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Alunos e professores

por Naçao Valente, em 15.06.13

 

A mensagem que políticos, jornalistas, comentadores, analistas, passam na comunicação social sobre os professores é falsa. Os professores não são  profissionais irresponsáveis que querem prejudicar os alunos. Antes pelo contrário. Se há no sistema de ensino quem se preocupe com os alunos, com as suas dificuldades, com os seus problemas são os professores. Fazem muitas vezes, papel de pais, de psicólogos, de confidentes, de orientadores. Atirar professores contra alunos, isto é, dividir para reinar, é uma prática ignóbil que vem sendo seguida pelo Governo e que tem implicações na coesão nacional.   

 

Hoje, desceram a Avenida da Liberdade em Lisboa, cerca de cinquenta mil professores. Fizeram-no com sacrifício. Fizeram-no com prejuízo da vida familiar num dia de fim de semana. No dia dezassete farão greve perdendo um dia  de salário. Se os alunos não puderem fazer exame nesse dia fá-lo-ão noutro.  Há muita vida para além dos exames, que são apenas uma pequena parte de um longo processo de ensino. Colocar os exames como o alfa e o ómega  da educação é como confundir a árvore com a floresta. Não perceber isto, é uma demonstração de total ignorância.

 

Ao contrário do que se pretende fazer crer, os professores assumem a sua luta conscientemente. Não são paus mandados de interesses obscuros de  dirigentes sindicais. Lutam contra o aumento da carga horária, contra a chamada restruturação que cinicamente significa despedimento. Mas lutam, também, pela defesa da escola pública, pelo ensino de qualidade, por turmas viáveis, pelo apoio a alunos com maiores dificuldades. Lutam, portanto, não apenas por si mas pela educação de todos. Lutam em suma pelos alunos.  

 

MG 

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publicado às 20:44

Manifesto: obrigado professores

por Naçao Valente, em 11.06.13

 

Personalidades da arte e da cultura solidárias com a greve dos professores

 

Manifesto: Obrigado professores

Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.

Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.

Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado.

Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos.

Subscritores:

António Pinho Vargas, Compositor Bruno Cabral, Realizador Camilo Azevedo, Realizador, RTP Carlos Mendes, Músico David Bonneville, Cineasta Eurico Carrapatoso, Compositor Hélia Correia, Escritora Leonel Moura, Artista plástico Luís Varatojo, Músico, A Naifa Luísa Ortigoso, Actriz Jacinto Lucas Pires, Escritor Joana Manuel, Actriz João Salaviza, Cineasta José Luís Peixoto, Escritor José Mário Branco, Músico José Vítor Malheiros, Jornalista Marta Lança, Editora e produtora Messias, Músico, Mercado Negro Nuno Artur Silva, Autor e produtor Pedro Pinho, Cineasta Rui Vieira Nery, Musicólogo Raquel Freire, Cineasta Sérgio Godinho, Músico Valter Vinagre, Fotógrafo. Zé Pedro, Músico, Xutos e Pontapés.

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publicado às 18:12

horários de trabalho

por Naçao Valente, em 05.06.13

De uma forma geral os horários são de 40 horas na indústria e no comércio e de 35 horas na função pública e no sector de serviços. Nem há portanto unicidade de horários. nem são os trabalhadores da função pública que trabalham menos. E dentro da função pública existem muitas variáveis. No que diz respeito, concretamente, aos horários dos professores, existe uma componente lectiva de 22 horas, destinada exclusivamente ao serviço de aulas e mais oito horas de serviço na escola para outros serviços: apoios, delegacia, direcção de turma, biblioteca, reuniões. O tempo restante, cerca de 5 horas, é de utilização livre: preparação de aulas, correcção de trabalhos e de testes, formação etc. Não é preciso ser um génio da matemática para perceber que nenhum professor competente (e são a maioria) trabalha apenas 35 horas. Se os professores levarem rigorosamente a sério o horário de 40 horas que agora querem impor, muito trabalho nas escolas ficará por fazer. Não perceber esta realidade é uma completa manifestação de ignorância.

 

 

MG

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publicado às 19:20

As mulheres dos estivadores não

por Naçao Valente, em 01.12.12

Os estivadores do porto de Lisboa estão a dar água pela barba (que não tem) ao governo. Com ou sem razão  (não sei) conseguem pôr a actividade portuária a meio gás. Todos percebemos que são rijos e unidos. Mas o que nunca supus era que tivessem caras-metades tão belas. Foi essa beleza que sobressaiu na última manifestação deste grupo profissional. E estou convencido que fizeram mais mossa no governo que todas as musculadas palavras de ordem. Em defesa do seus maridos perpassaram a ideia que estes não ganham os milhões que os políticos referem. E aquilo que ganham sai-lhe do pelo, em detrimento da harmonia familiar. Pois se um estivador chega a trabalhar (disse uma bela e dedicada esposa)  dezoito e até vinte e quatro horas por dia, como pode usufruir das qualidades visíveis e invisíveis da sua linda companheira? Não sei, nem quero saber. São assuntos de alcova, nos quais não me meto, para mais sendo com quem é. Este acontecimento fez, no entanto, vir à memória uma canção em voga intitulada o maridos das outras. E com a devida vénia resolvi adaptá-la às lindas mulheres dos estivadores.

 

 

Todos sabem que os estivadores são brutos 

que deixam os barcos por carregar 

e muitas outras coisas por fazer 

reis absolutos, reis absolutos

toda a gente sabe que os estivadores são resolutos

 

Toda a gente sabe que os estivadores são feios

não fazem a barba

nem lavam os dentes

e são indecentes e são indecentes

toda a gente sabe que os estivadores estão cheios(de massa) 

 

Mas as mulheres dos estivadores não

porque as mulheres dos estivadores vão

sofrendo em silêncio

dura solidão

Doces formosuras

de amor sem igual

esperam por seus maridos

na horizontal

tudo o que os estivadores não

as mulheres dos estivadores dão

 

Toda a gente sabe que os estivadores são maus

fazem o país sofrer muita dor

tem modos bruscos cheiram a suor

plantam confusão e atiram calhaus

são mais  perigosos do que lacraus

toda a gente sabe que trazem o caos

 

Mas os membros do governo não

porque os membros do governo são

o cúmulo da sabedoria

a bondade em banho maria

déspotas iluminados de outra dimensão

que salvam o país da destruição

coisa que os estivadores não

 

Toda a gente sabe que os estivadores são irracionais

nada sabem de patriotismo

empurram a nação para o abismo

com suas mulheres belas de mais

frios predadores, serenos chacais

que matam os filhos e comem os pais

 

Mas os membros do governo não

porque os membros do governo estão

acima da ralé da nação

são ungidos de omnipotência

muito para além da quinta essência

coisa que as mulheres dos estivadores não

porque as mulheres dos estivadores são

inteligência e emoção.

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:21

Apatia perigosa

por Naçao Valente, em 24.11.11

 

Tirando os habituais grevistas, sobretudo do sector público. Tirando centenas de jovens indignados. Tirando mais alguns descontentes, o que resta é um país apático, indiferente e acomodado. O discurso oficial, tipo choro da desgraçadinha, convence alguns; a perda de vencimento convence outros; o medo de represálias convence muitos mais.

Mas afinal é ou não certo que o país está endividado? Certamente que sim como muitos outros. E gasta ou não acima das suas possibilidades? Claro que gasta e há muitos séculos, com algumas excepções. Mas tem pago ou não as suas dívidas? De uma forma geral sim. Por outro lado, precisa ou não de produzir mais? Ninguém duvida disso. É necessário ou não baixar as despesas do Estado? É. Mas serão estas e outras razões suficientes para fazer uma colossal e imoral redução dos salários dos que mais precisam? Não são, até porque em vez de ajudarem o país a resolver a situação poderão agravá-la.

Tirando um mundo de economistas, ou serão contabilistas, do deve e haver, sempre dispostos a martelar na tecla do gastar à tripa forra e por consequência na teoria do empobrecimento para compensar, o certo é que nunca se saiu de crises destas com  dimensão mundial, sem relançamento da economia e sem atacar as suas raízes especulativas. É como se quisesse curar um doente enfraquecendo-o e engordando o vírus em vez de  fortalecer o paciente. O doente enfraquecido acabará por não resistir.

Os cidadãos que foram nos cantos de sereia do PSD do ultra liberalismo, continuam adormecidos por uma dose letal de ignorância. Só isso explica que continuem marchando sonambolicamente em direcção ao abismo e levando consigo o país. 

 

MG

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publicado às 21:23

Um dia para a nação

por Naçao Valente, em 24.11.10

O direito à greve é uma conquista do movimento operário, mas apenas autorizada  nos regimes democráticos, convém acentuá-lo. Nestes países é tão lícito marcar greves , como é livre fazê-las ou não, com total  liberdade. Graças à utilização da greve os trabalhadores conseguiram muitas das regalias de que hoje  usufruem. Mas há greves e greves. Há greves por objectivos precisos e concretos e há greves  de carácter geral, que funcionam como protesto de cariz essencialmente político. Embora ambas tenham a mesma legítimidade, não me parece que tenham o mesmo grau de eficácia. 

Uma greve chamada geral, com objectivos vagos e imprecisos, pretende demonstrar descontentamento contra o governo, seja ele qual for, que em determinadas circunstâncias concretas exerce o poder. Gostaria que assim não fosse,  mas não acredito que de uma greve  com estas características, saia qualquer alteração à politica seguida ou que provoque qualquer modificação no funcionamento de um determinado sistema.

No caso concreto da greve marcada pelas centrais sindicais em Portugal, seria mais correcto designá-la como greve geral do sector público. Basta constatar quais os serviços mais afectados: transportes públicos, educação e saúde. O sector privado passa quase à margem deste processo. Nesse sentido a sua eficácia é irrelevante. Aliás, como escreveu o jornalista Filipe Luís na Visão a sua mais importante valia consiste na doação de "um salário para Sócrates."

O sindicalismo  teve um importante papel no equilíbrio social das sociedades ocidentais. Soube actuar de forma precisa e corrigir desequilíbrios numa fase em que a dicotomia explorados/ exploradores era muito mais linear. Hoje  existe outra complexidade social. Curiosamente, são as classes médias do sector  dos serviços, (as mais privilegiadas) as mais reivindicativas. Curiosamente, os mais débeis (contratados, desempregados) não podem reivindicar. Os sindicatos dos descamisados cristalizaram , não conseguem renovar-se e adaptar-se a formas mais adequadas de luta. Pedem-se, justamente, responsabilidades aos governos pela sua incompetência. E quem pede responsabilidades aos sindicatos pela sua falta de inteligência? Não deviam ser também sujeitos a uma greve geral pela sua modernização?

 

MG

 

PS Nunca percebi, porque é que os principais paladinos do direito à greve, situados no espectro político à esquerda, sempre o aboliram quando estiveram no poder. 

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publicado às 19:23




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