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Tiananmen

por Naçao Valente, em 04.06.19

Faz trinta anos. Tinta anos que aconteceu Tiananmen. A nossa memória é curta e já esqueceu. Ainda bem que há quem nos lembre.

Tiananmen devia servir de exemplo para a diferença entre a ditadura e a democracia. É simples. Na democracia podemos protestar. Na democracia podemos manifestar opinião, e até, embora ache incorrecto, insultar os políticos. Nas democracias até podemos ser arrogantes, sem que isso traga consequências. Nas democracias podemos escolher.

Em Tiananmen lutava-se pela liberdade e também contra a corrupção. Sim, porque se todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe completamente. A corrupção, infelizmente, faz parte da natureza humana. E se, nas democracias, os corruptos ainda são colocados perante a justiça, nas ditaduras isso não acontece. 

Tiananmen devia fazer-nos reflectir. Sobretudo devia merecer reflexão dos que, nas redes sociais e por outras vias, clamam pela abstenção, pondo em causa a própria democracia. Deviam reflectir pelas generalizações abusivas. A corrupção é transversal a toda a sociedade. E não é por haver políticos corruptos que todos o são. Eu prefiro mil vezes a democracia, mesmo com corruptos, que a ditadura que aparentemente não os tem.

Quem sempre viveu em democracia, com todos os seus defeitos, não sabe o que é uma ditadura. Eu vivi-a na pele e sei. Tiananmen foi o cúmulo da brutalidade contra gente indefesa. Milhares de mortos, sem consequências para os assassinos. Eram bom que pensássemos nisto.

 

 

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publicado às 22:47

Fidel

por Naçao Valente, em 26.11.16

Fidel de Castro já é uma lenda. Derrubou uma ditadura e sobre as suas cinzas instituiu outra, mas não tinha alternativa. No contexto em que decorreu a revolução cubana, a sua sobrevivência estava dependente de um poder fortemente centralizado. A hostilidade do poderoso vizinho americano contribuiu para reforçar esse poder, e ironicamente para a sua manutenção. O embargo dos Estados Unidos colocou Fidel na órbitra da União Soviética e com o seu apoio garantiu a consolidação do regime.Fidel conseguiu libertar-se da influência do imperialismo norte americano e nesse sentido serviu como modelo para outros países da américa latina. Mas no tabuleiro da geo-política, no período da guerra fria, ficou isolado como um mau exemplo.

O regime cubano, não pode ser analisado na perspectiva dicotómica de ser uma terrível e desumana ditadura ou de  um imaculado regime comunista, que trouxe a igualdade e o bem estar social. Foi o que pôde ser nas circunstâncias em que se desenvolveu. Com os limitados recursos existentes, conseguiu instituir um sistema de saúde e de ensino avançados, e ao serviço da população.Não é coisa pouca. É verdade que continuaram a verificar-se elevados níveis de pobreza. Mas poderia ser de outra maneira num pequeno país isolado internacionalmente? E era melhor nos tempos de Fulgêncio Batista? E tinham melhores condições de vida os povos de outros países latinos, mesmo onde existia democracia?

Fidel ficará na História como um líder carismático, e como o homem que ousou desafiar a grande América, e que continuou como um espinho cravado na sua hegemonia ocidental. O comunismo cubano evoluirá como outros regimes similares para uma progressiva abertura política. Cuba foi governada com mão de ferro por Fidel. Partiu o homem, mas a sua memória perdurará.

 

 

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publicado às 22:23

Condenados às galés

por Naçao Valente, em 15.03.14

Quem nascer hoje com a nacionalidade portuguesa nasce condenado. Já tem sobre os seus frágeis ombros a carga da austeridade. E terá de a carregar até fazer trinta anos. Quem tiver hoje trinta anos carregará a austeridade até aos sessenta. Quem tiver sessenta viverá com ela o resto dos seus dias. Quem o disse foi o senhor que ostenta o título de Presidente da República Portuguesa. Este senhor considerou, publicamente, que o país ou seja cerca de dez milhões de cidadãos portugueses, estão condenados, tirando as excepções,  a trinta anos de austeridade. Esclareça-se que a palavra não é um conceito abstracto:significa pior qualidade de vida, acrescida pobreza, miséria sem fim. E isto porquê? Porque este senhor considera que temos que pagar, a mata cavalos, a dívida pública. Se depois de a pagar já não restarem portugueses pouco interessa. O que interessa é que se desabituem de comer para a pagar. Se a consequência for morrerem,  que se lixe.

 

Este senhor e os patriotas que com ele estão à três anos a salvar o país (entidade abstracta) e a condenar os cidadãos (entidade concreta) a uma vil tristeza, consideram que receberam um mandato divino, dessa entidade abstracta, os sacrossantos mercados, no concreto especuladores capitalistas, a quem devem vassalagem. Actuam como uma espécie de nobreza dos novos tempos, casta superior e infalível, com direito a decidir sobre a vida e a morte da ralé. Vivem numa Idade Média da verdade revelada, de quem são os detentores e os guardiões. Não admira, por isso, que toda e qualquer opinião contrária seja acusada de heresia. Não custa acreditar, que o manifesto de setenta personalidade de diversos quadrantes, seja condenada como uma manobra de perigosos antipatriotas, vende pátrias, ao serviço das forças do mal

 

Se os iluminados que dirigem a nau portuguesa, por mares de ignomínia, nunca antes navegados, decidem que a arraia miúda está condenada a remar nas galés durante trinta anos é porque assim tem que ser. O seu conceito de vida resume-se a pôr os cidadãos ao serviço da economia e não esta ao serviço das pessoas. É o regresso à escravatura. Escravatura da força do trabalho.Escravatura das nações mais pequenas pelas mais poderosas. É tempo de revolta dos escravos. Que os setenta se multiplquem tantas setenta vezes quantas forem necessárias. Urgente.

 

MG 

 

 

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publicado às 18:04

A Pátria primeiro

por Naçao Valente, em 28.06.13

 

O respeitinho é bonito e eu gosto. E respeito sobretudo (ou sobre nada), todos aqueles que nunca me faltam ao respeito. Refiro-me logicamente, aos que não protestam, não fazem greve, não se indignam, se contentam com pouco, acham a pobreza uma inevitabilidade e um destino nacional. Para abreviar, refiro-me aqueles que comem e calam.

 

Os outros, os que não se encaixam no perfil do quanto mais me lixas mais gosto de ti, não merecem muito respeito para não dizer nenhum. Ainda ontem dia de greve geral, uns trezentos arruaceiros mal contados, puseram à prova os interesses da pátria. De S. Bento às Amoreiras, das Amoreiras ao viaduto Duarte Pacheco, pintaram a manta. Explicitando em português vernáculo: uns jovens inúteis que só chulam a nação, quiseram impedir de circular os exemplares cidadãos trabalhadores, de utilizar a ponte Salazar, corrijo 25 de Abril (talvez deixe de o ser). A bem da nação, tivemos que mandar as forças da ordem, enquadrá-los como energúmenos que são. Umas centenas de polícias devidamente armados, preparados e bem motivados, fizeram identificações massivas. A seguir serão julgados sumariamente. Assim devem ser tratados os perigosos agitadores. Não podemos ser moles a lidar com párias. A Pátria primeiro.

 

O Processo Revolucionário em Curso para colocar a nação nos carris de onde descarrilou, não pode transigir. O caminho de empobrecimento iniciado há dois anos, não pode ser parado. Sabemos muito bem o que queremos e para onde vamos. Deus, Pátria e Família voltará a ser o lema de Portugal. Não haverá piedade para Quem desrespeitar estes valores.

 

Comunicado do porta voz do Conselho de Ministros 

 

Briefing diário 1 

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publicado às 15:44

Neo-golpada

por Naçao Valente, em 24.11.12

O último golpe de estado, em Portugal, à maneira antiga, foi no dia 25 de Abril de 1974. É certo que depois, fruto das circunstâncias, evoluiu para um período revolucionário, mas nesse dia foi um golpe militar típico. Esta forma de derrubar governos ou regimes apresenta, grosso modo, as mesmas características: forças militares assumem uma revolta contra o poder instituído, umas vezes com êxito outras não.

 

A adesão de Portugal à Comunidade Europeia, reduziu, praticamente a zero essas acções. Os sistemas democráticos, inseridos na UE, estão protegidos por espécie de soberania popular partilhada. Os militares diluem-se num papel meramente corporativo. Mas a imaginação humana não tem limites e consegue encontrar forma de ultrapassar barreiras que parecem intransponíveis. É assim, que sob a capa diáfana da democracia conseguem chegar ao poder através de um golpe de estado. É assim que conseguem fazer de uma forma sofisticada e subtil o assalto ao poder.

 

Chamo-lhe à falta de outra designação neo-golpada. Foi assim que os golpistas da S. Caetano à Lapa tomaram conta disto. Começaram por descredibilizar o governo anterior, desgastado com a crise das dívidas soberanas,  numa campanha sem escrúpulos na comunicação social. A pouco e pouco foram-no encurralando num labirinto sem saída. Por fim e sabendo que podiam contar com a estupidez sem limites da extrema esquerda, deram-lhe a estocada final. Sócrates caiu nesta armadilha que nem um patinho. E mesmo demitido se deixou arrastar, penosamente, para a negociação de uma solução que abominava, acabando por ficar com o ónus da culpa. O que vem a seguir é a consumação do golpe.

 

Dir-se-á: ganharam as eleições. Pois ganharam! Ganharam montados na mentira,cavalgando aldrabices, condicionando, desonestamente, o eleitorado. E esta não é uma forma democrática de chegar ao poder. Isto é fraude. Isto é uma nova forma de golpe de estado. Tem nomes e tem rostos. Os nomes e os rostos que com a mesma falta de escrúpulos estão a oprimir o povo que os apoiou. Haverá pior ditadura?

 

MG

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publicado às 20:30

A Madeira (não) é um Jardim

por Naçao Valente, em 16.09.11

 

A Madeira não é um Jardim. A Madeira é o Jardim. A Madeira é do Jardim.Trinta e seis ano de "ditadura democrática" incensada ou tolerada por todos os governantes nacionais. Trinta e seis anos de desbarato de recursos nacionais (de todos nós) para alimentar as suas clientelas. Trinta e seis anos de "fraudes" eleitorais baseadas na compra de votos ao bom estilo terceiro-mundista. Trinta e seis anos de poder pessoal, sofisticadamente, similar ao de caudilhos como Ben Ali, MubaraK e outros. Trinta e seis anos de prepotência, de arrogância, de desrespeito pelas instituições da República, de gastos ocultos. E fica impune?

 

MG

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publicado às 21:17

Revista do ano 2010 Abril

por Naçao Valente, em 03.01.11

Nasceu em 28 de Abril de 1889 numa modesta casa de Vimieiro. Filho de uma família pobre, estava-lhe destinada uma  carreira eclesiástica. Frequentou o Seminário para estudar Direito. Em 1918 é professor de ciência económica. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 catapulta-o para o governo como ministro das Finanças. Em 1932 é nomeado Presidente do Conselho de ministros, cargo que manterá até 1968.

Pôs ordem nas contas públicas e governou a nação com mão de ferro durante quatro décadas. Com a Propaganda adormeceu as massas, com a censura e a Pide controlou a oposição O seu acesso ao poder e o seu êxito político está, também, ligado ao falhanço do projecto republicano. A divisão do partido republicano em várias correntes políticas que se digladiaram em lutas constantes pelo poder, conduziu a República para um beco sem saída. Salazar colheu os frutos dessa incompetência.

Com o advento da democracia em 1974, tornou-se quase tabu invocar o seu nome. Mau grado o juízo que fizermos do regime que instituíu, não se pode, nem se deve apagar a história. Para o mal e para o bem foi um governante de Portugal. Na minha opinião para  além da repressão que exerceu sobre o povo, foi responsável pelo atraso económico e social de Portugal. Sem uma visão estratégica de modernidade, procurou manter  até ao limite o país pobre e rural saído do século XIX.

Lembro-o aqui como uma lição sobre a qual os nossos políticos deveriam reflectir. Embora o regime democrático seja hoje um dado adquirido, não estamos imunes a salvadores da pátria, desde que para isso se proporcionem as condições.

MG

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publicado às 18:39

28 de Maio nunca mais

por Naçao Valente, em 28.05.10

 

No dia 28 de Maio de 1926 inicia-se em Braga um movimento militar, comandado pelo general Gomes da Costa que anuncia o princípio do fim da 1.ªa República. Na sequência deste movimento as forças mais conservadoras e antidemocráticas da nação  tomaram as rédeas do poder e instauraram uma ditadura de quase meio século.

 

A primeira República com a vida política centrada no Parlamentarismo radical nunca foi capaz de criar estabilidade , nem de respeitar os governos democraticamente eleitos. A República foi assim cavando a sua própria ruína. Só entre 1920 e 1926 existiram 20 governos. A média de duração de cada um foi de cerca de três meses. Crise económica, instabilidade, falta de autoridade do estado, movimento sindical extremamente agressivo foram alguns dos ingredientes deste conturbado período da jovem Republica.

 

No contexto, actual com o país atingido por uma crise internacional  que exige unidade e estabilidade há quem queira levar o país para o caos fomentando instabilidade a qualquer preço. Senão veja-se: temos um governo eleito democraticamente há poucos meses. Mas as oposições políticas e os seus acólitos acham que deve ser derrubado, alegando os mais desvairados argumentos. Que o governo é incompetente, que o primeiro-ministro não tem carácter, que foi  eleito com base numa mentira, que engana o povo, que explora a classe média, que oprime os descamisados, que quer privar-nos  da liberdade. São apenas alguns dos argumentos dirimidos da extrema direita à extrema esquerda. Para essa gente que não quer aprender com a história a troco de mais umas migalhas de poder pouco interessa o bem-estar do povo. O povo para eles é apenas o trampolim para se alcandorarem  até aos meandros do poder. Para eles o povo tem o mesmo valor que teve Gomes da Costa para os  reaccionários de 1926. Levou um pontapé no rabo e só parou, deportado, nas ilhas dos Açores.

 

Pede-se respeito pelas instituições da República, pede-se bom-senso aos políticos, pede-se seriedade aos comentadores e pontas de lança da desestabilização. Para bem do povo, para bem da nação. Para bem de Portugal.

.MG

 

 

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publicado às 22:31

Nação Valente e Democrática

por Naçao Valente, em 25.04.10

 

Nasci, cresci e vivi em tempos de pensamento único. Nesses anos de fascismo não havia liberdade de expressão, liberdade de manifestação, liberdade de qualquer discordância com o poder vigente. Foi com muita alegria que assisti ao movimento militar que derrubou o regime ditatorial, em 25 de Abril de 1974. Tive o privilégio de poder assistir em directo, no Largo do Carmo, à sua queda. Tive o privilégio e disso me orgulho, de contribuir para o triunfo do sistema democrático, durante os anos de setenta e quatro e setenta e cinco. Ajudei a  combater a deriva aventureirista e antidemocrática, nas fileiras do Partido Socialista. que teve um papel fulcral  na  defesa das liberdades ameaçadas.  Porque a memória é curta, é bom lembrar nestes nos tempos cínicos de "vale tudo"  que hoje vivemos. Por opção pessoal e profissional afastei-me da política activa, limitando-me a ser, nesta vertente, um cidadão atento e participativo.

 

Posso afirmar, sem falsa modéstia,  que fiz alguma coisa, pelo 25 de Abril,  mas tenho de reconhecer que  o 25 de Abril fez muito mais por mim.Deu-me a liberdade a  que sempre aspirei. Abriu-me horizontes e portas que me deram acesso a uma formação universitária e a uma carreira profissional no ensino e nesta profissão sinto ter contribuido para a formação de milhares de jovens e adultos.

 Estarei sempre grato à revolução dos cravos e identifico-me com todos os seus valores de liberdade, igualdade, tolerância. Penso que estes valores fazem parte da matriz genética da nação portuguesa. Estão presentes no espírito do Fundador ao criar um pais contra a hegemonia castelhana. Estão presentes na revolução popular de 1383 que levantaram, a nação contra o golpismo de Castela. Estão presentes na abertura de novos horizontes na aventura marítima. Estão presentes em 1640, nas lutas liberais do século XIX ou no 5 de Outubro de 1910. O resto são noites escuras e obscuras, nuvens negras, mas passageiras . Mas é preciso continuar vigilante porque os partidários da vertigem ditatorial andam por aí e o mais preocupante, às vezes disfarçados de defensores de amplas liberdades  para as quais nunca contribuíram. Acredito que não passarão porquea vocação desta nação é ser valente e democrática.

MG

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publicado às 18:31




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