Xutos e pontapés: Liedson
bomdia.news352.lu
O futebol é hoje uma indústria que move e se move por milhões. O futebol romântico de amor à camisola é coisa do passado. Apenas persiste na liga dos últimos e mais concretamente nos jogos de solteiros e casados. Ser artistas na arte do pontapé é sinónimo de sucesso imediato. Apenas amam um clube, o do cifrão, apenas adoram uma cor, a do dinheiro.
Outra coisa são os adeptos do chamado desporto rei. Não agem com a razão mas com o coração. Não procuram nas arenas, racionalidade mas emoção. Vibram exultam ou choram com o espectáculo. Amam os seus ídolos, tanto ou mais que a si mesmos. Uma vitória é mais excitante que um prozac. Uma derrota é mais deprimente que um desgosto de amor. É esta a magia do futebol, é esta a sua beleza.
Na vertigem do cheiro do metal sonante que inebria os gladiadores dos tempos modernos, ainda há quem consiga aliar à justa remuneração do seu trabalho, um pouco de dignidade moral, um pouco de fidelidade ao clube que o acolhe, aos adeptos que o idolatram. Há poucos, infelizmente, mas há. Liedson é um profissional da bola que se encaixa nesse perfil. Jogador acima da média chegou ao Sporting, discreto e desconhecido. Cedo mostrou elevada qualidade, alto profissionalismo. Com um ou outro arrufo natural, foi ficando e completou ao serviço do clube quase oito anos ininterruptos. Saiu para acabar a carreira no seu país. Saiu mostrando não só o seu valor técnico, mas uma faceta profundamente humana: a emoção. E por isso não será mais um atleta efémero, será o Atleta, de corpo e alma.
MG