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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

 

Ontem fui a um casamento. O que querem, obrigações familiares. Quem nunca cometeu esse pecado que atire a primeira pedra. Foi um casamento como tantos outros que ocupam as igrejas e dão trabalho às empresas de banquetes. O senhor cura fez a sua arenguisse habitual: bla, bla, bla. O fotógrafo disparou objectivamente sobre tudo e sobre todos. O cortejo deu colorido às tristes artérias domingueiras. O banquete serviu para o pessoal enxotar transitoriamente as mágoas do quotidiano. No fim não podia faltar a dança dos pés de chumbo. Um casamento à portuguesa onde um gajo se lembra que em tempos foi novo e cheio de ilusões.

 Este matrimónio teve para mim pelo menos uma originalidade: trata-se daquilo que genericamente se chama o dois em um, ou seja casamemto e baptizado. É que os nubentes , ao contrário da prática tradicional, levavam o seu rebento num carrinho de bebé, enfim un peu avant la lettre, isto é já levam um antes do início do jogo. Bom, se esta moda pega, de certeza que vai duplicar o número de nascimentos. E ainda bem porque precisamos de gente para nos pagar as reformas.

MG

 

PS Entretanto lembrei-me duma canção,, do efémero grupo Rio Grande, que hoje é um clássico da música portuguesa: dia do nó

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02 Set, 2010

A teoria Putin

"Levavam umas bastonadas na cabeça e acabou-se"

 

Vladimir Putine, primeiro-ministro russo, sobre o que podemos esperar os dissidentes do seu país caso desafinem a ordem pública

 

A teoria Putin já faz escola. Em Moçambique se alguém esboça um protesto, embora exagerado, o que se faz? Dá-se-lhe umas bastonadas ou em alternativa umas metralhadas. Não se questiona o modelo de desenvolvimento, não se questiona a distribuição da riqueza, não se aplica a concertação social. Bastonadas. O povo moçambicano, humilde, pacífico e paciente não merece.

 

MG

Calma regressa a Maputo após manhã de violência  (SAPO MZ)Imagem sapo

Maputo está a ferro e fogo. Literalmente. Não se conhecem com precisão as razões desta brusca erupção de violência. Por aquilo que dizem as notícias esta revolta parece estar relacionada com aumento de preços de bens essenciais.

 

Sabe-se que as condições de vida da maioria da população moçambicana roçam o nível de sobrevivência : Ao contrário sabe-se que uma minoria dispõe da maioria da riqueza disponível que usa e abusa a seu bel-prazer. Apesar disso o povo de Moçambique tem demonstrado uma atitude pacífica perante a grande desigualdade social a que está sujeito. Se agora envereda por comportamentos de extrema agressividade é porque a situação está a ultrapassar os limites do tolerável.

 

O poder político emana do povo e deve governar para o povo e com o povo. Deve começar por admitir injustiças na distribuição da riqueza. Em diálogo com a sua população deve humildemente reconhecer os seus erros e comprometer-se a corrigi-los. Enveredar pelo caminho da violência institucional é atirar combustível sobre uma fogueira.

 

O povo moçambicano que tem demonstrado uma louvável atitude democrática merece o respeito dos seus dirigentes. Cabe-lhes decidir se também querem continuar a ser respeitados.

 

MG

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