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Museu do Cinema

por Naçao Valente, em 01.04.16

 

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Nos tempos do preto e branco, quando a NET nem sequer era uma miragem, havia na RTP um programa chamado Museu do Cinema. O cineasta António Lopes Ribeiro falava do cinema do tempo do mudo, com inteligência e humor, e o pianista António Melo acompanhava ao piano com música improvisada, as fitas seleccionadas. Lopes Ribeiro com a sua erudição, dava uma lição de cinematografia e calava-se para dar a palavra a Melo, que preferia substituir as palavras ditas pela mensagem sonora, construída pela simbiose entre os dedos e as teclas, para dar sentido às imagens. Mas espicaçado por Ribeiro " Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores" para mostrar que também falava, despedia-se com um "boa noute".

 

No tempo de diversidade e democracia mediática, de redes sociais abertas à vox populi, não há cão nem gato que não bote sentença sobre o que sabe, mas sobretudo sobre o que alguma vez saberá. Neste mundo maravilhoso, fazem-se amizades planetárias, trocam-se beijos e abraços etéreos, com desconhecidos amigos, rompem-se barreiras físicas, trocam-se mensagens de gostos, preferências, ficções pessoais.

Há louváveis excepções num mundo onde impera a ausência de civismo. Mais que opiniões, insultos. Mais que debate, arrogância, mais que esclarecimento, ignorância. Mais que  razão, disparate. Um big brother nivelado pelo primarismo. Que saudades do Museu do Cinema onde falava quem tinha alguma coisa para dizer e musicava quem sabia musicar. Para todos os que com humildade não incham de soberba, e não sobem acima do seu chinelo, uma "boa noute".

MG

 

 

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publicado às 22:16





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