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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

commons.wikimedia.org

 

O prazer de ler não será uma qualidade meramente inata. Como toda a aprendizagem depende de muita transpiração. Foi lendo que fui ganhando gosto pelos livros e pela informação que veiculam. Nos tempos de descoberta das emoções que vivem nas histórias escritas, pude contar com a ajuda de muitos mestres na arte de satisfazer o espírito. Um deles chama-se Júlio Verne: devorei com sofreguidão as histórias fantásticas saídas da sua criatividade visionária.

 

Da Terra à Lua fez-me sonhar com viagens inter-planetárias. Vinte Mil Léguas Submarinas levaram-me a acreditar no fim dos mistérios do fundo mar. Volta ao Mundo em Oitenta Dias, fizeram-me antever a relatividade das distâncias. Sem cair no exagero da ficção improvável, Júlio Verne antecipou com sem fugir da lei das probabilidades, a realidade possível do século XX. As ideias desenvolvidas com rigor nos seus romances tinham substância. Apenas faltava a tecnologia mais adequada. E quando esta chegou cumpriu-se Júlio Verne," o homem que sonhou o futuro". 

 

 

 

 

bomdia.news352.lu

 

O futebol é hoje uma indústria que move e se move por milhões. O futebol romântico de amor à camisola é coisa do passado. Apenas persiste na liga dos últimos e mais concretamente nos jogos de solteiros e casados. Ser artistas na arte do pontapé é sinónimo de sucesso imediato. Apenas amam um clube, o do cifrão, apenas adoram uma cor, a do dinheiro.

 

Outra coisa são os adeptos do chamado desporto rei. Não agem com a razão mas com o coração. Não procuram nas arenas, racionalidade mas emoção. Vibram exultam ou choram com o espectáculo. Amam os seus ídolos, tanto ou mais que a si mesmos. Uma vitória é mais excitante que um prozac. Uma derrota é mais deprimente que um desgosto de amor. É esta a magia do futebol, é esta a sua beleza.

 

Na vertigem do cheiro do metal sonante que inebria os gladiadores dos tempos modernos, ainda há quem consiga aliar à justa remuneração do seu trabalho, um pouco de dignidade moral, um pouco de fidelidade ao clube que o acolhe, aos adeptos que o idolatram. Há poucos, infelizmente, mas há. Liedson é um profissional da bola que se encaixa nesse perfil. Jogador acima da média chegou ao Sporting, discreto e desconhecido. Cedo mostrou elevada qualidade, alto profissionalismo. Com um ou outro arrufo natural, foi ficando e completou ao serviço do clube quase oito anos ininterruptos. Saiu para acabar a carreira no seu país. Saiu mostrando não só o seu valor técnico, mas uma faceta profundamente humana: a emoção. E por isso não será mais um atleta efémero, será o Atleta, de corpo e alma.  

 

MG

 

 

05 Fev, 2011

Vistas curtas

 

blogues.cienciahoje.pt

 

O ataque à cadeia de Luanda há cinquenta anos, foi o big bang de uma guerra anunciada dos nacionalistas angolanos contra  o colonialismo português. Pouco depois, iniciaram-se os ataques à população civil. A resposta de Salazar foi: para Angola e em força. Ia começar uma longa guerra em três frentes e que se saldou em milhares de mortos e estropiados.

 

A teimosia do regime, em querer manter contra tudo e contra todos, a posse dos terriórios ultramarinos revela uma cegueira que custou enormes recursos ao erário público e desbaratou uma parte significativa da juventude dos anos sessenta. Do Minho ao Algarve milhares de jovens, incluindo coxos e marrecos, foram mobilizados para combater os "turras" num terreno desconhecido, num clima hostil e numa luta que não entendiam. Com a generosidade dos simples  deram o seu melhor pela nação, por  Portugal.

 

A visão de um ditador de vistas curtas,  com um projecto económico tipo merceeiro e  uma política financeira de deve e haver, custaram ao país décadas de atraso. A política do orgulhosamente só, num mundo em globalização, colocou a sociedade portuguesa em baixos patamares de desenvolvimento e altos índices de pobreza. A sua incapacidade de admitir negociações com os movimentos de libertação, que poderiam ter levado à situação autonómica das colónias e criado condições para uma independência progressiva, teve custos elevadíssimos para a população branca das colónias e para a população autóctone. Podia ter-se evitado a debandada da principal massa crítica, podiam ter-se evitado longas e destruidoras guerras civis, podiam ter-se acautelado os interesses nacionais.

 

Neste caso, como noutros a culpa morreu solteira e os responsáveis por esta catástrofe evitável ficaram orgulhosamente impunes. A história dos povos é feita de altos e baixos, de bons e maus momentos, de gente pequena e de gente grande. E este foi um período de gente pequena à frente dos destinos de Portugal.

MG

 

meupequenomundolouco.blogspot.com

 

 

Anos 80: tudo é diferente, no cairo quente. Premonição?

 

MG

 

Interpretação: Táxi / Seda

Música e Letra: Táxi


Ponto de passagem

Cidade internacional
Os espiões vão de viagem
Joga-se o xadrez mundial
aaah, tudo é diferente
aaah, no cairo quente
 
Desfilar de presidentes
Diplomatas elevados
Todos querem noites quentes
E não ficarem queimados
aaah, tudo é diferente
aaah, no cairo quente
 
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo 
Apaixonante
Isto é o
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo 
Apaixonante
 
Capital do mistério
Terra de aventureiros
Já ninguém parece sério
É um local de guerrilheiros
aaah, tudo é diferente
aaah, no Cairo quente
 
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo 
Apaixonante
Isto é o
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo 
Apaixonante
 
Ponto de passagem
Cidade internacional
Os espiões vão de viagem
Joga-se o xadrez mundial
aaah, tudo é diferente
aaah, no cairo quente
 
Isto é o
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo 
Apaixonante
 
 
 
 
 

 

 

Ponto prévio: não gosto de ditadores, nem de ditaduras, até porque desse manjar já tive a minha dose. Orgulho-me de ter dado a minha contribuição, modesta, para o fim do Estado Novo. Orgulho-me de ter contribuído, ainda mais modestamente para o triunfo da democracia. Tive acção política no PREC, mas hoje estou reformado desse peditório.

 

Não gosto de ditadores, quer se chamem Mubarak, Santos, Castro e entendo a revolta do povo egípcio contra a miséria em que vive. Mas não entendo o anátema lançado sobre o presidente, como se tivesse de carregar a cruz de todos os torcionários que existem no mundo. Ainda menos entendo a convicção de  que derrubado o ditador , a democracia está ali ao virar de uma esquina, quando o mais certo é lá estar um outro ditador mascarado ou não de democrata. Não entendo, como não se entende que este MubaraK não passa da ponta de um iceberg que governa o Egipto há décadas. Esse iceberg usa farda, botas cardadas e anda de arma a tiracolo. O nome da parte mais visível do iceberg pouca importa. Pode ser  Mubarak, como já foi Sadat. E só cai se o agora cândido exército assim o quiser.

 

A democracia é o pior regime, mas ainda não se inventou outro melhor, disse Churchill. A história mostra-nos que a democracia é um regime caro e por isso acessível a países ricos ou no mínimo remediados, o que não invalida que os pobres não tenham aspirações a dela usufruir. A democracia é viável quando o grau de desenvolvimento e riqueza permite fazer chegar às classes socialmente mais baixas uma fatia significativa dessa riqueza. Quando isso não acontece, está aberta a via para poderes totalitários ou para regimes com democracias de faz de conta.

 

A ausência de um desenvolvimento sustentado, aliado a mentalidades dominadas por conceitos religiosos rígidos e conservadores, são um caldo de cultura para todo o tipo de autoritarismos. Antes de se falar de amplas liberdades, pondo o carro à frente dos bois, é necessário colocar estes países na rota do desenvolvimento, melhorar as condições de vida dos povos e alterar mentalidades. A democracia virá por acréscimo. Até lá por muitas justas  ilusões que se criem, a democracia com MubaraKs ou outros, penso que será uma miragem no deserto.

 

Zé Cavaco

 

Na década de 50, quando a vida na televisão era a preto e branco,quando a vida no país real era mais preta que colorida, as camionetas do SNI, conhecidas nas aldeias e justamente, como propaganda, percorriam o país oferecendo às populações diversão e paternalismo. Paternalismo de um Estado que queria mostar que  se preocupava com as suas gentes. Levavam, geralmente, filmes ideologicamente inócuos, simples, divertidos ou a puxar ao patriotismo.

 

Joselito, prodígio espanhol na arte das cantorias, ícone popular do período áureo do franquismo, é personagem de filmes de grande popularidade, especialmente entre a camada infantil. O Ministério da Cultura salazarista, com a sua máscara de protector e animador  das classes populares e da sua fidelização ao regime, distribui cinema gratuito pelas populações rurais mais afastadas dos centros de cultura. Os filmes de Joselito, faziam parte desse acervo cinematográfico do velho Estado Novo. Recordar é não esquecer, a história que fomos, a época que nos moldou. Recordar imagens e sons com Joselito.

  

  

 

 

 

 

 

01 Fev, 2011

Sem assunto

osinvicioneiros.com.br

 

O que é que se diz quando não tem nada para se dizer, se quer dizer alguma coisa e o silêncio pesa como chumbo: está um dia lindo, mas um frio de rachar...vamos lá ver se não chove...pois é...e que tal...quem sabe...

 

O que se escreve quando não há nada para escrever, a mente está oca, a imaginação está de folga,  (com todo o direito) o assunto escorrega como enguia oleada...Passam mil assuntos pela nossa ausência e nenhum se detém nem um segundo: e aquilo no Egipto está mesmo feio; o Regime vai ou não vai cair? o MubaraK tem ou não um democrata escondido no mais profundo do seu ser? aquele povo quer democracia ou comida? e os faraós o que pensam destes árabes que exploram o seu legado patrimonial? e o Obama que faz no lado escuro do problema? o que têm as agências de rating a ver com isto? Já não lhes chega Portugal e as suas novelas politicas?  A propósito, Passos Coelho quer ou não quer ser primeiro-ministro? uns dias parece que sim, outros dias parece que não? e Portas quer uma revolução? e o Sporting é real ou ilusão? e o Benfica ganha ou perde no dragão?  só Interrogações e mais interrogações e nem uma graminha de assertividade. Está  um frio de rachar..afinal quando chega o verão?...

 

MG

 

 

 

 

 

 

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