. A sua falta de seriedade, mais clara em cada dia que passa, chegou ao ponto de inverter o significado da longa tradição pascal. O símbolo desta Páscoa não é um cordeiro sacrificado para libertar, mas um coelho libertado para explorar.

MG

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publicado às 19:11

Santos e pecadores

por Naçao Valente, em 20.01.11

Como é que um homem que sempre viveu do esforço do seu trabalho, perde por um momento a noção da realidade e entrega a dois desconhecidos a magra poupança de uma vida? Ignorância, ingenuidade, mas também  ganância. É  na exploração da fraqueza por mais uns tostões, caídos da árvore das patacas, que os burlões conseguem, com a lição bem estudada fazer a sua extorsão. São, sem dúvida bons conhecedores das dualidades da natureza humana. E esta sofisticada forma de sacar o alheio é transversal a toda a sociedade desde o mais humilde ao mais bem colocado na escala social. Só variam as técnicas utilizadas. Os  burlões sabem que neste mundo cão, com algumas excepções que figuram na galeria da santidade, todos somos simultaneamente santos e pecadores. E é na exploração desta faceta de vulnerabilidade que exercem a sua função. A prova está na reportagem da SIC que pode ver neste vídeo. 

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publicado às 22:48




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