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Quero que voçê baze pro inferno

por Naçao Valente, em 04.11.14

De que valem as asneiras

Com que nos está a brindar

Se você não sai daqui

E temos que o aturar

 

Só vejo você no meu horizonte

Por mais que você para mim não conte

Eu quero que você, me esqueça neste inverno

E que vá com a sua turma pro inferno

 

Que me interessa que haja escola

Pra me fazer doutor

Se entro na sala

E não vejo lá professor

 

Para onde quer que vá, vejo tudo triste

E isso acontece, porque você existe

Eu quero que voçê baze neste inverno

E vá com sua trupe penar para o inferno

 

Não suporto mais a sua incompetência

E há muito que perdi, a minha paciência

Quero que você se mande neste inverno

E vá com sua gente pro inferno

 

Que me interessa que a justiça

Tenha uma ministra loira

E tenha uma assunção crista

A mandar na lavoira

 

Para onde quer que vá, não vejo julgamentos

Só vejo muitos nabos, montados em jumentos

Quero que você emigre neste inverno

E que leve consigo, a tralha pro inferno

 

A sua voz de tenor

A mim pouco me importa

Quero que vá pro inferno

Fazer duo com o portas

 

E quero que você vá de vez pro inferno

E que fique lá num belo sono eterno.

E quero que voçê se aqueça no inferno

e me deixe curtir o verão e o inverno.

 

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publicado às 22:55

O triunfo dos porcos

por Naçao Valente, em 08.02.13

George Orwell utilizou os porcos como personagens de uma alegoria sobre a natureza do poder totalitário. Usou-os possivelmente por serem animais aos quais está associada uma imagem de "chafurdagem" na sujidade. O realizador Etore Scola, num magnífico filme onde relata condições degradantes da vida humana, num bairro de lata usa-os, também, pejorativamente, como símbolos dessa degradação, utilizando o título, Feios, Porcos e Maus. 

 

Tenho pelos suínos o mesmo respeito que nutro sem excepção por todos os seres vivos, quer sejam do mundo animal, quer sejam do mundo vegetal. Sinto até pela espécie porcina alguma gratidão, como importante elemento da cadeia alimentar, que permite a sobrevivência de muitos milhões de humanos. Sem pertencer a qualquer associação de defesa de animais, entendo que estes não devem ser sujeitos a maltratos. E posso afirmar, por experiência própria, enquanto observador, que o tradicional e doméstico criador (em extinção) mantinha com o seu porquinho uma relação quase familiar. Mas, para além disso, não consigo levar à paciência o excesso de zelo utilizados por membros dessas associações que hoje têm visibilidade redobrada nas redes sociais.

 

O que se passou com o caso do acidente de um camião que transportava porcos para o matadouro, na auto-estrada, é sintomático da inversão de valores com que às vezes nos confrontamos. É que transformar em carrasco, um agente da autoridade, que no cumprimento do seu dever, procurava afastar um suíno para libertar uma via de comunicação e permitir que os  seus utentes pudessem circular, brada aos céus. De certo, que o referido agente, não andava a pontapear o animal para seu deleite ou para satisfazer qualquer recalcada psicopatia. Como queriam os zelosos defensores que o afastasse?  Usando a persuasão? Qualquer coisa do género: -então senhor porquinho tem de compreender que precisamos de regularizar o trânsito. apelo à sua boa vontade para desimpedir a via. vá lá colabore.

 

Consta que em função das pressões das redes sociais o senhor agente está a ser alvo de um processo e que poderá ser castigado com perda de dois meses de vencimento. Entretanto, o porquinho alcandorado a vítima, já deve ter virado bife e quem sabe, se por ironia do destino, não foi para à mesa de algum dos subscritores do processo. E o mais curioso é que o alimento que não falta aos protestantes poderá faltar ao agente que estava a ajudar a resolver uma situação irregular. Peço desculpa se mal pergunto: não se levanta por aí um movimento para defender uma injustiça sobre um ser humano no exercício do seu dever? É que a acontecer esse castigo estamos perante o triunfo do porco.

 

MG

 

PS- No trânsito como na vida os  porcos só triunfam se tiverem uma corte de idiotas a apoiá-los.

 

 

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publicado às 21:26

 

José Adriano, além de ser meu avô, era um artesão de eleição. Aquilo que os seus olhos viam as suas mãos construíam. Nasceu quando o século XIX já andava de bengala e morreu, quando o século XX já viajava no espaço. Assistiu, ainda moço, à implantação da República, foi mobilizado, jovem inconsciente, para combater nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Desertou do exército, viveu clandestino até a guerra terminar. Voltou à vida militar, ao serviço da República, como GNR, para expiar a sua fuga das fileiras.

Casou, teve filhos e cumprida a missão ao serviço da lei e da grei republicana voltou a ser o paisano que sempre teve dentro de si. Regressou à pacatez da sua aldeia. Aí gozou a sua liberdade, pelos trilhos ásperos dos montes e pelos vales verdejantes das ribeiras.

 Republicano e laico, espírito independente e crítico, sempre obedeceu à sua consciência. Apesar das parcas habilitações literárias, era um leitor viciado em leitura. Lia todos os livros que lhe chegavam às mãos, ávido de saber sobre qualquer assunto. No dia mundial do livro e da morte de dois grandes mestres  da literatura e dos  dois espíritos livres que foram Cervantes e Shakespeare , aqui lembro o  homem rebelde e generoso que foi o cidadão anónimo José Adriano.

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publicado às 21:53




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