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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

10 Abr, 2015

Para quem escrevo?

Numa reportagem apresentada na SIC sobre blogues que são o ganha pão dos seus autores, Cláudio Ramos, do blogue Eu Cláudio, congratulou-se com as suas cem mil visitas mensais. A propósito, visitei alguns dos considerados campeões de visitas, e concluí que há razões que a razão desconhece, porque não vi por lá originalidade ou qualidade que justifiquem tal audiência. A não ser, que a qualidade literária, seja preterida pela banalidade pelos utilizadores da plataforma.

Contudo, o assunto, mereceu-me uma breve reflexão, sobre o acto de escrever na blogosfera. Deixando de lado aqueles que escrevem para ganhar a vida, com toda a legitimidade,  quero-me pronunciar sobre todos os outros, a grande maioria, que o faz sem conseguir quaisquer proventos. A questão que se coloca é, numa sociedade movida a dinheiro, quais os motivos que os levam a dispor do seu tempo com letras sem cifrões.

Haverá mil e uma razões para explicar esta actividade gratuita. Nem me arrisco a perorar sobre tais motivações. Cada um sabe de si. Situo esta reflexão, apenas, no que à minha pessoa diz respeito. Reflicto, reflicto, e chego a uma simples conclusão: escrevo para mim; escrevo para dar corpo e ordem a ideias dispersas que me povoam anarquicamente a mente. E embora o acto da escrita, ao contrário do se possa pensar, dê trabalho, tiro dele um prazer que me ameniza os dias. E escrevo porque, sem falsa modéstia, aproveito dotes pessoais, que me foram dados pelas musas da literatura. E com isto cumpro o objectivo principal .

Mas então não gosta de ser lido? Pergunta retórica. Claro, quem não gosta de ver apreciada a sua criação, seja em que área for?  Se alguém vier ler e gostar que venha. E porque no que escrevo procuro pôr qualidade e inteligência, admito que quem vier também a tenha. E isso satisfaz-me. E isso é mais gratificante que ter cem mil ou um milhão.

MG

 

 

 

08 Abr, 2015

A idade do pombo

Às idades tradicionais da vida, a saber, infância, adolescência, adulta, sénior, deve-se acrescentar a idade do pombo. Embora seja específica da referida ave também se pode associar à espécie humana. De facto, todos nós, uns mais que outros, temos uma tendência natural para fazer merd@. E essa prática é independente de outras idades, de sexo, religião e estatuto social. Veja-se a título de exemplo alguns monarcas da nossa dinastia que a fizeram e da grossa: o rei D. Fernando na primeira dinastia; D. Sebastião na segunda, e D. Miguel na quarta. Omito, propositadamente, a terceira, porque esses não eram nossos, nem tenho distanciamento, por razões patrióticas, para avaliar com rigor.

A idade do pombo atacou forte no dia das últimas legislativas (já atacara nas presenciais).Mais de um milhão de cidadãos votantes fizeram uma boa merd$, quando entregaram os destinos do país, a um bando de gente, cuja vocação é fazê-la. Ou porque não sabem fazer mais nada, ou porque gostam de a fazer. O certo, é que nos últimos quatro anos, vivemos dentro de uma autêntica ilha de esterqueira, rodeados de merd@ por todos os lados. E o que me angustia é que os seus autores a fazem, gostam de a fazer e ainda se vangloriam.

E vamos ver se nas próximas legislativas (e presidenciais) nos livramos deste reino cavernoso da idade do pombo. É que o cheiro da merda tem sido promovido, por esta gente merdosa, como uma panaceia para os nossos males. E o que me intriga (pasme-se!) é que há quem acredite. E até há quem tenha vendido a sua alma, em troca da permanência eterna na idade do pombo. 

MG

Vivemos numa Páscoa permanente. O senhor dos Passos continua na sua caminhada para o calvário. Mas ao contrário de há dois mil anos em que o Senhor carregou os pecados da humanidade e por eles foi sacrificado, este senhor carregou-nos a todos com uma cruz que vamos arrastando penosamente. Pôs na nossa cabeça, não na dele, uma coroa de espinhos. Obriga-nos a caminhar exaustos debaixo do chicote dos seus centuriões. Humilha-nos com a hipocrisia dos seus fariseus. Pilatos no seu palácio de Belém lava as mãos. Quando chegarmos seremos crucificados sem apelo nem agravo. Só ainda não percebi onde cabe tanta cruz. Este senhor Passos não é o Messias anunciado. Antes pelo contrário. É um falso Messias, um anticristo. Não veio para salvar a humanidade mas para a destruir.

Ao contrário de Jesus que se sacrificou para salvar o mundo o senhor Passos e os seus fariseus, sacrificam-nos para salvar os mercados. Merecemos. Cometemos o pecado da gula, embarcamos na barca da luxúria, ousamos querer viver bem, acreditamos no fim da pobreza e na morte da exploração.Pretendemos ter boa educação, ter direito à saúde universal e gratuita. Pecamos contra os omnipotentes mercados. Temos de ser castigados. Temos de cumprir mil penitências. Os sacerdotes dos deuses da usura (governantes) e os seus acólitos (comentadores castrados) fariseus dos novos tempos, vergastam-nos a cada dia que passa com maior violência. Espremem-nos a seiva da vida. E nós pecadores confessos batemos com a mão no peito, mea culpa mea culpa. Somos os cordeiros pascais deste mundo de exploração sem regras.

Ao fim de quatro anos de cativeiro, como messias renascido, prometem-nos uma terra de pão e mel. E ainda há quem acredite? Dos pobres de espírito será o reino dos céus. Uma boa Páscoa para os homens de boa vontade.

MG

 

 

José Silva Lopes foi um economista competente, mas acima de tudo um cidadão exemplar. Tinha revelado as suas capacidades no regime anterior, mas foi com o advento do regime democrático, que se projectou como um homem de pensamento e acção, ao serviço do Estado Português. Ocupou funções políticas relevantes nos primeiros governos, negociou a entrada de Portugal na CEE, teve diversos cargos na área financeira. O que fica para além do seu trabalho exemplar como técnico e político, é uma honestidade a toda a prova, uma seriedade fora do comum, um desapego por qualquer benefício pessoal, uma simplicidade rara e uma humildade sem limites.

Homem de princípios e valores, firme e dialogante, nunca transigiu com demagogias e populismos. Cidadão acima de qualquer suspeita, manteve-se sempre longe de tricas partidárias e afastado de protagonismos mediáticos. Discreto, não deixava de dar a sua assumida "modesta" opinião quando solicitada. Deixou para a posteridade a imagem de alguém que soube estar ao serviço do seu país, com abnegação e com intuito de contribuir para uma sociedade mais justa. Que a sua memória sirva de exemplo do que deve ser ser a função política.

MG

02 Abr, 2015

O senhor cinema

humorgrafe.blogspot.com

 

Podemos não gostar dos seus filmes por achar que lhes falta acção. Podemos não nos empolgar com as suas histórias algo intimistas. podemos aborrecer-nos com os seus longos planos. Mas o certo é que Manoel de Oliveira é o senhor cinema.

 

Embora a origem do cinema português se encontre no século XIX com Aurélio Paz dos Reis,  o início da ficção cinematográfica começa com a curta metragem, O rapto da actriz, realizada em 1907. Manuel de Oliveira nasceu em 1908 e completou cento e seis anos, aproximadamente os mesmos que a ficção cinematográfica em Portugal e nesse sentido confunde-se com a sua história.

 

 Quando em 1942 se estreou Aniki Bóbó, um fracasso comercial na época da sua estreia, mas que viria a transformar-se num clássico do cinema, o realizador experimental não passava de um ilustre desconhecido. A sua persistência resistiu a altos e baixos. Paulatinamente e sem vedetismos foi impondo o seu estilo, alheio a preocupações, rejeições e críticas.

 

 A sua longa carreira está recheada de filmes e documentários reconhecidos mundialmente.  Oliveira o mais velho realizador em actividade, fechou a lente da sua câmara, mas a máquina de produzir ilusões continuará com outros protagonistas, e a sua obra é desde já  um marco na cinematográfica mundial. Longa vida à sua obra e à sua Singularidade.

MG

O dia 1 de Abril é conhecido como dia das mentiras. Esta tradição vem de um tempo em que a mentira representava um acto pouco abonatório de honestidade. Esse dia funciona, em tal contexto, como um escape a comportamentos de seriedade. Ou seja,em 1 de Abril  é permitido mentir sem cair em pecado.

Isto acontecia no tempo em que a palavra e a honra eram conceitos aceites e respeitados. Mas nestes últimos tempos foram relegados para o campo das coisas sem valor. Mentir passou a ser uma banalidade. Enganar os outros torna-se virtude, capacidade, competência e como tal premiada. 

Assim se percebe que os políticos, com relevância para os que estão no poder, mentem todos os dias. Aliás chegaram ao poder montados em mentiras que apresentaram como verdades. Perceberam que a mentira compensa e persistem em utilizá-la com total descaramento. Assim deixou de haver espaço para um dia de mentiras. Todos os dias o são. Em Abril mentiras mil.

MG

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