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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Há anos houve as mães de Bragança por causa de umas meninas atrevidas que punham em risco os bons costumes e a unidade familiar. Segundo os relatos da época, essas senhoras de mau porte estariam a desviar os pais e também maridos da sua tradicional missão de exemplos de bom comportamento para as gerações vindouras.

 

Essa, pelos vistos, justa luta das abnegadas mães, parece ter dado bons frutos. Alguns anos depois, salva a moral  numa terra de gente pacata e trabalhadora os resultados estão à vista. Bragança volta aos ecrãs televisivos por razões bem mais nobres. Seis meninas de uma turma do 12.º ano entraram no Curso de Medicina com médias superiores a dezanove, fruto sem dúvida, segundo os testemunhos, de muito empenho, dedicação, esforço, entreajuda e solidariedade, para além das capacidades intrínsecas

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 Estas meninas, que serão daqui a uns anos médicas tão necessárias ao depauperado serviço nacional de saúde, são o exemplo de que no interior deste rectângulo europeu existem mais- valias e massa critica como costumam dizer os entendidos. É  a melhor prova de que não é fechando escolas nos meios rurais ou criando mega agrupamentos que se aproveitam as sinergias existentes. Não é pondo toda a população à beira mar que se constrói um pais equilibrado. Esta básica capacidade de percepção parece não residir infelizmente na mente da classe política que nos governa. Tenhamos esperança que estas meninas de Bragança ou de Viseu ou de outros locais perdidos, consigam mudar este país e renovar as mentalidades, para que haja igualdade entre todas as meninas, estas e as outras escorraçadas em tempos pelas suas mães. Todas são necessárias. E ressalvando a exploração imanente, sempre condenável, a liberdade tem de ser um valor universal.

 

MG

 

17 Set, 2010

silogismo

 

Há gente que por não saber construir, destrói. Os governos são constituídos por gente. Logo há governos que não sabendo construir, destroem.

Este silogismo aplica-se plenamente ao governo português. Como não vive naquelas cabeças obscuras uma única ideia racional sobre educação, o que fazem? Podiam não fazer nada, o que era bem mais útil para todos nós. Mas não, precisam de apresentar serviço para mostrar a sua (in)competência.

 

A grande invenção do governo do senhor engenheiro de obras feitas é genial: vivam  as escolas grandes, pequenas nunca mais. Dito e feito. Logo os comissários políticos e todos os lambe-botas de ocasião começam a pôr em prática, mesmo sem apoio legal, a brilhante descoberta dos iluminados obscuros. . E querendo ser mais engenheiros que o engenheiro, acrescentam: qualquer escola para ser produtiva tem de ter pelo menos três mil alunos. E do nada surge o bing bang, chamado mega agrupamento.

 

Em Alenquer, como noutros locais, interromppeu-se ilegalmente o mandato de uma direcção legítima, e entregou-se a direcção a gente sem competência nem preparação para dirigir uma escola secundária. O resultado está à vista: um pandemónio. E isto, se não for revertido, é um fim de uma escola secundária de referência. O governo cangalheiro vai lavar daí as suas mãos . A sua ministra da educação, limita-se a ser mestre da cerimónia, com o seu sorriso cadaveroso e assume o papel de uma personagem secundária numa aventura no reino da irresponsabilidade.

 

 PARA O  ABISMO

MG

 

Não há pior dia que a segunda-feira. Depois de um dia de descanso o trabalho. Mas eu gosto de fazer segunda de sapateiro ou seja dar folga às solas. Nestes entretantos sobrou-me em indolência o que me faltou em  insolência. Fica para um dia mais preenchido. Mas nesta lazeira sapateiral vieram-me à memória os gloriosos tempos do Processo Revolucionário em Curso. Aquilo é que era alegria, aquilo é que era esperança, aquilo é que era sonho, aquilo é que era generosidade; aquilo é que era ilusão. E prefiro mil vezes essa iludida ilusão que esta ilusão iludida do nosso prestigiditador-mor. Adiante: no meio deste emanrahado de pensamentos gastos pelo tempo e pela mediocridade, saltou-me das profundezas do arquivo mental  um poema pouco conhecido do Zeca e que simboliza esses tempos de ingenuidade revolucionária. Chama-se Teresa Torga. Se conhece recorde-o. Se não conhece vale a pena conhecer:

 

MG

 

"TERESA TORGA"

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua

A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela

Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala

Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga

Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que a diga António Capela

Teresa Torga Teresa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha

 

   José Afonso

 

Mas se prefere a versão musicada  aqui está e não receei ser feliz...

 

 

12 Set, 2010

Hoje é Domingo

Deus Fez o mundo em seis dias e ao sétimo descansou...

                                        Velho Testamento

 

Hoje é Domingo e de acordo com a Bíblia sétimo dia da criação e do descanso divino. E o homem como um bom filho deve seguir as pisadas do pai . Por isso ao Domingo descanso, esqueço as agruras do quotidiano e devaneio. Assim o que vou escrever não é para se levado a sério:

 

1.º devaneio

 

O Sporting tem uma maldição, passar sempre ao lado dos grandes treinadores. Foi por uma unha negra que não contratou Mourinho quando este era um ilustre desconhecido. Foi por uma unha suja que não contratou Villas Boas, genérico mas de boa qualidade, quando custava dez reis de mel coado. Salve-se o facto de ser uma equipa portuguesa.

 

2.º devaneio

 

Quero voltar à TVI, pois desde que saí tem vindo a perder audiências.

 

                           Manuela Moura Guedes

 

 

Presunção e água benta cada um toma a que quer. Ou , como é que ainda não foi contratada por algum deus para salvar o mundo, da injustiça, da exploração, da incompetência, do desleixo, da corrupção...?

 

3.º devaneio

 

Ainda vamos encerrar mais escolas.

              ministra da educação

 

Esta senhora nem descansa, nem nos quer deixar descansar! Hoje é Domingo.

 

MG

 

09 Set, 2010

Na mouche

A revolução cubana não pode ser exportada porque já nem para nós funciona.

                                                                Fidel de Castro

 

revolucionário e pensador?

 

 

Aleluia. Depois de muitos longos Invernos Fidel decretou a Primavera. O velho revolucionário continua a supreender-nos com novas estratégias. Mantem a capacidade de perceber o sinal dos tempos. Parece estar a preparar uma Sierra  Maestra de sentido contrário. Parece vir aí a evolução na continuidade, sem revolução, sem sobressaltos, sem dar espaço à oposição. Ele próprio parece estar a assumir essa função. A velha raposa sabe jogar em todos os tabuleiros. E possivelmente, sem Perestroika, está a caminho uma Cuba livre.

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09 Set, 2010

Bom cinema

Aqui transcrevo uma boa notícia para os admiradores do cinema de Pierre Etaix, para todos os cinéfilos e para o cinema em geral. Nesta comunicação enviada em Maio, pode ler-se que os filmes de Pierre Etaix vão ser restaurados, vão voltar às salas de cinema e vão ser publicados em DVD. Finalmente houve bom senso. A obra de grande qualidade deste realizador francês que é  uma referência na história da cinematografia mundial merece estar acima de questiunculas de reduzida importância. Com esta decisão é sobretudo o cinema que sai vencedor.

 

MG

 

Après l'annonce, il y a quelques jours, de la projection à Cannes du film "Le Grand Amour" de Pierre Etaix, nous sommes heureux de vous annoncer la ressortie officielle de l'ensemble de ses films le 7 juillet 2010.

 

Cinq longs métrages et trois courts métrages (dont un inédit) sont actuellement en cours de restauration sous la responsabilité de François Ede et le regard de Pierre Etaix. Cette restauration est unique (c'est en effet la première fois qu'une oeuvre cinématographique est restaurée en une seule fois dans son ensemble). Elle est le fruit d'une belle collaboration entre Pierre Etaix, Studio 37 (propriértaire des négatifs), et les fondations Technicolor pour le Patrimoine du Cinéma & Groupama Gan pour le Cinéma.

 

Un grand merci à Pierre Etaix pour son courage et sa détermination, merci aussi à François Ede, à toute l'équipe de Studio 37, à Séverine Wemaere (Déléguée Générale de la Fondation Technicolor) & à Gilles Duval (Délégué Général de la Fondation Groupama Gan) pour leur travail remarquable et leur obstination.

 

 

Encore une bonne nouvelle: l'intégralité de l'oeuvre cinématographique de Pierre Etaix sera disponible en DVD à la rentrée. Nous vous communiquerons tous les détails dans une prochaine lettre d'information.

Não sou fundamentalista em coisa nenhuma. Confesso que ajudei a eleger este governo, mas não me identifico com todas as suas políticas. Admito que tenha tomado medidas certas nalgumas áreas, mas também reconheço que errou em muitas outras. A educação foi um sector onde tem predominado o disparate. Na legislatura anterior conseguiu unir uma classe tradicionalmente desunida. Forçou a implementação de uma avaliação inaplicável, elegeu os professores como um inimigo público, desestabilizou o o normal funcionamento das escolas. Com prejuízo para as aprendizagens. A nova ministra procurou restabelecer a paz nas escolas e estabilizar o ensino. Corrigiu alguns erros de palmatória e criou uma onda de esperança. Sol de pouca dura. Passados poucos meses no cargo deslizou para a asneira.

 

A monstruosidade chegou com pezinhos de lã no final do ano lectivo. Decidiu encerrar escolas tendo como único critério o facto de terem menos de vinte alunos. Não se estudou, não se programou, não se perspectivou. Decidiu-se com a arrogância e o desrespeito próprio dos imbecis. Mas a maior imbecibilidade estava para chegar e chegou repentinamente como um furação não detectado e em forma de ultimato. Tratou-se da constituição dos chamados mega agrupamentos. De um dia para o outro cem escolas, escolhidas ao que parece aleatoriamente foram  obrigadas a unir os trapinhos por deliberação por deliberação do grande chefe. Mais uma vez sem estudos, sem consulta, infringindo toda a legislação existente. Encontro um único critério: poupar uns centavos no sector educativo, não com redução de desperdícios, moderação da burocracia ministerial, mas à custa da qualidade do ensino. reduzem-se uns cargos directivos, fundem-se umas secretarias e elah, grande poupança. Pura ilusão. Por este processo não se elimina um único vencimento, Por este processo constituem-se escolas quase ingovernáveis com quase três mil alunos. Por este processo prejudica-se a qualidade do ensino e perturba-se a normalidade escolar. Os principais prejudicados mais uma vez são os alunos.

 

A cereja foi colocada em cima do bolo no início de mais um ano lectivo. Decreta-se o fim do ensino recorrente. Para quem não sabe o Ensino Recorrente e digo-o com conhecimento de causa é há muitos anos uma oportunidade para que jovens ou adultos  possam fazer os seus estudos em horário pós- laboral. Eu próprio beneficiei, em tempos, dessa oportunidade para fazer grande parte da minha formação escolar, enquanto trabalhador e estudante. Destruir o ensino nocturno é um crime de lesa cultura, é um fechar de portas de formação profissional para milhares de cidadãos. Mais que uma imbecibilidade é uma estupidez. Sei, com conhecimento de causa , que vão alegar que criaram as Novas Oportunidades. Só que estas não são novas nem são oportunidades. Trata-se de um sistema de emissão de diplomas de duvidosa credibilidade. Para isto não são precisas escolas, nem professores. Basta abrir uma secção nas lojas do cidadão.

 

A nova ministra não tem projecto, nem objectivos para o ensino. Não se lhe conhece uma medida para melhorar as aprendizagens ou estabelecer o rigor e a disciplina. Limita-se a governar aos repelões e de acordo com circunstâncias aleatórias. Creio até que é uma espécie de genérica ou melhor uma "frankensteina" governamental: um bocadinho das finanças, um bocadinho da economia, um bocadão do grande chefe...Estamos mesmo num filme de terror.

MG

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07 Set, 2010

Setembro

Setembro é um mês difícil. Significa o fim das férias e o stress do regresso ao trabalho. Significa o fim do verão com os seus longos e luminosos dias. Significa o regresso às aulas com o habitual cortejo de disparates governamentais. Significa o regresso da política e dos políticos com as suas guerras de alecrim e manjerona, sempre em defesa do povo. Significa o fim dos namoricos fugazes e despreocupados.

 No tempo em me iludia e desiludia com os amores transitórios, no tempo dos gloriosos dias das rádio, esta canção interpretada pelo saudoso Duo Ouro Negro fazia-nos acreditar que outro verão havia de chegar com as mesmos sonhos e que a vida com seus altos e baixos é um eterno retorno.

MG