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Parêntesis amordaçado

por Naçao Valente, em 25.02.12

Há dias que começam antes de começar. Estranho? Será, mas não impossível. Quem nunca lhe aconteceu acordar dentro de um pesadelo? Isso mesmo. Foi assim que começou o meu sábado. E suponha que está a executar uma daquelas acções que fazem crescer a humanidade, tendo ainda por cima uma partenaire (ou um partenaire, depende da situação) tipo vamp capa de revista e na altura certa a coisa embatuca. E ainda consegue dizer, timidamente, “raio nunca me aconteceu” e a gaja de cima dos seus galões de vamp responde sem contemplações “pois é há sempre uma primeira vez, não é filho. Olha, habitua-te ou então toma viagrarix que é uma coisa que resulta já desde o tempo dos gauleses com as poções do Panoramix. (ou achas que todos são Strauss-Kahn?) Valha-nos o sentido de humor da vamp.

Mas afinal que treta de crónica é esta, avisa pressurosa a consciência moral…Passaste-te?  Fugiu-te a inspiração para as partes baixas, isto é para as unhas dos pés? Ou então, só porque consegues encaixar três ou quatro fases com sentido, que alguns incautos lêem, julgas que tens liberdade para escrever o que te dá na real gana? Pior, consideras-te já um grande escritor, julgas-te até um Lobo Antunes, um Saramago, um Amado, um Garcia Marquez, entre outros, isto para não dizer que te vês a receber um Nobel das mãos de uma sueca escultural (com essa tua mente tortuosa não me admirava). Modera-te, filho, tu não passas de um escriba do virtual.

Esforço-me mas não entendo este pesadelo. Logo no dia em que decidi ir às Caldas da Rainha ver uma simples exposição de artesanato e antiguidades (é sábado e domingo na Expo Oeste), haveria de aparecer esta angústia a acordar-me  a consciência. Não há-de haver consciência piegas que me trave e hei-de ir, custe o que custar.

Ui, coisas das Caldas, não é filho, já estou a ver como isto vai acabar, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Não ponhas mais na carta: artesanato “práqui”, arte popular “prácolá”, Rafael Bordalo para justificar, louça tradicional, blá, blá, blá. Não adianta, não há respeito pela consciência, é o que é.

O dia começou num pesadelo mas acabou num sonho. Cidade bonita, agradável, acolhedora, com cheiros bucólicos. Gente simpática, tranquila. Calcorreei o tradicional mercado ao ar livre (coisa rara), comprei fruta, legumes, hortaliças, a preço justo. (finalmente) Almocei um opíparo arroz de grelos (pois, pois) com “jaquinzinhos”. No fim comi umas maminhas, mas havia noutras versões (eu não avisei?),um doce regional feito com a massa das cavacas. (não confundir com cavacos, que esses nem cães os podem tragar) Fugi do Shopping como diabo da cruz (sim, para quem aprecia, Caldas da Rainha já tem um) e deleitei-me com a exposição. Entre as muitas velharias expostas, adquiri um cartaz usado pelo extinto cinema ambulante e que me fez reviver os tempos despreocupados da infância, quando com a sua magia nos fazia sonhar sonhos impossíveis, sem as barreiras da consciência. Maldita consciência, deixa-me usufruir o prazer da escrita e deixa-me levar o meu sonho com a vamp até ao fim, ao menos uma vez por semana.

MG

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publicado às 22:22

Muda o governo, mudam as análises

por Naçao Valente, em 05.08.11

 

A política é uma porca na visão cartoonista de Bordalo. Esta imagem resiste à passagem do tempo na sua actualidade. Durante a vigência do governo socialista assistiu-se a uma retórica de descredibilização da acção governativa em crescendo, propalada na comunicação em geral e na blogosfera em especial. A campanha chegou ao ponto de falta de respeito por qualquer princípio ético ao acusar mais a competência dos governantes do que as políticas. Tudo se resumia a um axioma simples: a crise internacional era uma miragem e todos os males do país eram provocados por uma governação de malfeitores, únicos responsáveis por um desenvolvimento económico errado de décadas e uma dívida soberana acumulada por vários governos.

 

Mudou o governo mudaram as análises: Antes os PECs eram resultado de incompetência, agora os novos PECs (troikas externa e interna) são políticas correctas e patrióticas. Antes a culpa era toda do Sócrates, agora somos condicionados pela situação externa. Antes os outros ( Alemanha, França, EUA) eram detentores de processos exemplares, agora são factor de desestabilização. Antes os ditos mercados eram sacrossantos, agora são dirigidos por gananciosos. Entretanto o que mudou? Os PECs, a situação externa, ou outros, os mercados? Olho o antes e o depois e só vejo uma mudança: a da maioria que nos governa. Bordalo continua a ter razão. A política é uma porca.

 

MG

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publicado às 16:24




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