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A técnica do lenço

por Naçao Valente, em 15.01.14

Acontecem coisas estranhas. Fila para o multibanco. À minha frente uma dama. Atrás da dama eu, mais ninguém. Escurece. A dama termina a sua operação e deixa cair a chave da viatura. Afasta-se. A chave fica. Aproximo-me para apanhar a chave, mas hesito. Lembro-me da técnica do lenço. Para quem não a conhece digo que foi uma técnica de engate usada em tempos idos. A dama quando queria seduzir o cavalheiro deixava cair o lenço para que este o apanhasse. Se a vítima caísse por ingenuidade ou por vontade de entrar no jogo começava o jogo da sedução. Palavra puxa palavra, sorriso puxa sorriso, gesto puxa gesto e a coisa podia ir até às últimas consequências.

 

Fila para o multibanco. A dama à minha frente acaba a sua operação. A chave da viatura escorrega das suas mãos e estatela-se no empedrado com um som metálico. A dama afasta-se indiferente. Vou apanhar a chave mas lembro-me da técnica do lenço. Será uma versão adequada aos tempos que correm? A dama conhece a técnica do lenço? Não arrisco. Digo: senhora deixou cair a chave. A dama voltou-se com um sorriso amarelo apanhou-a e afastou-se. Se era  truque para princípio de conversa ou para me levar a conhecer a sua viatura não resultou. Se foi um acto fortuito deve ter pensado cobras e lagartos imaginando com razão que não há cavalheiros à antiga.

 

A dama que estava à minha frente na fila do multibanco apanhou a chave que deixara cair e afastou-se. Anoitecia. Podia ter-lhe apanhado a chave mas não o fiz. Lembrei-me da técnica do lenço. Em desuso mas nunca se sabe. Nesta técnica a dama usa o lenço para engatar o cavalheiro. Depois este  decide. Se gosta ou não da dama, se é uma vamp ou um camafeu. Há muitas variáves. Apanhar ou não apanhar a chave eis a questão. Mas afinal qual é a dúvida? São coisas que acontecem. A que propósito vem a história do lenço? Há lembranças estranhas. Reminiscências?

 

MG

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publicado às 19:23

Técnicas de engate

por Naçao Valente, em 01.05.12

 

Nasci na galáxia de Gutemberg. Vivo na galáxia Berners-Lee (fundador da Internet)Na minha galáxia de origem a informação e a comunicação faziam-se maioritariamente no papel. Em Gutemberg o engate (técnica para conquistar uma gaja ou vice-versa) ou se fazia por aproximação directa ou através de emocionadas cartas de amor (havia até manuais exemplificativos) ou em contactos colocados em páginas da imprensa.

Nessa época, militava na adolescência e acalentava um daqueles sonhos absurdos que fazem jus à idade das ilusões. Queria ser artista de teatro, rádio e televisão. Nem mais, nem menos. Difícil era concretizá-lo. Felizmente, havia uma generosa porta de oportunidade para os jovens que corriam atrás da fama dourada: uma revista de espectáculos chamada Plateia, criou nas suas páginas o Ficheiro artístico nacional. Qualquer candidato a estrela podia colocar a sua esperança neste ficheiro, desde que pagasse o justo preço. (não existia o conceito de publicidade enganosa) Foi assim que a minha pose artística saiu nas páginas dessa revista. A imagem de galã , devidamente estudada, não impressionou nenhum produtor do mundo artístico, mas impressionou algumas gajas casadoiras que me enviaram cartas nas quais se disfarçavam de fãs. Escreveram-me de desvairados sítios com nomes estranhos, como Vagos, Carrazeda de Anciães ou Vigo (na da internacionalização) entre outros. O artista da galáxia de Gutemberg esfumou-se na volatilidade do tempo e as suas fãs ocasionais sumiram antes de o terem sido. Artista uma ova!Engate zero!

Não sou um filho da galáxia Internet, mas esta adoptou-me com todo o carinho. Já não estou na fase do engate. Mesmo assim, nesta galáxia, qualquer um se sujeita a encontros imediatos de grau elevado. Esta semana recebi um email de uma organização  (omito a sua designação) que me propunha fazer um teste de personalidade gratuito. Devia estar avisado, pois até recusei outras propostas idênticas, como descobrir, por exemplo, as vidas passadas. A carne é fraca, curiosidade cega o gato, e apesar da experiência de vida caí que nem um patinho. Fiz o tal teste e depois de responder a várias perguntas veio o veredicto: perfil científico. O melhor, porém estava para vir, quando se começou a a desenrolar no meu horizonte visual, um naipe de gajas para todos os gostos e paladares, que segundo a informação encaixavam que nem uma luva no meu perfil de ser avançado. Havia muitas cinquentonas o que não me agradou. Para essas faixas já eu cá estou. Felizmente, havia a possibilidade de ir descendo na escala. Assim fui-me aproximando das trintonas. A coisa estava a melhorar. Ainda pensei chegar às de vinte, mas não tive coragem. Lembrei-me do senhor Pinto da Costa e dos sarilhos que passou com a menina Carolina. Bem, agora acho que já está nas teenegers o que é normal, pois os extremos tocam-se. Quando lá chegar quem sabe. Ainda pensei que se com tanta e com tão diversificada oferta não seria de aproveitar e arranjar uma em cada distrito. 

Mas primeiro Resolvi e bem, ler a filosofia do site: Nós sabemos que encontrar a pessoa perfeita é difícil. Foi por isso que criamos o ,,,, para ajudar os solteiros, inteligentes e ambiciosos a encontrar a sua "cara metade". Ler mais para quê? Caramba, quem não gosta que lhe chamem inteligente? E ambicioso? E ter uma cara metade? Mas notei uma contradição: se neste pacote se associa inteligência, ambição e "solteirice" e  em coerência, se perde o último item não se ficará casado, acomodado e burrinho. Não arrisco nem petisco. Fica tudo como está. Engate zero! Ao menos continuo no ficheiro do engate na ponta dos dedos. Ao menos continuo inteligente, mesmo quando não tenho nada para dizer, como hoje. E assim arranjo desculpa por escrever umas calinadas.

 

MG

 

 

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publicado às 00:28




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