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Pluralismo já

por Naçao Valente, em 25.10.15

Em 1975 a comunicação social estava refém de um processo político revolucionário esquerdista, que pretendia instaurar uma ditadura de sinal contrário à que tinha sido derrubada. O direito à expressão livre estava ameaçado. A viragem para a pleno pluralismo de opinião, começou com um episódio que surpreendeu os espectadores que viam, em directo, o capitão Clemente, na sua prédica de educação da classe operária. A emissão, perante o espanto do revolucionário de camuflado de guerra, foi repentinamente suspensa e substituída por um filme de Danny Kay.  Este evento, marca, a nível comunicacional, um passo fundamental rumo à democracia parlamentar.

Quarenta anos depois voltamos a ver os canais noticiosos, novamente reféns do totalitarismo informativo. Os partidos que hegemonizam o aparelho do estado estenderam a sua rede tentacular à comunicação televisiva. Jornalistas, comentadores, analistas remam todos para o mesmo lado. São sobretudo apóstolos da verdade única, mais sofisticados, sem barba e sem camuflado, e que representam o governo de direita. Emitem opiniões sobre as suas virtudes e diabolizam outra alternativa que resulte da oposição de esquerda. Procuram, como Clemente em 75, condicionar consciências, na defesa de um processo revolucionário, que visa perpetuar a direita no poder. Ilegitimam os partidos da extrema esquerda e toleram o PS como muleta da coligação até à conquista do poder absoluta. Fazem-no com total impunidade. Fazem-no sem qualquer contraditório. Esse grande valor de Abril, esse grande valor universal, a liberdade de expressão livre e igualitária está afastada dos canais televisivos. Chegou a altura de nos levantarmos como em 1975, em defesa da liberdade. É tempo de exigirmos através de todos os meios, respeito pelo pluralismo.

MG

 

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publicado às 16:43

A barca dos loucos

por Naçao Valente, em 02.10.12

 óleo sobre tela de John Alexander.

bootlead.com

 

Vivemos numa mediocracia. A realidade não é a realidade real: a exploração, o desemprego, a fome, os dramas do quotidiano. A realidade nasce e morre na comunicação social. Aí se criam e descriam acontecimentos. Aí se faz política, se aplica economia, se julga, se condena e se absorve.

Um elite de comentadores, tipo tele-evangelistas, catequizam as massas. Defendem que o empobrecimento é necessário. Empobreça-se. Defendem que vivemos acima das possibilidades. Desça-se. Defendem que só resta a austeridade. "Austere-se!

Essa corja do mundo virtual, fantasmas de sombra e luz, podem saber muito de economia, de política, mas não sabem nada de história. Sim porque a realidade de agora e de sempre não se reduz ao deve e haver de uma folha de excel. Sim, porque se soubessem não nos lavavam o cérebro com a estafada falta de alternativa à austeridade. Sabiam, por exemplo, que quem tirou os EUA do buraco no início da década de trinta não foi a austeridade, mas o investimento, não foi o desemprego, mas o trabalho, não foi a baixa do poder de compra, mas o acesso ao consumo, não foi a diminuição dos salários, mas uma mais equilibrada distribuição da riqueza. Admito que alguns até saibam de história, mas fazem orelhas moucas. São os mais aviltantes.

Não sou, não posso, nem quero ser dono da verdade. Mas o que uma análise atenta da evolução histórica nos mostra é que o progresso e o bem estar da humanidade se faz com crescimento sustentado ou seja com desenvolvimento. Para distribuir é preciso produzir. Para haver riqueza sólida é necessário combater a especulação,o"usurarismo" selvagem. Por outro lado o cumprimento de dívidas para ser exequível tem de assentar no reforço de rendimentos do endividado e não no seu empobrecimento. Estas teses selváticas da austeridade a qualquer preço, sem respeito pela dignidade humana, são um retrocesso civilizacional e conduzem os povos para perigosas derivas extremistas.

Viajamos numa barca dirigida por loucos. Já perdemos as velas e o leme. Estamos à deriva. É urgente encontrar comandantes lúcidos que evitem o naufrágio. Está nas nossas mãos de passageiros expurgar os loucos. Enquanto há tempo.

 

MG

 

 

 

 

 

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publicado às 20:08




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