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Amor às livrarias

por Naçao Valente, em 29.01.18

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 Livraria Lello, um local de culto, com o seu altar. Imagem NET.

 

Na aldeia onde eu nasci não havia livrarias, mas havia livros. Na casa do meu avô, alguns, na pequena biblioteca da escola, mais alguns, na biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, muitos mais. Foi aí que começou a minha relação com os livros, sempre aberta, curiosa, expectante.

Nem nas pequenas vilas concelhias as livrarias eram vulgares. Quando muito, havia papelarias que vendiam alguns livros. Se quisesse entrar numa livraria tinha de ir a uma capital de distrito, onde existia uma ou outra. Mas livrarias de grande dimensão só se mantinham nas maiores cidades. Assim o contacto com os livros não era nada fácil.

Apenas quando passei a residir na capital do país é que tive oportunidade de ter acesso a uma livraria digna desse nome. No entanto, nessa altura as livrarias eram muito diferentes do que são hoje. Mais intimistas, mais personalizadas. Recordo as da baixa lisboeta, algumas já desaparecidas. Recordo os velhos alfarrabistas. Recordo a antiga Barata nas avenidas novas.

Hoje, os livros, ganharam carta de alforria e estão ao alcance do leitor nos ditos supermercados, em convívio com detergentes, bolachas, ou bebidas. É aí que melhor sobrevivem à escassez de locais próprios de venda. Mas, para mim, o encontro com livros continua a ser nas livrarias. E embora elas se insiram nos grandes espaços de consumo, continuam a fazer-me o apelo de sempre. Ali começa o meu encontro com o livro, o primeiro bate-papo, que muitas vezes acaba em união de facto, quando o trago comigo como um amigo para a vida. Ali me perco e me encontro, nas páginas de um livro aberto.

A livraria é como a igreja para o crente. Um local de culto ao saber, preso no papel impresso, mas ao mesmo tempo livre para ser descoberto por qualquer leitor interessado. Uma religião aberta, sem dogmas, sem credos, tão livre, como o livre pensamento.

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publicado às 19:25

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 Vivemos tempos estranhos. A democracia, que permitiu, ao povo decidir com o seu voto o exercício do poder político, está a ser desvirtuada pelo poder judicial. Nos dias que correm temos visto os juízes exercer um poder que não lhes pertence para condicionar a livre escolha dos cidadãos.

O caso mais paradigmático está acontecer nesse grande país chamado Brasil. A destituição de uma Presidente democraticamente eleita pelo poder, algo discricionário de juízes, devia alertar-nos para a perversão do sistema democrático. Em relação à destituição referida não ficou provado qualquer ilícito. O que ficou provado foi que uma maioria de deputados de direita, de conluio com os seus aliados no sistema judicial, deu um golpe antidemocrático para tirar a esquerda do poder, e colocar no seu lugar a direita, na pessoa, essa sim corrupta, de Temer, um personagem sem alma.

O que se está a passar com Lula vai na mesma linha. Com maioria nas sondagens, está proibido de se candidatar, ou seja, de ganhar. Lula foi um bom Presidente, melhorou a situação económica e diminuiu as enormes desigualdades sociais, actuando na repartição da riqueza, com prejuízo para os poderosos interesses económicos. Essa é a explicação mais plausível para justificar a perseguição que a direita lhe faz, afastando-o da política. Aquilo de que é acusado, parece não passar de uma cabala. O poder judicial, deitou às urtigas a isenção e está claramente, ao serviço do poder da direita política.

No Brasil, até ver, passou a fase do poder na ponta da espingarda. Em seu lugar levanta-se outro poder, também antidemocrático, que é o poder discricionário dos homens de toga, que não possuem para o efeito qualquer legitimidade democrática. Usando o seu poder para inventar provas, para acusar, para condenar, estão a criar uma República de Juízes, à margem do sistema democrático. O que existe no Brasil já não é uma democracia é uma juriscracia. O seu objectivo é claro, afastar de vez a esquerda do poder. Eliminando politicamente todos os candidatos com hipóteses de vencer, a perpetuação da direita, e da exploração, está garantida. O Brasil está a caminho de ser de novo um estado Totalitário, perante alguma indiferença dosdemocratas.

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publicado às 21:29

Conversas na livraria, com o meu outro Eu.

por Naçao Valente, em 27.01.18

Durante o tempo em que aqui pouco escrevi, não fiquei numa espécie de sono expectante, à espera que alguma musa me acordasse. Não acredito muito em musas e se, acaso, existem, têm muitas solicitações. Fui escrevendo, noutros espaços, nomeadamente no "escritartes" um site de literatura. Desse período recupero o texto que a seguir publico.

 

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 Para o leitor compulsivo entrar numa livraria é como para o crente religioso entrar na sua igreja. Com respeito e devoção. Percorro os altares, no caso prateleiras, Presto veneração aos santos, ou seja aos livros e aprecio os milagres que fazem na mente dos fiéis, os seus leitores. De quando em vez arranco um livro à pasmaceira do seu dia-a-dia e trago-o comigo, porque livro gosta de ser folheado e de partilhar com o leitor a sua intimidade. Acredito que livro sem leitor vive triste e aborrecido.

Depois da minha visita às estantes e de tirar do seu sono um ou outro exemplar, faço a minha opção, vejo se nos sentimos bem um com o outro e dirijo-me ao altar, digo caixa, para concretizarmos a relação, sempre por intermédio de um sacerdote ou sacerdotisa, a quem pago os respectivos emolumentos. Mas hoje, antes de me decidir, assolou-me o espírito uma dúvida que precisei de esclarecer. Dirigi-me à menina da caixa, que verdade seja dita, estava a concluir um contrato com outro cliente, Mas a minha questão era simples, coisa de sim ou não e arrisquei perguntar, infringindo a cerimónia em curso. A rapariguinha olhou-me de soslaio e disse: -“aguarde, pois estou a atender este senhor”.

Amochei. Que mais podia fazer. Eu sou prático e não gosto de complicar. Eu não, mas o meu outro eu, um pouco mais rebelde, e que vive escondido dentro de mim, logo começou a especular. –

“Mas porque carga de água esta pitonisa de tranças pretas, não me diz sim ou não, obrigando-me a ficar a secar sem necessidade? Vendo as coisa pelo prisma que me é favorável, se calhar engraçou com os meus lindos olhos e quer-me manter aqui em observação. Mas vendo as coisas do avesso, como numa pirâmide invertida, pode querer castigar-me por ousar interrompê-la no seu mister. Até me imaginei a captar o seu pensamento:-“aguente aí ó cota atrevido. Já tem idade para aprender a respeitar as precedências e a esperar pela sua vez." Lucubrações do outro eu,, que o eu este, ficou firme a fazer papel de sonso.

Passado algum tempo, o tal que vive escondido atrás das aparências, deu de frosque e foi refugiar-se nas páginas de um livro que, ao menos, esse nunca o contesta. Quem deu a vida ao livro refúgio, foi o escritor Mário Vargas Llosa de quem aprecio a arte de bem pensar e melhor dizer. Estava ali um exemplar, meio oferecido, a fazer-me olhinhos, por acaso, o que roubou a virgindade ao escritor e que ainda não li. E diz-se, na galeria dos lugares comuns, que não há amor como o primeiro, nem luar como o de Janeiro. Mas isso não sei porque, mês acabado, não lhe tenho posto a vista em cima.

Quem me pôs a vista em cima, ou melhor os “olharápios”  pintados de azul celeste, lindos, foi  a rapariguinha da caixa, que se aproximou sorrateira. –Peço desculpa. O que desejava? Que óptimo livro que está a observar, que grande escritor, adoro”! Pois, balbuciei, para logo ser interrompido pelo eu clandestino “o que tu queres, ó serigaita, sei eu, ou por outro penso que sei, o que não sendo idêntico vai dar ao mesmo. Vens-me agora com a tanga da conversa fiada, armada em gata , à espera que lhe façam festas que lhe  ericem o pelo”. Pois, senhorita tem muito bom gosto, consegui dizer antes do intrometido me embaraçar, de novo, o discurso de conveniência,

bom gosto? O que ela tem é um bom corpinho, nem muito gordo, nem muito magro, nem muito alto nem muito baixo. Na conta. Deixa-te mas é de literatices, ó palerma, afina o paleio e vê se a convidas para tomar um shope. Há tontas que se deixam levar por umas larachas pretensamente”  intelectualóides”.Aproveita. Não tens a vida toda."

-Então, mas qual era a dúvida? Insistiu a rapariguinha. –Nada, respondi, já está esclarecida. Vou levar este livro. Interessa-me. Tenho um fraquinho por este escritor, no que diz respeito à sua escrita, bem entendido.

“E também começo a ter um fraquinho pela senhorita, assim como uma chama que  começa a crescer, a crescer” acrescentou o eu alternativo.

O que vale é que o bisbilhoteiro, só tem meios de pensamento, mas não tem formas de expressão, senão estava o caldo entornado. Paguei. Saí na companhia  dos "Cachorros" . A rapariguinha da livraria, com os seus olhos de mar, o seu corpo de sereia, o seu sorriso de onda enrolada, ficou na livraria com o meu eu escondido. O que se passou depois não sei. O que sei é que fiz o meu papel de cronista do

 cota-diano..

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publicado às 19:45

Ao sul somos Nação Valente

por Naçao Valente, em 26.01.18

 

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Os tempos não são os melhores para os blogues. As redes sociais, mais visíveis, mais leves,com as suas listas de amizade, prendem, a atenção dos navegadores da Net. Por essa razão, entre outras,este blog tem estado em modo de hibernação. Vai voltar, com um novo fôlego, cara lavada, e com a mesma linha de publicações, na medida do possível adaptada aos novos tempos. para se diferenciar de outros títulos, nomeadamente de colunas de opinião, passará a chamar-se, "Nação Valente, ao sul". Ao sul nascemos, ao sul vivemos, no sul habitamos como país e no sul nos sentimos bem.Assim será enquanto o mundo girar.

Para recomeçar, vamos dar música, mesmo a preceito e quem sabe por "encomenda". O cantor/poeta Sérgio Godinho acabou de lançar o novo album, ao qual deu o título "Nação Valente". Uma mera coincidência, mas todas as coisas têm o seu sentido, mesmo que pareçam não o ter. Pois então deliciem-se com a canção Nação Valente: "quero-te viva, afirmativa"

 

 

 

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publicado às 16:31

A prenda no sapatinho

por Naçao Valente, em 25.12.17
por Naçao Valente, em 24.12.11
 

A prenda no sapatinho

de manhã na chaminé

era um acto de fé

e a esperança no carinho

de um menino como nós

Com pais, irmãos  e  avós.

 

Não havia pai natal

nem pinheiro iluminado

e  nem dinheiro emprestado

para comprar o consumo,

pois no pequeno sapato

só cabia o mais barato.

 

E Jesus não era rico

mas um pobre solidário ,

que cumpriu o seu fadário

e com justiça divina

deu a todos por igual,

sem razão comercial.

 

Nasceu numa manjedora

nas estrelas anunciado

com júbilo e com agrado,

para apontar o caminho.

E com grande devoção

Cumpriu a sua missão

 

De manhã na chaminé,

nem pinheiro iluminado,

mas um pobre solidário

e que num acto de fé

e sem dinheiro emprestado,

nos deixava o seu agrado

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publicado às 21:57

Naquela leda e feliz madrugada

por Naçao Valente, em 25.04.17

 

Aquela estranha e leda madrugada
Cheia de esperança e de felicidade,
Vive e revive na nossa saudade
para ser sempre celebrada.

Levanta-se o país adormecido
Clama! Liberte-se a liberdade,
Pela força da razão, e da vontade,
Depois de anos e anos reprimida.

Nas ruas, corre caudaloso rio,
Em ondas de gente desvairada,
Mostrando o ancestral brio,

Da nação, há muito, enclausurada.
Batel, barco , nau, navio…
Naquela leda e feliz madrugada.

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publicado às 21:10

Fado dos Milhões

por Naçao Valente, em 27.02.17

milEnquanto os homens lutavam Com uma entrega total.
Outros homens conspiravam contra o novo Portugal.
Estas hienas que apertavam os garrotes da tortura.
Enquanto a democracia se distraia em ternura.
Estes homens que hoje saem da prisão em liberdade.
Cães que traiem , cães que rosnam E passeiam na cidade.

Que se passa? Então isto não é uma ameaça?
Ali andou mãozinha de reaça. Deixaram fugir mais oitenta e nove…
Que se passa? Então isto não é uma ameaça?
Ali andou mãozinha de reaça. Deixaram fugir mais oitenta e nove…
Fado de Alcoentre, Ary/Tordo


Que se passa? Então isto não é uma desgraça?
Ali andou mãozinha da gentaça? fugiram mais dez mil milhões…
Que se passa? Então isto não é uma vergonha?
Ali andou muita peçonha. Escaparam-se mais dez mil milhões…

A guita escapou-se para um qualquer paraíso.
O pobre país ficou ainda mais liso.
O fisco perplexo, fez um tímido  aviso,
Mas o governo estava perdido e indeciso.
Que merda

A grana raspou-se à socapa, com grande pinta.
O pagode distraído nem deu pela finta.
E por mais que o Paulo Núncio desminta.
Tem que haver alguém que o consinta
Que merda.

Quem foram os que cá dentro se calaram?
Quem foram os que de fora os ajudaram?
Quem foram os que sem piedade nos roubaram?
Por onde andam os que as leis, sem castigo, violaram?
Que merda!


Que se passa? Então não é uma pirraça.
Engana-se e bem a populaça. Dão à sola dez mil milhões…
Que se passa? Então isto não é uma chalaça.
Ninguém sabe o que se passa! E voaram dez mil milhões…

Ser comidos de cebolada é a nossa sina.
Somos vítimas de uma constante rapina.
Pró poder somos como uma grande mina.
Sempre a bombar para  alimentar a gente fina.
Que merda!

Estamos todos entregues aos abutres.
Não conseguimos dar-lhes com os butes.
Protegem-se todos os  ilustres.
Temos é que mudar de azimutes.
Que merda!

 

Que se passa? Então isto não é uma trapaça?

Andou ali mãozinha da reaça. Deixaram fugir mais dez mil milhões...

Que se passa? Então isto não é muita fumaça'

Andou ali mãozinha da reaça. Deixaram fugir mais dez mil milhões...

Fado dos milhões (José Mateus Gonçalves)

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publicado às 22:24

Eles comem tudo

por Naçao Valente, em 23.02.17

Passaram trinta anos que o cantor morreu. A sua obra fica. A sua vida é um exemplo de cidadania, ao serviço do seu país. Com a música como veículo, passou a sua mensagem, com desprendimento e entrega na defesa dos mais desfavorecidos. A denúncia da exploração esteve sempre presente nas suas canções. Sintonia entre o texto e a melodia.Eles comem tudo, os vampiros.

Passaram trinta anos e os vampiros estão ainda mais activos. A exploração do trabalho perdeu toda a vergonha. Eles comem, comem, querem comer cada vez mais. São insaciáveis. Em respeito por José Afonso, em sua memória, é preciso união  no combate pela dignidade humana. A luta tem de ser permanente, para não sermos devorados, porque eles comem tudo e não deixam nada.

 

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publicado às 23:58

A rapariguinha da livraria

por Naçao Valente, em 31.01.17

Para o leitor compulsivo entrar numa livraria é como para o crente religioso entrar na sua igreja. Com respeito e devoção. Percorre os altares, no caso prateleiras, Presta veneração aos santos, ou seja aos livros e aprecia os milagres que fazem na mente dos fiéis, os seus leitores. De quando em vez, arranca um livro à pasmaceira do seu dia-a-dia e consulta-o, porque o livro gosta de ser folheado e de partilhar com o leitor a sua intimidade. Acredito que livro sem leitor vive triste e aborrecido.
Depois da minha visita às estantes e de tirar do seu sono um ou outro exemplar, faço a minha opção, vejo se nos sentimos bem um com o outro e dirijo-me ao altar, digo caixa, para concretizarmos a relação, sempre por intermédio de um sacerdote ou sacerdotisa, a quem pago os respectivos emolumentos. Mas hoje, antes de me decidir, assolou-me o espírito uma dúvida que precisei de esclarecer. Dirigi-me à menina da caixa, que verdade seja dita, estava a concluir um contrato com outro cliente, Mas a minha questão era simples, coisa de sim ou não e arrisquei perguntar, infringindo a cerimónia em curso. A rapariguinha olhou-me de soslaio e disse: -“aguarde, pois estou a atender este senhor”.
Amochei. Que mais podia fazer. Eu sou prático e não gosto de complicar. Eu não, mas o meu outro eu, um pouco mais rebelde, e que vive escondido dentro de mim, logo começou a especular.


-Mas porque carga de água esta pitonisa de tranças pretas, não me diz sim ou não, obrigando-me a ficar a secar sem necessidade? Vendo as coisa pelo prisma que me é favorável, digo que se calhar engraçou com os meus lindos olhos e que me quer-me manter aqui em observação. Mas vendo as coisas do avesso, como numa pirâmide invertida, pode querer castigar-me por ousar interrompê-la no seu mister. Até me imaginei a captar o seu pensamento:-“aguente aí ó cota atrevido. Já tem idade para aprender a respeitar as precedências e a esperar pela sua vez".

.
Passado algum tempo o tal que vive escondido atrás das aparências, deu de frosque e foi refugiar-se nas páginas de um livro que, ao menos, esse nunca contesta. Quem o acolheu foi o escritor Mário Vargas Llosa, que aprecio na arte de bem pensar e melhor dizer. Estava ali um exemplar, meio oferecido, a fazer-me olhinhos, por acaso, o primeiro do autor e que ainda não li. E diz-se, na galeria dos lugares comuns, que não há amor como o primeiro, nem luar como o de Janeiro. Mas isso não sei porque, mês acabado, não lhe pus a vista em cima.
Quem me pôs a vista em cima, ou melhor os “olharápios” pintados de azul celeste, lindos, foi a rapariguinha da caixa, que se aproximou sorrateira. –Peço desculpa. O que desejava? Que óptimo livro que está a observar, que grande escritor, adoro”! Pois, balbuciei, para logo ser interrompido pelo eu clandestino


_o que tu queres, ó serigaita, sei eu, ou por outro lado penso que sei, o que não sendo idêntico vai dar ao mesmo. Vens-me agora com a tanga da conversa fiada, armada em gata , à espera que lhe façam festas que lhe ericem o pelo”.


-Pois, senhorita tem muito bom gosto, consegui dizer antes do intrometido me embaraçar, de novo, o discurso de conveniência.


“ Bom gosto? O que ela tem é um bom corpinho, nem muito gordo, nem muito magro, nem muito alto nem muito baixo. Na conta. Deixa-te mas é de literatices, ó palerma, afina o paleio e vê se a convidas para tomar um “shope”. Há tontas que se deixam levar por umas larachas. Aproveita. Não tens a vida toda.


-Então, mas qual era a dúvida? Insistiu a rapariguinha. –Nada, respondi, já está esclarecida. Vou levar este livro. Interessa-me. Tenho um fraquinho por este escritor, no que diz respeito à sua escrita, bem entendido.


“E também começo a ter um fraquinho pela senhorita, assim como uma chama que começa a crescer, a crescer” acrescentou o eu alternativo.


O que vale é que o bisbilhoteiro, só tem meios de pensamento, mas não tem formas de expressão, senão estava o caldo entornado. Paguei. Saí na companhia dos “Cachorros” . A rapariguinha da livraria, com os seus olhos de mar, o seu corpo de sereia, o seu peito de onda de surf, ficou na livraria com o meu eu escondido. O que se passou depois não sei. O que sei é que fiz o meu papel de cronista do
cota-diano.

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publicado às 20:05

Verdi, uma mensagem musical para a eternidade

por Naçao Valente, em 27.01.17

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (Roncole, nasceu em 10 de outubro de 1813 e faleceu em  27 de janeiro de 1901. Foi um simbolo do nacionalismo na Itália e grande compositor de óperas  no período romântico italiano. Deixou de viver fisicamente há 116 anos, mas continua a viver na sua música. As suas obras continuam presentes nos teatros de ópera. Alguns dos seus tema transcendem o mundo da música clássica e estão enraizados na cultura popular. Aqui recordamos o Coro dos Escravos Hebreus.

 

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publicado às 22:54




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