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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

A minha pátria é a língua portuguesa, escreveu Pessoa. Com efeito, a língua é uma componente indissociável da nacionalidade. Com ela nos entendemos num vasto espaço geográfico, que ultrapassa as fronteiras originais. Com ela expressamos sentimentos e pensamentos. E muitos o fizeram ao longo de oitocentos anos. Palavras que encheram páginas manuscritas e impressas. Prosadores e poetas que mantiveram com a língua uma intimidade permanente. Páginas onde se inscreve a nossa memória colectiva. Textos onde está o ADN que nos caracteriza como uma nação secular. A língua e a portugalidade caminharam sempre lado a lado. Sem o seu contributo é impensável imaginar a nossa autonomia. Libertamo-nos da hegemonia castelhana, com a língua a autonomizar-se da sua matriz latina e das suas variantes peninsulares. Faz hoje oitocentos anos que foi escrito o primeiro documento em português. Depois, muitos outros se foram fazendo. Depois, cresceu e tornou-se adulta, ganhou asas e voou, com a ajuda de grandes mestres. Lembro apenas alguns a título de exemplo: D. Dinis, Fernão Lopes, Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda, Gil Vicente, Camões, António Vieira, Garret, Camilo, Eça,  Pessoa,Torga. E muitos, muitos outros. Hoje, continua viva como sempre. E nela se expressam milhões de falantes em todo o mundo. Oitocentos anos é muito tempo, mas quase nada na vida de uma língua que ganhou a imortalidade.  

 

MG

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