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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

20 Set, 2015

A voz dos outros 2

"Num discurso, no Parlamento alemão, antes do Conselho Europeu, Angela Merkel condenou a decisão dos partidos da oposição de Portugal de não apoiarem o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) proposto pelo primeiro-ministro José Sócrates, levando-o a pedir a demissão.

"Lamento que não tenha havido uma maioria no Parlamento para apoiar o novo pacote de medidas", afirmou a responsável alemã.

É que os compromissos assumidos por Portugal no PEC IV fazem parte da estratégia da Europa para evitar crises futuras.

Para Angela Merkel, Sócrates foi "correcto" e "corajoso" ao levar as novas medidas de austeridade ao Parlamento português para votação."

Económico

 

PS Sem papas na língua. Ao contrário da narrativa da direita, toda esta austeridade troikiana podia ter sido evitada. Para recordar, quem derrotou o EC IV: PSD, CDS, PCP, BE.

20 Set, 2015

A voz dos outros

 

 

"Nem a simpatia nem a notoriedade poupam Assunção ao desgaste da governação. Mal a curta comitiva chega a uma rua pedonal, uma mulher desata aos gritos de “Ladrões!” e “Não andem a enganar as pessoas!”. O clima azeda. As duas candidatas, que noutras circunstâncias tentam ser pedagógicas e explicar as razões dos cortes, viram costas; outros elementos da campanha acusam a mulher de ser “ordinária” e até “socialista”... É um caso extremo. Também há pelo caminho quem prometa o voto (Leiria é terra laranja), mas são muitos os que se queixam, sobretudo pensionistas. “Ajude-nos”, diz Cristas a uma idosa. “De ajuda preciso eu, que me levaram cento e tal euros”, retorque a mulher."

Expresso

 

 

As eleições legislativas tem já um vencedor, o comentário. Os comentadores de todos os matizes dominam o debate político na comunicação social. Preenchem horas e horas de retórica composta de palavras ocas de sentido. Decidem os vencedores dos debates. Salientam pontos fortes e fracos. Avaliam prestações. Salientam frases fora do contexto. Interpretam sondagens.

E como se isto não fosse pouco entraram agora na discussão os juristas. E qual é a discussão fundamental? Saber quem é o vencedor: o que tem mais votos ou o que tem mais deputados. E qual a razão da discussão? O resultado de uma sondagem. Se não for ridículo é patético.

O que está em causa são coisas muito sérias. É a continuação de um caminho de retrocesso social ou a inversão desse caminho. É a política da mentira ou a afirmação da verdade. Passos e Portas mentiram e continuam a mentir com todos os dentes mesmo perante as evidências. E os comentadores, com uma ou outra excepção, salientam gaffes e fait divers, e omitem as questões de fundo. E não podemos exterminá-los?

 

A senhora côr de rosa, uma cidadã anónima, uma figurante da maioria silenciosa que dá corpo ao espectáculo do artista, apareceu na multidão da côr laranja. Aproximou-se da estrela e esta perante o olhar indiscreto das câmaras disponibilizou-se para mais um beijinho de uma fâ incondicional. No calor do entusiasmo avaliou mal. Com um pouco mais de sensatez e descernimento, teria visto que a senhora não era da sua côr. A não ser que seja daltónico, não confundiria rosa com laranja. E acabou por beber o sumo de uma laranja amarga.

Resultado de imagem para a senhora cor de rosaem um jeito manso.blogspot.com

 

A senhora tinha o papel bem estudado. Confrontar o senhor dos passos  troikados com o mundo dos piegas. Com duas ou três ideias simples-aumento de impostos, redução de reformas, extensão de taxas moderadoras-encostou o  senhor dos passos às boxes. O senhor, com a natural relação dialéctica que tem com a verdade ainda procurou (des)mentir a senhora. Em vão. E sem apelo nem agravo, levou KO (quer que vá buscar os recibos?) e acabou por saír, pela direita baixa, com os passos trocados.

A senhora deu a táctica e delineou a estratégia. Para vencer o senhor dos passos falsos é preciso evitar os "entretantos" (muitos números) e ir aos "finalmentes" (a degradação das condições de vida do pagode) porque mais facilmente se apanha um mentiroso que um coxo. A democracia da "polis" desceu à rua. Que venha para ficar.

MG 

Já vi abaixo assinados para salvar um cão perigoso, já assisti a campanhas para defender os piolhos e todo o tipo de viventes.Mas a uma subscrição para resolver a má gestão de bancos e a incompetência governativa nunca tinha assistido. No entanto, esta insólita proposta, teve a virtude de me esclarecer sobre o programa escondido da coligação PaF. Pela amostra, o programa resume-se a uma palavra simples: subscrição. Exemplificando: como se resolve o pagamento da dívida? Elementar: faz-se uma subscrição pública. E a sustentabilidade da segurança social? Simples: duplicam-se as receitas com mais uma subscrição. E o emprego?  Genial: criam-se empresas por subscrição pública. E podemos continuar até ao infinito. Subscrições para tudo: para o défice público, para o desequilíbrio da balança comercial, para a melhoria dos salários e até, pasme-se, para pagar o salário principesco do Doutor Catroga. Crise qual crise? Agora a solução está ao alcance do peditório. Institucionalize-se. Exporte-se.

Prometeu o céu e deu o inferno.Com a mesma cara de pau promete agora o purgatório. Mentiu e mente. Matou e esfolou a classe média, a medida de um país desenvolvido. Aumentou a pobreza enriqueceu os mais ricos. Regressou ao passado da emigração. Destruiu conscientemente centenas de milhares de postos de trabalho. Fez crescer a dívida pública. Quis ser o yes men da troika. Vendeu as jóias da coroa. Com a mesma indiferença que cortou salários e pensões, diz agora que os vai melhorar.

Assobia para o lado. Aos costumes disse nada. A culpa é sempre dos outros. Não assume nenhuma responsabilidade.No caso Bes enganou os depositantes garantindo a solidez do banco. Quando a bolha rebentou, sacudiu a água do capote. Montou uma engenharia financeira que acabará por cair na cabeça dos contribuintes. Entretanto, escondeu-se atrás do Banco de Portugal. Enquanto afunda o barco, grita aqui del -rei que são os piratas. Não tem vergonha na cara nem remorsos na consciência. Não está nem esteve na austeridade que destruiu a economia.Não teve nada a ver com o retrocesso na educação, nemcom a descapitalização do Sistema Nacional de Saúde. É um homem sem consistência, algures sem existência, um homem transparente.

MG

08 Set, 2015

A voz dos outros

 

Reprodução de um texto lúcido e assertivo, publicado no blogue "DEFENDER O QUADRADO"

 

"A marcação de jogos de futebol no dia das eleições é pouco recomendável.

 

Tudo tem sido muito pouco recomendável, de há 4 anos a esta parte - a actuação do governo, a irrevogabilidade de Portas, o colossal ministro das Finanças, a revolta do pastel de Belém, o nosso inexcedível Professor de Economia que ocupa o mais alto cargo da Nação, os jornalistas que se trocaram por mexeriqueiros incompetentes, a imparcialidade dos comentadores, a miséria medíocre e mesquinha das nossas elites, os jornais, a deseducação do Ministro Crato, o assistencialismo caritativo, a venda a patacos do Estado e dos serviços públicos.

 

Estamos todos a recomendar-nos outro País, outra capacidade de confiar, outra esperança no futuro. Precisamos de nos recomendar mais resistência, mais e maior força para chegar a 4 de Outubro. Desistir não é opção.

 

Para que possamos derrotar estes representantes pouco recomendáveis, que transformaram o nosso mundo num lugar pouco recomendável e nos recomendam que continuemos e que gostemos.

 

Não vale a pena compararmos António Costa a António José Seguro, como não vale a pena compararmos António Costa a Passos Coelho ou a Paulo Portas - não têm comparação possível.

 

Recomendemo-nos combater esta direita que nos encomenda as almas ao purgatório ressuscitada em 2011 ao ganhar as eleições. Não nos deixemos desanimar pela campanha de desinformação que nos enterra. A 4 de Outubro vamos votar e voltar a acreditar que há uma alternativa à pobreza, à descrença, à modorra assassina dos retrógrados."

Sofia Loureiro dos Santos

Se estivermos atentos à comunicação social  e procurarmos segui-la com distanciamento e espírito crítico temos de chegar a uma triste conclusão. A chamada comunicação de massas é um reality show( passe o estrangeirismo) permanente, informação incluída. Programas de debate sobre tudo e mais umas botas, debitam verborreia como especialistas de cátedra. Retórica de mestres da análise do real mais não fazem que construir ficções que nos transportam ilusoriamente para realidades paralelas.

A cereja em cima do bolo, a transmutação da informação em voyeurismo, é o que se está a passar com o acompanhamento do caso Sócrates. O que se passou há meses defronte da cadeia de Évora, implantou-se agora numa pacata rua de um bairro de Lisboa. Ali estão os abutres (não me ocorre outro substantivo) de garras afiadas, para devassar a vida alheia em todos os pormenores: o que veste, o que come, quem recebe. Se pudessem colocariam câmaras nos sítios mais recônditos para ver quantas vezes vai ao WC. Cheira mesmo mal. À falta de informação directa perseguem os visitantes de microfone em riste, filmam-nos sem respeito, abordam-nos como inquisidores.

Esta ditadura dos "media" não passa de um Big Brother em directo. O que está em jogo é conseguir mais um dígito de audiência, mais um minuto de publicidade, mais um euro na receita. O que se pretende é responder às solicitações de um mercado de consumidores de fait divers. Não passa de uma forma de exploração encapotada sobre cidadãos utilizados como matéria-prima de mais valias. Da rua para as nossas casas, vivemos uma realidade virtual que nos enebria e nos afasta dos problemas reais. Estamos dependentes de uma droga mediática. Somos, como disse Platão há milénios, prisioneiros numa caverna e só vemos sombras.

MG

Quem semeia ventos colhe tempestades. O mundo ocidental anda há anos a semear ventos no Médio Oriente. Primeiro derrubou Saddam Hussein, um ditador, mas que mantinha o Iraque unido e estável. A desestabilização do Iraque não contribuiu para melhorar a situação do povo iraquiano. Antes pelo contrário. Ajudou a criar uma anarquia política favorável ao aparecimento de movimentos fundamentalistas. Hoje, a nação iraquiana perdeu parte do seu território para um grupo de terroristas, que usam a designação de estado islâmico.Hoje, a sua população vive em permanente instabilidade e sobressalto. Em segundo lugar, o Ocidente fomentou e alimentou as chamadas primaveras árabes. O que resultou desses movimentos supostamente libertadores? Até agora a continuação da repressão, da ditadura e da exploração. Até agora uma guerra civil interminável na Síria, com milhares de mortos e grande destruição. Uma guerra que permitiu a ascensão de bandidos à solta travestidos de estado soberano.

A factura dessa política irresponsável está a ser apresentado. Por um lado o agravamento das condições de vida das populações mais atingidas e por outro a insegurança gerada pelo conflito armado, está a empurrar pessoas desesperadas para o continente europeu. O sangue que ajudou a derramar está a cair-lhe sobre a cabeça. Cabe à UE como responsável pela desestabilização e pelo cumprimento dos seus valores humanistas, acolher esses milhares de refugiados que lutam pela sobrevivência. No entanto, a solução para o problema encontra-se a montante. Compete ao Ocidente aplicar medidas que estabilizem o Médio Oriente e permitam níveis de desenvolvimento que tenham reflexos no bem-estar geral. Tarefa árdua, sem dúvida, mas  que se torna cada dia mais urgente.         

 

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