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Não acontece mesmo nada

por Naçao Valente, em 10.07.15

A pior angústia de quem escreve, por obrigação ou gosto, é a falta de assunto. Nos dias que correm encontrar assunto interessante é quase como procurar agulha em palheiro Revolve-se, revolve-se, e só sai palha. O mundial de futebol já era. Depois de não haver cão nem gato que não tenha dito uns bitaites sobre o assunto é como chover no molhado. Para mais, depois de doses maciças de opiniões e comentários, até enjoa o estômago mais robusto. O vómito está à flor da pele. Não dou para esse peditório.

 

Há pois! E o caso Espírito Santo? Bem, de mansinho como uma brisa matinal vai crescendo e está quase a tornar-se furacão. À partida parece ser assunto que apenas interessa a banqueiros. Parasitas! Que se lixem. Bem, também há os accionistas. Pois, gente de muito dinheiro. Cambada é o que é. Está certo, mas e os depositantes? Bom, os grandes que se aguentem. Exploradores! Os pequenos estão protegidos por uma garantia bancária. Então está tudo no melhor dos mundos. Conversa para encher? Não contribuo.

 

E a Bolsa está mesmo a pirar. Ou não? Pode ser, mas é bem feito. Não me interessa o que acontece a exploradores. Mas lá existem economias de pequenos accionistas. Ou não? A Bolsa é um investimento de risco, uma espécie de casino. Sabe-se. Se puseram lá economias e as perderem é bem feito. Quem tudo crer tudo perde. Garganeiros! Não se perde tempo com viciados. Assunto arrumado.

 

Os mercados começam a ficar nervosos. Aliás, ficam nervosos por dá cá aquela palha. Que fiquem. Bem, mas atrás do sector financeiro está a economia. E a economia somos todos. E lá vamos alegremente de crise em crise até à crise final. Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. E o mexilhão somos nós. Fazer o quê? Aguentar. Esperar que o mar acalme. Depois ocupar a orla das praias. O verão é curto. Para quê massacrar as palavras se não acontece nada.

 

Ao remexer no baú das coisas passadas encontrei este texto escrito precisamente há um ano. Li e reli. Podia ter sido escrito neste preciso momento. Acoteceu tal e qual. E continua a acontecer. Pois. Aproveite-se o verão. Não acontece mesmo nada.

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publicado às 22:52

Blatter e blatterismo

por Naçao Valente, em 02.06.15

Em princípio uma boa notícia: Blatter demitiu-se. Ultrapassado pelas circunstâncias não teve alternativa. Governou a FIFA como um feudo pessoal. Estabeleceu relações de dependência de tipo vassálico. O resultado foi a criação de uma rede de interesses que colocou o particular, acima do geral. O governo do futebol mundial é uma autocracia. Os votos são comprados a corrupção é o sangue do sistema. Vamos ver o que vem a seguir.

Esta forma de gestão do mundo no pontapé na Bola, onde gira muito dinheiro, não tem, no entanto, reflexos directos na vida dos cidadãos. Já o mau governo de um país tem repercussões imediatas na qualidade de vida da sociedade. E se Blatter percebeu que o seu governo e as malfeitorias que lhe estão associadas, tinham os dias contados, os blatters que nos governam, depois de terem feito dos portugueses gato-sapato e capacho,insistem em continuar a passear a sua arrogância, sem um pingo de vergonha. Mais troikistas que a troika, apresentam-se como os salvadores da pátria que vilipendiaram. Apresentam-se como bombeiros, quando acenderam o fogo. O blatterismo anda por aí. Se a indignação não for uma palavra vã, se os eleitores não navegarem num mar de ignorância e de indiferencia, terão o que merecem: ser enviados para o limbo de que nunca deviam ter saído.

MG

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publicado às 22:08

Liga Europa: David e Golias

por Naçao Valente, em 19.02.15

O Sporting não teve sorte no sorteio para esta fase da Liga Europa. Saiu-lhe a fava, o segundo classificado da Liga Alemã. Em termos de orçamento as diferenças são enormes. Estamos perante uma luta entre David e Golias. A título de exemplo o preço de um único jogador comprado recentemente, corresponde ao orçamento anual do Sporting. Grosso modo o vencimento desse jogador pagaria todos os ordenados do plantel leonino. Mas estabelecidas as diferenças, o Sporting bateu-se, olhos nos olhos, com a equipa alemã. Na primeira parte teve a melhor oportunidade de golo e foi-lhe escamoteado um penalti. Jogou com nove portugueses, alguns jovens, contra uma sociedade das nações de craques. Na segunda parte cometeu erros por inexperiência e acabou a perder por dois a zero. Contudo mostrou raça e personalidade. Falta a segunda parte da eliminatória. Se o pequeno David derrotou Golias, porque não poderá o Sporting vencer o poderoso Wolfsburgo? 

MG

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publicado às 23:55

Carta a Bruno de Carvalho e a quem a quiser ler

por Naçao Valente, em 31.12.14

Esta é uma carta que não chegará ao destinatário, o que não significa que não possa nem deva escrevê-la.

Senhor Bruno de Carvalho,

O senhor foi eleito por um número maioritário de sportinguistas para  exercer o cargo de Presidente da direcção. Mas sejamos rigorosos. Não foi eleito por todos os sportinguistas. E mesmo aqueles que o elegeram, não lhe deram, certamente, mandato para exercer o poder absoluto, ou pior, totalitário. Nem lhe deram mandato para se colocar acima dessa instituição centenária que é o Sporting. Nem para confundir o Sporting com a sua pessoa.O senhor há-de passar e o nosso clube há-de continuar .

Eu se tivesse direito de voto, não teria votado na sua lista. Contudo, deixe-me dizer-lhe que, inicialmente, me impressionou favoravelmente. Geriu bem alguns dossiês que tiraram o clube do sufoco em que se encontrava, subordinou as despesas às receitas, colocou a situação económica no caminho certo.Gerou a indispensável estabilidade.  Procurou combater o sistema.Prometia fazer um bom mandato. Quiçá mais do que um.

No aspecto desportivo as coisas correram bem. Com uma equipa constituída por jovens e jogadores de baixo custo, fez uma época acima das possibilidades, graças a factores irrepetíveis: a má prestação de um aniversário directo, a competência da equipa técnica e sejamos honestos, alguma sorte à mistura. Na mesma linha teve a lucidez de contratar um treinador jovem mas promissor e que, garanto-lhe, virá a ser um dos melhores. Até aqui nenhum reparo a fazer.

No entanto, sem que nada o justificasse, de um momento para o outro começou a cometer erros crassos. Talvez inebriado pela época anterior, colocou sobre a equipa uma pressão desnecessária. Qualquer análise lúcida aconselhava a evitar essa pressão. Porque foi  assim, jogo a jogo, que tivemos êxito. Como se isto ainda fosse pouco, começou a disparar em todas as direcções. Isolou-se. Não há histórico de alguém ter ganho guerras com esta estratégia. Mas a cereja em cima do bolo aconteceu nesta época natalícia, quando começou a atirar nas suas próprias tropas. Já não chegava ter desbaratado munições à toa, gastou as que lhe restavam para destruir a sua própria casa.

Senhor Bruno de Carvalho, diz-se que aprender com os erros é um sinal de inteligência. Ainda acredito na sua lucidez. Está a tempo de reconsiderar procedimentos e arrepiar caminho. Mas digo-lhe que a sua margem está a ficar curta. Tem de vestir globalmente a pele de presidente e de deixar a de adepto. Tem de repensar a estratégia comunicacional. Tem de entregar o futebol a quem sabe de futebol. Tem de se concentrar na função presidencial que é dirigir um clube ecléctico, com competência e bom senso.

Por fim digo-lhe, porque estou atento à realidade, que tem muitos adversários internos. Nunca os deixou de ter. Nem mesmo nos bons momentos. E pelo caminho que está a seguir vai ter cada vez mais. Alguns esperam a oportunidade de lhe fazer a folha. É pena que o bom trabalho que começou esteja em vias de estar em causa. Não é aconselhável voltarmos à estaca zero. Por isso lhe peço, como sportinguista, que abandone a soberba e a omnipotência. Desça à terra e demonstre a característica dos grandes homens, isto é, daqueles que ficam na história: a humildade. Em vez de dividir ouse unir. Para seu bem, mas sobretudo para bem do Sporting.

Desejo-lhe um novo ano de lucidez.

MG

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publicado às 17:43

O efeito Irina

por Naçao Valente, em 27.09.14

O Cristiano Ronaldo tem como imagem de marca, para além de outras qualidades, marcar muitos golos. Daí que parecesse estranho a sua irregularidade concretizadora e exibicional,  pelo menos desde o campeonato do mundo. E não faltaram explicações. Para uns era a coxa, para outros o rotuliano. Coisas relacionadas com as pernas do artista. Nunca concordei. Sempre pensei que o problema estava na cabeça. Ou dito de outro modo, é a psicologia estúpido.

 

O facto é que não se vislumbrava qual a razão desse eventual distúrbio. O rapaz tem uma vida digna de inveja. Eis senão quando, a imprensa cor de rosa, levanta um pouco do véu, do possível  transtorno emocional. Começa a circular a noticia que o namoro do craque com a Irina já tinha tido melhores. Havia até quem adiantasse que esse relacionamento era chão que já tinha dado uvas. E aí podia estar a ponta do iceberg da seca de Ronaldo. E com razão, pois a moça é de fazer parar o trânsito.

 

Mas perante o espanto geral, o Ronaldo, volta a mostrar de que matéria é feito, com a marcação de uma mão cheia de golos. Aleluia, o moço ressuscitou. Onde estaria o segredo desta nova vida. A resposta surgiu outra vez na imprensa que se dedica a vasculhar a vida dos famosos. Em fotografia a cores, lá estava estampado o Ronaldo com a sua Irina a acompanhar Ronaldinho à escola. Está exemplificado o regresso aos golos do melhor do mundo da bola. A Irina voltou a pôr a cabeça do Ronaldo no lugar. Bendito efeito Irina. Só pecou por tardio.

 

MG

 

 

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publicado às 21:25

Selecção Nacional: o novo banco

por Naçao Valente, em 07.09.14

 

No campeonato do mundo no Brasil a selecção nacional de futebol sucumbiu ao clima e à incompetência. Lá estiveram não os se encontravam em melhores condições, mas os que possuíam condição privilegiada. O desastre tinha e teve que acontecer. Contudo, tapou-se o sol com a peneira, e a culpa morreu solteira. A culpa foi de um banco mau. Assobiou-se para o ar com a criação de um novo banco.

 

Começou uma nova campanha com dois bancos: o bom e o mau. Mas quem foi a jogo foi e mau. E bem mau. O bom, se é que o é, ficou sentado. No banco. O resultado aí está. A derrota com a selecção mais fraca do Grupo. A opção tem alguma lógica. Atiram-se para o banco mau os resultados tóxicos. Protege-se o bom. O problema é que não se pode criar um novo banco sem substituir os responsáveis pela falência do banco antigo. Estão lá todos. Que o Espírito Santo os ilumine.

 

MG

 

 

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publicado às 23:50

Crónica de uma eliminação anunciada

por Naçao Valente, em 08.07.14

O futebol é um jogo imprevisivel. Daí a sua beleza. Mas e cada vez mais, as tácticas, a estratégia e a dinâmica assumem hoje carácter quase científico. Estuda-se tudo ao pormenor. O improviso e a fé às vezes fazem milagres. No entanto, no futebol como na vida, não são o método para levar um projecto a bom porto.

 

O choque entre o improviso e a organização profissional resultou no massacre da selecção do Brasil. Foi um jogo de sentido único. Uma equipa com o rumo bem definido e outra completamente à deriva. A máquina alemã alemã não esperava tanta fragilidade.

 

Já se tinha visto que esta selecção brasileira está nas antípodas de grandes equipas de outrora. É uma equipa banal com algumas estrelas e um treinador mal preparado do ponto de vista técnico. Aproveitando o factor casa e jogando com equipas relativamente  acessíveis, foi passando entre os pingos da chuva. A eliminação estava  anunciada. Aconteceria, como aconteceu, quando enfrentasse uma equipa muito competente. O que espanta não é a derrota, mas a goleada. Sem dramatismo é essa a beleza do futebol. Perde-se e ganha-se. Um espectáculo, apenas um espectáculo, que gera emoções. A vida continua.

 

MG

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publicado às 22:54

Há vida para além do futebol

por Naçao Valente, em 19.06.14

Está na ordem do dia. Não se fala de mais nada. Futebol, futebol, futebol. Debates, comentários , previsões , especulações ocupam os meios visuais de comunicação. Fazem-se directos de treinos. Seguem-se autocarros a transportar atletas. Se um extraterrestre chegasse agora há terra julgaria estar no planeta futebol. O Tribunal Constitucional pronuncia-se dobre inconstitucionalidades. Os ministros e deputados contradizem-se no contraditório. Ninguém liga. Conversa acabada. O que interessa é a cabeça do A, o joelho do B, o golo do C o fim de ciclo do D. O  futebol, não é um desporto, não é espectáculo, é só quase obsessão.

 

Embora não pareça há vida para além do futebol. E muita. Há muita gente de mérito na investigação, na medicina, na astronomia, nas tecnologias. Trabalhos feitos no silêncio dos laboratórios, mas muito úteis para melhorar a qualidade de vida da humanidade. Há gente que labuta para nos pôr comida  na mesa. E há gente que não tem mesa nem comida. Há gente que com suor paga os comentadores e os comentários de que não usufrui. Há gente, milhões, que sem visibilidade, são o sustentáculo desta obsessão colectiva que nos aliena e nos desvia da realidade.

 

MG 

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publicado às 23:20

O livro saíu à rua

por Naçao Valente, em 15.06.14

Imagem net

 

O futebol monopoliza as atenções. Nos grandes meios de comunicação social a antena está ocupada com o mundial. São horas e horas de jogos, análises, debates, previsões. Um enjoo mesmo para quem gosta de futebol como é o meu caso. Dizem que é do que o povo gosta. É verdade. Há anos que o povo gosta de pão e circo. Mesmo que haja mais circo que pão. Para os governantes é uma benção. Pena não haver mundial o ano todo. Era uma constante manipulação. Está nos genes da humanidade.

 

No entanto, há vida para além do futebol. E muita. Vou referir-me especialmente a um acontecimento anual com grande significado cultural. Na minha opinião, mais importante que os desportos de massas, que desde a antiguidade tem variado nos gostos dos cidadãos. Falo em geral da cultura e das feiras do livro em particular. É à cultura que devemos a civilização. Esta, vista no sentido do aperfeiçoamento humano, não seria possível sem o avanço do conhecimento.

 

A feira do livro de Lisboa é mãe de todas as feiras, sem menosprezo pelas outras. E é-o por razões óbvias. Encerra hoje dia quinze de Junho. Durante as semanas em que esteve aberta, trouxe para a rua esses objectos chamados livros. Digamos que desceram ao povoado e se misturaram com o povo anónimo. Digamos que deixaram o ar condicionado e confortável das livrarias e os armazens das editoras, onde entram apenas os fiés, cada vez mais reduzidos, da leitura impressa.

 

Ao contrário do futebol que aliena pela paixão o livro liberta pela razão. A sua presença na rua agita um pouco as consciências, depois regressa às suas capelas durante mais um ano. A iletracia, mau grado o aumento da escolaridade é elevadíssima. Daí que nasçam cada vez menos livros. O que reina são as redes de comunicação visual. Imagens rápidas e rapidamente consumíveis. Mas o livro será sempre eterno. E para mim o livro em papel tem outro encanto, mesmo na hora da despedida. Tem textura, tem cheiro e tem escondida na tinta impressa a vida com as suas agruras e alegrias. Ensina, diverte, emociona, traz dentro de si a súmula da humanidade. Resta a saudade até que volte a sair à rua.

 

MG

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publicado às 21:40

Sporting: o campeonato já foi

por Naçao Valente, em 27.04.14

O meu Sporting  estava sentenciado a concluir o campeonato no terceiro lugar na melhor das hipóteses. Isto se conseguisse ultrapassar os clubes considerados concorrentes directos. Nem outra coisa seria de esperar com uma equipa low cost O facto relevante é que com essa equipa de tostões colocou-se no segundo lugar e esteve quase a ficar no primeiro. Faltou-lhe só um bocadinho assim. Lutando com uma equipa cheia de craques esteve à beira de fazer história. E apesar das suas insuficiências, não fosse ter sido prendada com algumas arbitragens desinspiradas, não sei não. Precisavamos de ter mais oito pontos. Não tivessem esses pontos sido sonegados com o Rio Ave, O Nacional, a Académica, o Vitória de Setúbal, hoje estaríamos a disputar o primeiro lugar. E mesmo considerando algum benefício no jogo de Alvalade com o Benfica, tem de se considerar que este clube também teve benefícios. Em conclusão, na liga real estávamos na luta, na liga do vale tudo o campeonato já foi. E a taça idem, num jogo em que o senhor do apito deu bónus ao adversário. E na taça da liga idem idem. Todos os árbitros erram mas alguns erram sempre contra o meu Sporting. Irra!

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publicado às 14:49




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