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Dia D

por Naçao Valente, em 06.06.19

Há 75 anos aconteceu o desembarque na Normandia para derrotar o "nazismo/fascismo" que dominava grande parte da Europa. Foram longos anos de um domínio com consequências trágicas para os europeus.

Esse ajuda, vinda de fora. desequilibrou a relação de forças a favor da libertação dos povos dominados.Esse desembarque teve como consequência, pôr fim à repressão e levou à abertura do processo de regresso à liberdade e à democracia.

Depois de duas guerras mortíferas e destruidoras. Os dirigentes políticos perceberam, finalmente, que só haveria liberdade e paz na Europa com unidade de todos os europeus. Daí nasceu aquilo que é hoje a União Europeia, aí começou o mais longo período de paz e progresso.

Os políticos que aprenderam a lição e construiram a UE já estão quase desaparecidos. As novas gerações viveram num mundo livre, e não têm conciência do que é a ditadura. Por isso, podem cair na tentação de destruir o que tanto custou construir.

Hoje, em honra desta efeméride, devíamos reflectir sobre os nossos comportamentos. A democracia tem defeitos, mas ainda é a melhor via para a igualdade e para o progresso. A nossa participação é vital. Sem ela não há liberdade. Participar é a melhor maneira que temos de honrar  milhões de vítimas desses anos de ignomínia.

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publicado às 21:13

A páscoa do senhor Passos

por Naçao Valente, em 05.04.15

Vivemos numa Páscoa permanente. O senhor dos Passos continua na sua caminhada para o calvário. Mas ao contrário de há dois mil anos em que o Senhor carregou os pecados da humanidade e por eles foi sacrificado, este senhor carregou-nos a todos com uma cruz que vamos arrastando penosamente. Pôs na nossa cabeça, não na dele, uma coroa de espinhos. Obriga-nos a caminhar exaustos debaixo do chicote dos seus centuriões. Humilha-nos com a hipocrisia dos seus fariseus. Pilatos no seu palácio de Belém lava as mãos. Quando chegarmos seremos crucificados sem apelo nem agravo. Só ainda não percebi onde cabe tanta cruz. Este senhor Passos não é o Messias anunciado. Antes pelo contrário. É um falso Messias, um anticristo. Não veio para salvar a humanidade mas para a destruir.

Ao contrário de Jesus que se sacrificou para salvar o mundo o senhor Passos e os seus fariseus, sacrificam-nos para salvar os mercados. Merecemos. Cometemos o pecado da gula, embarcamos na barca da luxúria, ousamos querer viver bem, acreditamos no fim da pobreza e na morte da exploração.Pretendemos ter boa educação, ter direito à saúde universal e gratuita. Pecamos contra os omnipotentes mercados. Temos de ser castigados. Temos de cumprir mil penitências. Os sacerdotes dos deuses da usura (governantes) e os seus acólitos (comentadores castrados) fariseus dos novos tempos, vergastam-nos a cada dia que passa com maior violência. Espremem-nos a seiva da vida. E nós pecadores confessos batemos com a mão no peito, mea culpa mea culpa. Somos os cordeiros pascais deste mundo de exploração sem regras.

Ao fim de quatro anos de cativeiro, como messias renascido, prometem-nos uma terra de pão e mel. E ainda há quem acredite? Dos pobres de espírito será o reino dos céus. Uma boa Páscoa para os homens de boa vontade.

MG

 

 

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publicado às 19:36

Nobel Malala

por Naçao Valente, em 10.10.14

 

 Há uns meses escrevi este texto sobre Malala. Hoje soube-se que lhe foi atribuído o prémio Nobel da paz. Um justo reconhecimento da sua luta. Aqui reponho esse texto, que continua, totalmente, actualizado

 

Uma criança, um professor, uma caneta e um livro e mudamos o mundo .

                                                 Malala Yousafzai, prémio Sakharov

 

 

Com uma lucidez invejável e rara na sua idade esta jovem muçulmana pôs o dedo na ferida. Como a história, ela própria desvalorizada nos mostra, as grandes saltos civilizacionais são feitos pela cultura. Convêm lembrar que a grande aventura humana rumo ao progresso começou com a invenção da escrita. O principal legado da pré-Antiguidade é o alfabeto. A grande herança da Antiguidade sãos os avanços culturais da Grécia. O que de melhor nos ficou da Idade Média foi a preservação da cultura clássica nos círculos fechados do monaquismo. Foi com esse legado que no Renascimento se construíram os alicerces das sociedades modernas. Aí se gerou o liberalismo e se foram germinando as bases do humanismo. 

 

O Islão após a sua fase de grande desenvolvimento cultural caiu numa idade de trevas de que nunca mais saiu. A  casta dirigente percebeu que só se pode perpetuar ad eternum montada na ignorância. Daí que mantenham os seus povos presos de fundamentalismos religiosos ancestrais. O conhecimento continua capturado por elites poderosas que o escondem da maioria da população. Nestas sociedades teocráticas um dos grupos mais afastados do saber são as mulheres. Os detentores do poder sabem que no dia em que se alargar o acesso ao conhecimento a todos  acontecerá uma verdadeira revolução democrática.

 

 

Malala com a sua visão iluminada, a sua determinação, a sua coragem num contexto extremamente adverso, está a travar uma luta sem tréguas contra o obscurantismo. Será apenas e ainda uma pequena fagulha, incapaz de atear uma grande fogueira num terreno hostil, mas pode acender outros pequenos fogos, replicando outras "malalas", que mobilizem consciências empedernidas. Creio que será um processo longo mas seguramente imparável e que não deixará, também, de ter reflexos nas sociedades ocidentais, reféns de interesses obscuros e em constante regressão civilizacional. Contrariamente aos neo-profetas da desgraça, aos zeladores do primado dos mercados, Malala está a demonstrar que a construção de um mundo mais justo passa, como sempre passou, pelo generalização do conhecimento. Bem haja.

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publicado às 22:40

Cravos e cravas

por Naçao Valente, em 06.04.14

imagem Net

 

Em  anos de servidão, opressão

agruras mil,

revoltou-se uma nação.

Era Abril

Nas armas nasceram cravos,

 esperanças mil,

cravos vermelhos ousaram

a liberdade,

Descamisados sonharam

a igualdade.

Já não têm cor os cravos,

desilusão!

Agora é tempo de cravas,

sem coração.

Porque se deixa oprimir

Uma nação?

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publicado às 23:00

O grito

por Naçao Valente, em 28.09.12

Grito, de Munch

 

O grito saiu amedrontado da escuridão

Mal parida,

Abriu os olhos cegos de indiferença

Viu a luz e gostou,

Ocupou praças abandonadas

Calcorreou avenidas deprimidas, sem crença

Deu cor a fachadas tristes de melancolia

Sorriu e gostou!

 

O grito soltou amarras no peito oprimido

Fez-se verbo, fez-se sangue ,fez-se gente

Abriu bocas cerradas por cândidos demónios

Exorcizou medos, enfrentou adamastores de ignorância

E gritou contra metas de ganância.

Gitou o grito da raiva amordaçada

Gritou o grito da força das consciências

Do tudo e do nada.

 

O grito está livre,

O grito voou, voou no querer ser, ser

Dançou nas nuvens com anjos de algodão

Beijou o céu embriagado de libertação

Até onde irá?

O céu é o limite?

O limite é a justiça, o limite é razão

O limite é a revolução!

Ou não?

 

MG

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publicado às 17:50




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