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A chinesinha-uma benção divina

por Naçao Valente, em 21.08.14

Vou fazer uma inconfidência mesmo correndo o risco (o que não o é?) de perder a aureola de pessoa séria e equilibrada granjeada com tanto labor em linhas e linhas de escrita fingida. Corro, ainda, o risco de perder de uma penada a visita de  leitores recatados. Que seja. Mas a verdade acima de tudo. Aliás, quem sabe ler nas entrelinhas já percebeu a minha tara há muito tempo. Acontece que nasci português, cresci português e hei-de ser português até à eternidade. Quanto a isso, nada a fazer. É o destino. E como  bom português tenho uma fraqueza congénita. Não resisto a pastar o olhar por qualquer rabo de saia ou até de calça com este símbolo.( ) Sem qualquer preconceito, de cor ou religião, desde que bem modelado,(nada a ver com TSU) e tendo a consciência que é um pecado venial. Mas tendo, também, a crença que o arrependimento tudo recompõe. Foi para isso que foi criado. Ou seja, a justiça divina é tão perfeita que cria o castigo e o respectivo antídoto. E não podia ser de outra maneira, a partir do momento em que criou o português.

 

 Muitos antropólogos credenciados, têm afirmado que foi dessa aptidão lusa para a arte da miscigenação, que resultou o/a mulato/a. Quem sou eu para contestar? Limito-me a seguir a corrente e a aproveitar essa fatalidade genética. Assim, arranjo justificação para o meu devaneio para com a chinesinha do lugar da fruta. Para mais, ele só existe porque a gente do império do meio, numa expansão ao contrário, resolveu vir em força aqui para o velho Portugal. Eu acho que foi por saudade dos tugas, depois do regresso das caravelas. Só pode.

 

Digo com toda a sinceridade que minha atracção pela chinesa foi logo ao primeiro olhar. Por aqueles olhos amendoados, por aquele sorriso ingénuo, por aquele corpo esguio, pela tez ainda virgem dos raios ultra-violetas. E digo com toda a propriedade que tenho bom gosto, porque não fui o único atraido por aquela  beleza oriental. Todos os dias vejo outros tugas a mandar a escada a chinesinha, apesar de ter marido. Ainda há dias, vi um desses sedutores, a faze-lo descaradamente. E dizia o sujeito com ar de labrego: (digo convictamente sem ponta de ciúme) "estás tão só, deves precisar de companhia." E ela, com cândida paciência chinesa a dizer-lhe: "o meu ilmão foi a Lisboa complal fluta e deve estal a chegal" . Mas mesmo assim o alarve (com todo o respeito) continuava a insistir. Perante o incómodo tive de intervir, discretamente, para afastar o cretino (sem ofensa). Sim que eu posso ser tuga, mas sou tuga cavalheiro.

 

Todos os dias, acho que inconscientemente, vou ao lugar da fruta. E entre grelos e pepinos, literalmente, vou enchendo devagar , devagarinho, perante a observação e um ou outro sorriso da chinesinha, o meu saco de plástico. É aí que se acentua o meu devaneio e me imagino em tête-á-tête com a bela donzela. Imagino-a a envolver-me de ternura dizendo com a sua voz maviosa, "então meu amol hoje quel leval pão de Mafla?". Sei que é pecado, tipificado como cobiça de mulher alheia, mas não passa de pecado menor, pois é apenas em pensamento. Há dias, enquanto tocava na sua mão delicada para receber o troco, afagou com a mão disponível a minha proeminência abdominal dizendo: "então quando nasce a cliança?". Laios palta. Callaças. Polla. Tanto sonho, tanta aleglia, tanta felicidade sonhados no meio daquela fluta pala ver a chinesinha a apenas se intelessal pele minha balliga. Está decidido. Amanhã vou pala o ginásio. Não quelo, não posso e não devo pôl em causa a missão globalizadola do poltuguês. A chinesinha vai ver!

 

PS Passaram dois anos depois deste texto ser escrito. A chinesinha rumou a outras paragens. A minha proeminência abdominal continua firme e hirta. Mas a sua imagem continua viva na minha memória. Ainda espero que ela regresse. Preciso de voltar a aumentar o meu rácio de fruta. A saúde agradece. E eu agradeço à chinesinha, que sem saber foi (é) minha musa inspiradora.

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publicado às 23:43

Atracção venial-a chinesinha

por Naçao Valente, em 22.09.12

Vou fazer uma inconfidência mesmo correndo o risco (o que não o é?) de perder a aureola de pessoa séria e equilibrada granjeada com tanto labor em linhas e linhas de escrita fingida. Corro, ainda, o risco de perder de uma penada a visita de  leitores recatados. Que seja. Mas a verdade acima de tudo. Aliás, quem sabe ler nas entrelinhas já percebeu a minha tara há muito tempo. Acontece que nasci português, cresci português e hei-de ser português até à eternidade. Quanto a isso, nada a fazer. É o destino. E como  bom português tenho uma fraqueza congénita. Não resisto a pastar o olhar por qualquer rabo de saia ou até de calça com este símbolo.( ) Sem qualquer preconceito, de cor ou religião, desde que bem modelado,(nada a ver com TSU) e tendo a consciência que é um pecado venial. Mas tendo, também, a crença que o arrependimento tudo recompõe. Foi para isso que foi criado. Ou seja, a justiça divina é tão perfeita que cria o castigo e o respectivo antídoto. E não podia ser de outra maneira, a partir do momento em que criou o português.

 

 Muitos antropólogos credenciados, têm afirmado que foi dessa aptidão lusa para a arte da miscigenação, que resultou o/a mulato/a. Quem sou eu para contestar? Limito-me a seguir a corrente e a aproveitar essa fatalidade genética. Assim, arranjo justificação para o meu devaneio para com a chinesinha do lugar da fruta. Para mais, ele só existe porque a gente do império do meio, numa expansão ao contrário, resolveu vir em força aqui para o velho Portugal. Eu acho que foi por saudade dos tugas, depois do regresso das caravelas. Só pode.

Digo com toda a sinceridade que minha atracção pela chinesa foi logo ao primeiro olhar. Por aqueles olhos amendoados, por aquele sorriso ingénuo, por aquele corpo esguio, pela tez ainda virgem dos raios ultra-violetas. E digo com toda a propriedade que tenho bom gosto, porque não fui o único atraido por aquela  beleza oriental. Todos os dias vejo outros tugas a mandar a escada a chinesinha, apesar de ter marido. Ainda há dias, vi um desses sedutores, a faze-lo descaradamente. E dizia o sujeito com ar de labrego: (digo convictamente sem ponta de ciúme) "estás tão só, deves precisar de companhia." E ela, com cândida paciência chinesa a dizer-lhe: "o meu malido foi a Lisboa complal fluta e deve estal a chegal" . Mas mesmo assim o alarve (com todo o respeito) continuava a insistir. Perante o incómodo tive de intervir, discretamente, para afastar o cretino (sem ofensa). Sim que eu posso ser tuga, mas sou tuga cavalheiro.

 

Todos os dias, acho que inconscientemente, vou ao lugar da fruta. E entre grelos e pepinos, literalmente, vou enchendo devagar , devagarinho, perante a observação e um ou outro sorriso da chinesinha, o meu saco de plástico. É aí que se acentua o meu devaneio e me imagino em tête-á-tête com a bela donzela. Imagino-a a envolver-me de ternura dizendo com a sua voz maviosa, "então meu amol hoje quel leval pão de Mafla?". Sei que é pecado, tipificado como cobiça de mulher alheia, mas não passa de pecado menor, pois é apenas em pensamento. Há dias, enquanto tocava na sua mão delicada para receber o troco, afagou com a mão disponível a minha proeminência abdominal dizendo: "então quando nasce a cliança?". Laios palta. Callaças. Polla. Tanto sonho, tanta aleglia, tanta felicidade sonhados no meio daquela fluta pala ver a chinesinha a apenas se intelessal pele minha balliga. Está decidido. Amanhã vou pala o ginásio. Não quelo, não posso e não devo pôl em causa a missão globalizadola do poltugûes. A chinesinha vai ver!

 

MG

 

 

 

 

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publicado às 15:41

Feriados: o síndrome chinês do ministro Álvaro

por Naçao Valente, em 27.01.12

 

O ministro Álvaro não para de surpreender. Primeiro surpreendia pelo mutismo, e pela inércia (que saudade). Agora surpreende pelas suas supimpas invenções para o atraso estrutural da nossa economia. Há dias descobriu que a solução estava na exportação do pastel de nata. Depois conseguiu reduzir as férias e facilitar os despedimentos. Agora vai diminuir os feriados. E a seguir vai proibir os domingos? O homem sofre do síndrome chinês. Se o trabalhador estiver cansado não lhe dês descanso, dá-lhe mais trabalho. Assim se aumentará a produção e crescerá a riqueza nacional. E sobre o aumento da produtividade? Népia. E sobre a modernização tecnológica? Nix. E sobre a eficiência da gestão? Rien. E sobre a melhoria da competitividade? Niente. Tudo se resume a mais trabalho, mais trabalho. Este homem em que século vive?

 

Ps- Ninguém diz à criatura (que deve ter sido reprovado em história de Portugal) que os feriados de acontecimentos históricos possuem para além de um espaço de lazer (fundamental para o equilíbrio psicológico) um significado simbólico, importante para a coesão nacional. E quando é que alguém lança um referendo sobre tão importante questão.

 

Mg

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publicado às 19:28

2012

por Naçao Valente, em 09.01.12

nibiru-magos-ets-e-xamas.arteblog.com.br

Tenho procurado encontrar uma explicação racional para o desvario económico que vai pelo mundo. E quanto mais procuro mais convencido fico que não existe explicação lógica. Continuo sem perceber o que mudou tão profundamente no funcionamento do sistema capitalista. Exceptuando a emergência da China que requer algum ajustamento, os índices de produção e consumo enquanto motores da economia mantiveram-se estáveis. É verdade que houve uma bolha imobiliária nos Estados Unidos e que se deixou em rédea solta a especulação. Mas não entendo como se coloca em primeiro plano as dívidas, inerentes ao sistema, para cortar o crédito enquanto sangue do mesmo. É como cortar o tubo de combustível a um motor, porque este tem consumo elevado em vez de corrigir a anomalia. O resultado é a "gripagem" do motor e não a sua recuperação.

Se não há explicação lógica/racional esta só pode ser exotérica. Veio-me então à memória uma profecia do povo Maia para 2012. Nunca lhe dei muito crédito, para além da alimentação da ficção e da existência de todo o tipo de profetas modernos. Diz essa previsão que em 2012 haverá um alinhamento da terra com o centro da galáxia que provocará enorme transtorno no planeta. A ser verdade, será esta situação que está a perturbar a mente da humanidade, especialmente dos seus dirigentes? A ser verdade, será este alinhamento que está a ensandecer a raça humana, depois de tantos anos de aperfeiçoamento e progresso material e espiritual? Até melhor explicação (desisti da dos perturbados economistas) tenho de colocar a dúvida metodicamente, na esperança de racionalmente não estar afectado pela deriva cósmica.

 

MG

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publicado às 20:04

Novo paradigma

por Naçao Valente, em 01.01.12

 O acontecimento que marcará o ano 2012, para além de previsões catastróficas que alimentam a ficção, será a confirmação da China como grande potência mundial. Uma das razões da crise que hoje apoquenta as sociedades ocidentais é a emergência do poder económico do gigante chinês. O paradigma de abundância ocidental  construída sobre a apropriação da riqueza de outros continentes acabou. No presente e no futuro a divisão da riqueza tem de ser mais alargada e isso reflectir-se-á no nosso modo de vida. Por outro lado, a criação de um novo mercado na Ásia com milhares de consumidores poderá ser uma oportunidade, se for bem aproveitada pelas economias do ocidente, incluindo a portuguesa. Vejo estes tempos como um período de reajuste da nova realidade económica, tal como já aconteceu noutros períodos da história sem dramas e pessimismos.

 

Por outro lado, o reconhecimento de que a política neoliberal que governa a Europa, hipotecando seu poder aos especuladores financeiros e à sua exploração, não defende o interesse comum, será uma realidade mais tarde ou mais cedo. Esteve no ano anterior presente nos movimentos ainda ténues de indignados,  mas terá tendência a avolumar-se com o desrespeito por direitos adquiridos pelos trabalhadores durante o século passado. O erro de entregar o poder à direita conservadora e revanchista tem de ser corrigido rapidamente, para não se correr o risco de arrastar a Europa para uma catástrofe como outras que já aconteceram. Num contexto de mudança de relações económicas a nível mundial, precisamos de dirigentes de vistas largas e com a convicção de que acima dos interesses dos mercados existem as pessoas. 

MG

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publicado às 20:06

Mais um nobel português?

por Naçao Valente, em 23.10.11

Nicolau Santos, Se resultar dêem o Nobel a Gaspar [hoje no Expresso]:

 

Como é óbvio, só quem ensaia soluções asséticas e perfeitas em laboratório é que pode imaginar que esta história terá um final feliz. O mantra do ministro das Finanças (para conhecer o pensamento de Vítor Gaspar ler o excelente artigo que Pedro Lains publicou no “Jornal de Negócios” de 19 de outubro) é tornar-nos a pequena China da Europa, assente em salários baixíssimos, sem subsídio de férias nem de Natal, relações laborais precarizadas, horários de trabalho flexíveis e menos férias e feriados.

 

Dir-se-á: mas havia alternativa? Havia desde que se quisesse e lutasse por ela. O programa de ajustamento da Irlanda vai até 2015. Não se percebe porque o nosso não pode ser também estendido no tempo. O défice para 2011 já foi corrigido em alta pela troika. Porque é que não se luta para que também o de 2012 seja aumentado? Porque é que se quer impor esta insuportável dor social aos portugueses? E na questão do financiamento à economia, porque não se bate o Governo porque haja uma nova tranche (cerca de €20 mil a €30 mil milhões) para que o Governo pague às empresas públicas de transportes e estas aos bancos, que terão assim liquidez para financiar as pequenas e médias empresas?

Mas não. O que Gaspar quer é tornar a economia portuguesa competitiva através de uma violentíssima desvalorização por via salarial, pela maior recessão desde há 37 anos e por quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80. Se isto der resultado, deem-lhe o Nobel.’

 


 

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publicado às 22:41

Negócio da China. O regresso ao mar

por Naçao Valente, em 09.11.10

 

José Sócrates tem defeitos? com certeza. José Sócrates comete erros? certamente. Mas José Sócrates também possui algumas virtudes. E uma delas que quero aqui acentuar é a sua capacidade para  procurar saídas para o conservadorismo económico de Portugal. Tem-mo-lo visto a meter lanças em África...na América, na Ásia...

Os recentes acordos com a poderosa China, os acordos feitos na  ou a fazer na América latina, a cooperação com o Magreb e com os países do antigo império são na minha modesta opinião um caminho na direcção certa.

Portugal só se viabilizou como nação independente quando saiu do apertado espaço que ocupa no contexto europeu. A sobrevivência de Portugal sempre esteve no mar em sentido lato e sentido restrito. Em sentido lato quando rasgou horizontes e se instalou em todos os continentes do planeta, onde explorou as riquezas que escasseavam no claustrofóbico espaço interno. Em sentido restrito porque a grande zona marítima do pais possui recursos , inexplorados, que vão desde a pesca até às novas tecnologias.

O virar de costas ao mar nas últimas décadas foi um erro de palmatória. Por isso, assumir de novo uma vocação marítima, adormecida pelos cantos de sereia do continentalidade, é regressar às origens, é assumir, mais uma vez, uma centralidade de que nos temos afastado. É recusar a triste sina de país periférico a que o eixo Bona/ Paris nos quer remeter.

 

MG

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publicado às 19:23

Portugal e Macau

por Naçao Valente, em 14.08.10

Ficheiro:Saopaulo Chinnery.jpg

Os portugueses são um povo de fundadores. Fundaram uma nação onde nada o fazia prever. Ganharam o gosto e foram fundando as suas réplicas por todos os cantos do mundo. E como a nação mãe fundaram-nas nos sítios mais improváveis. Um desses sítios chama-se Macau, onde os portugueses chegaram precisamente no dia 14 de Agosto de 1553.  Ali estiveram quase meio século com o beneplácito dos próprios chineses a quem prestaram relevantes serviços. Em 1887 a China reconheceu a soberania perpétua de Portugal..

 

A soberania portuguesa nesta região foi transferida para a nova China de forma pacífica e cordial depois de demoradas negociações. Portugal já não governa Macau mas a sua presença continua bem viva naquele território . A presença portuguesa manifesta-se no património, onde se destacam as ruínas de S. Paulo, ou na a culinária onde as esposas orientais dos portugueses fundaram a cozinha macaense , fazendo pratos de origem europeia com produtos locais. As freguesias de Macau possuem ainda nomes portugueses.

 

Portugal estabeleceu no século XVI a primeira relação estável entre a cultura europeia e a cultura chinesa. E esta aptidão para criar pontes entre povos é uma das grandes valências da nação lusíada. E a capacidade para depois da partida continuar a manter laços afectivos com esses povos é uma característica quase única dos portugueses. Por essa razão,  entre outras, Portugal é no contexto europeu e mundial uma nação universal e por isso deve sentir orgulho.

 

MG 

 

 

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publicado às 20:06




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