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Rei morto, rei posto

por Naçao Valente, em 11.03.16

Rei morto, rei posto, sai um presidente entra outro. E foi grande a festa, pá. O que saiu não deixou saudade, o que entrou trouxe esperança. E foi grande a festa, pá. Houve discurso, animação,comida e cantoria, como num casamento. Gente feliz. E a folia prolongou-se por três dias, como nos casamentos ciganos. O povo merece depois de dez anos de solidão presidencial. Mas agora esperamos que a Presidência não se transforme numa agência de espectáculos, e o novo Presidente num bobo da Corte. Trabalho é trabalho e conhaque é conhaque. Chegou a altura de fechar a garrafa. Mãos à obra. Arraial, arraial, por Marcelo I.

MG

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publicado às 22:41

A vitória das conversas em família

por Naçao Valente, em 26.01.16

,,Marcelo Caetano tem como uma das imagens de marca as "conversas em família". Marcelo Rebelo de Sousa afilhado, herdou-lhe, o modelo e o jeito. As prédicas televisivas de Marcelo são as conversas em família do século XXI. Mais de um milhão de fiéis discípulos ouviam-no, religiosamente, todos os domingos. O Presidente eleito teceu paulatinamente a sua candidatura durante anos. Partiu para a campanha com metade dos votos garantidos. A  sua  popularidade mediática, a sua simpatia colocaram-no muito à frente e permitiram-lhe "vender-se" como um produto com credibilidade. As ideias políticas não passaram de um acessório na sua "não-campanha"

O PS, como principal força à esquerda, não conseguiu apresentar um candidato com um peso mediático equivalente ou sequer aproximado. Os trunfos mais poderosos da sua área não foram a jogo. Apostou assim em Sampaio da Nóvoa, um académico, com currículo na intervenção cívica, mas completamente desconhecido no eleitorado menos politizado. A sua abrangência à esquerda podia ter êxito numa segunda volta, mas precisava lá ter chegado. Bem se esforçou, mas a luta era muito desigual. Acresce que teve contra si o velho PS agarrado às fidelidades partidárias.

Mas a derrota da esquerda é consequência da não apresentação de um candidato forte e de uma estratégia comum. O egoismo partidário impôs-se a uma dinâmica de convergência, capaz de mobilizar todo o eleitorado da sua área. A esquerda adormeceu com as conversas em família. Não ganhou nem quis ganhar. Mereceu ser vencida.

MG

 

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publicado às 22:29

Marcelo já ganhou?

por Naçao Valente, em 22.01.16

 

Se conferirmos os títulos que resultam das sondagens sobre as eleições Presidenciais, verificamos que genericamente se baseiam nesta ideia: Marcelo vence as eleições  primeira volta. Numa situação de quase empate, a imprensa por norma ou por desejo tem tendência para valorizar os grandes e os mais mediáticos. Neste caso Marcelo.

Mas com os mesmos resultados podiam-se gerar outros títulos de significado oposto: Marcelo pode ter de disputar uma segunda volta; Sampaio da Nóvoa com hipóteses de passar à segunda volta, por exemplo. Ou de uma forma mais consensual: Sondagens, tudo em aberto.

Interpretações apenas interpretações, sempre no mesmo sentido, correm o risco de cair em saco roto. Mas se assim for, logo virarão o bico ao prego, com a mesma cara de pau. Por isso senhores jornalistas sejam sensatos. Não joguem tudo numa ficha. Podem não perder totalmente, mas perdem a vossa imagem de marca: a isenção.

MG

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:44

A campanha para as presidenciais não anda, arrasta-se, perante a indeferença quase geral. Dez candidatos sem gosto vão debitando generalidades. Um bocejo. Para além das candidaturas folclóricas que não se percebe ao que vêm, há as rigorosamente partidárias para unir as suas hostes, mas pouco. Sobram três candidatos  com alguma expressão.

Se quisermos atribuir um cognome a cada um deles na ordem que as sondagens os colocam, Marcelo aparece como o Contorcionista, sempre de acordo com tudo e com todos. Consegue ser e não ser ao mesmo tempo. Num tom coloquial fala de tudo e nada, sem dizer seja o que for. Com o discurso vazio nunca se compromete.

Sampaio da Nóvoa mal ainda chegou já está a ser ostracizado. É uma espécie de Apóstata, colocado fora do mundo da política partidária, pelos seus pares e vários comentadores. Teve a ousadia de se intrometer nesse mundo sem ter currículo, isto é sem ter percorrido o calvário da tarimba partidária. Não se viu nas jotas, nem nas andanças dos pequenos e grandes cargos, com o amén dos partidos, logo não tem a legitimidade, para ser candidato.

Maria de Belém arrancou para a candidatura, nas costas de Costa e contra Costa, como testa de ferro da oposição interna e com o apoio dalguns velhos "barões do PS. Daniel Oliveira chamou-lhe a Sonsa. De facto opondo-se a Marcelo, acaba por ser mais uma opositora da esquerda, principalmente de Sampaio da Nóvoa. Recorrendo muitas vezes à baixa política, atacando adversários no seu carácter é o exemplo de quem não tem estatura para o cargo, apesar do seu longo currículo partidário.

Se Marcelo, um eterno perdedor, ganhar, como dizem as sondagens, consegue-o graças ao  albergue espanhol, que são estas Presidenciais e que Marcelo conseguiu transformar num não-acontecimento. Por este caminho e perante esta indiferença geral, descredibiliza-se a Presidência e a República. Porque não se repõe a Monarquia?

MG

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publicado às 21:57

O Alegre se fez Triste

por Naçao Valente, em 16.01.16

Manuel Alegre é um dos responsáveis pelo consulado Cavaco, ao ter à revelia do PS, e com algum apoio à esquerda, se ter candidatado à Presidência contra o candidato oficial, Mário Soares. Dividiu o PS e com a dispersão de votos à esquerda e permitiu que  Cavaco Silva ocupasse a Presidência por dez anos, com a parcialidade que se conhece.

Dez anos depois o mesmo Alegre  junta a sua influência à ala segurista que candidatou Maria de Belém contra Costa. Aparece agora na campanha como mais um profeta da proclamada (um homem fora política)  de Sampaio da Nóvoa. Ocorre-me uma única palavra: tristeza. Estranha ironia. O alegre se fez triste.

A divisão das esquerdas associada à manhosice do candidato Marcelo, poderá hipotecar à partida, mais uma vez, a vitória de um candidato desta área. E se tivermos mais dez anos de um Presidente da direita, este deverá a sua vitória, também a Manuel Alegre ou melhor a Manuel cada vez mais triste. Mas pior do que tristeza é uma traição à esquerda.

MG

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publicado às 23:42

Danos colaterais. Tiro no porta-aviões

por Naçao Valente, em 23.10.15

Ainda a procissão não saiu do adro, ou melhor, ainda a campanha presidencial não saiu da doca, e já o porta-aviões da direita levou um tiro da sua própria frota. Danos colaterais.

MG

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publicado às 21:35




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