Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A reforma simplex da língua portuguesa

por Naçao Valente, em 14.01.14

 

Todos sabem que as línguas dos países são organismos vivos. Estão sujeitas a diversas influências, principalmente por parte dos falantes. A língua portuguesa não foge a esta regra. È muito diferente hoje do que era no princípio da nacionalidade. Contudo essas mudanças são  lentas e nem sempre perceptíveis no curto prazo.

 

No último ano assisti, em Portugal, a um fenómeno que põe em causa a evolução natural da língua. O fenómeno começou com o significado da palavra irrevogável. Em qualquer dicionário lê-se, "definitivo" ou "que não volta atrás". Agora todo o país ficou a saber que tem novo significado: "é o que tem que ser". Ora aí está. A partir deste princípio pode admitir-se tudo. Por exemplo: coerências, ou compromisso ou palavra de honra ou honestidade ou vergonha na cara, ou recalibrar, é o que tem que ser. De uma penada simplifica-se o que só atrapalhava. Cortar indecentemente nas pensões é tirar rendimentos e direitos adquiridos? Qual carapuça, é o que tem que ser. Para abreviar tudo passa a significar "é o que tem que ser". Dicionários para o lixo já. Tudo passa a ter o mesmo significado.

 

Estamos perante uma revolução linguística. Quem a patrocina? Linguístas, filólogos, enfim gente do métier? Muito longe disso. Quem inicia esta nova semântica para moldar uma realidade a seu gosto, com a maior cara de pau, é nem mais nem menos, que um político da nação. Poderá não fazer mais nada de relevante. E não fará. Mas por isto já ganhou um lugar na história.

 

MG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:40

A vitória eleitoral dos comentadores

por Naçao Valente, em 30.09.13

Na minha terra é mais velho quem tem mais anos, é mais rico quem tem mais dinheiro, ganha um jogo de futebol quem marca mais golos. Mas na "comunicolândia" parece não ser assim. Foi essa a mensagem que passou nas televisões no pós eleições autárquicas. Os resultados apurados foram grosso modo os seguintes: PS: 1 milhão e oitocentos mil votos e 150 Câmaras ganhas; O PSD/CDS: 800 mil votos e 106 presidências de Câmaras. A CDU/PCP: meio milhão de votos e 34 Câmaras para gerir.O PS ganhou mais 27 autarquias, perdeu 8 e tem mais quarenta e quatro que o PSD e mais  106 que o PCP que recuperou meia dúzia de Cãmaras que tinha perdido para o PS.  Na interpretação de analistas e comentadores ou vice-versa a classificação ficou assim estabelecida: vencedor PCP, ganhador mas pouco PS; perdedor mas por erro de casting, PSD. Desculpem qualquer coisinha mas não entendo o sentido que isto faz. Mas deve ser problema meu por incapacidade de entendimento.

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:47

Parolos, manhosos e velhacos

por Naçao Valente, em 16.09.13

A expressão saloio era atribuída aos habitantes dos concelhos rurais situados a norte de Lisboa. A designação abrangia os cidadãos que se dedicavam à produção e comércio de produtos agrícolas. Tipicamente ainda aparecem representados no seu vestuário com colete e barrete. Mas para além da situação típica de saloio associado a uma zona e a uma actividade e com significado depreciativo de alguém que vive fora da modernidade, existe nesta perspectiva a mentalidade de saloio ou seja e como diz o dicionário Priberam da Língua Portuguesa: parolo, rústico, finório, manhoso,velhaco.

 

Lamento dizê-lo mas o meu país está nas mãos deste tipo de saloio. Começa ao mais alto nível no chefe do executivo, continua no seu vice e em muitos ministros e deputados e termina no expoente máximo da saloiice, a Presidência da República exercida pelo cidadão Cavaco Silva, o saloio-mor. Podemos referir vários exemplos da velhaquice porque se pauta o actual poder político. Um exemplo recente da parolice é forma como estão a ser tratados os cortes das reformas da função pública. Falam de convergência, de privilégios, de injustiças. Procuram considerar estes pensionistas fora da lei. Deputados da maioria no Parlamento afirmam que são apenas trezentos mil os abrangidos. Leia-se apenas trezentos mil votos em três milhões. Nunca vi maior desplante. Estes parolos armados em finórios não merecem um pingo de respeito.

 

Fazer o quê quando na cúpula do Estado está um rústico disfarçado de fato e gravata. Está ali o rei da manhosice. Veja-se: chamou ao diploma sobre os cortes nas pensões imposto extraordinário. Se isto não é um manhoso finório o que será? Note-se a diferença. Se é um imposto transitório já não é um corte. Procura assim tirar os argumentos ao Tribunal Constitucional para chumbar o diploma. Esta saloiada só tem paralelo na ditadura do Estado Novo mas é muito mais perigosa. Actua sob o manto diáfano da democracia e está a dinamitar a unidade nacional atirando cidadãos contra cidadãos.Cria um clima de guerra civil por enquanto apenas mental.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:42

A tourada continua

por Naçao Valente, em 17.07.13

Fomos levados ao engano

por capote de um cigano

com promessas do camano

beras.

 

Entram moços jotas e comentadores

e falinhas mansas

entram verborreias de falsos doutores

e rotundas panças

entram peões de mentiras e rumores

cuja profissão

se lança.

 

Com verónicas de medo

para nos empobrecer

puseram este país

a morrer.

 

Temos que enfrentar o bicho

com coragem e sageza

pra atiramos para o lixo

a tristeza.

 

 

Entram boys a fazer campanha

que não sabem nada

gritam slogans cheios de manha

que não valem nada

pintam tudo de uma cor bem preta

cuja autenticidade

é treta.

 

Entram  velhos tontos e oportunistas

e entram paspalhões

entram charlatães, novos vigaristas

e entram os pavões

Entram galinhas de pequena crista

entram os ladrões

à vista.

 

Entram sempre  as mesmas quadrilhas

fazem a faena

entram  coloridas muitas bandarilhas

grandes e pequenas

Entra  o povo manso preso em armadilhas

que enche a arena

que pena.

 

Entram os  três turistas cheios de cifrões

e passes de peito

entram  cortes cegos de muitos milhões

e feitos a eito

entram as sortes de muitos capotes

passes de muleta

ministros, gestores e cortes

da teta.

 

Entram privatizações,fiscos e falências

charters de chineses

entra a loucura e a incompetência

tantas vezes

entra a Alemanha ,entra a altivez

a mal ou a mal

e grita a estupidez

acabou-se  Portugal.

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:34

Filhos da puta

por Naçao Valente, em 31.05.13

Há á expressões do léxico popular que rolam por todas as bocas, mesmo as mais pudicas. De tanto usadas acabam por perder uma real eficácia. Entram por um ouvido e saem por outro. São uma espécie de sound bites. Por isso não se entende a indignação dos deputados da maioria, depois de terem sido mimoseados por assistentes das galerias com a expressão "filhos da puta". E para os ditos representantes da nação, que são incondicionais apoiantes das políticas que estão a destruir um país de oito séculos, que são co-responsáveis pelo desemprego e pela miséria galopante, que teimam contra todas as evidências a seguir o mesmo caminho, a dita expressão é pêra doce. Merecem epítetos bem mais pesados. Abstenho-me.

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:45

Eu estou cismado. Cismo com a cismação que para aí vai. Cismo com Portas fechadas que querem fazer crer que estão abertas. E cismo com a credulidade que toma o ilusionismo por realidade. É como viver num circo. Os espectadores acreditam nos truques do ilusionista, sonambulam a mandado do hipnotizador, riem com as alarvidades do palhaço rico e até ajudam no número do palhaço pobre. E ainda pagam bilhete. Eu cismo.

 

De tanto cismar já estou grisalho. Grisalho de raiva reprimida. Grisalho de impotência contida. Grisalho de tanta falta de vergonha. Os cabelos branqueiam todos os dias com tanto sobressalto. Os cabelos brancos já não são venerados, nem sequer respeitados. Os cabelos brancos já não representam experiência e sabedoria. Os cabelos brancos são um cisma grisalho, um mau cisma, comem e não produzem, são uma praga de cigarras que é preciso exterminar.

 

Eis minhas senhoras e meus senhores, meninos e meninas o CISMA GRISALHO, todos os dias num cinema perto de si. Venham ver a actuação portentosa  de mestres na arte do fingimento. Admirem as piruetas do BOM e o poder de falo (queria dizer fala) do MAU para nos fuck a toda a hora. Vejam o descaramento do VILÃO que  não foi eleito para o papel, mas que o representa-o a preceito e gosta. Venham ver uma  história hardcore onde num Império dos Sentidos todos, mas especialmente os grisalhos, acabam capados. Pornografia e terror nunca vistos! Imperdível!

 

PS: podia ser menos metafórico e mais explícito? Podia, mas não quero. Eu não escrevo para as massas. Nunca Passo uma linha vermelha. Estou demasiado cismado. Quero ver se fujo deste filme e mesmo grisalho, quero passar despercebido entre os pingos da chuva. É que não gosto de ser fuked. Chateia-me!

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:03

O génio, o nabo e a bela adormecida

por Naçao Valente, em 16.10.12

Vítor Gaspar disse que estava a pagar ao país o enorme investimento que fez na sua formação. A sua formação pode ter sido excelente. O seu currículo pode ter sido brilhante. O seu QI pode estar acima da média. A forma arrogante e autoritária de agir, como se fosse o dono de toda a verdade leva a pensar que é dotado de genialidade. Pode ser um génio da manipulação dos números, o supra sumo do deve e haver. A competência em contabilidade não é atributo para dirigir as finanças de um país. As finanças de um país ou até de uma simples empresa exigem mais requisitos que a capacidade para fazer balanços e balancetes. Porque um país é constituído por pessoas de carne e osso. A dimensão da vida humana não se pode mensurar apenas aritmeticamente. Mas é assim que este ministro trata os portugueses.

Para o dito ministro das Finanças de Portugal  as gentes são algarismos, os cidadãos são contribuintes, os contribuintes são cifrões. Não interessa se comem, se dormem, se têm sentimentos. São uma espécie de homem máquina do qual é preciso tirar todo o rendimento. Acima, muito acima, paira a inteligência suprema gerada nas catacumbas do poder dos mercados. Um génio omnipotente eivado de loucura. O grande senhor das vidas sem vida. Mesmo contestado e desprezado por quase todos mantém-se impávido, porque ainda conta com o apoio incondicional de um primeiro-ministro subserviente e sem cérebro. Somos governados por um génio assessorado por um nabo. Para cúmulo da desgraça temos na Presidência da República a Bela Adormecida.

 

MG 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:46

O pior cego é o que não quer ver

por Naçao Valente, em 24.03.12

Numa entrevista dada ao Jornal de Negócios e reproduzida aqui, João Galamba, deputado do PS, fala do chumbo do PEC IV. Porque também  acho que foi um disparate e um mau serviço ao país, destaco este extracto:

 

O chumbo não valeu a pena?
Tendo nós uma oportunidade na qual BCE e Comissão também acreditavam não era só o Governo do PS que estava "cego", ele tinha o apoio dessas instituições e dos próprios bancos. O ultimato dos bancos foi posterior ao chumbo do PEC IV, quando os "ratings" começaram a cair em catadupa. BCE, Comissão, bancos, todos queriam evitar que Portugal pedisse ajuda externa. A oposição, numa coligação negativa profundamente irresponsável, decidiu desbaratar essa oportunidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:55

As minhas parábolas: a sede e o pote

por Naçao Valente, em 09.06.11

lisboacity.olx.pt

 

 

O primeiro homem estava com imensa sede, mas tinha receio de ir ao pote. O segundo homem empurrou-o e disse: -vai sem medo ,o pote está perto. O terceiro homem, no seu mutismo cínico, apontou-lhe o pote com ar severo.

 

O primeiro homem , sempre receoso avançou para o pote, mas a indecisão queimava mais que a sede. Junto ao pote o guardador tinha um ar exausto. Num trabalho ciclópico procurava ir tapando os muitos buracos de um pote a desfazer-se por décadas de mau uso, muita cobiça e muita pedrada. Mas quantos mais buracos tapava, mais outros se abriam, com tanta gente a furá-lo. O guardador caíu exausto e adormeceu profundamente. Quando acordou, assustado, já lhe tinham tirado o pote. 

 

O primeiro homem caminhava eufórico com o pote, seguido de uma matilha sedenta. Todos queriam ir ao pote, mas quando o primeiro homem o pousou sofreu uma desilusão: o pote estava vazio. De repente, do nada, surgiram três  cavaleiros apocalípticos. O número um, levantou a espada e disse: -tens de voltar a enche-lo; o número dois levantou o escudo e falou: -tens de o concertar; o terceiro homem, levantou o elmo e grunhiu: -despacha-te, temos muita pressa de beber nesse pote.

 

A matilha sedenta grita em coro:-a culpa é do guardador! -morte ao guardador. Mancos, coxos, aleijados, ingénuos, raivosos, ressabiados que seguiam a matilha vociferam em coro: -morte ao guardador, é o diabo em pessoa, até enganou Adão e Eva.

 

O pote tem agora novos guardadores, tão sedentos quanto vingativos. Irá sobrar alguma coisa?

 

MG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:23

PL

por Naçao Valente, em 17.05.11

O PS deve mudar de sigla. Deve mudar o seu nome para PL(Partido Leproso). No espectro político todos o evitam e rejeitam. Os partidos à sua esquerda porque se acantonaram como partidos de protesto e são incapazes de se comprometer com qualquer acção governativa. Os partidos à sua direita proclamaram que nunca governarão com o PS independentemente de ganhar ou perder. Se a votação do PS ou PL e dos seus eleitores não "aquenta nem arrefenta"e está ostracizado à partida,  não sei porque vai disputar eleições. E se os partidos à direita ganharem, mas não tiverem uma maioria absoluta como vão conseguir impor as duras medidas acordadas com a troika? E como vai o Presidente da República que ajudou a criar esta situação para beneficiar a direita resolver o eventual imbróglio? Aguardam-se desenvolvimentos desta forma sui-generis de democracia.

 

.MG

 

PS Na crise de 1983 Mário Soares após ter ganho as eleições foi obrigado a chamar o FMI para evitar a bancarrota provocada pelo governo da AD(PSD,CDS,PM). E não tendo maioria fez uma aliança com o PSD para bem do país. E isto faz todaa diferença entre um estadista e politiqueiros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:54




Comentários recentes



subscrever feeds