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 Vivemos tempos estranhos. A democracia, que permitiu, ao povo decidir com o seu voto o exercício do poder político, está a ser desvirtuada pelo poder judicial. Nos dias que correm temos visto os juízes exercer um poder que não lhes pertence para condicionar a livre escolha dos cidadãos.

O caso mais paradigmático está acontecer nesse grande país chamado Brasil. A destituição de uma Presidente democraticamente eleita pelo poder, algo discricionário de juízes, devia alertar-nos para a perversão do sistema democrático. Em relação à destituição referida não ficou provado qualquer ilícito. O que ficou provado foi que uma maioria de deputados de direita, de conluio com os seus aliados no sistema judicial, deu um golpe antidemocrático para tirar a esquerda do poder, e colocar no seu lugar a direita, na pessoa, essa sim corrupta, de Temer, um personagem sem alma.

O que se está a passar com Lula vai na mesma linha. Com maioria nas sondagens, está proibido de se candidatar, ou seja, de ganhar. Lula foi um bom Presidente, melhorou a situação económica e diminuiu as enormes desigualdades sociais, actuando na repartição da riqueza, com prejuízo para os poderosos interesses económicos. Essa é a explicação mais plausível para justificar a perseguição que a direita lhe faz, afastando-o da política. Aquilo de que é acusado, parece não passar de uma cabala. O poder judicial, deitou às urtigas a isenção e está claramente, ao serviço do poder da direita política.

No Brasil, até ver, passou a fase do poder na ponta da espingarda. Em seu lugar levanta-se outro poder, também antidemocrático, que é o poder discricionário dos homens de toga, que não possuem para o efeito qualquer legitimidade democrática. Usando o seu poder para inventar provas, para acusar, para condenar, estão a criar uma República de Juízes, à margem do sistema democrático. O que existe no Brasil já não é uma democracia é uma juriscracia. O seu objectivo é claro, afastar de vez a esquerda do poder. Eliminando politicamente todos os candidatos com hipóteses de vencer, a perpetuação da direita, e da exploração, está garantida. O Brasil está a caminho de ser de novo um estado Totalitário, perante alguma indiferença dosdemocratas.

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publicado às 21:29

Crónica de uma eliminação anunciada

por Naçao Valente, em 08.07.14

O futebol é um jogo imprevisivel. Daí a sua beleza. Mas e cada vez mais, as tácticas, a estratégia e a dinâmica assumem hoje carácter quase científico. Estuda-se tudo ao pormenor. O improviso e a fé às vezes fazem milagres. No entanto, no futebol como na vida, não são o método para levar um projecto a bom porto.

 

O choque entre o improviso e a organização profissional resultou no massacre da selecção do Brasil. Foi um jogo de sentido único. Uma equipa com o rumo bem definido e outra completamente à deriva. A máquina alemã alemã não esperava tanta fragilidade.

 

Já se tinha visto que esta selecção brasileira está nas antípodas de grandes equipas de outrora. É uma equipa banal com algumas estrelas e um treinador mal preparado do ponto de vista técnico. Aproveitando o factor casa e jogando com equipas relativamente  acessíveis, foi passando entre os pingos da chuva. A eliminação estava  anunciada. Aconteceria, como aconteceu, quando enfrentasse uma equipa muito competente. O que espanta não é a derrota, mas a goleada. Sem dramatismo é essa a beleza do futebol. Perde-se e ganha-se. Um espectáculo, apenas um espectáculo, que gera emoções. A vida continua.

 

MG

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publicado às 22:54

A bela adormecida, eis a selecção

por Naçao Valente, em 17.06.14

Vinde, senhores, assistir à espantosa história da bela adormecida. Entrou vaidosa e confiante, na sua incomparável beleza, na Arena e até deu um ar da sua graça. Mas foi sol de pouca dura, foi um ar que lhe deu. Imprudente, depressa se picou e voltou a picar nos picos que lhe colocou a bruxa má, com a ajuda do feiticeiro de OZ que fez dos seus guadiões  meros espantalhos.  E foi tão rija a picadela que adormeceu. É certo que ainda se tentaram levantar uns príncipes, mas grande ilusão. Eram apenas príncipes com orelhas de burro, sapos escalorados e anões de perna bem curta. A princesa adormeceu profundamente.

 

O que falta saber, senhoras e senhores, é se de entre candidatos a acordar a princesa, mal escolhidos, mal preparados, mal orientados, se levanta algum verdadeiro príncipe. Há pois, porque ser um real príncipe dá muito trabalho. Não é príncipe quem quer, mas quem faz por isso. E estes julgaram que bastava ter encanto e estatuto privilegiado. No sono profundo em que caiu a bela, vai ser mesmo preciso um batalhão de príncipes, humildes, competentes, solidários, laboriosos, para a acordar.

 

Esperemos pelo próximo capítulo. Aceitam-se palpites.

 

MG 

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publicado às 17:55

Vingança de filhos da puta

por Naçao Valente, em 17.12.13

Os nossos irmãos brasileiros, mas também filhos ,porque fomos nós que os inventámos quando a nossa genialidade não estava condicionada pela tacanhez dos filhos de mulher de vida fácil, costumam usar a expressão "mexer em ninho de marinbondo" como uma acção ousada e perigosa. Foi o que me aconteceu quando aqui abordei a questão dos verdadeiros filhos da puta. Fui mesmo imprudente. Agora já estou a ser penalizado com uma tortura implacável: infernizam-me o dia e roubam-me a noite, sem esquecer que esta não serve só para dormir. Não brincam em serviço. Com patinhas de lã um torturador de grande calibre foi-se introduzido no meu corpo distraido. O filho da puta do constipado há uns dias que não me dá descanso. E ainda se faz acompanhar de três filhas de mulher de mau porte, danadas para chatear. A filha da puta da tosse instalou-se no meu peito e teima em explodir continuamente como uma arma de repetição. Já a febre decidiu que me vai cozer em lume brando.  O termómetro cora de vergonha. Ou melhor corava, porque liberto do mercúrio e assumidamente digital (modernices) nem corar o deixam. Que grande filha da puta! Nascida da mesma mãe a impertinente espectoração bloqueia-me os brônquios, empastela-me as cordas vocais e metaforicamente põe-me uma mordaça na boca. Nada mais, nada menos do que pretende o genuíno filho de mulher perdida. Por isso nem vou às galerias da AR. Mas têm tão grande espectro que arranjaram maneira de me alcançar.

 

A tortura do estafermo pode não ser mortal mas que mói, mói. E é aí que me lembro que nunca devemos falar em vão. Arrependo-me, peço perdão, debito umas ladainhas e digo que não volto a pecar contra filhos de tal linhagem. O que vale é que tenho sempre uns analgésicos de reserva. Sempre minimizam o sofrimento do corpo. Nunca o do espírito. É muito dificil aceitar viver rodeado por filhos de uma donzela desencaminhara com o mais sofisticado armamento. E nós cada vez mais indefesos. Quando o maldito constipado satisfazer a sua vingança, vou remeter-me à minha condição de cidadão inócuo. Na minha boca não vai entrar essa expressão desajustada. Assim pode ser que este e outros filhos da vergonha me esqueçam.

 

MG 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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publicado às 19:44

Meu caro amigo

por Naçao Valente, em 29.11.11

Carregado por em 03/09/2007

 

Meu caro amigo vou-lhe agora falar

Chegou minha vez de estar à rasca

E com a Net  já não há tanto mar

E a mensagem  é de graça

 

Aqui na terra estou curtindo futebol

Há muito fado, muito drama e tintol

E ainda temos pra consolo algum sol

 

Mas a verdade é que a coisa aqui está troika

 

Muita paciência para aturar os governantes

Que se elegeram enganando a boa gente

E disfarçamos com um cálice de aguardente

Para aguentar tantos farsantes

 

Meu caro amigo não lhe quero aborrecer

Nem lamentar minhas penas

Desejo só desabafar e  descrever

Umas quantas tristes cenas

 

Aqui na terra eu discuto futebol

E esqueço injúrias bebendo mais um gole

Sempre pacífico, sempre humilde, sempre mole

 

Mas a verdade é que a coisa aqui está troika

 

Muita pachorra pra aguentar tanto ataque

Nos vão tirando tudo o que Deus nos deu

Dão o inferno tendo garantido o céu

Porque isto aqui  está mesmo a saque

 

Meu caro amigo talvez me possa ajudar

A sair desta aflição

Ajude a gente de novo emigrar

E a partir noutra expansão

 

Aqui na terra ainda temos muito sol

Uma bandeira e usamos um cachecol

Pra tristeza esquecer no futebol

 

Mas a verdade é que a coisa aqui está troika

 

Meu caro amigo perdoe meu atrevimento

Em lhe estar a incomodar

mas é que aqui nó temos tanto jumento

Que nem é fácil falar

 

 

A minha gente manda abraços e lembranças

E desejamos não se esqueça

De juntos cravarmos tantas lanças

Até um dia e apareça.

 

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publicado às 22:31

Acorda amor

por Naçao Valente, em 01.11.11

delitodeopiniao.blogs.sapo.pt

 

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição

 

Acorda amor

Ouço Passos subindo a escada

No bolso sinto uma mão pesada

Remexendo remexendo em nada

Que aflição

Acorda amor

não sei se é sonho se realidade

Ajuda-me a parar esta ansiedade,

pois não sei que fazer

Que confusão

 

Acorda amor

estou mesmo a ver umas criaturas

com umas auras muito escuras,

e eu aqui preso no colchão

Que solidão

 

que o bicho é bravo e não sossega
se você corre o bicho pega
se fica não sei não

 

Lamentar

Chorar só

Não chega

É preciso ser inteligente

se não o bicho come a gente

sem dó nem piedade

Chame, clame, chame a autoridade

 

Os Passos estão queimando a minha mente

como Cavacos numa chama ardente

Que dor

Você não fique aí parada,

nessa atitude meio conformada

Ajude-me a sair desta agonia

A C O R D A   A M O R

 

Com os meus agradecimentos a Chico Buarque e um abraço para o Brasil.

 

MG

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publicado às 21:46

Rua dos bobos

por Naçao Valente, em 26.03.11

É assim que vejo Portugal neste momento:

 

A CASA

 

 DE VINÍCIUS DE MORAIS

 

 

 

De: | Criado: 28 de Abr de 2010

 

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publicado às 21:16

Tanto mar

por Naçao Valente, em 23.11.10

A nossa semente  voou com o vento. Por isso enviamos o pedido de volta. Tanto mar...

 

 

 

 

 

Mas a verdade é que a coisa aqui está preta...

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publicado às 19:24

Eleição da universalidade

por Naçao Valente, em 12.10.10

 

Portugal foi hoje eleito membro não permanente no Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2011-2012. Esta eleição conseguida contra a maioria das previsões vem provar que Portugal apesar de não ser um país de grande dimensão territorial é um país grande. É uma grandeza quase milenar. Essa grandeza está bem patente na sua história.

 

O que a história nos mostra é que a nação portuguesa foi talhada a golpes de espada a partir de um pequeno núcleo situado Entre -Douro e Minho. E só passou de um condado enfeudado a Aragão e Castela a uma nação de dimensão universal  pela vontade, persistência, coragem e inteligência de uma elite constituída por segundas linhas da nobreza, na interpretação de José Matoso. Como foi com base num pequena nobreza, apoiada pela chamada arraia-miúda que afastou em 1383-85 a integração no reino de Castela. Como foi com a visão da geração saída da revolução de 1383 que se iniciou a expansão marítima.

 A classe dirigente da dinastia e Avis teve o condão de perceber que Portugal para resistir à hegemonia castelhana precisava de alargar horizontes. Com esse espírito aventurou-se por "mares  nunca dantes navegados" e estendeu raízes por todos os continentes. Rompeu fronteiras fechadas, inventou rotas desconhecidas, alargou convivências entre povos e culturas, iniciou um processo que hoje se chama globalização.

 

Portugal viveu da pimenta da Índia, do açúcar das ilhas, do ouro do Brasil, do mercado africano. Perdido o império, regressou às origens ao seu território original, onde não há riquezas naturais para explorar. Mas com a capacidade inventiva da sua gente está a encontrar novas índias na inovação  e pioneirismo tecnológico. É aí que se encontra o futuro de um país territorialmente periférico, mas com a mesma dimensão universal da nação que deu novos mundos ao mundo. Precisamos que a actual classe política se liberte dos pequenos interesses, da mesquinhez e dê as mãos, mau grado as suas diferenças ideológicas legítimas, na defesa do interesse geral. E que perceba de uma vez, que a grandeza de Portugal está para além da discussão do pormenores da pequena política caseira. A grandeza de Portugal é bem maior que as suas fronteiras naturais. Foi esse reconhecimento internacional que a eleição para ONU veio comprovar.

 

MG 

 

PS Para além do que escrevi tem que se valorizar, também, o papel desempenhado pela diplomacia nesta vitória.

 

 

 

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publicado às 19:18

Lisboa menina

por Naçao Valente, em 03.10.10

 

Lisboa é barco,

é batel,

cidade de sombra e luz;

é água, Babel,

adaga,

espada e cruz

 

Lisboa é guerra ,

é vingança,

amor,ódio e traição;

é justiça e esperança,

1383,

 justiça e revolução

 

Lisboa é sol,

é pimenta,

caravela sem idade;

é vela,mar, tormenta,

poesia,

 sonho e realidade

 

Lisboa é ouro

é Brasil

passarola intemporal;

é acúcar e anil,

cheiro, pregão,

 luz e cal

 

Lisboa é grito,

tristeza,

fado menor e vadio;

é realidade e mito,

donzela,

 amor e cio

 

Lisboa é desejo,

é saudade,

Lisboa é canela fina;

é mentira e verdade

menina,

 moça e menina.

 

MG

 

 

 

 

 

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publicado às 17:55




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