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Deus criou a mulher e...não se esqueceu do café

por Naçao Valente, em 03.08.14

Todos sabem. Se não sabem deviam saber. Faltar à formação religiosa é pecado. Vou recordar. Deus fez o mundo. Criou Adão  gostou da sua obra e descansou. Mas por pouco tempo. Sentiu que faltava qualquer coisa. Pelo canto do olho espreitou Adão  e viu-o acabrunhado e triste. Mesmo sabendo tudo não estava a entender. Fez o mundo e entregou-lho de mão beijada. Olhou de novo, e lembrou-se que lhe podia ler o pensamento. Leu e percebeu. Adão tinha acabado de inventar a solidão. Deus reconheceu a sua falha e resolveu agir. Esperou que Adão adormecesse, tirou-lhe uma costela e fabricou a mulher. Viu felicidade no rosto de Adão, quando  sentiu o odor da sua Eva. Finalmente podia descansar. Com a autoridade de um pai disse: crescei e multiplicai-vos. E assim se fez. O multiplicador começou a funcionar mas com pouca equidade. Multiplicava mais as mulheres que os homens e de tal modo que muitas ficavam sem companheiro. A perfeição não é possível. Para compensar a situação e perante o  descanso de Deus, alguns homens multiplicaram-se por várias mulheres. Sem maldade, tinham inventado o adultério antes da existência do próprio conceito. Também sem conceito nasceu o pecado. Para dar a volta ao texto, de forma subtil, o profeta Maomé, com mandato divino, fez contas e decretou que cada homem devia cuidar de sete mulheres. Assim se fez e extraordinariamente se equilibrou o que o multiplicador desequilibrava.

 

A cristandade não adoptou a norma e o problema continua a persistir. Foram porém as mulheres que encontraram a solução. Para sairem do domínio masculino, conquistaram a sua autonomia. Sairam da situação de dependentes e invadiram todas as profissões onde, dado o seu estatuto demográfico, aparecem em maioria.

 

É por isso que na pastelaria onde vou tomar café trabalham, para além da proprietária, mais três empregadas. Tudo Evas. Chego até a interrogar-me se o que me atrai para aquele espaço é o delicioso sabor do café ou a deliciosa presença das simpáticas Evas

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 Entro. Percorro maquinalmente o espaço até ao balcão. Na minha frente pousa uma chávena de fumegante café trazido pelas mãos reconchuchudas de uma Eva loura  enfeitada com um sorriso com reflexos de centelha divina.  Outras vezes o saboroso néctar negro chega discreto nas mãos delicadas de uma morena de corpinho iogurte magro. Um sorriso arco íris reflectido nas cores do aparelho de correcção dental reflecte-se na cor uniforme do café matizando-lhe a sisudez.

 

Não consigo decidir de qual das Evas gosto mais. Penso então na felicidade de Adão que nunca teve que passar pelo dilema de optar. Mas agora são tantas e todas tão atraentes na sua diversidade que apetece ficar com todas. Mas isso não passa de pensamento, apenas pensamento que fique claro. Pois se até o pensamento é acto pecaminoso, o que não será o acto concreto. Condenação para a eternidade ou quase. Esta questão não se põe para quem nasceu muçulmano. Não é o caso. A questão minimiza-se para quem é mórmon. Não ouso!  Resta carregar mais esta injustiça. Afinal a desigualdade não está apenas na divisão da riqueza mas também no acesso à beleza. Às vezes apetece gritar: Vítimas da monogamia uni-vos. Mas emudeço. Carrego nos meus genes milhares de anos de inculcação de valores judaico-cristãos. Aguento. Talvez no paraíso haja também igualdade no acesso às não sei quantas Evas para a eternidade.Não me importo se são mil ou se são virgens.Têm é que saber servir um bom café.

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publicado às 00:18

E Deus criou a mulher

por Naçao Valente, em 23.11.13

Todos sabem. Deus criou Adão e descansou. Mas por pouco tempo. Olhou e viu-o acabrunhado de tristeza. Mas porquê se tinha todo o mundo para si? Olhou de novo, leu-lhe o pensamento e percebeu: Adão tinha acabado de inventar a solidão. Deus reconheceu a sua falha e resolveu agir. Esperou que Adão adormecesse, tirou-lhe uma costela e fabricou a mulher, Eva. Olhou, viu felicidade no rosto de Adão, gostou e concluiu que podia finalmente descansar. Antes, com a autoridade de um pai disse: crescei e multiplicai-vos. E assim se fez. O multiplicador começou a funcionar mas com pouca equidade. Multiplicava mais as mulheres que os homens e de tal modo que muitas ficavam sem companheiro. Para compensar a situação e perante a ausência de Deus, alguns homens multiplicaram-se por várias mulheres. Sem maldade tinham inventado o adultério. Concomitantemente nasceu o pecado. Para dar a volta ao texto, de forma subtil, o profeta Maomé fez contas e decretou que cada homem devia cuidar de sete mulheres. Assim se fez e extraordinariamente se equilibrou o que o multiplicador desequilibrava.

 

A cristandade não adoptou a norma e o problema continua a persistir. Foram porém as mulheres que encontraram a solução. Para sairem do domínio masculino, conquistaram a sua autonomia. Sairam da situação de dependentes e invadiram todas as profissões onde, dado o seu estatuto demográfico, aparecem em maioria.

 

É por isso que na pastelaria onde vou tomar café trabalham, para além da proprietária, mais três empregadas. Tudo evas. Chego até a interrogar-me se o que me atrai para aquele espaço é o delicioso sabor do café ou a deliciosa presença das simpáticas evas. Até porque logo que entro e me aproximo do balcão, uma eva loura e reconchuchudinha me atinge com o olhar e me fuzila com um largo sorriso, fazendo a pergunta sacramental: -É um carioca cheio com adoçante? Quando acabo de confirmar, pela enésima vez e a moça se vira para se dirigir à máquina já  uma outra, morena com corpo modelito, colocada estrategicamente, está a tirar o café. Parece que tenho dois amores, mas não. Eu sou realista. Sei que isso não se deve aos meus lindos (sem falsa modéstia) olhos. Deve-se concerteza apenas a eficiência profissional que às vezes é tanta que quando chego ao balcão já lá está o fumegante café. Ouso até afirmar que quando Deus criou a mulher não a pensou tão  determinante na felicidade da humanidade. Só tenho pena que não tenhamos direito a mais que uma quando não somos muçulmanos. Pondero tornar-me mormon. E porque Deus não estipulou quantas mulheres podemos ter sinto-me com livre arbítrio de escolher mais umas evas. Só espero que a minha eva não leia isto, senão ainda me põe fora de casa. De qualquer modo e pensando bem, se isso acontecer, sei que há por aí muitas evas e tenho esperança que alguma me acolha. Ou não!?

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publicado às 20:06

Mulher não sabe ler sinais de trânsito

por Naçao Valente, em 08.04.13

 

Para mal dos meus pecados acompanhei uma dama à capital. Acomodei-me no lugar do pendura e lá fui, pensando de mim para mim, "vamos lá ver se isto corre bem". Não correu! Diga-se em abono da verdade que não sou sexista, nem um bocadinho. Mas que há coincidências há.

 

Nada a ver com a condução. Admito que não faria melhor. O diabo está nos detalhes, melhor, no estacionamento. Contudo, parecia que começava bem. Parque pago, daqueles onde se põe umas moedinhas, lugares de fácil arrumação. Tudo preparado para dar certo. Arrumada a viatura para o merecido descanso, fomos à pata, numa missão quase impossível, procurar uma tela de bordar, que segundo consta, terá existido em tempos idos. Mas dama quando encasqueta  uma coisa nas meninges...adiante, corremos seca e Meca e objectivo zero. Muito mais previsível que as previsões do Gaspar. Fazer o quê?

 

Voltámos para retomar o recuperado carro. Ao aproximarmo-nos, deparámo-nos com uma situação insólita. O sortudo, estava a ser envolvido com uma fita colorida, assim a modos como aquelas que põem ao pescoço dos homenageados no dia da nação. Mas quando me aproximei vi que o infeliz estava a ser simultaneamente algemado, isto é já tinha uma roda bloqueada. Não batia a bota com a perdigota. No imediato, fiquei estupefacto, mas dentro das minhas limitações percebi, "não sei porquê mas estamos lixados".

 

A dama ainda correu apressada para junto dos cavalheiros que praticavam a má acção. "Mas eu paguei o estacionamento", balbuciou. Pois pagou, disse um calmeirão fardado a preceito, o problema é que estacionou num lugar proibido. "Mas isto não é um parque de estacionamento? Está ali a placa". É, respodeu sem respeitar a pontuação, com excepção deste lugar". A dama ainda tentou atirar com o chamado charme feminino para cima (salvo seja) do fiscalizador, dizendo: "eu venho aqui muito raramente e não me apercebi".  Não adiantou, o homem tinha sido programado para multar e não havia argumentos, por maiores que fossem, que o convencessem. Um funcionário exemplar. Merece ser recompensado no paraíso.

 

Fiquei calado que nem um rato e enquanto a dama pagava a multa, via multibanco, deslizei de mansinho até junto ao sinal de trânsito da entrada do parque. Verificado. Lá estava a cores e com todas as letras "proibido estacionar". Confirmado. Mulher não sabe ler sinais de trânsito. Voltei da minha discreta ronda e constatei que dois atarefados agentes, sentados numa secretária improvisada, dentro de uma carrinha que pedia descanso e caldos de galinha, daquelas que os ciganos usam nas feiras, lutavam com um computador portátil, que recusava aceder ao seu servidor para passar a multa. Continuei de bico calado, mas pensei: "há máquinas mais sensatas que os humanos". Por fim, um deles disse: passa a multa à mão. À mão, disse o outro, não sei, já perdi o jeito.

 

 

O senhor agente teve mesmo de meter mãos à obra .E nós à espera, que a coisa rendia! Enquanto preenchia o formulário com leves afagos e instruções via telemóvel, que com a precipitação deixou cair, divindindo-o em dois, o grandalhão desbloqueou a roda e aliviou a viatura daquele injusto castigo. Eu continuava mudo de nascença e a dama com cara de caso (ou de, casa) só dizia: Lá se foram oitenta euros (setenta da multa e dez para tirar o aparelho de tortura). Apenas por não saber ler sinais de trânsito. Moral da história: quem viajar com dama, previna-se. Nunca confie. É que há coisas que são genéticas e receio que não haja excepções.

 

 

 

MG

 

 

 

E nós à espera!

 

 

 

 

 

 

  

 

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publicado às 15:53

E Deus criou a mulher...

por Naçao Valente, em 20.10.12

Todos sabem. Deus criou Adão e descansou. Mas por pouco tempo. Olhou e viu-o acabrunhado de tristeza. Mas porquê se tinha todo o mundo para si? Olhou de novo, leu-lhe o pensamento e percebeu: Adão tinha acabado de inventar a solidão. Deus reconheceu a sua falha e resolveu agir. Esperou que Adão adormecesse, tirou-lhe uma costela e fabricou a mulher, Eva. Olhou, viu felicidade no rosto de Adão, gostou e concluiu que podia finalmente descansar. Antes, com a autoridade de um pai disse: crescei e multiplicai-vos. E assim se fez. O multiplicador começou a funcionar mas com pouca equidade. Multiplicava mais as mulheres que os homens e de tal modo que muitas ficavam sem companheiro. Para compensar a situação e perante a ausência de Deus, alguns homens multiplicaram-se por várias mulheres. Sem maldade tinham inventado o adultério. Concomitantemente nasceu o pecado. Para dar a volta ao texto, de forma subtil, o profeta Maomé fez contas e decretou que cada homem devia cuidar de sete mulheres. Assim se fez e extraordinariamente se equilibrou o que o multiplicador desequilibrava.

 

A cristandade não adoptou a norma e o problema continua a persistir. Foram porém as mulheres que encontraram a solução. Para sairem do domínio masculino, conquistaram a sua autonomia. Sairam da situação de dependentes e invadiram todas as profissões onde, dado o seu estatuto demográfico, aparecem em maioria.

 

É por isso que na pastelaria onde vou tomar café trabalham, para além da proprietária, mais três empregadas. Tudo evas. Chego até a interrogar-me se o que me atrai para aquele espaço é o delicioso sabor do café ou a deliciosa presença das simpáticas evas. Até porque logo que entro e me aproximo do balcão, uma eva loura e reconchuchudinha me atinge com o olhar e me fuzila com um largo sorriso, fazendo a pergunta sacramental: -É um carioca cheio com adoçante? Quando acabo de confirmar, pela enésima vez e a moça se vira para se dirigir à máquina já  uma outra, morena com corpo modelito, colocada estrategicamente, está a tirar o café. Parece que tenho dois amores, mas não. Eu sou realista. Sei que isso não se deve aos meus lindos (sem falsa modéstia) olhos. Deve-se concerteza apenas a eficiência profissional. Mas que fico babado, fico. Apenas isso. Afinal, já tenho a minha eva e não nasci muçulmano. Só espero que a minha eva não leia isto, senão ainda me põe fora de casa. De qualquer modo e pensando bem, se isso acontecer, sei que há por aí muitas evas e tenho esperança que alguma me acolha. Ou não!?

 

MG

 

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publicado às 19:06

Mais um dia

por Naçao Valente, em 08.03.11

Hoje dei uma volta por alguns blogues e não vi nenhuma referência ao dia internacional da mulher. Será que está a formar-se a convicção que o dia da mulher, assim como o do homem, é desde que nasce até que morre! Aleluia!

 

MG

 

 

Aleluia

 

Era a mulher — a mulher nua e bela,
Sem a impostura inútil do vestido
Era a mulher, cantando ao meu ouvido,
Como se a luz se resumisse nela...
Mulher de seios duros e pequenos
Com uma flor a abrir em cada peito.
Era a mulher com bíblicos acenos
E cada qual para os meus dedos feito.
Era o seu corpo — a sua carne toda.
Era o seu porte, o seu olhar, seus braços:
Luar de noite e manancial de boda,
Boca vermelha de sorrisos lassos.
Era a mulher — a fonte permitida
Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo...
Era a mulher e o seu amor fecundo
Dando a nós, homens, o direito à vida!

Pedro Homem de Mello, in "Miserere"
  no Citador

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publicado às 23:14

Revista do ano 2010 Setembro

por Naçao Valente, em 11.01.11

Mulher na revolução

Não há pior dia que a segunda-feira. Depois de um dia de descanso o trabalho. Mas eu gosto de fazer segunda de sapateiro ou seja dar folga às solas. Nestes entretantos sobrou-me em indolência o que me faltou em  insolência. Fica para um dia mais preenchido. Mas nesta lazeira sapateiral vieram-me à memória os gloriosos tempos do Processo Revolucionário em Curso. Aquilo é que era alegria, aquilo é que era esperança, aquilo é que era sonho, aquilo é que era generosidade; aquilo é que era ilusão. E prefiro mil vezes essa iludida ilusão que esta ilusão iludida do nosso prestigiditador-mor. Adiante: no meio deste emanrahado de pensamentos gastos pelo tempo e pela mediocridade, saltou-me das profundezas do arquivo mental  um poema pouco conhecido do Zeca e que simboliza esses tempos de ingenuidade revolucionária. Chama-se Teresa Torga. Se conhece recorde-o. Se não conhece vale a pena conhecer:

 

MG

 

"TERESA TORGA"

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua

A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela

Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala

Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga

Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que a diga António Capela

Teresa Torga Teresa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha

 

   José Afonso

 

Mas se prefere a versão musicada  aqui está...

 

 

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publicado às 20:01

Mulher em órbita

por Naçao Valente, em 16.06.10

"Oriunda de uma família proletária, Valentina começou a trabalhar com dezoito anos, em uma fábrica têxtil. Na mesma época, ela entrou para um clube de pára-quotistas amadores. Aos 24 anos, em 1961, começou a estudar para se transformar em cosmonauta, no mesmo ano em que o director do programa espacial soviético, Sergei Korolev, considerou enviar mulheres ao espaço, numa forma de colocar a primeira mulher em órbita na frente dos Estados Unidos, que ao mandar ao espaço os primeiros astronautas, dava início à corrida espacial."

Wikipédia

 

Aqui está o exemplo que mostra que mulher não é biombo de sala...

MG

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publicado às 22:36




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