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Parêntesis IV (porque hoje é domingo)

por Naçao Valente, em 29.01.12

Este parêntesis não está fácil. Deu-me uma estranha apatia (sem explicação) mas perfeitamente inserida na apatia geral que domina o país. Foi aí que algo me disse: reage rapaz (rapaz é apenas uma força de expressão) e aproveita o dia e este sol radioso, esta luz fantástica, dá corda aos calcantes, enfia a boina basca para dar estilo (embora feita na bela Galiza) e usufrui desta bênção da natureza. É isso mesmo, de apáticos (e talvez até de  incompetentes) está o governo cheio e não me quero confundir com essa gente. Atirei-me então à liberdade das ruas, à beleza da arquitectura, à leveza da fumaça diesel dos carros apressados, mas por pouco tempo. Uma brisa discreta  que me fez lembrar Rui Veloso (para mim hoje é Janeiro está um frio de rachar) começou a enregelar-me e aí sem mais nem porquê vi-me no ambiente acolhedor de um Corte Inglês (assim não podem dizer que é publicidade).

 

Ainda pastei os olhos pelos livros, ainda me cruzei, fugazmente, com a Anatomia dos Mártires de João de Tordo (com a martirizarão colectiva que para aí vai não é aconselhável) mas a minha atenção prendeu-se nos cartazes dos filmes em exibição. Perdido por cem perdido por mil. Porque não acabar o dia no escurinho de uma sala de cinema embrenhado no mundo das ilusões (o real só nos traz tristezas). Começa então a angústia de escolher a fita entre tanta oferta. Estive vai não vai a ir à "minha semana com Marilyn" o  que até  não seria mau, mas pouco provável ( numa próxima encarnação tendo ela recuperado aquela beleza inocente e sendo eu premiado com um embrulho mais atraente, quem sabe) . Depois ainda me entusiasmei pela "gruta dos sonhos" (convém esclarecer que não é sobre erotismo, mas sobre um passado longínquo e preso nas paredes de uma gruta) mas seria mergulhar no tempo mítico da pré-história quando a humanidade ainda dava os primeiros passos na aquisição da inteligência( e como há muitas parecenças com os dias que correm não me pareceu adequado).  

Adiante que se faz tarde e tenho de acabar esta crónica. Acabei a ver "Ano novo, vida nova, comédia romântica que é uma celebração do amor, o perdão, a esperança, as segundas oportunidades e os recomeços, em histórias entrelaçadas de casais e de solteiros" (coisas que só acontecem no cinema, graças a Deus). Diverti-me, apesar de não conseguir ver a história plenamente. Acontece que à minha frente estava um casalinho de roedores de pipocas, mais interessados nas ditas e em trocar mimos, do que  em ver o que se passava no ecrã. Houve até uma altura, em que os seus braços se descoordenaram, choveram pipocas pela sala e por pouco não fui atingido( pelas pipocas, não pelos mimos (isso enfim)). "En fim" um espectáculo dentro do espectáculo. Até foi bem feito, por acreditar em sugestões de "algo" e não ficar na doce apatia do lar. Estava escrito que este seria um parêntesis difícil e ninguém foge ao seu destino.

MG

 

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publicado às 21:49

Música

por Naçao Valente, em 11.07.11
Notas iniciais de Rhapsody in Blue.

 

 Quem não conhece esta cena do filme Um americano em Paris? Ganhou com toda a justiça direito a figurar nos anais do cinema. E representa uma época áurea da chamada sétima arte, quando esta arte da evasão e do entretenimento era um espectáculo colectivo com capacidade de reunir pessoas num mesmo espaço para dar corpo ao sonho e à fantasia.

 

Foi protagonista desta fita Gene Kelly conhecido pelos seus dotes de representação. Mas nem todos devem conhecer o compositor desta música e de muitas outras composições quer na área do musical, quer o campo da música clássica. Trata-se de George Gershwin, nascido Jacob Gershowitz, (Brooklyn, Nova Iorque, 26 de setembro de 1898Hollywood, Califórnia, 11 de julho de 1937), simplesmente.

 

Gene Kelly- I'm singing in the rain

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publicado às 23:24

Ficções:cinema e psicoterapia

por Naçao Valente, em 29.04.11

intratecal.wordpress.com

 

Hitchcock,o mestre do cinema de suspense nasceu no dia 13 de Agosto de 1899 na Inglaterra e morreu, no dia 29 de Abrilde 1980, aos 81 anos de idade, em Los Angeles. Entre suas obras, estão clássicos como Festim Diabólico (1948), Janela Indiscreta (1954), O Homem que Sabia Demais (1956), Um Corpo que Cai (1958) e Psicose (1960).

Notícias terra

 

 

  Hitchcock mais do que um mestre do cinema de suspense, foi um mestre do cinema: pela sua capacidade de ficcionar a realidade e a própria irrealidade; pelo engenho de prender a um ecran o espectador/actor da rotina do quotidiano, da puta da vida; pela arte de proporcionar emoções virtuais procuradas e controladas.  

 

Ao contrário da realidade real, da fome, da exploração, da desgraça,da injustiça, a ficção cinematográfica permite ao cidadão libertar no ambiente protegido de uma sala escura, os seus medos, as suas frustrações, os seus desencantos. E essa psicoterapia colectiva e bastante económica é uma benesse que devemos aos grandes mestres da 7.ª arte.  Hitchcock que  hoje recordo e homenageio é um deles. 

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publicado às 16:43

Museu do cinema

por Naçao Valente, em 22.04.11

Nos tempos do preto e branco, quando a NET nem sequer era uma miragem, havia na RTP um programa chamado Museu do Cinema. O cineasta António Lopes Ribeiro falava do cinema do tempo do mudo, com inteligência e humor, e o pianista António Melo acompanhava ao piano com música improvisada, as fitas seleccionadas. Lopes Ribeiro com a sua erudição, dava uma lição de cinematografia e calava-se para dar a palavra a Melo, que preferia substituir as palavras ditas pela mensagem sonora, construída pela simbiose entre os dedos e as teclas, para dar sentido às imagens. Mas espicaçado por Ribeiro " Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores" para mostrar que também falava, despedia-se com um boa noute. 

 

No tempo de diversidade e democracia mediática, de redes sociais abertas à vox populi, não há cão nem gato que não bote sentença sobre o que sabe, mas sobretudo sobre o que alguma vez saberá. Neste mundo maravilhoso, fazem-se amizades planetárias, trocam-se beijos e abraços etéreos, com desconhecidos amigos, rompem-se barreiras físicas, trocam-se  mensagens de gostos, preferências, ficções pessoais . 

 

Passos Coelho mostra ser um produto destas tecnologias socráticas, de abertura a horizontes alargados, de dar à luz espíritos prisioneiros de horizontes fechados. Magistral o seu discurso de cordeiro pascal, em tempo de amêndoas amargas. Magistral a singela mensagem de "boa Páscoa" da sua cara-metade, possivelmente no cumprimento do plano traçado "Ó companheira diz lá boa Páscoa aos senhores votantes".  É o regresso do cinema de museu virtual a criar imagens para memória futura. Há alturas em que as palavras pesam como chumbo e o silêncio é de ouro. Boa noute e boa Páscoa.

 

 

MG

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publicado às 16:49

Remakes

por Naçao Valente, em 14.03.11

Na arte de entretenimento que é o cinema há, de uma forma geral, a preocupação de construir filmes que nos evadam das amarguras do quotidiano. Quanto mais irreais e encantatórias são as fitas mais sucesso comercial conseguem. Algumas, graças ao seu êxito, ganham até direito a remake mas, uma ou outra excepção, as imitações são inferiores ao original.

 

Na arte política que é a governação, também existe a tentação de ficcionar a realidade , seja qual for o quadrante que  tem o poder, para manter os cidadãos alegres e despreocupados. Ser político é ser também um bom actor, quer é o mesmo que dizer, convincente. Aqui como no cinema corremos o risco de aparecerem remakes, às quais é preciso estar atento, pois como na sétima arte, as imitações são, geralmente, piores que o original.

 

Zé Cavaco

 

A moral deste conto
vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar

 

Sérgio Godinho

 

 

 

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publicado às 19:06

Rua da saudade: a preto e branco

por Naçao Valente, em 02.02.11

 

Na década de 50, quando a vida na televisão era a preto e branco,quando a vida no país real era mais preta que colorida, as camionetas do SNI, conhecidas nas aldeias e justamente, como propaganda, percorriam o país oferecendo às populações diversão e paternalismo. Paternalismo de um Estado que queria mostar que  se preocupava com as suas gentes. Levavam, geralmente, filmes ideologicamente inócuos, simples, divertidos ou a puxar ao patriotismo.

 

Joselito, prodígio espanhol na arte das cantorias, ícone popular do período áureo do franquismo, é personagem de filmes de grande popularidade, especialmente entre a camada infantil. O Ministério da Cultura salazarista, com a sua máscara de protector e animador  das classes populares e da sua fidelização ao regime, distribui cinema gratuito pelas populações rurais mais afastadas dos centros de cultura. Os filmes de Joselito, faziam parte desse acervo cinematográfico do velho Estado Novo. Recordar é não esquecer, a história que fomos, a época que nos moldou. Recordar imagens e sons com Joselito.

  

  

 

 

 

 

 

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publicado às 21:39

Acção e emoção

por Naçao Valente, em 18.12.10

Há precisamente sessenta e três anos nasceu um dos maiores criadores de ilusões da chamada sétima arte. A sua primeira namorada foi uma câmara de 8 mm, com a qual  despertou para as primeiras emoções com imagens em movimento. No cinema assinou os maiores êxitos da cinematografia mundial. Quem não se lembra da ternura de ET, ou do dramatismo da Lista de Schindler, entre outros. Muitos espectadores não conhecem, porem, a sua primeira longa metragem, Duel (Um assassino pelas costas), um filme de acção e suspense que nos prende desde a primeira até à última cena. Pouco conhecido na sua filmografia é considerado um clássico. Aqui deixo a ficha técnica, uma breve sinopse e o link do filme:

 

 

Realização: Steven Spielberg Argumento: Richard Matheson
 
Com: Dennis Weaver, Eddie Firestone, Gene Dynarski, Tim Herbert, Charles Seel, Alexander Lockwood, Amy Douglass, Shirley O'Hara
Género: Acção, Thriller País: EUA 1971 (M/12)
 
Antes de se tornar famoso no mundo do cinema com tubarões, dinossauros e extraterrestres com saudades de casa, um jovem Spielberg dirigiu este thriller alucinante sobre um inocente condutor aterrorizado por um diabólico camião. Sendo a primeira longa-metragem de Spielberg "Um...

http://video.google.com/videoplay?docid=5370479393460637420#

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publicado às 22:13

O senhor cinema

por Naçao Valente, em 11.12.10

humorgrafe.blogspot.com

 

Podemos não gostar dos seus filmes por achar que lhes falta acção. Podemos não nos empolgar com as suas histórias algo intimistas. podemos aborrecer-nos com os seus longos planos. Mas o certo é que Manoel de Oliveira é o senhor cinema.

 

Embora a origem do cinema português se encontre no século XIX com Aurélio Paz dos Reis,  o início da ficção cinematográfica começa com a curta metragem, O rapto da actriz, realizada em 1907. Manuel de Oliveira nasceu em 1908 e completou cento e dois anos, aproximadamente os mesmos que a ficção cinematográfica em Portugal e nesse sentido confunde-se com a sua história.

 

 Quando em 1942 se estreou Aniki Bobo, um fracasso comercial na época da sua estreia, mas que viria a transformar-se num clássico do cinema, o realizador experimental não passava de um ilustre desconhecido. A sua persistência resistiu a altos e baixos. Paulatinamente e sem vedetismos foi impondo o seu estilo, alheio a preocupações, rejeições e críticas.

 

 A sua longa carreira está recheada de filmes e documentários reconhecidos mundialmente. Quando Oliveira o mais velho realizador em actividade, fechar a lente da sua câmara, a máquina de produzir ilusões continuará com outros protagonistas, mas a sua obra é desde já  um marco na cinematográfica mundial. Longa vida ao centenário mestre e à sua Singularidade. 

 

 

 

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publicado às 22:40

A última cena

por Naçao Valente, em 30.11.10

Mário Monicelli tem a sua vida ,que hoje terminou aos 95 anos, ligada ao cinema italiano do pós-guerra. Mestre da "comédia à italiana" realizou filmes que são clássicos do período áureo do cinema transalpino.Trabalhou com grandes actores e actrizes e ganhou vários prémios. Pelo que nos fez pensar, pelo que nos divertiu, merece ser lembrado, através de cenas de alguns dos seus filmes, como Casanova 70 ou Os Meus Amigos...

 

 

 

 

 

 

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publicado às 22:16

Liberdades

por Naçao Valente, em 26.11.10

No ano 1942 o  mundo estava a ferro e fogo. A Alemanha nazi  estendia os seus tentáculos até ao continente africano. A resistência ao totalitarismo lutava em todas as frentes para restabelecer a dignidade dos povos oprimidos. Longe do palco sangrento  do conflito,  a máquina de criar ilusões  adapta para a tela a peça teatral de MurraY Burnet e Joan Alison, Casablanca.  Tendo como pano de fundo a antecâmara do inferno nazi e como ingredientes uma bem doseada mistura de romance, humor ,intriga e suspense, Casablanca estreado em 26 de Novembro de 1942 no Hollywood Theater de Nova Iorque , ganhou vários prémios e é hoje considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. Aqui o recordo como uma das expressões mais positivas do homem , a que genericamente se chama arte e uma das suas mais generosas características: a luta pela liberdade.  

 

 

    

 

 

Em 1807, a libertária França no seu desvario imperialista, invade um pequeno e secular país, situado na periferia do continente europeu. Não para o libertar mas para o oprimir. É certo que esta invasão não é mais que um episódio de um conflito entre potências, França e Inglaterra, pelo domínio da Europa. E é esse facto que justifica a ocupação e  que vai também facilitar a libertação. Com efeito no dia 26 de Novembro de 1807, a corte portuguesa parte para o Brasil, a fim de preservar a soberania nacional. Esta atitude, tantas vezes injustamente criticada, permite manter a independencia do país, ao mesmo tempo que  cria as condições para expulsar os franceses de Portugal. A liberdade que aqui esteve em causa, acabou mais uma vez por sair vencedora. 

 

 

 

 

MG

 

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publicado às 19:26




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