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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Vivemos numa Páscoa permanente. O senhor dos Passos continua na sua caminhada para o calvário. Mas ao contrário de há dois mil anos em que o Senhor carregou os pecados da humanidade e por eles foi sacrificado, este senhor carregou-nos a todos com uma cruz que vamos arrastando penosamente. Pôs na nossa cabeça, não na dele, uma coroa de espinhos. Obriga-nos a caminhar exaustos debaixo do chicote dos seus centuriões. Humilha-nos com a hipocrisia dos seus fariseus. Pilatos no seu palácio de Belém lava as mãos. Quando chegarmos seremos crucificados sem apelo nem agravo. Só ainda não percebi onde cabe tanta cruz. Este senhor Passos não é o Messias anunciado. Antes pelo contrário. É um falso Messias, um anticristo. Não veio para salvar a humanidade mas para a destruir.

Ao contrário de Jesus que se sacrificou para salvar o mundo o senhor Passos e os seus fariseus, sacrificam-nos para salvar os mercados. Merecemos. Cometemos o pecado da gula, embarcamos na barca da luxúria, ousamos querer viver bem, acreditamos no fim da pobreza e na morte da exploração.Pretendemos ter boa educação, ter direito à saúde universal e gratuita. Pecamos contra os omnipotentes mercados. Temos de ser castigados. Temos de cumprir mil penitências. Os sacerdotes dos deuses da usura (governantes) e os seus acólitos (comentadores castrados) fariseus dos novos tempos, vergastam-nos a cada dia que passa com maior violência. Espremem-nos a seiva da vida. E nós pecadores confessos batemos com a mão no peito, mea culpa mea culpa. Somos os cordeiros pascais deste mundo de exploração sem regras.

Ao fim de quatro anos de cativeiro, como messias renascido, prometem-nos uma terra de pão e mel. E ainda há quem acredite? Dos pobres de espírito será o reino dos céus. Uma boa Páscoa para os homens de boa vontade.

MG