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Salvemos os mosquitos

por Naçao Valente, em 18.02.13

 

 

 Já se cruzou com o 'Aedes aegypti'? Se viu estamos conversados. Se não viu não perdeu nada. É que essa criatura não passa de um vulgar mosquito como tantos outros. Tem contudo uma particularidade: coligou-se com uma outra criatura chamada dengue. Em território nacional passa férias na Madeira. E por ali vai praxando uns humanos. Coisa pouca. Mas a malvadez humana não tem limites. E veja-se a campanha que logo se levantou para erradicar o infeliz animal que já tem de suportar o ónus de se ter aliado  a um parceiro manhoso.

 

O que me preocupa neste caso é que a associação da defesa dos animais tão activa nas redes sociais para defender um cão perigoso ou um porquinho que andava perdido na auto-estrada não levantou um dedo para defender o 'Aedes aegypti' . Será distracção ou será que nem todos os animais são iguais? Inclino-me mais para a primeira hipótese. Assim convém restabelecer a justiça. É preciso começar já um abaixo assinado para salvar o mosquito /dengue e condenar os perigosos exterminadores. Os mosquitos merecem ser felizes.

 

MG

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publicado às 22:22

O triunfo dos porcos

por Naçao Valente, em 08.02.13

George Orwell utilizou os porcos como personagens de uma alegoria sobre a natureza do poder totalitário. Usou-os possivelmente por serem animais aos quais está associada uma imagem de "chafurdagem" na sujidade. O realizador Etore Scola, num magnífico filme onde relata condições degradantes da vida humana, num bairro de lata usa-os, também, pejorativamente, como símbolos dessa degradação, utilizando o título, Feios, Porcos e Maus. 

 

Tenho pelos suínos o mesmo respeito que nutro sem excepção por todos os seres vivos, quer sejam do mundo animal, quer sejam do mundo vegetal. Sinto até pela espécie porcina alguma gratidão, como importante elemento da cadeia alimentar, que permite a sobrevivência de muitos milhões de humanos. Sem pertencer a qualquer associação de defesa de animais, entendo que estes não devem ser sujeitos a maltratos. E posso afirmar, por experiência própria, enquanto observador, que o tradicional e doméstico criador (em extinção) mantinha com o seu porquinho uma relação quase familiar. Mas, para além disso, não consigo levar à paciência o excesso de zelo utilizados por membros dessas associações que hoje têm visibilidade redobrada nas redes sociais.

 

O que se passou com o caso do acidente de um camião que transportava porcos para o matadouro, na auto-estrada, é sintomático da inversão de valores com que às vezes nos confrontamos. É que transformar em carrasco, um agente da autoridade, que no cumprimento do seu dever, procurava afastar um suíno para libertar uma via de comunicação e permitir que os  seus utentes pudessem circular, brada aos céus. De certo, que o referido agente, não andava a pontapear o animal para seu deleite ou para satisfazer qualquer recalcada psicopatia. Como queriam os zelosos defensores que o afastasse?  Usando a persuasão? Qualquer coisa do género: -então senhor porquinho tem de compreender que precisamos de regularizar o trânsito. apelo à sua boa vontade para desimpedir a via. vá lá colabore.

 

Consta que em função das pressões das redes sociais o senhor agente está a ser alvo de um processo e que poderá ser castigado com perda de dois meses de vencimento. Entretanto, o porquinho alcandorado a vítima, já deve ter virado bife e quem sabe, se por ironia do destino, não foi para à mesa de algum dos subscritores do processo. E o mais curioso é que o alimento que não falta aos protestantes poderá faltar ao agente que estava a ajudar a resolver uma situação irregular. Peço desculpa se mal pergunto: não se levanta por aí um movimento para defender uma injustiça sobre um ser humano no exercício do seu dever? É que a acontecer esse castigo estamos perante o triunfo do porco.

 

MG

 

PS- No trânsito como na vida os  porcos só triunfam se tiverem uma corte de idiotas a apoiá-los.

 

 

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publicado às 21:26




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