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Sorrir

por Naçao Valente, em 28.04.15

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28 de Maio. Simbolizou a revolução nacional que deu origem ao Estado Novo. Com a queda a do regime salazarista perdeu esse importante estatuto. Passou a ser apenas mais um dia, como tantos outros. Agora foi compensado, justamente, depois de tanto tempo associado a uma ditadura conservadora, com um novo título. E que título: Dia do Sorriso.

E há lá melhor coisa que o sorriso. Não há ninguém que não o possua e que não o possa usar. É das poucas dádivas divinas verdadeiramente socialista/igualitária. E das poucas que não podem ser sonegadas pelos senhores do mundo. Em suma, alegremo-nos por pudermos usar dessa bênção sem constrangimentos.  

Está provado, cientificamente, que rir faz bem à saúde. E o sorriso é a antecâmara do riso. Sorria pela sua saúde. Hoje e todos os dias.

MG

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publicado às 20:29

A lição de Mandela

por Naçao Valente, em 18.07.14

 

Hoje, dia 18 de Julho, é o dia Internacional de Nelson Mandela. Se há alguém que merece esta homenagem universal é este cidadão e símbolo do humanismo. Mandela disse um dia:  "Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da pele, origem ou religião dela". A noção de raça e religião são adquiridos ou melhor impostos pelas superstruturas políticas e culturais. São uma aberração criada pela natureza humana, uma exponenciação da sua faceta egoísta. E são responsáveis pelo desrespeito pelos direitos humanos.

Com esta afirmação, mostra ser uma mente superior, um ser que na cadeia evolutiva está muito à frente de muitos dos seus semelhantes. O exemplo que nos deixou foi ter a capacidade de perceber que o aperfeiçoamento da humanidade se faz pelo amor e não pelo ódio. A sua grande lição é que para além da cor da pele, somos todos humanos. A sua acção comprova que as religiões devem unir e não desunir. A sua luta contra a descriminação foi feita para que ela deixasse de existir. Nessa longa batalha despiu a cor da sua pele. Não renegou a matriz que marca todos os recem nascidos. Permaneceu para sempre criança. Só por este caminho se fará um mundo melhor. 

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publicado às 23:52

O efeito Malala

por Naçao Valente, em 11.10.13

 

Fé no saber

 

Uma criança, um professor, uma caneta e um livro e mudamos o mundo .

                                                 Malala Yousafzai, prémio Sakharov

 

 

Com uma lucidez invejável e rara na sua idade esta jovem muçulmana pôs o dedo na ferida. Como a história, ela própria desvalorizada nos mostra, as grandes saltos civilizacionais são feitos pela cultura. Convêm lembrar que a grande aventura humana rumo ao progresso começou com a invenção da escrita. O principal legado da pré-Antiguidade é o alfabeto. A grande herança da Antiguidade sãos os avanços culturais da Grécia. O que de melhor nos ficou da Idade Média foi a preservação da cultura clássica nos círculos fechados do monaquismo. Foi com esse legado que no Renascimento se construíram os alicerces das sociedades modernas. Aí se gerou o liberalismo e se foram germinando as bases do humanismo. 

 

O Islão após a sua fase de grande desenvolvimento cultural caiu numa idade de trevas de que nunca mais saiu. A  casta dirigente percebeu que só se pode perpetuar ad eternum montada na ignorância. Daí que mantenham os seus povos presos de fundamentalismos religiosos ancestrais. O conhecimento continua capturado por elites poderosas que o escondem da maioria da população. Nestas sociedades teocráticas um dos grupos mais afastados do saber são as mulheres. Os detentores do poder sabem que no dia em que se alargar o acesso ao conhecimento a todos  acontecerá uma verdadeira revolução democrática.

 

 

Malala com a sua visão iluminada, a sua determinação, a sua coragem num contexto extremamente adverso, está a travar uma luta sem tréguas contra o obscurantismo. Será apenas e ainda uma pequena fagulha, incapaz de atear uma grande fogueira num terreno hostil, mas pode acender outros pequenos fogos, replicando outras "malalas", que mobilizem consciências empedernidas. Creio que será um processo longo mas seguramente imparável e que não deixará, também, de ter reflexos nas sociedades ocidentais, reféns de interesses obscuros e em constante regressão civilizacional. Contrariamente aos neo-profetas da desgraça, aos zeladores do primado dos mercados, Malala está a demonstrar que a construção de um mundo mais justo passa, como sempre passou, pelo generalização do conhecimento. Bem haja.

 

MG   

 

 

 

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publicado às 16:02

Não somos todos iguais

por Naçao Valente, em 05.08.13

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Não somos todos iguais

Os ricos têm mais

 

Despaís, Pedro Sena-Lino

 

 

(novo romance)

 

A afirmação de que somos todos iguais é uma balela. Não somos iguais porra nenhuma. Não somos, nunca fomos e não sei se alguma vez seremos, pois não existe informação credível sobre o futuro. Todos somos diferentes e essa constitui a riqueza da humanidade. É na diversidade que vida faz sentido. Ninguém é igual a ninguém e umas vezes somos mais outras vezes somos menos. Há os que têm mais centímetros, os que têm mais peso, os que são mais belos, os que têm mais anos, os que têm mais gajas (ou gajos) os que usam mais neurónio, os que têm mais pilim, os que têm mais cor. (E antes que me acusem de defender ideias racistas quero esclarecer que não me incomoda ouvir um caramelo dizer "raio do preto" da mesma forma que não me escandaliza se um tipo mais escurinho me chamar "cara pálida" para usar uma expressão cinéfila made in states). A desigualdade é injusta? Pois é! A verdade, se é que existe ,é que anda meio mundo a tentar enganar meio mundo desde que há mundo. (E antes que me acusem de passar para o lado dos exploradores quero garantir que em teoria sou pela igualdade e não apenas enquanto princípio).

 

Da mesma forma, a ideia de que todos temos os mesmos direitos é uma história da carochinha para enganar papalvos. Não temos nem aqui nem na China. (não pode aver melhor exemplo) Não há iguais direitos entre nações, nem iguais direitos entre pessoas. Uns têm mais direitos outros têm mais deveres. Uns têm de gramar mais austeridade, outros nem por isso. Uns estão sempre a apertar o cinto, outros a alargá-lo. Uns gozam merecidas férias de verão, outros gostariam de lhe tomar o gosto. Uns têm direito a muito sexo, outros têm o mesmo direito a imaginá-lo. (E antes que me acusem de estar obcecado com a coisa, confesso que foi peditório para que já dei porque já escasseiam os meios)

 

Mas viver na ilusão da igualdade tem as suas virtudes. Uma delas é suportar melhor a desigualdade, é acreditar que será possível atenuá-la, é construir horizontes de esperança. É nessa lufa lufa que se aguenta mais e mais. Que às vezes se espera e às vezes se desespera. Que se planeiam durante meses mais umas férias. Que se anseia pela sua chegada. Mar, sol, corpos ao léu, regresso ao "rame rame". Até que, na desigualdade, a morte nos separe. Não somos, nunca fomos iguais, mas ninguém pode dizer que não tentámos sê-lo e que continuaremos a tentar. Eis a utopia humana.

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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publicado às 17:30

O estranho caso do homem que queria comer

por Naçao Valente, em 20.08.12

Comer é uma necessidade, mas comer ainda não é um direito. Há quem coma muito, quem coma pouco  quem não coma nada e até há quem porque nunca soube o que era não comer, ignore a situação. Lembro-me, a propósito, da infeliz guilhotinada rainha Maria Antonieta que confrontada com descamisados que frente ao seu palácio pediam pão terá dito: "se não têm pão, porque não comem croissants".

 

Há dias passei por Aveiro, essa bonita cidade portuguesa (mais uma) onde se oferece boa comida e para os mais gulosos uma excelente doçaria, com relevância para os famosos ovos moles. Este era um dos prazeres que pretendia usufruir nesta passagem pela cidade dos canais. Era mas não foi. Um daqueles imprevistos que de um momento para o outro mudam o rumo das coisas alterou esta pretensão.

 

Aconteceu quando voltei ao carro estacionado numa rua pacata de um bairro residencial para recuperar uma agenda esquecida. Foi aí que fui cumprimentado por um desconhecido que parou no local onde me encontrava. Era um homem, nem velho nem novo, nem alto nem baixo, mais magro que gordo, nem mal nem bem vestido e que segurava um telemóvel. Respondi ao cumprimento. "Sabe dizer-me onde posso encontrar uma instituição de apoio social qur forneça comida? Eu sou da Figueira da Foz, vim procurar trabalho, mas nada..."; "não sei pois também não sou de cá" respondi; "mas podia ajudar-me com alguma coisa", retorquiu. Na dúvida sobre a autenticidade da situação prefiro ajudar porque sou coração de manteiga e não quero ficar com culpas na consciência. Abri a carteira para lhe dar umas moedas. Verifiquei que não as tinha. Vislumbrei uma nota de dez euros mas achei que era muito dinheiro para entregar a um desconhecido. Pensei que poderia estar a ser vítima de "golpe" como tantas vezes acontece. Tive de decidir rápido. Olhei o homem cujos olhos estavam cheios de lágrimas e disse: "desculpe mas não tenho dinheiro trocado". O desconhecido que queria comer afastou-se em silêncio. Eu segui-o até ao fim da rua, entrei num estabelecimento onde troquei uma nota. Quando saí já se tinha afastado e dobrava uma esquina. Pareceu-me que caminhava em passo decidido e rumo certo. Fiquei mais aliviado.

 

Atravessei uma ponte da ria indiferente à sua beleza, indiferente aos barcos moliceiros, agora mais "turisteiros", indiferente às muitas turistas com guia de viagens. Entrei num restaurante económico para comer meia dose de uma refeição frugal. Embora rodeado de pessoas senti-me só e perdido numa labirinto de angústia e de desvairados pensamentos. Foi assim que penso ter percebido Pedro Passos Coelho. "Estar desempregado pode ser uma oportunidade" (disse ele) para não comer (digo eu). Menos despesa, menos importações. Bate certo." Não podemos ser piegas, (disse ele) não podemos?" (pergunto eu)

 

Zarpei de Aveiro. Adeus ria, adeus ovos moles, adeus moliceiros, goodbye, arrivederci belas turistas. Como no filme realizado por Fleming, tudo o vento levou. Tudo menos esta angústia desencadeada pelo estranho que queria comer. Independentemente da autenticidade da situação, não sei, não posso e não tenho mandato para acabar com as injustiças do mundo, mas não consigo ficar-lhe imune. E sei que não estou sozinho. Acredito que bastava um pouquinho mais de igualdade na distribuição da riqueza para que elas desaparecessem. Bastava um pouquinho mais, só um pouquinho mais, para que o direito à alimentação não tivesse que ser um acto de caridade. Bastava um pouquinho mais, para que a beleza das nossas cidades fosse mais bela.

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

  

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publicado às 21:01

Abril na prisão

por Naçao Valente, em 24.04.12

Por uma treta

Abril foi pra gaveta.

Agora? Não.

Agora está sequestrado,

agora está na prisão.

E que crime fez Abril?

Mil!

Deu esperança

a toda a sociedade

e de forma universal

quis um mundo mais igual!

A todos quis dar:

bem-estar

saúde

educação

liberdade

pão,

quis a vida melhorar!

E quem tramou Abril

de uma forma tão vil?

Indiferença, apatia, comodismo

mentira, demagogia, oportunismo,

exploração, especulação,

selvagem capitalismo.

E quem quer tirar Abril?

das grades dessa prisão?

E quem quer combater

com a força da razão?

E quem quer que Portugal

volte a ser uma nação?

Então?

 

MG

 

 

 

 

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publicado às 21:35




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