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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

O escritor catalão Ruiz Zafón criou no seu universo ficcional o cemitério dos livros esquecidos, situado numa Barcelona mítica do século passado. Nesse local, vivem os livros que desde o princípio da escrita foram sendo guardados para que, ironicamente, não se percam no esquecimento eterno. Os convidados a visitar essa estranha biblioteca, assumiam o compromisso de não denunciar o seu paradeiro e de se responsabilizarem por um desses livros.

 

Quando entro na feira do livro de Lisboa, sinto-me um personagem de Zafón numa visita ao seu cemitério dos livros esquecidos. Ali repousam milhares de livros. Muitos são figuras mediáticas de grande visibilidade, mas outros, tantos, estão completamente esquecidos, naquelas prateleiras, à espera que que alguém se lembre deles. Pois, há livros que, também, desesperam na sua solidão. E do silêncio das suas palavras mudas, clamam pelo carinho de algum passante. Choram, em silêncio, lágrimas de tinta. É certo que a maioria passa indiferente ao sofrimento dos livros esquecidos, quando não indiferente aos livros em geral. Outros visitantes fixam-se nos tops e nos livros, transitoriamente,  privilegiados, da galáxia de Gutenberg.

 

Um amante de livros, de todos os livros, não pode fazer descriminação. De uma forma ou de outra, todos tem em si um pouco da aventura humana de que somos herdeiros e continuadores. Essa memória que, apesar de momentos de descrença, nos faz acreditar que a utopia é possível. Admiro-os sem excepção e procuro prestar-lhe a minha homenagem e o meu reconhecimento. É, também, para isso que ali vou. Sem excepção, envolvo-me com todos eles. Mas pelos abandonados a uma letargia forçada, tenho um carinho especial. São muitos e não posso mimá-los a todos. Contudo, vou dando o meu contributo: pego-lhes com cuidado, folheio as suas páginas amareladas pelo tempo, recupero por breves momentos palavras, frases adormecidas, e sinto que ficam felizes. Depois ,interesso-me por algum (ou será ele que se interessa por mim?) e resgato-o da sua penumbra. 

 

Até ao próximo dia 15 de Junho os livros esperam por si no parque Eduardo VII.  Aguardam a sua visita. E se puder, retire pelo menos um do esquecimento, ou então evite que outros sejam colocados na marginalidade.

 

MG. 

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