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Fado Português

por Naçao Valente, em 08.10.15

O regime salazarista caiu com o 25 de Abril. O salazarismo continua presente, porque salazarismo para além de um sistema político e económico é um estado de espírito inculcado na mentalidade nacional durante 40 anos. A humildade submissa, quase canina, a aceitação acrítica do destino, a crença em salvadores da pátria sem reflexão, a obediência incondicional sem indignação, a incapacidade de discernir entre caminhos alternativos, o analfabetismo funcional, fazem parte da herança ideológica do regime deposto. E estão bem vivos nos comportamentos políticos dos cidadãos. Foi fácil estabelecer e aplicar as normas de um regime democrático. Mais difícil é mudar as mentalidades que só a médio prazo podem ser alteradas.

Este espírito de submissão cimentado durante décadas explica, em parte, o resultado das eleições. Garantiu a sobrevivência da ditadura do Estado Novo, e permitiu que um Governo que fez recuar o país, económica e socialmente, para os finais do século xx, que desrespeitou direitos adquiridos com total insensibilidade, voltasse a ser eleito. Esta é a vitória do Portugal salazarento que se contenta com a sopa do Sidónio. Ou como escreveu Miguel Torga, é vergastado e depois ajoelha. Só a evolução longa das mentalidades permitirá que este povo viva em pleno a liberdade.

E o que é mais preocupante é que esse espírito continua a ser propagado pelos ideólogos de matriz salazarista, travestidos de democratas que pululam na comunicação social. Por isso não me espanta quando dizem que as escolhas do povo são sábias. Podem ser sábias, mas apenas enquanto expressão do reino da ignorância.

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publicado às 19:10

E agora António?

por Naçao Valente, em 06.10.15

O Partido Socialista partiu para as eleições legislativas após a eleição de António Costa como putativo vencedor. As sondagens apontava nessa direcção. Havia na opinião pública a convicção que Costa seria primeiro-ministro. Contra essas evidências foi derrotado. Vários factores explicam essa derrota: a ligeira alteração do ciclo económico, a resiliência do Governo e a sua bem organizada campanha, a incapacidade do PS em passar uma mensagem clara, a desvalorização do adversário. Seja como for o resultado das eleições voltou a instalar a instabilidade no PS.

Ao contrário da opinião dos comentadores António Costa não se demitiu. E fez bem. Deixar o partido sem liderança numa altura em que se tem de formar um novo governo e em que há eleições presidenciais para disputar, seria uma irresponsabilidade. Agora é o momento de agregar e não de dividir. De manter a unidade para que o PS possa negociar numa posição de força. Passada esta fase é necessário arrumar a casa. António Costa deve convocar o Congresso e abrir um processo electivo para clarificar a situação.  E aí decidir abertamente o que será melhor para o partido, tendo em vista a necessidade de alternância na governação de Portugal. E se para cumprir este desiderato for melhor a substituição de Costa esta deve fazer-se sem dramatismos. O próprio scretário-geral já admitiu que nunca será um estorvo no caminho do PS.

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publicado às 22:07

Votar é acto de cidadania

por Naçao Valente, em 04.10.15

Vivi quase trinta anos durante o regime salazarista. Até tinha direito a voto mas não o utilizava porque as eleições eram uma farsa. O voto era restrito e não havia liberdade para constituir partidos políticos. No último acto eleitoral organizado pelo regime, para dar um ar democraticidade, a oposição (CDE) sem acesso a divulgação da sua mensagem decidiu não ir às urnas.

O 25 de Abril estabeleceu em Portugal uma democracia parlamentar, onde qualquer força política pode concorrer a eleições e apresentar livremente as suas propostas. Tem concerteza defeitos, mas permite-nos a nós eleitores escolher os nossos governantes. É um poder que temos o dever de exercer. Se dele prescindirmos estamos a pôr em causa a própria democracia. E digo com conhecimento de causa que a ditadura é mil vezes pior. Quando se diz que todos os políticos são iguais, para justificar a abstenção, é preciso lembrar que há sempre alguns mais iguais que outros. Vamos pois votar. Não abdiquemos desse direito de cidadania.

MG

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publicado às 15:37

Reflexão

por Naçao Valente, em 03.10.15

Hoje é dia de reflexão. E muito temos que reflectir. Decerto sobre o nosso quotidiano pessoal em consequência de actos governativos dos últimos quatro anos. Mas para além disso temos que pensar que somos uma nação secular que se construiu com dificuldades e com muita determinação pessoal e colectiva. Nessa perspectiva, temos de considerar que o que está em causa é o nosso destino como país. Um país orgulhoso da sua história, com altos e baixos, mas disposto a defender a sua cultura e a sua identidade no contexto uma UE que procura criar cidadãos europeus de primeira e de segunda. À frente da governação tem de estar gente que saiba defender os interesses nacionais. O Governo que elegermos tem de garantir a defesa do Estado Social: a saúde, a educação, o apoio aos mais idosos, aos mais desfavorecidos, à formação profissional e cultural dos mais jovens. Tem de desenvolver condições para para unir e não desunir gerações. Tem que ser constituído por gente séria e de palavra que assuma compromissos e os cumpra. A decisão final é muito simples: ou queremos continuar com quem nos governou ou queremos  mudar de forma segura para um futuro de esperança. Para completar esta reflexão pessoal acrescento parte de um texto do escritor Baptista Bastos, publicado no Jornal de Negócios em 2/10/2015 e intitulado, Estamos Todos em Perigo:

 

"Nenhum órgão de comunicação nos adverte dos perigos que corremos, no caso de a candidatura de direita vencer. E mais acentuam as debilidades evidentes de António Costa, alvo e objecto de um cerco que também se ergue no seu próprio partido. Repare-se que só agora começaram a aparecer, nos comícios e nas “arruadas”, alguns dos próceres do PS, e que a Imprensa é extremamente hostil a António Costa. Seria bom que, no final da contenda, houvesse um estudo sociológico desta campanha, a fim de se aferir a integridade dos protagonistas. E, também, das alterações registadas em órgãos de comunicação; os saneamentos, as trocas de lugares e de funções.

A perturbadora manipulação a que temos sido submetidos faz lembrar, e não muito tenuemente, tempos antigos, de que muitos de nós ainda se lembram. Há uma poderosa ofensiva contra a inteligência e contra a revelação dos factos. Os programas das televisões parecem tratados de bestificação. O futebol, esse, está a todas as horas e a todos os instantes: antes, durante, antes e depois. E provoca comiseração ver jornalistas que nos habituámos a admirar e a respeitar predispostos a colaborar na infâmia, a troco de uns tostões miseráveis. Não esclarecem, não criticam, não advertem.

O que está por detrás de tudo isto é algo de tenebroso e de maléfico. É preciso e é urgente sacudir a ignomínia do nosso círculo. Estamos todos em perigo"

 

 

 

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publicado às 21:44

A opinião dos outros

por Naçao Valente, em 03.10.15

Amanhã mergulharemos em meditação.

 

Meditemos no imenso país desempregado, pobre, triste e entregue a si próprio, zangado consigo e com os outros, invejando os ricos e escondendo a penúria, regalando-se com o surdo boicote que faz aos políticos, aos patrões, aos comerciantes, ao Estado.

 

Meditemos nas nossas raivas e frustrações e naquilo que gostaríamos que fosse diferente. Meditemos nos nossos desejos e na nossa desresponsabilização, nos ombros caídos e na nossa reles desistência.

 

Meditemos no gesto simples e digno, a sós com a nossa consciência, força, desencanto e certezas que é votar.

 

Meditemos na nossa obrigação de contribuir para a solução. E com a satisfação de nos sentirmos úteis e de servirmos os nossos concidadãos.

 

Amanhã meditaremos na necessidade de votar e em quem vamos votar.

 

Amanhã meditaremos na decisão de domingo. Nas mesas de voto.

 

Blogue Defender o Quadrado

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publicado às 00:07

Portas da traição

por Naçao Valente, em 02.10.15

A vontade dos eleitores é fátua e inconstante (e manipulável, acrescento eu)

Mário de carvalho em "Conde de Frois"

 

É um lugar comum: as sondagens valem o que valem; a verdadeira sondagem é a da mesa de voto.Nesta campanha para as legislativas, a maioria dos estudos de opinião conhecidos, colocam a dita coligação PAF à frente nas intenções de voto. Com base nos resultados dos barómetros haverá, à esquerda, uma descida do PS e uma subida da extrema-esquerda. É esta projectada tendência à esquerda que me merece uma reflexão.

Corresponda ou não à vontade o que o eleitorado irá expressar no dia 4 de Outubro, este hipotético resultado, entronca, para além de virtudes e defeitos da campanha em três traições. Em primeiro lugar, saliento a abertura da porta da muralha Socialista ao adversário, pelo Bloco de Esquerda. Este partido radical assentou a sua principal estratégia no ataque ao PS e às suas propostas. Como partido parlamentar que nunca pretendeu, nem pretende, apoiar qualquer política governativa, pode apresentar as mais irrealistas medidas, porque sabe que nunca serão escrutinadas. O seu principal objectivo é crescer eleitoralmente. Para isso é irrelevante o resultado final das eleições. Nesta perspectiva sempre colocou o seu interesse de grupo aos interesses gerais dos cidadãos.

A CDU abre como sempre abriu mais uma porta que permita ao dito PAF continuar a ocupar a fortaleza. Basta estar atento à orientação da sua campanha, dando uma no cravo e outra na ferradura, ou uma na foice e outra no martelo, como se preferir. Nesta duplicidade a martelar, o alvo principal é sempre, mas sempre o PS. Como o seu homólogo do espectro esquerdista apenas lhe interessa manter a sua clientela unida. O país e o povo, com o qual enche a boca que se lixe.

A terceira traição encontra-se dentro da própria fortaleza. E é a mais hipócrita. É praticada pelos militantes do PS derrotados nas primárias que eles próprios promoveram. Silenciosa e subtilmente desejam que a coligação vença para fazerem o ajuste de contas. Sem mexer uma palha para ajudar Costa assistem ao decorrer .dos acontecimentos.

A abertura das portas da traição da fortaleza pode permitir ao invasor da dignidade dos portugueses, continuar a aplicar a sua política de austeridade com a mesma arrogância. E os traidores, que rejubilam, acabarão por ser esmagados enquanto força política com qualquer utilidade prática.  "Roma não paga a traidores" mas os portugueses poderão pagar bem caro, como já pagaram na última legislatura, a irresponsabilidades destes pseudo esquerdistas.

MG

  

 

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publicado às 16:19

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