Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




E tudo o vento levou

por Naçao Valente, em 30.05.13

 imagem em olhares.sapo.pt

 

Quando as armas se calaram o império estava destruído. Por cima das cinzas começou a reconstrução. Inimigos recentes deram as mãos e prometeram um mundo novo. Um mundo de paz de harmonia, de cooperação. Ano após ano, década após década, renasceu a esperança, sob o lema da unidade e sob a égide da deusa Europa. Apenas uma ligeira brisa de leste perturbava, de quando em vez, a longa marcha para o progresso. Mas um muro separava as águas e mantinha seguro o rumo traçado com convicção e inteligência. A utopia parecia realizável.

 

Um tornado anunciado, que começou nas estepes, varreu o império de leste e derrubou a pesada cortina de ferro. O império ocidental rejubilou. Agora era possível unir os dois impérios, do Atlântico aos Urais e concretizar o paraíso de um mundo de justiça e de bem estar. Uma a uma, por vontade própria, as nações foram aderindo ao projecto da grande Europa. No meio da euforia, paulatinamente e com passinhos de lã voltou a velha Germânia, responsável por duas hecatombes recentes. Ninguém deu por nada. A memória é curta, mesmo muito curta.

 

De um dia para o outro começou o pesadelo. Os homens da reconstrução, calejados pela longa experiência de um apocalipse, deram lugar a uma nova geração de gente sem referências históricas. Filhos de uma prosperidade dolorosa, que não construiram, sem recordação da guerra e da fome, foram presas fáceis dos demónios do individualismo selvagem. Do salve-se quem puder. Da lei do mais forte. Deitaram, sem remorso, para trás das costas, décadas de esperança, de solidariedade, de união de povos e culturas. Ressuscitaram ódios, xenofobias, racismos. Hierarquizaram nações. Ex-derrotados do espaço vital estão aplicá-lo através do terror financeiro.

 

Isto já corre mal e se não for travado correrá ainda pior. O sonho da grande Europa de paz e sem fronteiras está a tornar-se num pesadelo. A apatia dos povos, a mentalidade do amanhã penso nisso, levará a uma nova saga de "tudo o vento levou". Escrito com letras de sangue. A voz das armas começa o ouvir-se em surdina!

 

MG 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:13


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.





Comentários recentes



subscrever feeds