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Tiananmen

por Naçao Valente, em 04.06.19

Faz trinta anos. Tinta anos que aconteceu Tiananmen. A nossa memória é curta e já esqueceu. Ainda bem que há quem nos lembre.

Tiananmen devia servir de exemplo para a diferença entre a ditadura e a democracia. É simples. Na democracia podemos protestar. Na democracia podemos manifestar opinião, e até, embora ache incorrecto, insultar os políticos. Nas democracias até podemos ser arrogantes, sem que isso traga consequências. Nas democracias podemos escolher.

Em Tiananmen lutava-se pela liberdade e também contra a corrupção. Sim, porque se todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe completamente. A corrupção, infelizmente, faz parte da natureza humana. E se, nas democracias, os corruptos ainda são colocados perante a justiça, nas ditaduras isso não acontece. 

Tiananmen devia fazer-nos reflectir. Sobretudo devia merecer reflexão dos que, nas redes sociais e por outras vias, clamam pela abstenção, pondo em causa a própria democracia. Deviam reflectir pelas generalizações abusivas. A corrupção é transversal a toda a sociedade. E não é por haver políticos corruptos que todos o são. Eu prefiro mil vezes a democracia, mesmo com corruptos, que a ditadura que aparentemente não os tem.

Quem sempre viveu em democracia, com todos os seus defeitos, não sabe o que é uma ditadura. Eu vivi-a na pele e sei. Tiananmen foi o cúmulo da brutalidade contra gente indefesa. Milhares de mortos, sem consequências para os assassinos. Eram bom que pensássemos nisto.

 

 

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publicado às 22:47

Barbárie e hipocrisia

por Naçao Valente, em 04.11.11

altavolt.blogspot.com

 

As execuções na idade média eram um espectáculo público. O tribunal da inquisição contribuía com o seu poder discricionário para a generalização de condenações que pelo fogo libertavam o mundo de almas pecadoras. Multidões condicionadas assistiam a estes actos de terror com a mesma naturalidade com que batiam com a mão no peito nas missas dominicais.

 

Muita água correu até ao grande oceano do humanismo que extirpou esta barbárie da civilização ocidental, onde se inculcaram-se progressivamente os valores da tolerância e do respeito pela vida humana. E com excepção de alguns períodos revolucionários e transitórios o humanismo ganhou maturidade na mentalidade e na consciência dos cidadãos.

 

Hoje a Inquisição e a sua prática hedionda é condenada até pela própria igreja que a criou. Sabemos que a violência contra cidadãos inocentes ou culpados continua a ser usada como resultado da parte mais negra da natureza humana, especialmente em situações de perseguição e guerra. Acredito que mentes tortuosas ainda se deleitem com tais barbaridades. Mas enoja-me que seja a comunicação social globalizada que leve até ao conforto das nossa casas, em tempo real ou quase, execuções institucionais ou sumárias dos tempos contemporâneos.

 

Refiro especificamente o espectáculo bárbaro e aviltante da execução de Kadafi. Terá sido um ditador sanguinário. Será responsável por muitas mortes. Carregará o sangue de inocentes. Num estado de direito existem formas até mais exemplares de  castigar os criminosos políticos. E se é condenável o acto em si e a passividade a hipocrisia dos políticos mundiais com a democracia ao pé da boca(apenas?), mais condenável é o aproveitamento feito pelas televisões com o intuito de conseguir mais uns pontos de audiência. Porque o acto e a sua divulgação são sinónimo de um retrocesso civilizacional que, paradoxalmente, apenas serve para justificar a continuidade de regimes sanguinários. 

 

MG

 

 

 

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publicado às 20:12




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