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O Anticristo

por Naçao Valente, em 17.10.13

Vivemos numa Páscoa permanente. O senhor dos Passos continua na sua caminhada para o calvário. Mas ao contrário de há dois mil anos em que o Senhor carregou os pecados da humanidade e por eles foi sacrificado, este senhor carregou-nos a todos com uma cruz que vamos arrastando penosamente. Pôs na nossa cabeça, não na dele, uma coroa de espinhos. Obriga-nos a caminhar exaustos debaixo do chicote dos seus centuriões. Humilha-nos com a hipocrisia dos seus fariseus. Pilatos no seu palácio de Belém lava as mãos. Quando chegarmos seremos crucificados sem apelo nem agravo. Só ainda não percebi onde cabe tanta cruz. Este senhor Passos não é o Messias anunciado. Antes pelo contrário. É um falso Messias, um anticristo. Não veio para salvar a humanidade mas para a destruir.

 

MG

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publicado às 19:48

Swaps, mentiras e briefings

por Naçao Valente, em 03.08.13

imagem tvi 24

 

 

Maria Luís Albuquerque pôs-se a tocar a fera com vara curta, enfureceu o animal, e a seguir ficou naquela situação caricato do tipo que "se foge o bicho pega, se fica o bicho come". Acabou por ficar entre uma e outra isto é na boca da fera, onde esperneia, esperneia, mas de onde não se consegue libertar. Tudo começou quando, para lixar os adversários políticos, tirou a tampa da panela dos swaps e tal e qual a caixa de Pandora soltou toda a porcaria, que acabou por lhe caiu em cima. Depois, como menino apanhado a fazer asneira diz "não fui eu" e empurrou a culpa para cima dos outros. Mentiu. Confrontada com a mentira foi construindo uma narrativa de mentiras contra tudo e contra todos. Está cada vez mais presa na boca do bicho.

 

O episódio protagonizado pela ministra das Finanças não espanta um observador atento. A mentira é uma prática institucionalizada por este Governo, faz parte da sua matriz genética e que começou com a forma como conseguiu ascender ao poder. Não admira assim que a designada miss Swap tenha convidado para seu secretário do Tesouro, um mestre "swapeiro" que enquanto director do Citigroup tentou vender swaps ao governo de Sócrates. Pior, o produto em causa, vinha acompanhado  de um truque para mascarar as contas públicas e enganar as instâncias europeias. A equipa das finanças está transformada num albergue "swapeiro".

 

Aquando da remodelação do Governo, foi empossado um secretário de Estado adjunto de um ministro adjunto. Interroguei-me sobre a sua utilidade. Está esclarecido. Pedro Lomba, um cidadão que tarimbou nos blogs, foi contratado para fazer briefings diários em nome da governação. Preenche assim uma lacuna atribuída ao Governo no âmbito da comunicação. (leia-se propaganda) Acontece que esse não é o problema do Governo. O problema está nas políticas erradas, que não mudam com qualquer retórica. Daí que estes briefings sejam autênticos flops. Como exemplo, foi penoso ver o secretário do Tesouro meter os pés pelas mãos ao tentar lavá-las da acusação de vendedor, sem sucesso,  swaps ao Governo anterior. Este Governo dava um filme que poderia chamar-se, Swaps, Mentiras e Briefings.  

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publicado às 21:38

Desculpem se mal pergunto

por Naçao Valente, em 15.07.13

Comentadores diplomados, fazem coro na defesa do acto destrambelhado e antidemocrático da senhora Presidente da Assembleia da República para com assistentes das galerias. Toda a sua argumentação vai no sentido de colocar o ónus da culpa nuns arruaceiros protestantes que não respeitam a democracia. Para além do caricato da situação, desculpem lá qualquer coisinha, mas há uma dúvida que me atormenta o pensamento: o que é mais grave, o que é que desrespeita mais a democracia, mesmo do ponto de vista formal o que é que tem maior influência negativa na vida dos cidadãos e na economia do país? Será o incumprimento do contrato eleitoral por parte do Governo, isto é o corte de salários, o aumento de horas de trabalho, o aumento brutal de impostos, o fazer das leis letra morta ou um protesto civilizado com duas ou três palavras de ordem, que apenas interromperam a sessão por cerca de três minutos e até animaram os sonolentos trabalhos parlamentares? Esta parece-me ser a questão de fundo.

 

MG

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publicado às 21:37

A nossa troika

por Naçao Valente, em 06.06.13

Imagem retirada do blogue Câmara Corporativa, com a devida vénia.

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Em entrevista à Antena 1, Freitas do Amaral disse que a actual situação no país só em comparável com a crise de 1383-85 e com o domínio dos Filipes de Espanha, já que “está em causa a independência nacional”, mas acrescenta que não devem ser convocadas eleições porque não se vislumbra no espectro político uma alternativa. Diz ainda que se o governo alemão mudar nas próximas eleições talvez se possa alterar a situação em Portugal. Por outras palavras concorda com Mira Amaral quando diz que "se a Alemanha gosta de Gaspar nós também temos que gostar".

 

Há neste raciocínio uma contradição insanável. Por um lado reconhece-se que está em causa a independência nacional, implicitamente capturada pela Alemanha, mas por outro que não se deve lutar contra essa situação de domínio por impossibilidade de a mudar. Com esta linha de raciocínio nunca teria acontecido a revolução de 1383-85, nem teria sido tomado o Paço, pelos conjurados de 1640. Seriámos, agora, para o bem e para o mal espanhóis.

 

Freitas do Amaral faz parte daquele grupo de pensadores que fazem o diagnóstico correto da situação, mas que se apressam a defender, que por falta de soluções, estamos sujeitos a continuar reféns de um fatalismo do destino imposto pelos deuses. Faz parte dos eternos velhos do Restelo. Mas há outro grupo com raízes nalgum senso comum e que é muito mais perigoso. São os que por despeito de qualquer ordem, querem fazer crer que os políticos são todos iguais quer se situem à direita ou à esquerda. Este é pensamento que ganhando dimensão se torna potencialmente perigoso. É  o estender da passadeira vermelha para os salvadores da pátria.

 

Numa democracia há sempre alternativa. Não embarco na narrativa que se tenta passar a mensagem de que um governo da oposição será a mesma coisa. Não entro no discurso que clama que António José Seguro, mesmo com todas as suas inseguranças, não representará uma governação diferente. Um governo socialista será sempre, apesar dos condicionalismos externos, um governo melhor para Portugal e para os portugueses. E para além das evidentes diferenças ideológicas e éticas será impossível reunir num mesmo governo o fanatismo ideológico de Gaspar, a ignorância atrevida de Passos e a cobardia política de Portas. Uma combinação explosiva que entregou de mão beijada a soberania portuguesa à bárbara Germânia.

 

MG

 

 

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publicado às 21:43

horários de trabalho

por Naçao Valente, em 05.06.13

De uma forma geral os horários são de 40 horas na indústria e no comércio e de 35 horas na função pública e no sector de serviços. Nem há portanto unicidade de horários. nem são os trabalhadores da função pública que trabalham menos. E dentro da função pública existem muitas variáveis. No que diz respeito, concretamente, aos horários dos professores, existe uma componente lectiva de 22 horas, destinada exclusivamente ao serviço de aulas e mais oito horas de serviço na escola para outros serviços: apoios, delegacia, direcção de turma, biblioteca, reuniões. O tempo restante, cerca de 5 horas, é de utilização livre: preparação de aulas, correcção de trabalhos e de testes, formação etc. Não é preciso ser um génio da matemática para perceber que nenhum professor competente (e são a maioria) trabalha apenas 35 horas. Se os professores levarem rigorosamente a sério o horário de 40 horas que agora querem impor, muito trabalho nas escolas ficará por fazer. Não perceber esta realidade é uma completa manifestação de ignorância.

 

 

MG

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publicado às 19:20

Pirómanos-a mão que embala o fogo

por Naçao Valente, em 04.05.13

aterceiranoite.org

 

O governo Passos/Gaspar ou vice-versa tomou posse há dois anos. Ganhou as eleições montado em promessas de verbo fácil. Inviabilizou a solução proposta no PEC IV, que evitaria a entrada da troika em Portugal. Condicionado pela ocupação financeira externa de que era e é  adepto fervoroso, apostou tudo na austeridade e no empobrecimento. Apostou e ganhou. Empobreceu o país com a redução dos rendimentos dos cidadãos, destruiu o mercado interno, conduziu milhares de empresas à falência, gerou milhares de desempregados. Teve êxito com a sua política de terra queimada a partir da qual depois tudo devia renascer das cinzas. A fome, o sofrimento, o desespero das pessoas pouco interessa.

 

Ainda não ardeu tudo, mas falta pouco. Era imprescindível apagar o fogo enquanto ainda resta alguma coisa para recomeçar. Mas não. Pelas últimas propostas o governo está disposto a queimar até ao fim. Persiste na mesma receita: austeridade, austeridade, austeridade. Pior, austeridade, condimentada com chantagem. A receita perfeita para amedrontar os cidadãos. Das duas uma, ou o povo se arvora em bombeiro corre com estes pirómanos institucionais ou se acomoda e quando acordar já não existe país. Tudo cinza. Nem uma fagulha restará para restaurar a esperança.

 

MG 

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publicado às 15:53




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