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A peste amarela

por Naçao Valente, em 24.05.16

Vestem de amarelo. Seguem o primeiro-ministro nas suas deslocações. Assobiam e protestam. Arvoram-se em defensores do ensino privado, desde que pago pelo Estado Português. Mas que movimento é este que agora dá cor ao cinzentismo das cerimónias oficiais? Quem está atento a telejornais sabe que se trata dos colégios com contrato de associação.

são um minoria no universo do ensino particular e cooperativo, que presta um serviço de complemento do ensino público onde este não existe. De há anos a esta parte a oferta pública alargou-se, mas estas escolas que se habituaram a mamar na teta do erário público entendem que esse contrato assume foros de privilégio. Daí o protesto organizado com recurso aos utentes da sua  comunidade escolar, incluindo crianças inocentes. São uma peste amarela extremamente agressiva e escudada nas forças da direita política que, durante o seu consulado, os beneficiaram em detrimento do ensino público.

Os tempos mudaram. Onde a escola pública está apta a garantir o ensino não se justifica que financie o ensino privado. Estes colégios têm que fazer o desmame e viver por si próprios como a maioria dos que prestam esse serviço. E quem os quiser frequentar tem toda a liberdade para o fazer, desde que assegure o devidos custos. Os portugueses, a grande maioria, que têm os filhos na escola pública não lhes compete pagar a dos que preferem o particular. A peste amarela é uma praga que tem que ser enfrentada com firmeza. Melhorar a escola pública  deve ser a prioridade do Ministério da Educação, aberta a todos, independentemente de cor, de raça e de religião.

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publicado às 19:49

Une merde

por Naçao Valente, em 03.12.13

A educação é a chave do desenvolvimento. Investir no ensino é sempre uma mais valia. Mau grado alguns erros de precurso o ensino português estava a evoluir no sentido positivo. Ia até à chegada do ministro Crato. Não sei que conhecimentos tem sobre educação. Até agora não lhe conheço qualquer ideia inovadora. Debita e aplica aos repelões uma medidas avulsas salazarentas e fora de prazo. Para além de estar a destruir a escola pública num desvario economicista, a política de Crato não tem ponta por onde se lhe pegue e não é passivel de qualquer análise séria. Só me ocorre uma palavra para a definir e numa língua estrangeira para não escandalizar: une merde.

 

MG

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publicado às 22:31

Para acabar de vez com o ensino

por Naçao Valente, em 18.11.13

O ministro da (des) educação tem exercido o seu mandato como liquidador do ensino público. Não se lhe conhece qualquer teoria sobre educação nem nenhum visão estratégica sobre o sistema de ensino. Governa à maneira talibã com medidas avulsas desgarradas e sem coerência. Vai cumprindo paulatinamente a missão de destruir a escola pública. Mas a sua medida mais caricata é a avaliação de docentes com anos de serviço através de um exame de contornos indefinidos.

Tenho algum conhecimento de causa. A profissão docente é muito complexa. Um professor começa por fazer a sua formação científica numa Universidade que a credita. Depois faz a formação pedagógica em serviço ou também a nível universitário. Tem de ser creditado novamente. Ao longo da sua carreira faz constantes cursos de actualização. O resto é experiência no âmbito de uma sala de aula perante cerca de trinta alunos, muitas vezes indisciplinadas e com pouca vontade de aprender. Para além disto tem de lidar com a pressão dos encarregados de educação sempre disponíveis para responsabilizar os docentes pelo insucesso escolar. Para resistir é preciso muitas vezes uma forte personalidade. Haverá melhor avaliação que esta? Como se avalia um profissional com anos de serviço, numa prova de uma ou duas horas? E avalia-se da mesma forma um professor de matemática e um de português? Das duas uma: ou esta prova é para "inglês ver" ou é utilizada como pretexto para despedir à margem da Lei. Digo convictamente:  quem devia ser avaliado em primeiro lugar era o ministro. Duvido que passasse na avaliação para a função que exerce.

 

MG

 

PS :Os docentes que combateram com êxito Maria de Lurdes Rodrigues, por muito menos, onde estão?

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publicado às 20:44

As criancinhas são a melhor coisa do mundo?

por Naçao Valente, em 29.10.13

As criancinhas são a melhor coisa do mundo é uma frase feita e já quase mítica com uso preferencial no pós-25 de Abril. Mas para além desta formulação consentânea com o clima associado à recuperação da liberdade política, as criancinhas só são a melhor coisa do mundo quando crescem como adultos equilibrados, responsáveis, tolerantes, solidários, cultos e esclarecidos. Não é isso que tem estado a acontecer. 

 

Uma mudança consistente e duradoura da sociedade, tem se ser  acompanhada de uma mudança profunda de mentalidades. Durante o longo período salazarista os portugueses foram condicionados pela propaganda para um estado de pobreza alegre, humildade virtuosa, ignorância endémica, subserviência natural. No pós-25 de Abril, a mentalidade tacanha do Estado Novo, foi substituída pela mentalidade tacanha do igualitarismo básico e pelo novo "riquismo" popular, pela soberba do rei na barriga , pela sabedoria do chico-espertismo.

 imagem net

 

O 25 de abril falhou na cultura e falhando na cultura destruiu-se num processo autofágico. A educação cometeu erros atrás de erros, numa espiral de eterno retorno. A família, numa interpretação libertina da liberdade, deixou a inocência infantil evoluir ao sabor dos seus impulsos desregrados. A escola demitiu-se de ensinar, esqueceu-se de disciplinar, já não consegue exigir. Acomodou-se ao "facilitismo", deixou-se levar na onda eufórica da inutilidade cultural. Tutelado por analfabetos funcionais em educação real, dirigida por pseudo-democratas do não me chateiem, agravado com o neo-liberalismo do quem quer aprender paga, o  sistema de público é um sorvedouro de recursos sem contrapartida válida.

 

Enquanto não se mudar este paradigma do desleixo e da incompetência como modelo de sucesso, não se altera uma vírgula na sociedade da ignorância, do desrespeito, do não reconhecimento das hierarquias do conhecimento, do poder da boçalidade. As criancinhas poderão continuar a ser a melhor coisa do mundo, mas o mundo não deixará de ser uma brincadeira de criancinhas irresponsáveis e oportunistas.

 

MG

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publicado às 16:50




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