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Governo de um deus menor

por Naçao Valente, em 26.11.15

Título do Correio da Manhã: Costa chama cego e cigano para o governo

Não acredito! Mas que raio de governo é este? é presidido por um indivíduo com raizes indianas; tem uma ministra negra, um membro de etnia cigana, uma secretária de estado, invisual. Parece obra de um deus menor.

Se não brincássemos aos governos teríamos ministros a sério. Meninos nascidos de virgens sem pecado original. Bacteriologicamente puros. Fisicamente perfeitos. Formados nas boas escolas privadas. Licenciados nas Universidades de Verão e na tarimba das jotas. Ungidos e escolhidos para nos governar.

O Correio da Manhã é uma espécie de Bíblia de bons costumes. Uma cáfila de guardiões de uma moral conservadora. Pretores da sua verdade, criada nas catacumbas da manipulação. O título fica-lhe a matar. Ninguém pode negar a sua natureza. Não me espanta.

MG

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publicado às 21:24

Correio da Manha: ter ou não ter ~

por Naçao Valente, em 29.10.15

A perda de um til num título com muitos símbolos pode parecer insignificante. Mas não é. O til atribui à palavra manha o estatuto de manhã, principio de dia, com conotações positivas. Já com o til ausente, de uma penada, manhã não passa de manha. Ou seja, uma imagem de pureza é substituída por sonsice ou embuste. Digamos que o til dá ao Correio da Manhã uma marca de honestidade, coisa que não está na sua natureza.

Hoje o Correio perdeu o til. A Manha assumiu-se em plenitude. Foi proibido de divulgar notícias sobre o processo Marquez. Caiu o Carmo e a Trindade. Sem o til, comportou-se como puta ofendida. Aqui d`el Rei que está em causa a liberdade. De escusos esgotos saem fundamentalistas que falam de censura prévia. De olhos vendados não veem o que está em causa. Que que este órgão de maldicência vive à conta dos "milhões" de Sócrates. Sem Sócrates, sem as suas malfeitorias, sem as suas conversas telefónicas, sem as suas histórias de amor e dasamor, sem os seus opíparos jantares, o CM fica sem assunto. É certo que restam os casos passionais, a coscuvilhice cor de rosa, mas são coisas menores. Este jornal sem Sócrates é um não jornal que nunca foi. É um naufrago sem destino. E de qualquer modo, apenas está proibido de falar do processo judicial. De resto pode continuar a borboletear à volta de Sócrates, como um pirilampo à procura de luz.

A mim ensinaram-me, talvez mal, que a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros. Esta definição significa, que a liberdade não é um conceito absoluto mas relativo. A relatividade pauta todos os sectores da vida. Contudo, na sua manha disfarçada por til, este jornal, considera que pode devassar a vida alheia, fazer acusações sem provas, traçar ficções como se fossem realidades, julgar sem ser tribunal,insultar, denegrir, invadir, no fundo, a liberdade dos outros com total impunidade.

O que o CM pratica não é a liberdade de expressão é a liberdade de opressão e é isso que está em causa. Quando entender que liberdade significa respeitar os outros, independentemente, de quem são, que liberdade não é sinónimo de ódio pessoal, de vingança, de perseguição, pode pretender dar lições de liberdade. Quando praticar um jornalismo sério, rigoroso, credível, independente, nem precisa de til para ser, de facto, um jornal. O que não é, nem nunca foi.

MG

 

 

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publicado às 19:07

Mudar de povo

por Naçao Valente, em 24.06.15

Baptista-Bastos cujos cabelos brancos, experiência de vida e verticalidade, merecem todo o crédito, escreveu hoje no CM, que se acontecer o que a sondagem da UC prevê, é melhor fecharmos o país e mudar de povo.

Palavras lúcidas e sábias. Dito de outro modo, vão ao encontro daquele ditado "quanto mais me bates mais gosto de ti". Estranha forma de gostar. O amor como apologia da violência. Mas foi assim que o governo de Portugal tratou o seu povo. Malhou sem nunca lhe doerem as mãos. Justificou-se com o delito de quem queria viver melhor. Portou-se como o pai tirano que põe ordem no desmando.

O povo apanhou e calou. No empobrecimento, no desemprego, na emigração. O povo apanhou e gostou. No desrespeito, na insensibilidade, na indignidade. O povo apanhou e quer voltar a apanhar. Mentira, embuste, falta de vergonha. De facto, BB tem razão. Se assim for, esta nação que já foi valente, precisa de mudar de povo, se quiser sobreviver.

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publicado às 23:39

Caim e Sócrates

por Naçao Valente, em 15.02.15

Uma senhora de Trás-os-Montes tem milhões numa conta na Suíça. A senhora afirma que desconhece a existência dessa conta. Um caso digno de estudo? Nem por isso. O omnisciente Correio da Manhã já resolveu a charada. Descobriu que a dita cidadã tem parentesco com José Sócrates para aí há três gerações. E apesar de nem se conhecerem está na cara que tal dinheiro é do Sócrates. Clarinho como a água. Por esta ordem de ideias não me admiraria que a linha genealógica de Sócrates entroncasse directamente em Caim, filho de Adão e Eva, que matou o irmão Abel para lhe ficar com os bens. Bate certo. Ninguém foge às suas origens. Será que chegou a justiça divina? Será que sequela bíblica chegou a Trás-os- Montes? Dan Brown já está atento.

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publicado às 19:49

Crónica de uma detenção anunciada

por Naçao Valente, em 22.11.14

As razões que levaram à detenção de José Sócrates são, neste momento, uma total nebulosa. Não existe informação rigorosa sobre acusações em concreto. A situação é propícia a todas as especulações. Para os órgãos de comunicação social que se alimentam destes casos mediáticos, a notícia caíu como sopa no mel. Não é por acaso que o CMTV está em emissão exclusiva desde o início do dia e que o semanário o Sol vai fazer uma edição especial. O revanchismo que sempre manifestaram em relação ao ex-primeiro- ministro está, finalmente, a ser recompensado.

Independentemente do que a investigação vier a provar, e ao contrário da surpresa que a sua detenção parece ter causado, era um acontecimento previsível. Basta recorrer à história recente. De facto, as acusações, com ou sem fundamento, estão presentes no seu percurso político desde que assumiu a direcção do PS. Não houve caso mediático em que não se procurasse envolvê-lo. Não se perdeu nenhuma oportunidade para o levar à barra dos tribunais.

A detenção de Sócrates era, portanto, uma detenção adiada. Os seus inimigos sabiam que seria uma questão de tempo e de oportunidade. E ela surgiu finalmente no estilo rocambolesco em que a nossa justiça actua. Uma actuação tipo big brother. Um espectáculo mediático que diverte as massas sem pão. Não ponho as mãos no fogo por ninguém sem excluir o sistema de justiça, exageradamente endeusado, mas que é composto por homens com convicções e interesses como todos nós. Coloco a dúvida: neste processo haverá alguém com as mãos totalmente limpas?

MG

 

 

 

 

 

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publicado às 19:36

Falência da Selecção? A culpa é do Sócrates!

por Naçao Valente, em 23.06.14

Falência da selecção de futebol? A culpa é do Sócrates. Este podia ser o título principal do Correio da Manhã. De facto, para jornal de grande audiência (porque será?) o ex-primeiro ministro é uma espécie de figura maléfica, um ogre que transporta todos os males de Portugal e arredores. Fez a dívida crescer até cerca de 90% do PIB (agora é mais de 130). Mandou construir estradas, auto estradas, escolas e hospitais, quase levando o país à bancarrota. Sócrates foi penalizado politicamente. Pagou com língua de palmo o mal que fez ao país.

 

Politicamente está morto, mas o seu fantasma continua a pairar sobre o nosso destino. Tanto no que aconteceu, como no que está a acontecer, a mão socrática está sempre presente. E quando se prova que não está, de certeza que estão os socráticos, uma linhagem maldita, que não tem direito a existir. Ou melhor, deve existir como seguro de vida daqueles que nos governam.

 

Aí está. Os jogadores da nossa Selecção estão presos por arames (não havia outros?); a equipa de todos nós não joga puto; o seleccionador orienta-se (ou será orientado?) por critérios muito duvidosos. A quem atribuir responsabilidades? Ao Sócrates, claro. Neste país encontrou-se o bode expiatório perfeito. E o mais curioso é que o povão acreditou e continua a acreditar. A gente que tomou conta do país, construiu o álibi perfeito. Por mil anos. Os fantasmas não morrem.

 

MG 

 

 

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publicado às 17:47

Maioria silenciosa

por Naçao Valente, em 28.10.13

 

Não interessa o que falam de mim, interessa que falem de mim aplica-se que nem uma luva à novela Manuel Maria e Bárbara com encontro marcado todos os dias no seu Correio Da Manhã. (não no meu , t´arrenego mafarrico de papel) De facto, depois de anos de perfeita harmonia, os dois colunáveis desentenderam-se. Coisa normal nas relações amorosas e nos tempos que correm. Amores para a eternidade terminaram com Romeu e Julieta. Mas porque não acabaram Manuel e Bárbara de forma civilizada? Porque estão a partir a palha a coices e a lavar a roupa suja em público e a pôr toda a porcaria no ventilador?

Avanço com as devidas reservas uma explicação: estas estrelas do planeta comunicacional andavam estranhamente sumidas. Manuel Maria voltou a ser um obscuro professor. Bárbara desapareceu do brilho dos ecrãs. Estas estrelas sem luz própria precisam dos holofotes para existir. Aí está. De forma consciente ou inconsciente encontraram a fórmula para voltar à tona. A novela já tem vários capítulos no jornal das bisbilhotices. Não perca o próximo. Entre capangas, festas, álcool e quem sabe histórias de sexo há ingredientes para prender os basbaques. Entretanto o quotidiano da maioria silenciosa ,silencia-se.

 

MG

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publicado às 21:37

Lugar de velhos

por Naçao Valente, em 15.03.13

A pastelaria onde tomo o meu café é uma espécie de retiro de idosos. Ali se planta gente bem acima da ternura dos quarenta. Distribuem-se por mesas previamente reunidas. Esta organização do espaço, fomenta uma aproximação, que acaba por se traduzir numa cumplicidade/intimidade. Assim, aleatoriamente, vou percorrendo os lugares disponíveis em cada dia. Chego, sento-me e pego num jornal disponível. Antes de ver o mundo real, concentro-me no mundo em papel. Esse mundo, versão Correio da Manhã, resume-se a traições, crimes passionais, acidentes, roubos, assaltos, misturados com alguns comentários políticos e a vida dos famosos, que se pode complementar com a leitura das revistas cor de rosa. É o cocktail perfeito para o sucesso jornalístico. Mas não passa disso, pois se o mundo fosse assim era apenas um vale de lágrimas. O dia a dia do cidadão comum é o afã pela sobrevivência. Esperança e desilusão, alegria e tristeza, vitórias e derrotas, pequenos nadas, como um café em amena cavaqueira.

 

A empregada, na ingenuidade dos seus dezanove anos, conhece de cor os gostos dos clientes. Por isso nem preciso de gastar latim. Mal acabo de me sentar já me está a colocar à frente um fumegante café. Umas vezes fico na mesa dos casais eternos, condenados a aturar-se até que a morte os separe, outras na mesa nos leitores de jornais desportivos, outras ainda na mesa do senhor tão discreto quanto eu a ler um livro que transporta religiosamente num saquinho. O que menos me agrada é ficar na mesa das eternas solteiras encalhadas. Não tanto pelo seu estatuto que desconheço se voluntário ou involuntário, mas mais pela "gralhice" que me desconcentra dos dramas do mundo em papel. Falam de coisas comezinhas como o tempo, insónias, achaques, problemas profissionais, oportunidades perdidas.

 

O que este microcosmo mostra, é que este é, cada vez mais, um país de velhos, sem ser um país para velhos, sem hipótese de fugir da mira das troikas. Entretanto, os jovens e os menos jovens veem-se constrangidos a emigrar. Na mesa dos bebedores de "minis" um sujeito diz: se fosse novo emigrava, deixava de vez este país da treta. Tarde piaste, disse um outro, depois de mais um gole de cerveja. -Cláudia, mais uma "mini". A jovem empregada, montada num sorriso, pousou a garrafa na mesa, entre piropos à moda antiga. Porque ri? Se calhar está feliz, por não ter de emigrar, pelo menos enquanto houver velhos.

 

MG

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publicado às 20:03

Ainda viro cowboy

por Naçao Valente, em 13.12.12

celebscentral.net

Ai que ainda vou regressar às minhas origens rurais e virar cowboy. Isto por causa da modelito (com toda a ternura) Sara Sampaio ter afirmado que "anda à procura de um cowboy". Com aquele corpinho quem não gostaria de ter esse perfil no seu currículo. Confesso que não tenho. Mas, por outro lado, sinto que não posso perder esta oportunidade. Está decidido. Vou contar as minhas economias para ver se chegam para comprar um rancho, pois o crédito já foi chão que deu uvas. Se houver verba para um ranchito, mesmo modesto, não hesito nem um segundo. Depois espero que a Assunção Cristas me dê um subsidiozito para comprar, algumas cabras e sobretudo umas vacas que é o que dá estatuto de cowboy. A seguir vou a uma feira de velharias comprar uns artefactos adequados a saber: jeans, polainas, cinturão, chapéu, e uma pistola nem que seja de pólvora seca, que a que tenho já está um pouco enferrujada. Mas se a massa não chegar para dar corpo ao projecto, não desisto. Tenho em mente outra alternativa: inscrevo-me no farmville do facebook e viro na mesma cowboy embora de faz de conta. Quando está em causa tal aquisição todos os meios são lícitos.

Quando tiver reunido as condições pretendidas apresento a minha candidatura. Ponho um anúncio na página das fofocas do Correio da Manhã  em letras bem visíveis: SARA, CHEGOU O  COWBOY QUE PROCURA E QUE SE QUER. FEIO, DURO, GENEROSO E SEMPRE DISPONÍVEL PARA CAVALGAR TODA A SELA. PROMETE AMÁ-LA TANTO COMO OS SEUS ANIMAIS, ESPECIALMENTE AS SUAS VACAS. Se a bela Sara aceitar, pode-se dar por feliz e acreditar que nasceu com o bum bum virado para a lua. Contudo, não me dou totalmente de barato e faço algumas exigências: como verdadeira mulher de cowboy tem de se aderir aos princípios do métier, começando por tapar adequadamente aquele corpinho para não interferir com a tranquilidade do gado, nem com a paz de espírito necessária a um bom cowboy; ao fim do dia tem de estar disponível para proporcionar um bom descanso ao seu guerreiro pelo que receberá sempre a dobrar. 

Por fim ,a minha esperança é que não apareçam muitos candidatos. Também, tendo em conta, que os cowboys são, regra geral, os bons da fita não vejo assim tantos por aí. Vejo mais bandidos tipo irmãos Dalton, sempre prontos a assaltar tudo o que mexe, com excepção dos bancos. Se por qualquer estranho desígnio não conseguir ser o cowboy da bela modelo, contento-me com o prémio de consolação: trago colada ao meu peito a sua foto. Essa ninguém me a tira. Ah pois não!  

 

Cowboy em construção 

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publicado às 20:17

Arte de roubar

por Naçao Valente, em 02.11.12

 

Se ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão, quantos anos de perdão ou de prisão tem, ladrão que rouba a ladrão para entregar a ladrão?

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publicado às 17:17




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