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O Natal na poesia e nos presépios

por Naçao Valente, em 24.12.10

 

 

HINO DE AMOR

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis senão quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.
Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
Tão requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
Tão repassado
De gratidão,
De uma alegria,
Uma expansão,
Uma veemência,
Uma expressão,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!
Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
Lá lhe passava
A dianteira
E mal poisava,
Não afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

Assim foi indo
E foi seguindo.
De tal maneira,
Que noite e dia
Numa palmeira,
Que havia perto
Donde morava
Nosso Senhor
Em pequenino
(Era já certo)
Ela lá estava
A pobre ave
Cantando o hino
Terno e suave
Do seu amor
Ao Salvador!

João de Deus

 

 

 

Há um país

 arrepiado,

encurralado ,

 num continente

de hipocrisia

. Ele esbraceja ,

 ele resiste

e fica triste

e faz o pino ,

num desatino

mostra serviço,

aperta o cinto.

mas não acalma

o predador!

 

E está sozinho

no seu caminho,

já condenado

 a triste fado

mas afinal

que fez de mal?

E o menino

que vai nascer,

poderá ver?

Ou,

 está distraido,

desentendido

indiferente,

ou,

 vai resgatar

esse país

do encanto

dessa serpente

tão insolente?

 

MG

Presépio de José Joaquim de Castro, dito dos Marqueses de Belas

Maquineta Adoração dos pastores

Joaquim José de Barros, dito Barros Laborão (1762-1820)
Século XIX, 1805-1807

Museu Nacional de Arte Antiga, inv. 642 ESC.  

O último grande conjunto erudito português e que encerra a tradição dos sumptuosos presépios barrocos nacionais é a Natividade da autoria de José Joaquim de Barros, um dos principais discípulos de Machado de Castro. O presépio encomendado por José Joaquim de Castro, deve o seu nome ao facto de se dizer que nele estão retratados os então Marqueses de Belas, considerados o casal mais requintado da época. A composição do conjunto rompe com a tradição dos presépios, para os quais eram especificamente manufacturadas todas as figuras, tendo sido integradas nele peças de origens diversas, algumas inclusivamente compradas avulso e provenientes de outras Natividades.

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publicado às 18:32




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