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Pessoa, oitenta anos depois

por Naçao Valente, em 01.12.15

 

 
 

«Fernando Pessoa em flagrante delitro»: dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929. Um poeta com sentido de humor.

 

Fez oitenta anos que o poeta morreu. O ano da morte de Fernando Pessoa foi 1935 no dia 30 de Novembro. O poeta passou pela vida de forma discreta, mas a sua obra libertou-o da lei da morte: o esquecimento. Inteligência rara e criativa, pensador livre e descomprometido, desdobrou-se em múltiplas personalidades para dar corpo a um  imenso caudal reflexivo. Escrevia por prazer e com prazer, mesmo quando expressava a sua verdadeira dor. O seu pensamento disperso por uma vasta obra poética é hoje um legado importante para a humanidade. Cidadão português do mundo, merecia ser mais divulgado e conhecido pelos seus compatriotas. A casa Fernando Pessoa inaugurada em 1993, já lhe prestou justa homenagem, entre outras actividades, com a passagem do Filme do Desassossego. Aqui deixamos o nosso modesto contributo, recordando um dos seus poemas com assinatura de Alberto Caeiro e uma interpretação musicada de "Há uma música do povo" na bela voz de Mariza:

 

 

 

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimento nenhum.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o unico poeta da Natureza.

 

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publicado às 14:30

Quadras populares

por Naçao Valente, em 13.06.14

O que têm em comum santo António e Fernando Pessoa? O santo baptizado como Fernando morreu em Pádua em 13 de Junho de 1231. Pessoa nasceu n odia 13 de Junho de 1888. Haverá coincidências?!

 

No dia de santo António

Nasceu Fernando Pessoa

E o seu primeiro pensamento

Foi p´ras moças de Lisboa

 

 No arraial em Lisboa

Cruzou olhares com Ofélia

E num repente… amou-a

E ofereceu-lhe uma camélia

 

No Porto no são João

Voltou a sentir-lhe o cheiro

Terno pegou-lhe na mão:

Eu sou Alberto Caeiro

 

Quando são Pedro chegou

Com as chaves da paixão

A Ofélia até pensou

Em abrir-lhe o coração:

 

Embora não o  sabeis

Não sou um homem casado

Chamo-me Ricardo Reis

Em medicina formado

 

Estando triste a bela Ofélia

Perguntou a são João

A que homem da camélia

Tinha dado o coração

 

E o santo lhe respondeu

É poeta e fingidor

Finge o amor que te deu

Porque não vive o amor

 

MG

 

 Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

 

Alberto Caeiro

 

 

 

 

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publicado às 16:38

O Natal na poesia e nos presépios

por Naçao Valente, em 21.12.10

 Neste poema Pessoa dá corpo à conhecida frase "o poeta é um fingidor" pois embora, por um lado, com ironia e humor, apresente uma critica ao natal da obrigação, por outro mostra uma certa nostalgia por não ser também protagonista desse  mesmo Natal..

.

Chove. É dia de Natal

Chove. É dia de Natal.

Lá para o Norte é melhor:

Há a neve que faz mal,

E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente

Porque é dia de o ficar.

Chove no Natal presente.

Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse

O Natal da convenção,

Quando o corpo me arrefece

Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez,

Pois se escrevo ainda outra quadra

Fico gelado dos pés.

       Fernando Pessoa, Obra Poética

 

 

 

Este bonito presépio é de Machado de Castro e é considerado um dos mais espectaculares presépios setecentistas portugueses. A Adoração dos reis magos, obra prima do mestre escultor, pode ser visto na Basílica da Estrela.

presepios.cm-lisboa.pt/index.php?id=1459

 

 

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publicado às 19:47

O ano da morte de Fernando Pessoa

por Naçao Valente, em 30.11.10

«Fernando Pessoa em flagrante delitro»: dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929. Um poeta com sentido de humor.

 

O ano da morte de Fernando Pessoa foi 1935 no dia 30 de Novembro. O poeta passou pela vida de forma discreta, mas a sua obra libertou-o da lei da morte: o esquecimento. Inteligência rara e criativa, pensador livre e descomprometido, desdobrou-se em múltiplas personalidades para dar corpo a um  imenso caudal reflexivo. Escrevia por prazer e com prazer, mesmo quando expressava a sua verdadeira dor. O seu pensamento disperso por uma vasta obra poética é hoje um legado importante para a humanidade. Cidadão português do mundo, merecia ser mais divulgado e conhecido pelos seus compatriotas. A casa Fernando Pessoa que hoje completa 17 anos vai-lhe prestar justa homenagem, entre outras actividades, com a passagem do Filme do Desassossego. Aqui deixamos o nosso modesto contributo, recordando um dos seus poemas com assinatura de Alberto Caeiro e uma interpretação musicada de "Há uma música do povo" na bela voz de Mariza:

 

 

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Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimento nenhum.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o unico poeta da Natureza.

 

 

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publicado às 19:15

Ser português

por Naçao Valente, em 02.04.10

 

 Considero-me um cidadão do mundo, mas orgulhosamente português.

 Ser português é ser diferente porque caldeado na diversidade de uma genética multicultural.

 Ser português é dominar meio mundo e continuar a ser modesto, tolerante, solidário e agregador de povos e culturas.

 Ser português é ousadia, é aventura, é remar contra pessimismos e velhos do Restelo.

 Ser português é aceitar diferenças: étnicas, religiosas, culturais.

 Ser português é, como as árvores milenárias, ter raízes profundas, espalhadas pelos cinco continentes e ser eterno.

A minha pátria é a língua portuguesa, disse Pessoa. Para todos os falantes desta nação multirracial, estejam onde estiverem, Saravah

MG

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publicado às 19:09




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