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Democracia e independência de poderes

por Naçao Valente, em 29.08.15

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 Um dos princípios básicos da democracia moderna é a divisão de poderes. Princípios adoptados desde a Revolução Francesa e continuados na Constituição Americana. Isso significa que os três poderes fundamentais, legislativo, executivo e judicial, são em teoria e na prática independentes. Não parece ser este o entendimento do deputado europeu Paulo Rangel. Na Universidade de Verão do PSD, que visa formar jovens quadros políticos, defendeu, se bem entendi, uma tese oposta. Afirmou que se os socialistas estivessem no poder não haveria combate jurídico à corrupção, nem políticos presos, numa alusão à prisão do ex-primeiro ministro José Sócrates. Tais declarações significam que o poder judicial não é independente e regendo-se de acordo com directivas do poder político. Deste modo, o actual governo, do seu partido, terá influenciado os magistrados na sua actuação. Só assim se percebe a mudança de atitude de um executivo para outro. A ser assim, não existe independência mas interdependência assumida de poderes. A ser verdade, estamos perante um caso gravíssimo , de adulteração do sistema democrático, com alteração da sua estrutura de funcionamento. Eu não sei se o senhor deputado tem consciência das afirmações que proferiu.

MG

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publicado às 17:42

Caim e Sócrates

por Naçao Valente, em 15.02.15

Uma senhora de Trás-os-Montes tem milhões numa conta na Suíça. A senhora afirma que desconhece a existência dessa conta. Um caso digno de estudo? Nem por isso. O omnisciente Correio da Manhã já resolveu a charada. Descobriu que a dita cidadã tem parentesco com José Sócrates para aí há três gerações. E apesar de nem se conhecerem está na cara que tal dinheiro é do Sócrates. Clarinho como a água. Por esta ordem de ideias não me admiraria que a linha genealógica de Sócrates entroncasse directamente em Caim, filho de Adão e Eva, que matou o irmão Abel para lhe ficar com os bens. Bate certo. Ninguém foge às suas origens. Será que chegou a justiça divina? Será que sequela bíblica chegou a Trás-os- Montes? Dan Brown já está atento.

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publicado às 19:49

Crónica de uma detenção anunciada

por Naçao Valente, em 22.11.14

As razões que levaram à detenção de José Sócrates são, neste momento, uma total nebulosa. Não existe informação rigorosa sobre acusações em concreto. A situação é propícia a todas as especulações. Para os órgãos de comunicação social que se alimentam destes casos mediáticos, a notícia caíu como sopa no mel. Não é por acaso que o CMTV está em emissão exclusiva desde o início do dia e que o semanário o Sol vai fazer uma edição especial. O revanchismo que sempre manifestaram em relação ao ex-primeiro- ministro está, finalmente, a ser recompensado.

Independentemente do que a investigação vier a provar, e ao contrário da surpresa que a sua detenção parece ter causado, era um acontecimento previsível. Basta recorrer à história recente. De facto, as acusações, com ou sem fundamento, estão presentes no seu percurso político desde que assumiu a direcção do PS. Não houve caso mediático em que não se procurasse envolvê-lo. Não se perdeu nenhuma oportunidade para o levar à barra dos tribunais.

A detenção de Sócrates era, portanto, uma detenção adiada. Os seus inimigos sabiam que seria uma questão de tempo e de oportunidade. E ela surgiu finalmente no estilo rocambolesco em que a nossa justiça actua. Uma actuação tipo big brother. Um espectáculo mediático que diverte as massas sem pão. Não ponho as mãos no fogo por ninguém sem excluir o sistema de justiça, exageradamente endeusado, mas que é composto por homens com convicções e interesses como todos nós. Coloco a dúvida: neste processo haverá alguém com as mãos totalmente limpas?

MG

 

 

 

 

 

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publicado às 19:36

A culpa é sempre do outro

por Naçao Valente, em 12.07.14

Vivemos num país de passa culpas. Ninguém se assume como culpado de nada. A culpa é sempre do outro. Da situação que o país atravessa, a culpa continua a ser do Sócrates, quando já não risca nada há anos. O mais preocupante, é que esta imagem, continua a ter aceitação na vox populi. Agora, na voz do economista Daniel Bessa, apresentado como papa da infalibilidade, a culpa de tudo, uma espécie de pecado original, começou com Vítor Constâncio. O Sócrates foi apenas o "executante (ou terrorista) que atirou o avião contra as torres gémeas". Não deixa de ser uma variante a merecer alguma atenção sobre o pensamento dominante. 

 

O pensamento dominante vive a sua realidade. É uma realidade sincrónica e historicamente conjuntural. Não tem profundidade diacrónica nem valor estrutural. Tudo tem a ver com a acção de um ou outro agente político no curto prazo. É como se este país não tivesse um passado de muitos séculos. É como se esta democracia não tivesse quatro décadas. É como se não houvesse um passivo, longamente acumulado. É como se, nunca antes, alguém tivesse cometido erros que cristalizaram num modelo. É como se uma mudança de paradigma não estivesse cativo desse modelo construído geração após geração. É o grau instantâneo da politica e da economia. Nesta análise superficial e sem consistência a culpa é sempre do outro. Daquele que por qualquer circunstância é mais vulnerável. Pobre pátria que tais filhos tem.

 

MG 

 

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publicado às 23:53

Falência da Selecção? A culpa é do Sócrates!

por Naçao Valente, em 23.06.14

Falência da selecção de futebol? A culpa é do Sócrates. Este podia ser o título principal do Correio da Manhã. De facto, para jornal de grande audiência (porque será?) o ex-primeiro ministro é uma espécie de figura maléfica, um ogre que transporta todos os males de Portugal e arredores. Fez a dívida crescer até cerca de 90% do PIB (agora é mais de 130). Mandou construir estradas, auto estradas, escolas e hospitais, quase levando o país à bancarrota. Sócrates foi penalizado politicamente. Pagou com língua de palmo o mal que fez ao país.

 

Politicamente está morto, mas o seu fantasma continua a pairar sobre o nosso destino. Tanto no que aconteceu, como no que está a acontecer, a mão socrática está sempre presente. E quando se prova que não está, de certeza que estão os socráticos, uma linhagem maldita, que não tem direito a existir. Ou melhor, deve existir como seguro de vida daqueles que nos governam.

 

Aí está. Os jogadores da nossa Selecção estão presos por arames (não havia outros?); a equipa de todos nós não joga puto; o seleccionador orienta-se (ou será orientado?) por critérios muito duvidosos. A quem atribuir responsabilidades? Ao Sócrates, claro. Neste país encontrou-se o bode expiatório perfeito. E o mais curioso é que o povão acreditou e continua a acreditar. A gente que tomou conta do país, construiu o álibi perfeito. Por mil anos. Os fantasmas não morrem.

 

MG 

 

 

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publicado às 17:47

A certos filhos da puta

por Naçao Valente, em 20.10.13
A verdade é como o azeite, misturada com a água vem sempre ao de cima. O tempo esse grande mestre vai trazendo à tona o que aconteceu durante o processo que levou à queda do último governo socialista. O maior embuste do período pós 25 de Abril. A mais despudorada manipulação da opinião pública dos tempos recentes. A maior mentira despejada com êxito sobre o eleitorado. O deitar para o lixo, uma solução (o PEC IV) conseguida com empenho, trabalho, competência e firmeza pelo governo de Sócrates, pela direita, para chegar ao poder e pela extrema esquerda, para conseguir eventuais ganhos eleitorais. Uma aliança espúria que abriu as portas à troika e à situação que vivemos. Uma aliança vergonhosa que entregou numa bandeja a soberania nacional. Uma santa aliança que se esteve lixando para o país. E aos filhos da direita, mas também aos filhos da extrema esquerda que agora choram lágrimas de crocodilo, aplica-se a frase "Cravo vermelho ao peito a muitos fica bem, sobretudo faz jeito a certos filhos da mãe". (José Barata Moura) o que significa, sem eufemismos, "a certos filhos da puta".

 

MG 

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publicado às 22:48

Sem papas na língua

por Naçao Valente, em 30.03.13

"Por que é que nós consentimos que tantos seres humanos continuem a ser vítimas da miséria social, da violência doméstica, da escravatura laboral, do abandono familiar, do legalismo da morte, da corrupção judicial, das mortes inocentes na estrada, das mentiras dos astrólogos, do desemprego, de uma classe política incompetente e do monopólio dos bancos?"

Os políticos, por seu turno, refugiam-se em questões sem sentido do verdadeiro bem comum e o sistema bancário, depois de ter imposto a tirania de consumos desnecessários para atingir metas lucrativas, hoje condiciona o crédito justo às jovens famílias portuguesas, com taxas abusivas que dificultam o acesso a uma qualidade de vida com dignidade"

 

Quem proferiu estas palavras? José Sócrates, que tem atribuido a crise à ganância dos mercados? A oposição governamental? Não! Estas sábias palavras foram proferidas por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga na cerimónia do lava-pés. Mais palavras para quê?

 

 

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publicado às 19:39

Quem tem medo de José Sócrates?

por Naçao Valente, em 21.03.13

José Sócrates foi Primeiro-ministro de Portugal como o foram outros durante o advento da democracia. Na sua governação cometeu erros, como também tomou medidas certas. A sua responsabilidade na situação económica e financeira do país, não é maior nem menor que a dos seus antecessores. Quando muito será diferente. Convém lembrar que Cavaco Silva, governou dez anos, criou o monstro e foi premiado com a presidência da República. Durão Barroso deixou o país de tanga e foi ocupar um lugar dourado na UE. Sócrates não foi proscrito. Podia ter continuado como Secretário-geral do PS ou simplesmente como deputado eleito. Voluntariamente, resolveu abandonar a vida política. Vai regressar como comentador televisivo. É um direito que tem como português e como cidadão livre. Querer limitar esse direito é uma forma de censura inadmissível. Não percebo, por isso, a histeria que por aí grassa sobre o seu regresso, aplicando-lhe uma pena de ostracismo. Apetece perguntar: quem tem medo de José Sócrates?

 

MG

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publicado às 21:59




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