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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

imagem net

 

A economia recupera. As exportações crescem sem cessar. O desemprego mingua mingua. A crise envergonhada vai saindo de fininho. Chove pão e mel. Quem diria? Milagre da santa troika? Interferência do senhor Passos? Penitência dos portugueses? Acreditem, chegou o purgatório que é uma passagem para o céu. Mantenham a fé nos santos salvadores. Faltam mais uns sacrifícios. Mais uma legislatura. Depois a felicidade eterna. Tudo acaba bem na história da carochinha. Há quem continue a acreditar. Ai João Ratão estás sempre a cair no caldeirão!

 

MG

12 Fev, 2014

Síndrome OLX

hierophont

 

 

De há três anos para cá Portugal já perdeu a ANA (aeroportos) a EDP, a REN, os CTT, a CGD Seguros, a Martifer. Para chineses, burgueses e outros malteses. Na calha está o estratégico sector das águas. Talvez para chineses e outros malteses. A troco de uns patacos.  Os vendedores do país têm o síndrome do OLX. Pensam que tudo em que se mexe se transforma em ouro.

Foi o que aconteceu com os quadros de Miró. Alguma das luminárias ao serviço dos vendilhões deve ter dito: estão no espólio do BPN umas telas com uns rabiscos; para os obcecados pela arte isto deve valer algum dinheiro; toca a vender. Mas como se é património público terá comentado um assessor, timidamente? Que se lixe, os fins justificam os meios. Contacte-se um marchand de arte e faça-se o negócio por debaixo da mesa.

É assim que agem os vendilhões. Foi assim com as jóias da coroa. Porque não havia de ser com uns rabiscos inúteis. Vai ser assim com tudo o que se transforme em cifrão. Quando não restar nada vendem os pins da lapela. A alma se alguma vez a tiveram foi vendida há muito tempo.

 

 

 

MG

 

10 Fev, 2014

Encontro adiado

desaba...

 

 

Numa noite de um verão porque suspiro. Que saudades! Numa esplanada cheia de alegres convivas. Crise, qual crise? Uma mocinha fina nos modos e no perfil, servia um pouco afogueada acalorados clientes. Bebia um fino com todo o gosto, disse. Diga-me isso quando sair, respondeu-me. Surpresa! Saí a pensar o que fazer. Não voltei a dizer! Nos piores momentos deste inverno chuvoso, frio, triste, lembro-me da mocinha que servia numa esplanada. Anseio pela chegada do verão. Desespero por voltar aquele local e voltar a pedir um fino à fina menina que me me marcou encontro para a saída. Faltei! Vou corrigir a indelicadeza mal chegue Agosto. É apenas um encontro adiado.

06 Fev, 2014

Governo tômbola

jellineo.net

 

Os sorteios têm muita popularidade. Os portugueses alinham nesse tipo de ofertas que funcionam como incentivo ao consumo. Estão, por isso, relacionados às actividades comerciais. Oferecem viagens, carros, electrodomésticos, computadores e por aí fora. Também proliferam em jornais mais popularuchos. São premiados cerca de um por cento dos participantes, mas os cidadãos gostam de entrar neste engodo.

 

Nada de novo até aqui. Contudo a adesão do povo aos sorteios fez com que estes subissem na escala institucional. Agora é o Governo de Portugal que vai sortear carros, com base nas facturas pagas pelos cidadãos. Deste modo, estas passam a ter uma dupla função: justificação do pagamento e bilhete de lotaria. Tínhamos um Governo incompetente, autoritário, insensível, desonesto, desumano e agora acrescenta-se-lhe a função de Governo tômbola. Em vez de criar condições que melhorem a vida dos cidadãos para terem acesso aos bens que desejam, retira-lhe rendimentos e transforma-os em jogadores de roleta. Quer um carrito? Jogue na tômbola do Governo? Sai sempre.

 

MG

Giovanni Gentili ,teórico do fascismo, define totalitarismo como "uma sociedade em que a ideologia do estado teria influência, se não poder, sobre a maioria de seus cidadãos. O tototalitarismo vingou na Europa como sistema político na primeira metade do século XX. Foi uma ideologia abrangente que capturou quer a direita quer a esquerda. No topo de uma hierarquia rigorosamente controlada está um chefe máximo que detêm todo o poder. O poder do chefe é não só total mas discricionário. O chefe decide  em nome de todos qual o seu destino.Se vivem, se morrem ou como devem viver. Humilhação e atortura são algumas das suas armas, desvalorizando a vida humana. Praticam a brutalidade sem regras, o crime sem castigo.

 

As praxes universitárias reproduzem actualmente essas práticas totalitárias. As comissões de praxes autoconstituem-se numa hierarquia rígida  comandada por um chefe a que chamam dux. Humilham, violentam, torturam. Armados em pequenos ditadores brincam com a dignidade dos outros que tratam como seres inferiores,sem direito a opinião.  As praxes copiam e replicam processos autoritários. São escolas de tototalitarismo

 

MG

03 Fev, 2014

Encher chouriços

Há dias em que queremos dizer alguma coisa mas não temos mesmo nada para dizer. O melhor seria fazer uma pausa sabática. Mas não, insistimos, forçamos a nota e botamos discurso. Em linguagem popular chama-se encher chouriços, um pouco à imagem de debates políticos ou conferências de imprensa de treinadores de futebol. Então fala-se das inclemências  do tempo, da desonestidade das arbitragens, do milagre económico do Governo, da redução espectacular do défice, do adiamento de alguns cortes nas pensões para depois das eleições. Com mais ou menos adjectivos, horas e horas de debates que bem espremidos não deitam nada. Do que se fala pouco é da oposição à governação mais despudorada do período democrático. E não se fala especialmente do PS, simplesmente porque não existe.

 

O maior partido da oposição e com hipóteses de ser alternativa está num estado de negação. Há três anos que vegeta num limbo de não-existência que começa a fazer perder a paciência a um santo. Começou a não-existir quando renegou o seu passado. Nada existe de geração espontânea. Procurar que por omissão o seu passado sumisse numa manhã de nevoeiro é uma espécie de sebastianismo ao contrário. Passada a névoa ficaria um PS livre de qualquer pecado original. Mas a única originalidade é esta oposição made in Tozé Seguro. Não assume nada, não se compromete com coisa nenhuma, não apresenta qualquer projecto. Parece um holograma. Não existe. Ou só existe para empatar como o pau de cabeleira da namorada super vigiada. Não come nem deixa comer.

 

Desde que assumiu a liderança do PS, sem liderar, que se espera que Seguro desabroche. É evidente que nunca irá desabrochar. Se não conseguiu capitalizar o descontentamento geral até agora, menos o capitalizará quando a demagogia eleitoralista começar a funcionar. Seguro a bem do interesse nacional devia reconhecer a sua incapacidade, retirar-se e deixar que seja encontrada uma solução que faça renascer o PS. Com a  sua persistência no estado de negação é um aliado objectivo deste Governo. Com a sua oposição de encher chouriços é co-responsável pela destruição  do país.

 

MG

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