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Dia D

por Naçao Valente, em 06.06.19

Há 75 anos aconteceu o desembarque na Normandia para derrotar o "nazismo/fascismo" que dominava grande parte da Europa. Foram longos anos de um domínio com consequências trágicas para os europeus.

Esse ajuda, vinda de fora. desequilibrou a relação de forças a favor da libertação dos povos dominados.Esse desembarque teve como consequência, pôr fim à repressão e levou à abertura do processo de regresso à liberdade e à democracia.

Depois de duas guerras mortíferas e destruidoras. Os dirigentes políticos perceberam, finalmente, que só haveria liberdade e paz na Europa com unidade de todos os europeus. Daí nasceu aquilo que é hoje a União Europeia, aí começou o mais longo período de paz e progresso.

Os políticos que aprenderam a lição e construiram a UE já estão quase desaparecidos. As novas gerações viveram num mundo livre, e não têm conciência do que é a ditadura. Por isso, podem cair na tentação de destruir o que tanto custou construir.

Hoje, em honra desta efeméride, devíamos reflectir sobre os nossos comportamentos. A democracia tem defeitos, mas ainda é a melhor via para a igualdade e para o progresso. A nossa participação é vital. Sem ela não há liberdade. Participar é a melhor maneira que temos de honrar  milhões de vítimas desses anos de ignomínia.

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publicado às 21:13

Tiananmen

por Naçao Valente, em 04.06.19

Faz trinta anos. Tinta anos que aconteceu Tiananmen. A nossa memória é curta e já esqueceu. Ainda bem que há quem nos lembre.

Tiananmen devia servir de exemplo para a diferença entre a ditadura e a democracia. É simples. Na democracia podemos protestar. Na democracia podemos manifestar opinião, e até, embora ache incorrecto, insultar os políticos. Nas democracias até podemos ser arrogantes, sem que isso traga consequências. Nas democracias podemos escolher.

Em Tiananmen lutava-se pela liberdade e também contra a corrupção. Sim, porque se todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe completamente. A corrupção, infelizmente, faz parte da natureza humana. E se, nas democracias, os corruptos ainda são colocados perante a justiça, nas ditaduras isso não acontece. 

Tiananmen devia fazer-nos reflectir. Sobretudo devia merecer reflexão dos que, nas redes sociais e por outras vias, clamam pela abstenção, pondo em causa a própria democracia. Deviam reflectir pelas generalizações abusivas. A corrupção é transversal a toda a sociedade. E não é por haver políticos corruptos que todos o são. Eu prefiro mil vezes a democracia, mesmo com corruptos, que a ditadura que aparentemente não os tem.

Quem sempre viveu em democracia, com todos os seus defeitos, não sabe o que é uma ditadura. Eu vivi-a na pele e sei. Tiananmen foi o cúmulo da brutalidade contra gente indefesa. Milhares de mortos, sem consequências para os assassinos. Eram bom que pensássemos nisto.

 

 

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publicado às 22:47

Os bons velhacos

por Naçao Valente, em 01.06.19

"Já não te quero
O meu nome é Camila, mas os meus amigos do “face” conhecem-me por Cam. Nasci no bairro do Aleixo há quinze anos. Acabei de entrar para um curso especial de alunos com dificuldades. O que eu queria mesmo era deixar a escola. Mas do mal, o menos. Neste curso, com currículos alternativos, é tudo mais manual e eu tenho boas mãozinhas e outras coisas que agora não vêm ao caso. Já não tenho de aprender aquelas merdas, que me ensinavam na Básica. Quero lá saber quem foi o gajo que inventou este país. Quero lá saber se se chamava Afonso e era de Guimarães. Dessa história, o que registei, foi a explicação que me deu a Sal isto é a Salomé, que deixou a escola (finória) e foi trabalhar como acompanhante para um bar alternativo. Dizia ela: “o Afonsinho de Guimarães f*deu a mãe em S. Mamede e depois meteu-a na “prisa”. Por isso não admira que este seja um país f*dido”. Outra coisa que me irritava era darem alcunhas às palavras. Para mim, batatas são batatas. Ponto. Tem lá algum jeito dizer, hoje vou comer um substantivo (batata) com outro substantivo (bacalhau). Bem fez a Sal, que se livrou dessas tretas, e ganha a vida a dar tanga a cotas com muita grana."

Extracto do conto "Já não te quero" , do livro "Os Bons Velhacos"

Dia 2 de junho, estou na feira do livro de Lisboa, às 16H, para assinar o livro.Pavilhão dos Pequenos Editores.

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publicado às 23:09




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